Uma pessoa solidária nunca se perde de Deus

Prédica

05/01/2020

Mateus 2.1-12
(P.Nilton Giese)

Conta o Evangelho de Mateus que os reis magos vieram de diferentes partes do mundo, decifrando os sinais. Fica óbvia a comparação entre os magos, que sabem entender os sinais dos tempos, e Herodes, os sacerdotes e escribas, que apesar de conhecerem as profecias do Antigo Testamento e terem toda a informação nas mãos, não entendem nada.

Os magos vieram do Oriente. Podem ter sido sacerdotes na Pérsia (hoje Irã/Iraque). Eles têm outra religião. O texto não diz que eles vieram adorar o menino Jesus porque eles mudaram de religião. O que o texto diz é que eles voltaram para sua terra e provavelmente continuaram praticando sua religião.
Isso é uma primeira coisa importante: Os magos não vieram visitar o menino Jesus porque eles reconheceram que a religião dos judeus era superior a religião deles. Eles vieram visitar o menino Jesus porque eles reconheceram que na religião dos judeus havia coisas boas que vale a pena conhecer e respeitar. Portanto, os reis nos ensinam a não julgar as religiões uma superior a outra, mas a respeitar a diversidade religiosa e reconhecer que nas outras religiões tem coisas boas.

Uma outra coisa que chama a atenção nesse texto é que o rei Herodes e seus assessores, além de muitas outras pessoas na cidade de Jerusalém ficaram muito preocupados com a notícia do nascimento do rei dos judeus. Como é que o nascimento de uma criança pode amedrontar um governo e toda a sua laia? A presença de Deus sempre provoca medo nos grandes, nos que oprimem e empobrecem os marginalizados. Para eles, Jesus é uma ameaça. E por isso decidem contratar assassinos para matar o menino Jesus. Como não conseguem encontrar o menino, mandam matar indiscriminadamente todos os meninos até dois anos de idade.

Jesus, nasce em Belém, uma pequena cidade quase na periferia de Jerusalém. Para os que sabem ler os sinais dos tempos o projeto de Deus nasce no meio dos projetos sociais no meio do povo. É ali que se cumprem as promessas de Deus.
Conta uma antiga história que não foram 3 os magos que foram visitar Jesus, mas 4. Diz esta lenda que os quatro reis magos vinham viajando por quatro caminhos diferentes, e cada um trazia o que existia de mais precioso em seu país: um levava ouro reluzente, outro, incenso cheiroso, o terceiro, mirra excelente. O quarto mago era o mais jovem e trazia três diamantes de valor incalculável.

Em nenhum deles ardia tão forte o desejo de ver a Jesus como no mais jovem. Enquanto os outros magos viajavam somente durante a noite, seguindo a estrela, aquele jovem mago queria chegar mais rápido – e por isso cavalgava dia enoite - ansioso por encontrar logo o menino Jesus. Certo dia, ele ouviu um choro, um soluçar muito triste. No meio da poeira, viu uma criança que estava muito machucada e ferida. Uma criança sem ajuda. Com grande compaixão, ele a colocou sobre os eu cavalo e foi em direção a um povoado. Na vila, ninguém conhecia a criança. Mas o jovem mago afeiçoou-se tanto a ela que a entregou aos cuidados de uma boa senhora. De sua algibeira retirou um diamante e o entregou a senhora para que ela e a criança tivessem um futuro assegurado. Na noite seguinte, a estrela brilhou mais forte do que nunca, dando a ele a certeza que estava no caminho certo até o menino Jesus.

Depois de vários dias de viagem, ele chegou perto de uma pequena cidade. Ao entrar na cidade, ele encontrou um cortejo fúnebre que vinha ao seu encontro. Atrás do esquife seguia uma mulher com duas filhas. Uma expressão inconsolável marcava o rosto dela, e as crianças agarravam-se desesperadamente à mãe. Quando perguntou o que estava acontecendo, foi informado que o pai estava sendo levado à sepultura e, depois disso, a mãe e os filhos seriam vendidos como escravas, para pagar as dívidas do falecido. Assim era a lei. O jovem rei ficou muito comovido e por isso tirou a segunda pedra preciosa da algibeira a colocou na mão da viúva e disse: Paguem as suas dívidas e, com o que sobrar, construam um novo lar!, Depois subiu no seu cavalo e voltar a seguir a estrela.

Uma semana depois ele chegou a um lugar a uma vila que estava em chamas. Havia guerra ali: dor, miséria e sangue cobriam a terra. Um grupo de agricultores tinham sido ajuntados para serem executados pelos soldados invasores. O jovem rei ficou aterrorizado. Restava-lhe apenas um diamante. Esta desgraça era tão terrível que ele, com mãos trêmulas, entregou seu último diamante para resgatar as pessoas e a aldeia da destruição, do abuso e da morte.

Depois, cansado e triste, seguiu seu caminho. Mas a estrela no céu tinha se apagado. Desorientado, começou a procurar pelo menino Jesus, mas os anos foram passando e ele nunca o encontrou. Uma profunda tristeza abateu-se sobre ele. Será que ele tinha sido infiel? Será que a estrela se apagou porque ele não tinha mais nenhum diamante para oferecer ao menino Jesus? A angústia de nunca mais poder encontrar a Jesus corroía o seu coração. E assim peregrinou por anos. Ele já andava a pé, pois numa outra situação ele tinha doado também seu cavalo.

