Campanha Em comunhão com as viDas das mulheres


História de vida de Liane Ritter Fritsch Becker

Em comunhão com as viDas das mulheres

10/07/2015

 

 

Nome: Liane Ritter Fritsch Becker

Tempo de participação na IECLB: desde o Batismo

Comunidade: Toledo

Paróquia: Toledo

Sínodo: Rio Paraná

 

 

 

 

Sou Liane Ritter Fritsch Becker e atualmente participo da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Toledo/PR. Nasci há 53 anos em um lar luterano.

Aos 13 anos fui convidada a participar da equipe de orientadores e orientadoras do Culto Infantil. Sem experiência, não tinha a mínima ideia do que este convite proporcionaria à minha vida. Junto com o convite veio a proposta de um curso de nove meses para preparação e estímulo para o trabalho com crianças.

Acredito que este foi o meu primeiro “divisor de fé”. Até então, o chamado de Deus parecia algo muito distante. O estímulo de trabalhar com crianças despertou o desejo de caminhar e estar com este Deus maravilhoso. Vivendo esta experiência de Culto Infantil, fui ingressando na juventude, e os novos desafios foram muito interessantes.

Olhando para trás, percebo que, em todos os momentos, Deus construía e direcionava o meu caminho. Penso que nossas vidas são caminhos que Deus usa para anunciar o seu amor e o seu plano de vida para todos os seres humanos.

Um dos sonhos da minha infância era conhecer o rio Amazonas, apesar de não ter experiências muito agradáveis com viagens por passar mal, o que me fazia questionar se um dia eu iria realizar este sonho. Após a conclusão do segundo grau e do curso técnico em química, fui trabalhar por um período de quatro anos em outra cidade. Quando regressei à casa dos meus pais e ao trabalho na Comunidade, retomei as atividades com crianças. Foi então que conheci a pessoa que iria transformar a minha vida numa grande viagem.

Em julho de 1988, casei com Lauri Roberto Becker, que acabara de se formar em Teologia. Em novembro do mesmo ano, fomos enviados pela Igreja para trabalhar na Paróquia de Rurópolis/PA (transamazônica). Ao chegarmos a Rurópolis, percebi que os caminhos de Deus são incríveis. Sair de  Portão/RS e chegar a Rurópolis foi algo muito especial, e sou grata à IECLB por possibilitar essa mudança na minha vida. Foi através dela que pude prender a servir e abrir as portas da minha casa e do meu coração para as pessoas. Percebi que também se vive IECLB longe/distante/diferente daquilo que conhecia e tinha como referência. Após alguns meses residindo no Pará, surgiu a oportunidade de viajar a Manaus. Inicialmente, viajamos até a cidade de Santarém/PA, e depois pegamos um barco até Manaus. O meu sonho de infância estava se realizando.

Neste período que passamos no Pará, a Igreja me proporcionou um aprendizado de vida que ninguém pode tirar de mim. São vidas, estradas, acontecimentos e lições que mudaram a minha vida e meu modo de pensar Igreja. A forma como as pessoas tinham sede pela sua Igreja me marcou profundamente. Elas caminhavam 20, 30 ou até 40 km para participar de um culto. A dificuldade das pessoas me fez perceber que a grandeza de Deus é muito diferente daquilo que eu pensava. Esta experiência me fez conhecer melhor o nosso Deus. Fez-me perceber que ser Igreja em outras realidades é um desafio e, ao mesmo tempo, um aprendizado. É uma caminhada que me desafia, dia após dia, a perguntar: como devo fazer? O que devo fazer? E onde devo fazer?

As dificuldades do dia a dia não me desanimaram, pelo contrário, motivaram-me para reformular minha vida e minha fé. A opção de deixar a minha profissão por uma nova caminhada, acompanhando o meu marido, foi desafiadora. A filha Tatiane nasceu no Pará em pleno período de chuvas, o que significava muitos atoleiros e estradas fechadas. As dificuldades e as pessoas que viviam lá me ensinaram muito. A dureza de suas vidas, as dores, as alegrias que elas passavam me fizeram admirá-las. Guardo-as no meu coração e tenho um grande amor, carinho, admiração e respeito por ter experimentado o cuidado delas por mim e minha família. Essas pessoas foram as mãos bondosas de Deus em minha vida.

Em fevereiro de 1995 fomos para o Mato Grosso, mais especificamente para a cidade de Tangará da Serra. Nesta cidade, o aprendizado foi o cuidar. Cuidar de vidas que tinham dores. Neste período Deus me proporcionou o  crescimento e aprendizado bíblico através de cursos e seminários. Ali também comecei a desenvolver o trabalho com casais, uma vez que um dos textos que sustenta a minha vida, lema do nosso casamento, é: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. E assim, deixando a porta da minha casa sempre estava aberta sei que consegui fazer a diferença na vida de algumas pessoas.

Em julho de 2002, fomos para Cuiabá, com a nova função do meu marido. Perguntei-me novamente o que deveria fazer agora? Então surgiu uma nova necessidade em minha caminhada: a visitação a doentes. Agora em um grande centro urbano, referência em hospitais no estado, recebíamos muitos pedidos de comunidades do interior para acompanhar e visitar os seus membros doentes hospitalizados. Sempre me considerei frágil para este trabalho, não podia ver sangue e muito menos uma pessoa entubada em UTI. Novamente recorri a Deus e perguntei se era isto que eu deveria fazer. A resposta veio com o próximo telefonema, e lá fui eu para a minha primeira visita hospitalar. Claro que não ficou apenas nesta visita. Posso aqui testemunhar que Deus nos capacita nas nossas necessidades.

O estar com Deus e sentir a sua proteção e o seu cuidado em momentos críticos na vida das pessoas me faz pensar no dia a dia, no quanto somos frágeis e dependentes de Dele. Muitas vezes me deparava com a frieza das UTIs, mas sentia o cuidado amoroso de Deus através das mãos que cuidavam ou do carinho dos que visitavam. Estar ao lado de pessoas quando estão sofrendo faz refletir sobre o quanto o cuidado e amparo de uma Comunidade é importante nestes momentos. A Comunidade é um dos esteios na vida das pessoas. Presenciei muitas situações em que não havia nenhum familiar ao lado do doente, mas ali estava a Comunidade dos irmãos na fé. Percebi que uma Comunidade que caminha junto com os seus membros, em momentos de fragilidade, faz a diferença na vida dos mesmos.

A minha caminhada ainda não terminou. Ela continua junto dos que necessitam de um ombro amigo, um abraço caloroso. Deus nos chama para
caminhar e semear.


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