Êxodo 34.29-35

Auxílio Homilético

10/02/2013

 

Prédica: Êxodo 34.29-35
Leituras: Lucas 9.28-36 (37-43) e 2 Coríntios 3.12-4.2
Autor: Gerson Correia Lacerda
Data Litúrgica: Último Domingo após Epifania
Data da Pregação: 10/02/2013
Proclamar Libertação - Volume: XXXVII

1. Introdução

Para o último domingo após a Epifania, temos três textos muito ligados entre si: no texto do Antigo Testamento, o rosto de Moisés brilhava ao descer do monte Sinai; no texto do evangelho, além de Moisés, Jesus e Elias estavam cercados por um brilho celestial; na epístola, a história de Moisés é recordada para destacar que os membros do corpo de Cristo, com o rosto descoberto, refletem o brilho da glória de Deus. São textos diferentes, de diferentes épocas e situações. Mas, nos três textos, aparecem a fi ura de Moisés e a menção ao brilho.

Os textos do Antigo Testamento e da epístola já foram objeto de estudo feito por Norberto da Cunha Garin em Proclamar Libertação 25, também para um último domingo após a Epifania.

No estudo que fazemos aqui, destacamos a letra de uma das mais conhecidas canções de Raul Seixas. Seu título é: “Metamorfose Ambulante”. Diz assim: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor. Eu quero viver nessa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

A letra chega a ser chocante. Como é que alguém pode preferir ser uma metamorfose ambulante? Nós prezamos a coerência. Valorizamos a firmeza de opiniões. Desprezamos as pessoas que mudam de opinião. No entanto, Raul Seixas disse exatamente o contrário. Proclamou que preferia ser uma metamorfose ambulante.

Por que estamos dizendo tudo isso? O que têm a ver os textos bíblicos do último domingo após a Epifania com a tal metamorfose ambulante? Existe uma explicação. Não está nos textos indicados para o dia de hoje, mas num dos textos paralelos. O Evangelho de Mateus apresenta a mesma narrativa de Lucas (e de Marcos 9.2-13). E, ao dizer que Jesus “foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.2), a palavra grega utilizada para falar da transfiguração foi exatamente “metamorfose”.

Com base nisso, poderíamos dizer que Moisés passou por uma metamorfose. Apresentou-se metamorfoseado ao descer do monte Sinai. Esteve metamorfoseado ao lado de Jesus no monte da Transfiguração. E os membros do corpo de Cristo são descritos como aqueles que, metamorfoseados pelo Espírito Santo, refletem a glória de Deus. Vamos seguir esse caminho para analisar os textos bíblicos deste domingo.

2. Exegese

2.1 – A cena final de uma história de presença-ausência-presença (Êx 32.1-34.28)

O texto de Êxodo 34.29-35 é, de fato, a conclusão de uma narrativa iniciada em Êxodo 32.1. John Durham observa que o texto de Êxodo 34.29-35 tem como propósito “concluir a narrativa da presença-ausência-presença” de Moisés como líder do povo de Israel. De fato, o capítulo 32 abre com a afirmação de que o povo “viu que Moisés estava demorando muito para descer do monte”. Ora, Moisés estivera presente com o povo de Israel desde a sua libertação no Egito, conduzindo-o até aquele momento. A ausência começou quando Moisés subiu ao Sinai a fi m de receber os mandamentos da lei do Senhor. Então há uma rebelião do povo, causada pela insatisfação com aquela ausência: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés, aquele homem que nos tirou do Egito. Portanto, faça para nós deuses que vão à nossa frente” (Êx 32.1).

A rebelião era contra Moisés, o líder ausente. Era, porém, uma rebelião contra Deus, de quem o líder ausente era o representante: “O Senhor disse a Moisés: O povo que você tirou do Egito pecou e me rejeitou” (Êx 32.7). Moisés, porém, intercedeu por seu povo, e Deus o perdoou (Êx 32.14). Todavia, ao descer do monte para estar novamente presente com seu povo, o próprio Moisés ficou furioso e arrebentou as tábuas da lei (Êx 32.19). Seguiu-se nova ausência, pois Moisés voltou a subir o monte Sinai para receber novas placas da lei. E aí entra o texto da volta de Moisés. Nesse contexto, percebe-se que a autoridade de Moisés como líder de Israel estava abalada. Parece que ele não podia deixar de estar presente à frente, o tempo todo, de seu povo. Sua ausência causava afastamento da lei do Senhor. Ele mesmo corria o risco de ser rejeitado.