Certo dia, no porto de uma grande cidade, ele chegou no exato momento em que um pai estava sendo arrancado da esposa e dos filhos para ser levado como escravo a um navio de condenados, uma galé. O jovem rei intercedeu por aquele homem. Contudo, como nada adiantasse, ele ofereceu a si mesmo como escravo para que aquele pai ficasse livre. Como o jovem mago parecia muito mais saudável e forte que aquele pai de família, o dono do navio aceitou a troca.

As batidas surdas ecoavam pelo navio, marcando o ritmo das remadas. Acorrentado ao banco dos condenados, em caso de tempestade ou luta, ele com certeza morreria. Nesse momento, dúvidas e angústias endureciam o seu coração. Que loucura foi essa que ele cometeu? Saiu de casa para procurar o menino Jesus e depois de muitos anos – ainda não o encontrou. Naquela noite – no meio do mar - ele olhou para o céu e viu que a estrela que ele tinha perdido anos atrás voltou a brilhar. Imediatamente ele teve a certeza que – apesar de tudo - ele ainda estava no caminho correto para encontrar-se com Jesus. Consolado, tomou o remo. Esqueceu-se de contar os anos. Um dia, aconteceu o que ele jamais tinha esperado: deram-lhe a liberdade. Numa praia desconhecida, desceu do navio. Um pescador o hospedou durante a noite.

Naquela noite, ele sonhou. Uma voz lhe dizia: “Apressa-te! Levanta-se e vai para Jerusalém.” Na mesma hora, ele se pôs a caminho. E - que milagre - a estrela reluzia diante dele. Seu brilho era forte como o nascer do sol.

Apressou-se e chegou às portas de Jerusalém. Nas ruas havia um alvoroço barulhento. Grupos de pessoas agitadas eram dispersados à força. A multidão o arrastou, ele nem sabia o que estava acontecendo. Com muito esforço ele conseguiu subir num pequeno muro e em seguida no telhado de uma casa. Ao longe ele conseguiu ver que um grupo de soldados romanos estavam erguendo três troncos, três cruzes. A estrela que devia conduzi-lo ao rei da humanidade parou sobre a cruz do meio, reluziu mais uma vez e se apagou. Então o mago foi ao encontro daquele homem pendurado na cruz. Toda a dor, todo o sofrimento do mundo ardiam naqueles olhos. As palmas de suas mãos, perfuradas por pregos, estavam retorcidas, no entanto, parecia que raios de luz saíam dessas mãos.

Subitamente, o jovem rei teve a certeza: Este é o rei da humanidade, é Jesus, o salvador do mundo, pelo qual ele procurou a sua vida inteira. Mas, o que ele tinha a oferecer? Estendeu suas mãos vazias ao Senhor. Então três gotas de sangue caíram em suas mãos. Elas se transformaram em três diamantes. 

Martin Lutero escreveu sobre esse texto o seguinte: Uma outra coisa que deveríamos aprender dessa história é como nos portar diante de nosso amado Senhor Jesus Cristo, a saber: que removamos todo escândalo e, juntamente com os magos, confessemos a Cristo, o Senhor, ao mundo, que o busquemos de coração e o adoremos como nosso Salvador. Além disso, porque nesse mundo seu reino se apresenta tão pobre e miserável, devemos ajudar voluntariamente com o nosso dinheiro, bens e tudo que temos, para que o mesmo seja promovido e cresça, pois esse reino sofre toda sorte de resistência e opressão do diabo e do mundo. Pois podemos muito bem imitar o exemplo dos magos, abrindo hoje nossos tesouros para Cristo e dando-lhe presentes. O motivo para tanto está em Mateus 25.40: “O que fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

Amém.
Oração
Ó Deus, Deus único, Deus de todos os nomes com que os homens de todos os tempos vos buscaram. Vós que vos fizestes buscar por todos os povos e a todos eles também saístes ao encontro em sua própria vida espiritual, em sua própria religião, concedei-nos abertura de coração para sentir vossa presença integral em todas as religiões da Terra. Vós que viveis e dais vida, e dialogais com todos os povos, agora e desde sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.

Deus de Muitos Nomes
(Milton Schwantes e Elaine Neuenfeldt)
Deus de muitos nomes vem e caminha conosco, para que possamos caminhar em tua graça e paz. Enche-nos de esperança para que possamos romper as barreiras.
Inspira-nos em nossa caminhada ecumênica, tornando possível o encontro e o diálogo. Envia Teu Espírito para nos fortalecer em nosso compromisso profético de proclamar libertação.
Que Teu Espírito seja uma suave brisa quando necessitamos consolo e segurança, mas que seja vento forte quando estivermos demasiadamente acomodados e devamos falar com firmeza.
Que Tua paz vivificadora entre em nossos corpos expresse em ações de paz entre as pessoas, entre as igrejas e religiões e entre as nações.
Que Tua graça, que transforma o mundo, nos inspire a unir nossas mãos e a declarar a liberdade que teu amor nos dá
Derrama, Senhor, as Tuas bênçãos sobre nós em nosso caminhar anunciando a boa nova da justiça, do serviço e da aceitação. Amém.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 2 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 12
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 54870
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Não somos nós que podemos preservar a Igreja, também não o foram os nossos ancestrais e a nossa posteridade também não o será, mas foi, é e será aquele que diz: Eu estou convosco até o fim do mundo (Mateus 28.20).
Martim Lutero
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