Êxodo 34.4b-10

Auxílio Homilético

21/10/1990

Prédica: Êxodo 34.4b-10
Autor: Friedrich Erich Dobberahn
Data Litúrgica: 19º. Domingo após Trindade
Data da Pregação:21/10/1989
Proclamar Libertação - Volume: XV

 

A confissão no Deus da vida

I — Introdução

Santo Padre, tenemos hambre, sufrimos miseria, nos falta trabajo, estamos enfermos. Con el corazón roto por el dolor vemos que nuestras esposas gestan en la tuberculosis, nuestros niños mueren, nuestros hijos crecen débiles y sin futuro. Pero, a pesar de todo esto, creemos en el Dios de la Vida, de la vida plena, de la naturaleza y de la gracia. El vivir en los tugurios de los cerros o en los duros arenales no disminuye nuestra fe y luchamos por esta vida contra la muerte. — Com estas palavras, Víctor e Irene Chero saudaram João Paulo II em sua visita a uma das zonas mais pobres de Lima (segundo: Páginas 68, 1985, p. 34).

II — Observações exegéticas sobre ËX 34.4b-10

1. Conforme opinião geral (Noth, pp. 214ss.: Wildberger, p. 457; Müller, pp. 387s.), está subjacente a Ex 34 a versão javista da outorga da lei no Sinai, que foi refundida mediante acréscimos posteriores. O relato javista — teofania e proclamação da lei — seguia-se originalmente a ÊX 19.9a (Halbe, pp. 281ss.,297ss.)

34.5: E Javé desceu na nuvem e ali esteve junto dele.
34.8: Imediatamente Moisés caiu de joelhos sobre a terra e adorou.
34.10: Então disse ele (= Javé): Eis que faço uma aliança.
34 11: Estejas atento para observar o que hoje te ordeno.
34.14: Não adorarás outro deus! (Seguiam-se em 34.14b-26 os demais
mandamentos; mas também aqui se teriam que eliminar acréscimos.)

Segundo esta opinião, os seguintes versículos (por sua vez novamente trabalhados) devem ser considerados acréscimos secundários. Caem na vista sobretudo os vv. 6-7, que são uma auto-confissão colocada na boca de Javé (II.5):

34.6 E ele (= Javé) exclamou: Javé! Javé! Deus de compaixão e de piedade,
lento para a cólera e cheio de amor e fidelidade,

34.7 que guarda o seu amor a milhares, tolera a falta, a transgressão e o pecado,
mas a ninguém deixa impune e castiga a falta dos pais nos filhos e nos filhos
dos seus filhos, até a terceira e quarta geração.

34,9 Depois ele (= Moisés) disse: Javé, se agora encontrei graça aos teus olhos,
segue em nosso meio conosco! Mesmo que este povo seja de cerviz dura,
perdoa as nossas faltas e nossos pecados, e toma-nos por tua herança.

2. Com base nesta estratificação literária, temos a seguinte situação textual, à qual cabe aqui o peso teológico decisivo: Enquanto que originalmente só se falava de uma única outorga da lei dentro da perícope do Sinai (Wildberger, p. 456), os acréscimos redacionais - os vv. 6-7,9 - pressupõem o acontecido em Êx 32: A aliança de Javé fora quebrada (ÊX 32.1ss.), a morte do povo tinha sido decidida por Ele (v. 10). Através da intercessão de Moisés Javé se deixou demover deste propósito (v. 14). Ë verdade que Ele feriu o Seu povo (v. 35), mas este juízo não significou o fim: Para além da quebra da aliança, para além do juízo - é o que anuncia agora ÊX 34 narra e constata o transcurso desta renovação do pacto.

Com tudo isto o redator responsável pelos acréscimos literários arrolados em II. l de modo algum pretende comunicar uma história efetivamente acontecida no deserto. É preciso livrar-se desta ideia! O que ocorre na combinação e modificação de ÊX 32 e 34 é a tentativa de interpretar a história do Reino israelita do Norte a partir do tempo em que Israel passou no deserto, e dar uma resposta à medrosa pergunta que está atrás dos vv. 6-7,9: Será que pode haver uma renovação da aliança? Como mostrou Eissfeldt (pp. 190ss.), a história do bezerro de ouro (ÊX 32) reflete a instituição do culto idolátrico a Javé em Betel e Dã (l Rs 12.28) por Jeroboão I (926/5-907/6 a. C.; Bright, pp. 314s.), e o subsequente juízo de Javé sobre o Reino do Norte.

