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Da desilusão à esperança

07/12/2018

Estimada Comunidade aqui reunida e estimados radio-ouvintes da Rádioweb Luteranosuai.com:

Hoje estamos celebrando o segundo domingo de Advento. Nesse tempo somos chamados por Deus a refletir sobre o rumo de nossas vidas. Deus nos convida ao silencio, à meditação, à avaliação, ao arrependimento e a mudança de vida. Mas, nesse período de Advento é também muito frequente que encontramos muitas pessoas desiludidas que não acreditam mais que esse mundo possa melhorar.

João Batista também foi uma pessoa desiludida com a vida. Ele era filho de um sacerdote do Templo, chamado Zacarias, mas ele não aceitou viver uma vida privilegiada por causa disso. João Batista era uma pessoa radical. Com ele pau é pau e pedra é pedra. E ele via as injustiças do seu tempo. Injustiças políticas, sociais e religiosas. Uns poucos sempre se dando bem, torcendo as leis conforme os seus interesses – e a maioria se dando mal, mas iludida e apoiando quem estava por cima. João não conseguia entender como era possível que as pessoas justificassem sua própria miséria e a vida extravagante dos poderosos como sendo vontade de Deus. João Batista não conseguia mais viver num mundo assim. Sua cabeça entrou em parafuso e por isso ele foi morar numa caverna no deserto. Ele queria se isolar de tudo isso.

O texto do Evangelho que ouvimos nos traz várias informações sobre os motivos da desilusão de João Batista. Vejamos....

A primeira informação que o Evangelho nos traz é a seguinte: Fazia 15 anos que Tibério era o Imperador romano. Com essa informação conseguimos saber exatamente a que ano o Evangelho está se referendo. Tibério assumiu como imperador no ano 14dC., portanto o Evangelho de Lucas refere-se aqui ao ano 29d.C. Lembram quando Jesus pegou uma moeda, olhou para a imagem gravada na moeda e disse “dai a César o que é de César”? Era a imagem do imperador Tibério que ele viu na moeda. Tibério era também o Imperador quando Jesus foi crucificado. Ele foi imperador por 24 anos. Morreu com 77 anos. Ele foi envenenado no ano 37 d.C. pelo seu sobrinho-neto Calígula. Mas, além de assassinar o tio avô, Calígula também tinha envenenado a cabeça de muita gente e desta forma, ele mesmo tornou-se o próximo imperador.

A segunda informação que nos traz o Evangelo é a seguinte: Nesse tempo Pôncio Pilatos era o governador da Judeia. Pilatos foi governador da Judeia por 10 anos (26dC. até 36dC.). Ele caiu em desgraça com Caligula e assim que Caligula assumiu no ano 37, Pilatos se suicidou.

O Evangelho também diz que Herodes e Felipe eram os governadores judeus e que Anás era o sumo-sacerdote do templo, o que naquele tempo também correspondia a ser o presidente da corte suprema de justiça. Anás tinha 5 filhos e 1 filha– todos os 5 filhos que também se tornaram sacerdotes e a filha se casou com Caifás que foi o sumo-sacerdote e o presidente da Corte Suprema de Justiça que mandou prender e condenou a Jesus.

Desse mundo político e religioso João Batista não queria saber nada. Por isso, ele se isolou. Foi morar longe. Talvez tivesse ido morar no meio do mato, mas como não tinha mato naqueles lugares, ele foi morar numa caverna, no meio do deserto.

No entanto, Deus encontrou o João Batista lá no deserto. E o convenceu a voltar para a civilização. Deus deu uma tarefa para João Batista. Ele deveria dizer para as pessoas que Deus vai descer do céu. Deus também já estava cansado de tanta enganação, de tanto abuso com o seu nome. Acabou o tempo da manipulação política e religiosa. A briga dos manipuladores agora seria com Deus. João Batista diz que Deus mesmo que descerá do céu para derrubar todos os poderosos que estão ai. Deus virá para aterrar os vales, aplainar os morros e os montes. Os caminhos tortos vão ser endireitados, as estradas esburacadas serão consertadas.  O castigo de Deus é iminente. Quem não quiser sofrer o castigo de Deus, só tem um jeito: arrepender-se dos seus pecados e ser batizados, que Deus os perdoará (v. 3).