2.2 – A metamorfose de Moisés (Êx 34.29)

O texto refere-se à segunda descida de Moisés do monte Sinai. Deve-se comparar a primeira (Êx 32.7-35) com a segunda. Na primeira, Moisés deparou-se com a rebelião do povo à sua liderança e a Javé. Um bezerro de metal fundido fora feito, o qual estava sendo adorado e ao qual se prestavam sacrifícios. Moisés ficou tão irado, que chegou a arrebentar as tábuas da lei que o Senhor lhe dera. Depois, “pegou o bezerro que haviam feito, queimou-o no fogo e o moeu até virar pó e espalhou o pó na água. Em seguida, mandou que o povo de Israel bebesse aquela água” (Êx 32.18-20). Na segunda descida, a história foi totalmente diferente. Moisés não sabia, mas seu rosto não se apresentava da mesma maneira. Tinha sofrido uma metamorfose. Resplandecia por causa de sua proximidade com Javé. Pixley comenta: “O verbo hebraico para dizer do brilho do rosto de Moisés tem também o significado de ‘chifre’ e, na Vulgata, se traduziu no sentido de que saíram chifres em Moisés quando falou com Javé. Daí o costume de pintar na arte medieval a Moisés ostentando chifres” (p. 183). Durham acrescenta: “O brilho era uma dádiva de Javé a Moisés, um sinal preciso de uma autoridade que possuía em virtude de seu relacionamento especial com Javé”.

2.3 – Reações à metamorfose de Moisés (Êx 34.30-32)

A metamorfose de Moisés, cujo rosto brilhava, provocou reações. A primeira reação, tanto de Arão como de Israel, foi medo. A transformação do rosto de Moisés era uma manifestação de Deus. Por isso evitaram aproximar-se dele. Porém Moisés chamou-os para junto de si. A segunda reação foi aproximação. O medo foi vencido pelo convite de Moisés. Arão e o povo sentiram confiança para ficar perto de seu grande líder. Finalmente, a terceira reação foi ouvir tudo o que Javé havia dito a Moisés no monte Sinai. Durham observa que, dessa maneira, Moisés “os fez responsáveis pelos mandamentos do Senhor, deixando a seus cuidados a sua observação”.

2.4 – O véu (Êx 34.33)

Após a transmissão dos mandamentos do Senhor, Moisés colocou um véu sobre seu rosto. Esse véu era retirado quando Moisés falava com Javé e quando transmitia ao povo a sua palavra. Pergunta-se: Por que Moisés cobria o rosto depois de falar em nome de Javé? Ao que tudo indica, não seria para evitar o medo, pois, quando o povo dele se aproximava para ouvir suas instruções, Moisés tirava o véu. Em outras palavras, ele somente o colocava quando não estava mais transmitindo a palavra do Senhor.

A retirada do véu servia, portanto, para indicar que, em tais ocasiões, Moisés estava revestido de uma autoridade sacerdotal como representante de Javé. Durham comenta: “A ocultação do brilho era o símbolo de que as outras palavras de Moisés eram dele mesmo, as quais não deveriam ser confundidas com aquilo que Javé havia falado”.

3. Meditação

3.1 – A metamorfose de Jesus

O texto de Lucas apresenta a “metamorfose” de Jesus (para utilizar o termo que aparece no Evangelho de Mateus). Essa metamorfose ocorreu quando Jesus estava se preparando para concluir seu ministério, dirigindo-se a Jerusalém para ser crucificado. Não dispomos de nenhuma narrativa a respeito de como era Jesus. Criou-se, na verdade, uma mentalidade a respeito de seu aspecto físico. Acostumamo-nos a pensar na figura de Jesus como muito bem apessoada, rosto formoso, cabelos até os ombros, barba bonita. Os evangelhos, porém, nada dizem sobre Jesus. Na verdade, o único texto que fala sobre sua aparência é exatamente o que descreve sua transfiguração. Diz que sua aparência mudou. Seu rosto ficou brilhante como o sol. Suas roupas tornaram-se brancas como a luz. Tudo isso tem a ver com o que a Bíblia diz a respeito de Deus. A descrição da criação diz que, antes da atuação divina, havia trevas. A escuridão imperava. Então Deus entrou em cena e disse: Haja luz. E houve luz.