3) Quando e em que círculos foram feitos os acréscimos literários de ÊX 34? Ao contrário de Müller (p. 390) e Breit (p. 253), p. ex., não penso no Jeovista atuante no Reino do Sul (após a queda de Samaria em 722 a. C.). O material só é deuteronomístico (Gerstenberger, p. 238) na medida em que o Deuteronomista aproveitou, em ÊX 34 — como também em outras passagens — tradições provenientes de círculos oposicionistas levíticos da época de Oséias (cf. Gunneweg, p. 221). Duas observações me levam a esta suposição:

a) Como disse (II. 2), ÊX 34 se refere, por meio de ÊX 32, a l Rs 12.28 e, em consequência disto, primeiramente a acontecimentos ocorridos no Reino do Norte, ao culto idolátrico a Javé pelos Aarônidas em Betel (Gunneweg, pp. 114ss.).

b) Com a menção do protesto contra o culto relacionado com bezerros se toca em um dos temas fundamentais do profeta Oséias (cf., p. ex., Os 4.1-14 e 17s.: Wolff, pp. 14ss., 40ss., 101s., 108s., 124, 127s., 144, 163s., 188, 212ss., 29 2s., 307). Oséias mantinha ligações com grupos de sacerdotes levíticos oposicionistas (Wolff, pp. XIV, 98s., 154, 186; Gunneweg, pp. 37, 63s., 81). Por isto, sou, com Wildberger (pp. 458s.), da opinião de que os vv. 6-7,9 remontam originalmente à época do profeta Oséias (752-725/4 a. C.) e devem ser situados no seio dos círculos levíticos mencionados, que se opunham ao culto a Baal promovido pelo Estado. Oséias havia dado a seu terceiro filho o nome de Não-Meu-Povo (1.9), isto é, havia considerado a legislação sinaítica como infringida e o pacto com Javé — aliás, também em sua dimensão jurídico-social (Os 4.2; Wolff, pp. 84s.) — como caduco. No entanto, o próprio Oséias (Os 2.1-3; Wolff, pp. 27ss.), assim como os grupos levíticos com ele relacionados (Os 2.18,23; 11.8; Wolff, pp. 58s.), acabaram se definindo pela fé no Deus da vida, trazendo a seu povo a mensagem da renovação do pacto. É esta mudança que queremos examinar mais de perto agora.

4) Ela aconteceu tendo como pano de fundo uma decadência inédita da sociedade israelita (Bright, pp. 346ss., 363ss.) bem como guerras em que se praticava uma crueldade até então jamais vista no Antigo Oriente (Mella, pp. 225ss.). Os botins de guerra, empapados de sangue, dos reis-guerreiros assírios (Morawe, p. 311) oferecem rico material ilustrativo. As crueldades a que aludem as inscrições desde Tiglate-Pileser I (1115-1077 a. C.)'- punição,matança, esparramo de cadáveres, devastação, saque, etc. (cf. Gressmann, pp. 339ss.)'— são expostas com mais clareza em anais posteriores: Neles os brutais conquistadores assírios se vangloriavam de haver coberto com peles humanas as muralhas de cidades tomadas, empilhado em enormes montes as cabeças cortadas, desventrado as mulheres grávidas, mutilado multidões de pessoas e empalado pessoas vivas (Oberhuber, pp. 282ss.).

A Samaria tinha sido subjugada pelo rei assírio Tiglate-Pileser III (745-727 a. C.) no ano de 733 a. C., no contexto da guerra siro-efraimita (Bright, pp. 365ss.). Peca de Samaria (734/3-733/2 a. C.) havia se unido a Rezim de Demasco, aos edomitas e aos filisteus (2 Cr 28.17s.), formando uma coalizão anti-assíria, e tentado, mediante pressão militar, forçar Acaz de Judá (742/1 — 726/5 a. C.) a aderir (2 Rs 15.37; Os 5.8-11). Nesta situação aflitiva (Is 7.2), Acaz de Judá se submeteu - contra os insistentes conselhos de Isaías (Is 7,1-17) - a Tiglate-Pileser III, enviou-lhes ricos presentes e lhe pediu que interviesse contra Israel e Damasco (2 Rs 16.7-9) o que, aliás, o rei assírio pretendia fazer de qualquer maneira.