Muita gente se sentiu atraída pelas palavras de João Batista. O que se ensinava no templo era que  os governos, os sacerdotes e sumo sacerdotes – que todos eles estavam no poder por vontade de Deus. E agora aparece João Batista e diz o contrário e chama as autoridades de ninhada de cobras venenosas que não escaparão do castigo de Deus.

Quando Jesus - lá em Nazaré - ouviu falar dessa pregação de João Batista, ele se sentiu curioso porque as palavras de João Batista eram muito parecidas com as palavras de sua mãe Maria. Ela vivia falando que um dia  Deus levantará a sua mão poderosa e derrotará os orgulhosos com todos os planos deles. Deus vai derrubar dos seus tronos os poderosos e colocará os humildes em altas posições (Cântico de Maria em Lucas 1.51-52). Por isso, Jesus viajou uns 60km a pé de Nazaré até o Vale do Rio Jordão para ouvir esse profeta. Jesus ouviu e depois se deixou batizar.

Ao trazer esse texto para os dias de hoje, devemos começar perguntando: Você também está desiludido com a situação política, econômica, religiosa do Brasil? Você também não gostaria de morar no meio do mato – longe de tudo isso?

Na história da Reforma Protestante muitos agricultores na Alemanha e na Suíça diziam que não bastava lutar contra o domínio do Papa romano (o poder religioso), mas era necessário também lutar contra o domínio dos príncipes e dos senhores feudais (o poder político). O movimento da Reforma deveria ser religioso e político também. Não era suficiente trocar a pessoa que está no poder. Sua revolta contra os príncipes foi desastrosa. As espadas dos exércitos dos principes massacraram os agricultores que tinham apenas enxadas e foices. No entanto, mesmo derrotados militarmente, esses grupos protestantes não abandonaram sua determinação por viver uma realidade conforme os ensinamentos da Palavra de Deus.

E assim surgiram grupos como os menonitas, os valdenses, os amish e outros mais – que tinham uma coisa em comum: Eles queriam trabalhar e viver sem ajuda do Estado. Eles criaram suas comunidades e se tornaram auto-sustentáveis. E deu certo! Ainda hoje existem essas comunidades e elas tratam de não depender do Estado para nada.

Claro, uma forma de vida assim exige muita renúncia. É preciso educar os filhos nos valores da coletividade, do bem-estar de todos, no respeito, na tolerância. Não dá para viver numa comunidade assim, com os valores egoístas e individualistas que nós aprendemos.

Portanto, os profetas do Antigo testamento, Maria, João Batista, Jesus, as comunidades alternativas da Reforma do século XVI - todos continuaram repetindo o mesmo: Não basta mudar os governantes. Geralmente o próximo será pior que o anterior. Verdadeira mudança acontece com arrependimento em relação ao passado e disposição para começar uma nova vida. Era isso que o batismo de João Batista representava: disposição para começar uma nova vida.

Isso pode ser algo impossível quando se pensa hoje no Brasil, mas será que é algo impossível se pensamos em nós mesmos ou em nossa família? Talvez você não consiga levar a sua família para viver em comunidades que optam por distanciar-se da sociedade, mas será que você e a sua família podem daqui para frente à partir dos valores do Reino de Deus? Esses valores são: Amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, tolerância, bondade, compaixão, solidariedade, fidelidade, humildade e domínio próprio. Será que nós podemos ensinar isso para os meus filhos/as?

Os profetas e profetisas - como João Batista -  não apareciam em todo momento. Eles surgiam na Bíblia quando a sociedade estava desiquilibrada, quando havia muita diferença entre as pessoas, entre ricos e pobres, quando havia muita manipulação da Palavra de Deus. Nesses momentos surgiam os profetas para dizer que algo estava errado nessa sociedade e que era necessário viver a justiça de Deus. Justiça, para os profetas, era a necessidade de um equilíbrio entre os ricos e os pobres. Para isso, era necessário uma mudança, uma avaliação, um arrependimento e uma reparação.

Ainda precisamos hoje desses desafios proféticos que chamam a humanidade e a todos nós ao arrependimento e mudança. Como igreja luterana e como igreja cristã, temos um papel importante na mudança da cultura de violência e de destruição ambiental por uma cultura de paz, de justiça e de respeito à Criação. 

Advento é tempo de falar de falar de esperança, de promessas que ainda vão se cumprir, de sonhos que ainda vão se concretizar. Advento é tempo de lembrar que Deus necessita da colaboração do seu povo, do qual eu e você somos parte.
Amém.
 

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