João, um dos discípulos que contemplou o rosto e as roupas de Jesus resplandecerem, escreveu na sua primeira carta: “A mensagem que Cristo nos deu e que anunciamos é esta: Deus é luz, e não há nele nenhuma escuridão” (1Jo 1.5).E Pedro, que também contemplou o rosto e as roupas de Jesus brilharem, escreveu em sua segunda carta: “Nós vimos com nossos próprios olhos a grandeza de Jesus Cristo. Pois ele é como uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a luz da estrela da manhã brilhe no coração de vocês” (2 Pe 1.19).

Mas o texto bíblico que narra a metamorfose de Jesus não o coloca solitariamente. Ao contrário, apresenta-o ao lado de Moisés. Exatamente aquele Moisés que também passara por uma metamorfose semelhante na sua função como líder de Israel.

3.2 – A metamorfose de Moisés

Diz a Bíblia que Moisés subiu o monte Sinai. A glória de Deus desceu sobre o monte. Para os israelitas, a luz parecia um fogo que queimava lá no alto. E Moisés ficou lá durante quarenta dias e quarenta noites. Depois disso, quando Moisés desceu, seu rosto brilhava, pois ele havia falado com Deus. O povo de Israel sabia que Moisés estivera com Deus porque ele passara por uma metamorfose. O seu rosto estava diferente. Não era o mesmo de antes. Era um rosto que resplandecia. A partir daí, sempre que atuava como porta-voz de Javé, Moisés tirava o véu e expunha seu rosto brilhante. Quando agia como um homem comum, colocava o véu sobre a sua face.
Com isso ficava muito claro que Deus escolhera um simples ser humano para ser um instrumento de comunicação com o povo de Israel. Javé não enviara seres angelicais para transmitir suas instruções e leis. Ao contrário, seu mensageiro era um simples mortal, semelhante a todas as pessoas de seu povo, com limitações e falhas, que já cometera um assassinato e que fi cava furioso a ponto de quebrar tábuas da lei que Javé mesmo lhe entregara.

3.3 – A metamorfose do cristão

Na Segunda Carta aos Coríntios, é lembrada a metamorfose de Moisés. No texto, duas diferentes aplicações são feitas a respeito do véu que Moisés usava. A primeira refere-se aos judeus, que liam a lei mosaica, mas recusavam a mensagem do evangelho de Jesus de Nazaré. Era como se houvesse um véu que os impedia de compreender aquilo que liam. Mas a segunda aplicação pode ser entendida como a metamorfose do cristão: “Todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é Espírito” (2Co 3.18). Todos os seres humanos passam por metamorfoses ao longo da existência. Nossas ideias e conceitos se alteram. Nosso corpo fica diferente a cada dia. Será que temos passado por uma metamorfose espiritual como resultado de nossa vida de comunhão com Deus?

4. Imagens para a prédica

Apresentamos duas metamorfoses. A primeira procede do texto bíblico que narra a transformação do rosto de Estêvão diante dos que ouviam seu testemunho do evangelho. A segunda é uma fábula que pode ser utilizada para indicar que não podemos transmitir o evangelho sem ser metamorfoseados pelo poder de Deus.

4.1 – A metamorfose de Estêvão

Sem dúvida alguma, Estêvão é uma figura impressionante na história da igreja. Pouco se sabe a seu respeito. Ele aparece num curto relato do livro de Atos. Escolhido para ser um dos primeiros diáconos, ele é apresentado, diversas vezes, como uma pessoa cheia do Espírito Santo. Estêvão sofreu oposição das autoridades religiosas do judaísmo de seu tempo. Mas enfrentava todas as disputas com a sabedoria que Deus lhe concedia. Em tal contexto, é interessante o que diz o texto bíblico a seu respeito: “Todos os que estavam sentados na sala do Conselho Superior olhavam firmemente para Estêvão e viram que o rosto dele parecia com o rosto de um anjo” (At 6.15).