Ainda durante a campanha de Tiglate-Pileser (734-732 a.C.; cf. suas inscrições, in: Cazelles, pp. 52ss.; VV. AA., pp.63ss.), Peca foi assassinado por Oséias ben Ela (732-724/3 a. C.), um oficial, que assumiu então o trono em lugar Norte da completa extinção (Bright, p. 368). Ainda assim, a derrota de Samaria já estava selada: Embora Oséias ben Ela ainda tenha conseguido de Tiglate-Pile-ser, no último minuto, seu reconhecimento como rei-vassalo, do outrora florescente Reino do Norte (Is 28.1ss.) não restou mais do que um rincão dos mortos. A medonha máquina de guerra assíria tinha devastado o país segundo o princípio da terra queimada e arrasado numerosas cidades fortificadas. Massacres tinham sido coisa quotidiana. Embora as armas tenham se calado depois de 733 a.C., a guerra continuou de outra forma: Tiglate-Pileser III reduziu o território de Oséias ben Ela à cidade-estado de Samaria e à serra de Efraim e anexou todas as demais regiões, transformando-as em três províncias assírias (Dor, Gileade e Megido: 2 Rs 5.29; Is 8.23). A população citadina foi deportada.

Uma incisiva medida de Tiglate-Pileser, com graves consequências económicas, representou a perda da fértil planície de Jezreel. O Reino do Norte perdeu seu celeiro; fome e miséria estavam pré-programadas.

5) É possível que, com base nestes horrores bélicos, Oséias e os grupos próximos a ele consideravam que estava cumprido o juízo e, inicialmente, contaram com o fim definitivo de Israel (Os 9.11-17; 13.9-16). Tudo indicava que Javé havia determinado a morte de Seu povo (cf. ÊX 32.10);: A terra prometida tinha se transformado em terra queimada, suas planícies que, antigamente, manavam leite e mel (Dt 26.9) em crying fields. Segundo o princípio assírio de deportação, os segmentos desenraizados do povo (2 Rs 1.29) sofreram a morte pela miscigenação. O Estado, reduzido a uma caricatura e salvo no último instante, estava condenado à morte económica. No país todo ressoavam lamentos:

Ouçam, amigos, ouçam-me!
O altíssimo Deus não cuidou da sua vinha!
Eis a prova: montes de cinza cá embaixo!
(Rabi Wolf de Zbarcz, no campo de extermínio de Belzeque, ap. I.
Manger/E. Spier, p. 48).

Criador do universo,
Tu és poderoso e terrível, sem dúvida alguma!
Mas do círculo daqueles que realmente amam Israel,
nós te excluímos para sempre!
(Rabi Meir de Przemysl, no mesmo campo, ap. I. Manger/E, Spier,
ibidem).

Nesta situação, agora, aconteceu algo totalmente inesperado: No v. 6, nosso texto coloca na boca de Javé uma confissão formulada na 3a pessoa do singular (e não, como seria de se esperar, na la pessoa do singular), isto é, uma fórmula litúrgica de Credo que, mais tarde, sofreu frequentes variações (Jeremias, pp. 94ss.: SI 86.15: 103.8,10;116.5: 145.8: cf. Nm 14.18; Jr 32.18; Jl 2.13; Jn 4.2; 2 Cr 30.9; Ne 9.17). Certamente temos que dar atenção a esta surpreendente nuança: Segundo o contexto narrativo javista, Javé desce em uma teofania até o monte Sinai como o Deus que proclama a lei. Ora, é na boca deste Deus, cuja legislação Israel infringiu, que o redator de ÊX 34 colocou uma fórmula na qual o ser humano na 3a pessoa do singular confessa a graça e a misericórdia de Deus. Portanto, os sacerdotes levíticos que lidaram com ÊX 34 recusaram-se a ver o Deus da justiça punitiva triunfar sobre o Deus da libertação dos escravos. Eles deixaram Javé sem opção: Dentro do relato da teofania (vv. 5,8,10,11,14), inverteram a relação de revelação e proclamação de modo radical. Contra toda a objeção das condições reinantes, contra todas as evidências, eles revelaram o Deus da graça e da misericórdia e fizeram com que Ele proclame a vida (vv. 6-7).

