Paróquia do ABCD

Sínodo Sudeste



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ID: 369

Isaías 43.16-21

Prédica

13/03/2016

Texto bíblico: Isaías 43, 16-21

Cara Comunidade:

O livro de Isaías reúne tradições proféticas de quase 4 séculos, perpassando o início de sua própria pregação, por volta de 740 a.C até a redação final, que se dera em torno de 400 a.C.

Durante este longo período, Judá sofreu a dominação assíria, posteriormente a caldeia e, finalmente, a persa.

O texto indica um novo tempo.

Nele, Deus fala ao seu povo de modo tal que já não é mais possível permanecer preso ao passado; mas que é preciso abertura para o novo tempo que virá.

Abertura para o novo! Quanto não nos traz às ideias este desafio…

Por vezes, na nossa caminhada de peregrinos por estes vastos terrenos de desertos e de desconhecido, sentimos a necessidade de nos prendermos a um período passado, onde havia segurança, onde havia felicidade, onde éramos alegres. Nós vamos caminhando e, de repente, um tombo, uma desilusão, uma perda muito grande, um vazio…. Tudo isso. Assim é viver como peregrinos.

Ocorre que, no mais das vezes, nós nos iludimos com verdades criadas nessas memórias romanceadas do passado. Como já ocorreu, não há o que nos surpreender. Aí temos a possibilidade de recontar histórias a nós mesmos que nos sejam reconfortantes e que não nos colocam no incerto da vida cotidiana. Tudo se torna maravilhoso e poético.

Deus nos coloca, então, o desafio:

 “Não fiquem lembrando do que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo. Pois agora vou fazer uma coisa nova que logo vai acontecer.”

A vida é para ser vivida.

Como disse Thomas Mann em “Doktor Faustus”: “o conhecimento deve ser construído sobre vastos espaços de vazio”. Assim, também nossa vida como um todo deve ser experimentada - e edificada nossa personalidade - sobre vastos espaços de desconhecido e de árido.

A nossa confiança em Deus nos permite dar esses passos fundamentais porque Ele cumpre suas promessas ao povo; Ele se compromete com esse povo, que somos nós, na jornada de peregrinação pela terra. Ele diz:- sigam em frente, estou com vocês!

O texto, não por acaso, encontra-se previsto para o tempo de Quaresma; período muito especial para nossa espiritualidade, em que nos preparamos para uma vida comprometida com Deus, intensa e repleta de alternativas. Época apropriada para a realização de jejuns, de reflexão, de auto-análise. Boa época para pararmos de atacar os outros, vendo culpa pelas frustrações próprias na conduta alheia; boa época para reconhecermos que tudo o que passamos é consequência das nossas próprias opções. Pode alguém dizer:- “ah, mas a desgraça pela qual passei não foi culpa minha”. Ainda que não pudéssemos evitar certo acontecimento, o como isto afeta nosso cotidiano é responsabilidade nossa.

Deus nos diz para seguirmos em frente, vivendo intensamente; aproveitando cada minuto para nosso crescimento em solidariedade, em compreensão e, em suma, no amor.

Há uma mensagem de Dietrich Bonhoeffer (teólogo, místico, pastor luterano, assassinado pelos nazistas por sua participação no movimento de resistência ao regime) que diz o seguinte e que está no folheto que vocês têm em mãos:

O primeiro serviço que alguém deve ao outro na comunidade é ouvi-lo. Assim como o amor a Deus começa com o ouvir a sua Palavra, assim também o amor ao irmão começa com aprender a escutá-lo. É prova do amor de Deus para conosco que não apenas nos dá sua Palavra, mas também nos empresta o ouvido. Portanto é realizar a obra de Deus no irmão quando aprendemos a ouvi-lo. Cristãos e especialmente os pregadores, sempre acham que tem algo a oferecer quando se encontram na companhia de outras pessoas, como se isso fosse o seu único serviço. Esquecem que ouvir pode ser um serviço maior do que falar. Muitas pessoas procuram um ouvido atento, e não o encontram entre os cristãos, porque esses falam quando deveriam ouvir...”

Um novo tempo! O texto caracteriza-se por proclamar a salvação como processo de transformação da realidade, não só para o povo mas para a própria natureza.

A vinda de Deus nos coloca em movimento. Cansados e abatidos são fortalecidos pela Sua presença. Ele nos liberta, Ele nos revigora. Para que? Para que possamos ter um tempo qualitativamente melhor. Para que possamos viver intensamente, respondendo ao seu chamado com vigor ao nos comprometermos com as pessoas. Para que possamos ouvir mais, falar menos, ponderar. Para que possamos ser honestos com nossos semelhantes, buscando contribuir para a edificação de um ambiente de respeito, onde a traição e a maledicência (que tanto atormentam nossas comunidades e o mundo) não tenham espaço propício para se desenvolverem.

Aproveitamos este momento para, conscientes de que somos multiplamente agraciados por Deus, refletir sobre nossas vidas e nossas práticas, buscando o essencial e, assim, respondendo ao chamado com comprometimento responsável com nosso semelhante.

Evangelho é amor que se concretiza na solidariedade. Não há cristão que não seja solidário, que não seja companheiro. Se não é companheiro, se não é solidário, não é discípulo de Jesus.

Minha oração é que possamos todos aproveitar este período muito especial para refletirmos sobre nós mesmos, nos afastarmos das ilusões e, finalmente, dar vigorosa resposta a Deus que se concretiza na responsabilidade, no respeito profundo a todo ser humano e na solidariedade. Amém.
 


Autor(a): Ricardo Mitsuo Tariki
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: ABCD (Santo André-SP)
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 43 / Versículo Inicial: 16 / Versículo Final: 21
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 39315

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