4.2 – Uma fábula

Martin Buber, filósofo judeu, que viveu entre 1878 e 1965, tem uma fábula cujo título é: “Como se conta uma história”. Diz assim: “Certa vez, um rabino foi solicitado a contar uma história. Todavia, antes de contá-la, ele explicou: ‘Existem muitas maneiras de se contar uma história. Mas, para se contar bem uma história, não basta dizê-la. Uma história, para ser bem contada, tem de ser vivida’. Depois de proferir essa explicação, o rabino apresentou a história que tinha para seus ouvintes, dizendo: ‘Há muito tempo, eu tinha um avô. Ele era coxo. Isso dificultava muito seus movimentos. Meu avô era um homem incapaz de andar direito. Certo dia, meu avô foi convidado a falar sobre o seu mestre. E ele contou que o seu mestre tinha um costume muito curioso. O seu mestre costumava saltar e dançar enquanto fazia as suas orações de louvor a Deus. E foi aí que aconteceu um verdadeiro milagre. À medida que ia falando a respeito de seu mestre, meu avô foi ficando cada vez mais empolgado com sua própria história. Ele, que era completamente coxo, levantou-se. E começou a pular e a dançar para mostrar como seu mestre fazia. Foi assim que, desde aquele momento, meu avô ficou completamente curado de seu grave defeito físico’. Após haver contado esse curto episódio da vida de seu avô, o rabino acrescentou para concluir: ‘É assim que se conta uma história’”.

5. Subsídios litúrgicos

Confissão coletiva (baseada em Isaías 59):

Os nossos pecados separam-nos de Deus. Procuramos a luz, mas só encontramos a escuridão. Buscamos lugares claros, mas continuamos nas trevas. Andamos apalpando as paredes como se fôssemos cegos, como se não tivéssemos olhos. Ao meio-dia, tropeçamos como se fosse de noite. Temos pecado muito contra Deus. Os nossos pecados nos acusam. Não podemos esquecer as nossas maldades. Temos nos revoltado contra o Senhor. Temos nos afastado de seus caminhos. Temos feito planos para enganar os outros. A justiça está sendo posta de lado. O direito está sendo afastado. A verdade anda tropeçando nos tribunais, e a honestidade não consegue chegar até lá. Reconhecemos que somos culpados. Não temos sido fiéis ao nosso bondoso Deus e Senhor. Amém.

Afirmação de fé – Credo da Epifania (baseado em vários textos bíblicos):

Muitas vezes, ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes, ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes, somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Estamos unidos com Cristo. E quem está unido com Cristo é uma nova pessoa. Acabou-se o que era velho, e o novo já chegou. Cremos que Deus é luz, e não há nele treva alguma. Cremos que Deus fez a luz brilhar em nosso coração. Cremos que a luz da glória de Deus brilha no rosto de Jesus Cristo e de todos os que o seguem. Amém.

Leitura alternada:

– No princípio, o Espírito pairava sobre o caos e Deus disse: Haja luz!
– E a luz se fez!
– Muito depois, Deus enviou Jesus, a fonte da luz para todas as pessoas.
– Aquele que é a luz veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
– Entra, Senhor, com tua luz em todos os planos de nossa existência.
– Ilumina nossas angústias e tristezas.
– Ilumina nossos pecados e falta de amor a ti.
– Ilumina nossas desavenças e falta de fé.
– Ilumina nosso egoísmo e nossa falsidade.
– Ilumina todas as trevas nas quais caminhamos contra a tua vontade.
– Nem sempre aceitamos tua luz.
– Criamos outras luzes como o poder, a fama, a riqueza.
– Diante das falsas luzes que não iluminam, recorremos a ti.
– Querido Deus, acolhe nosso coração contrito e ilumina-nos com tua luz.

Afirmação de fé: Credo segundo Pedro (baseado em 1 Pedro 2):

Cremos que nós somos a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a Ele. Nós fomos escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que nos chamou da escuridão para Último Domingo após Epifania a sua maravilhosa luz. Antes, nós não éramos povo de Deus, mas agora somos o seu povo. Antes, não conhecíamos a misericórdia de Deus, mas agora já recebemos a sua misericórdia. Amém.

Bibliografia

DURHAM, J. I. Word Biblical Commentary – Exodus. Waco, Texas: Word Books, Publisher, 1987.
LÓPEZ, F. G. Éxodo. Bilbao, Espanha: Desclée De Brouwer, 2007.
PIXLEY, G. V. Êxodo – Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1987.


Autor(a): Gerson Correia de Lacerda
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: Último Domingo após Epifania
Testamento: Antigo / Livro: Êxodo / Capitulo: 34 / Versículo Inicial: 29 / Versículo Final: 35
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2012 / Volume: 37
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25447
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É isto que significa reconhecer Deus de forma apropriada: apreendê-lo não pelo seu poder ou por sua sabedoria, mas pela bondade e pelo amor. Então, a fé e a confiança podem subsistir e, então, a pessoa é verdadeiramente renascida em Deus.
Martim Lutero
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