Ill — Meditação

1) Importa agora apreciar adequadamente com vistas à prédica este resultado da exegese dentro de sua situação histórica. Assim como Javé colocou Sua palavra na boca dos profetas (Dt 18.18; Jr 1.9: Ez 2.8ss.; 3.1ss.), para que estes proclamassem Sua palavra — uma palavra como fogo que devora, como martelo que arrebenta a rocha (Jr 23.29; cf. 5.14; Os 6.5; Is 55.10s.) -, da mesma forma aqui, só inversamente, seres humanos colocaram sua confissão na boca de Deus — uma confissão de modo algum atribulada pelas mais terríveis circunstâncias, mas, pelo contrário, uma confissão ardente, moldada pela fome do Deus da vida. Isto ocorreu em um instante de radicalidade teológica, em um salto no movimento existencial da fé A questão é como se pode comunicar isto na prédica.

2) Escreve G. Gutiérrez em seu livro Falar de Deus a partir do sofrimento do inocente, pp. 163s.: Como falar de Deus sem referência a nosso tempo? E mais, como fazê-lo sem levar em conta situações como a que mencionamos (= Auschwitz), nas quais Deus parece ausentar-se diante do abismo da dor humana? Cabe, porém, notar que, a partir da América Latina, nossa pergunta não é exatamente 'como fazer teologia depois de Auschwitz?', porque neste continente continuamos vivendo dia a dia a violação dos direitos humanos, o assassinato, a tortura que abominamos no holocausto judeu, há quase quarenta anos. Para nós, trata-se de encontrar uma linguagem sobre Deus em meio à fome de pão de milhões de seres humanos, da humilhação de raças consideradas inferiores, da discriminação da mulher, em especial daquela dos setores pobres, da injustiça social como sistema, da persistente e elevada mortalidade infantil, dos desaparecidos, dos privados da liberdade, dos sofrimentos de povos inteiros que lutam por seu direito à vida, dos exilados e refugiados, do terrorismo de diversas espécies, das valas comuns cheias de cadáveres de Ayacucho. Não falamos de um tempo passado (...) Como fazer teologia durante Ayacucho?

Como fazer teologia durante Ayacucho? Exatamente esta é também nossa pergunta, pensando também em situações limítrofes de nossa vida.

3) Mesmo que a comunidade ache lógica esta fome do Deus da vida, expressa pelos vv. 5-7,9 e pelo testemunho de Víctor e Irene Chero (cf.I) — a partir de III.2 também se poderia concluir que Deus não existe -, tem que ficar claro que esta confissão no Deus da vida não desconectou a experiência de Deus do modo da experiência do mundo: a experiência do mundo é modo da experiência de Deus (Ebeling, p. 88).

Ó Deus, jamais ousei questionar Tua justiça e Tua bondade, embora muitas vezes seus caminhos escapassem à minha compreensão. Sempre me curvei a tudo, sempre disse 'Sim'! a tudo (. . .) Aceitei todos os castigos, todos os sangrentos sacrifícios sem sentido! Até passei cm silencia por cima da morte de um milhão de crianças nos campos de extermínio. Nas sombras delas reprimi meu grito, minha ira, meu desejo de acabar de uma vez por todas com Tua divindade. Apesar de tudo, sempre optei pela oração, por Tua adoração. Com esforço sobre-humano, sempre me obriguei a transformar em um cântico piedoso o punhal que com tanta frequência tu cravavas em nosso coração obediente (. . .) Mas agora chega disto! Cheguei ao fim. Não posso mais. (Wiesel, pp, 106s.).

Por isto, em Ayacucho (= palavra quéchua que significa: rincão dos mortos) a confissão de que Deus é o Deus da vida só pode vir da boca daquelas pessoas que estão em condições de invocar o Pai de Jesus Cristo contra o Deus que age indiscriminadamente (Is 45.7), o Deus abscôndito (Dt 31.17s.; Is 45.15), o Deus silencioso (Sl 74.9; l Mc 4.46; 9.27; 14.41), e mais: o Deus hostil (Jó 16.7-17). Também nos círculos sacerdotais em torno de Oséias (II.3) se tinha descoberto que em Javé a ira e o amor não constituem uma relação friamente equilibrada (Os 11.8s.; Zimmerli, p. 168). Assim como a misericórdia de Deus em Jesus Cristo torna possível que viremos as costas ao Deus abscôndito e nos voltemos para o Deus revelado, anunciado em Cristo (Jüngel, pp. 215ss.), da mesma maneira a misericórdia de Javé, proclamada na libertação dos escravos, tomou possível que se fizesse com que a ira de Javé seja, em última análise, uma questão resolvida e não mais temática para a fé. Também se pode formular esta questão de modo mais simples, afirmando, juntamente com Noordmans (pp. 428s.), que se conseguiu — e se consegue — convencer Deus contra Deus do sentido e da finalidade do seu próprio Evangelho.
Portanto, a teologia durante Ayacucho é feita por pessoas que quase que forçam Deus a realizar a Sua própria salvação, confessando-O: o Deus abscôndito e pregado como Deus da vida (cf. Gn 32.27ss.; ÊX 32.7ss.; Nm 17.6ss.; Mt 7.7ss.; 15.21ss.; Lc 11.8ss.; 18.lss.). Desta forma elas proclamam, e , revelam o Evangelho para seu tempo.

IV — Esboço de prédica

1. O testemunho de Víctor e Irene Chero por sua vila El Salvador (I). Pergunta: Como surgiu esta confissão no Deus da vida? Como nós confessaría¬mos o Deus da vida em situações limítrofes de nossa existência?
2. Uma confissão inesperada no Deus da vida no Antigo Testamento: ÊX 34! Descrição da situação histórica (H.3-4) que está por trás da redação da nossa perícope (II.1).
3. O conteúdo e o modo desta confissão (II.2 e 5).
4. De que tratam tais confissões (III. 1-2).
5. A possibilidade de tais confissões pelo Deus revelado no Êxodo e em Cristo (III.3).

V — Subsídios litúrgicos

HPD No. 229
1. Intróito: Sl 73.1,23-28

2. Confissão de culpa: 65.1-5

3. Anúncio de graça: 3131-34

4. Oração de coleta: Por quanto tempo vais ficar calado, ó Deus justo, que vês tanta mentira e falsidade na boca dos defensores oficiais da justiça? Teu povo já não tem segurança nem defensores. O silêncio dos pobres foi comprado. A cada dia morrem mais pessoas humildes: vítimas de uma estrutura organizada de antemão. Teu povo está profundamente triste, Senhor: O olhar das pessoas é de resignação forçada. A fala das pessoas é um silêncio sem fim. De dentro desta gente embotada e fracassada fala a dor que arde em seu peito. Ó Deus do povo, mostra sinais puros, sinais novos, que criem esperança nos olhos dos oprimidos. Não permitas que esta geração seja superada pela injustiça para sempre! Amém! (Cf. Brandt, p. 18.)

5. Leitura bíblica: Rm 8.18ss.

HPD antes da prédica: No 196
HPD depois da prédica: No 260

6. Oração final: Quero ser um mensageiro da esperança. Quero trazer luz em meus olhos, inquietação apaixonada em minhas mãos e a força vivificadora de Deus em minhas palavras. Quero ser um semeador de liberdade entre os seres humanos, meus irmãos, para construir o Reino nesta terra boa e nossa. Quero anunciar a paz com pés que não estejam profanados pelo ouro. Não andarei nos caminhos da injustiça. Não me conformarei com a opressão dos mais pobres. Vou beber força lá onde o povo bebe, e meu lugar será lá onde houver um ser humano. Meu silêncio será o silêncio misterioso com que se alimentam os humildes desta terra. Não venderei meu coração através da mentira, jamais emudecerei a verdade. Serei como o silêncio que nunca é percebido, mas que sente bem de perto a dor e esperança de cada pessoa. Feliz é a pessoa que assim construir sua vida, pois será injuriada e perseguida por muitos. Mas ela permanecerá firme em seu Senhor, pois o Senhor, seu Deus, a chamou desde a eternidade. (cf. Brandt, p. 19).

HPD No 185.8.

VI — Bibliografia

- BRANDT, H. Die Glut kommt von unten. Neukirchen-Vluyn, 1981.

- BREIT, H. Meditação sobre ÊX 34.4b-10. In: Calwer Predigthilfen, AT. Stuttgart, 1965. V. 6, pp. 248-260.
- BRIGHT, J. História de Israel. 3? ed. São Paulo, 1985.
- CAZELLES, H. História política de Israel São Paulo, 1986.
- EBELING, G. Existenz zwischen Gott und Gott. In: Zeitschrift für Theologie und Kirche. Tübingen, 1965. V. 62, pp. 86-113.
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- ZIMMERLI, W. Grundriss der alttestamentlichen Theologie. 2! ed. Stuttgart, 1975 (THWi 3).


 


Autor(a): Frierich Erich Dobberahn
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 20º Domingo após Pentecostes
Testamento: Antigo / Livro: Êxodo / Capitulo: 34 / Versículo Inicial: 4 / Versículo Final: 10
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1989 / Volume: 15
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 13502
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