Celebração


ID: 2651

Do que devemos nos arrepender?

Isaias 40.1-11

10/12/2017

Prezada Comunidade:

O povo de Israel sempre se considerou o povo escolhido de Deus. Para muitos lideres religiosos e políticos de Israel, isso significava que eles era superiores aos outros povos do mundo. Por isso tinham uma atitude de arrogância sobre os outros povos. Os reis e os lideres religiosos mostravam sua pompa e sua riqueza diante dos outros povos, mas para o próprio povo de Israel não governavam com justiça. Diante do mal exemplo das autoridades, muitas pessoas dentro do próprio povo também começaram a viver a partir da lei “quem pode mais chora menos”. Deus então começou a enviar os profetas, para alertar aos lideres e a muitos do próprio povo que esse caminho estava errado. Os lideres então mandaram matar a muitos desses profetas acusando-os de traidores da pátria. Diante da impossibilidade de conseguir o arrependimento das lideranças e de muitas pessoas do povo, Deus decidiu então que um exercito estrangeiro invadisse Israel e levasse todas as lideranças de Israel para a Babilônia. Esse é o tempo do exilio babilônico. Ele durou 50 anos. Certamente os mais velhos nunca se arrependera. Provavelmente foram os filhos dos exilados que compreenderam que o exilio era um castigo de Deus. Deus havia feito de tudo para que as lideranças se dessem conta do mal caminho que haviam tomado, mas as lideranças não quiseram ouvir. Muitas pessoas do povo também abandonaram as leis de Deus e seguiram as leis das lideranças. Por isso, Deus havia mandado um exercito estrangeiro invadir Isarel, levar embora suas lideranças. Agora – depois de 50 anos – as pessoas de deram conta da sua maldade e se arrependeram dos seus pecados. Ao ouvir essa confissão de pecados, Deus envia o profeta Isaías para dizer:
Isaias 40.
Consolem, consolem o meu povo
Falem carinhosamente
Digam-lhes que já terminou a sua escravidão, que seus pecados foram perdoados
Preparem no deserto um caminho para o Senhor, abram uma estrada reta para o nosso Deus passar
O Senhor mostrará a sua glória e toda a humanidade a verá
O Senhor está chegando
O Senhor vem vindo
E ele traz consigo o povo que ele salvou.

Portanto, a mensagem fala de lideranças que se afastaram da lei de Deus, que se acharam superiores aos outros povos do mundo, que demonstravam poder e riquezas para fora, mas para dentro do próprio povo havia governavam com injustiça. Deus envia profetas, mas esses são assassinados pelos governantes. Por fim Deus envia um exercito estrangeiro que invade o pais e deporta as lideranças. Assim passaram 50 anos para que as pessoas se dessem conta do mal que seus pais haviam cometido. Buscaram então o perdão de Deus. E Deus os ouviu.

Estamos no tempo de Advento e quando falamos sobre Advento falamos de esperança. Um dos maiores educadores que o Brasil já teve foi o grande Paulo Freire e uma de suas indagações mais recorrentes era sobre o verbo “esperançar”.

Um outro filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella falou assim sobre esperançar. “Como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo… Violência? O que posso fazer? Espero que termine… Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam… Fome? O que posso fazer? Espero que acabem… Corrupção? O que posso fazer? Espero que liquidem… Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo. E, se há algo que Paulo Freire fez o tempo todo, foi incendiar a nossa urgência de esperanças”

Quando se fala dos problemas desse mundo, muitas vezes relacionamos tudo isso com o pecado da desobediência a Deus. E então logo associamos: casais em conflito é consequência do pecado, pais e mães com dificuldades para educar seus filhos é por causa do pecado. A violência social é fruto do pecado da desobediência. O desemprego existe por causa do pecado da desobediência. Desta forma, tudo o que existe de mal nesse mundo se resume no pecado da desobediência.

Muitas pessoas até dizem que foi o próprio Deus que induziu as pessoas ao pecado, porque ele ofereceu a possibilidade de escolha. Se não houvesse escolha, não haveria como pecar. Deus não deveria ter dado essa liberdade ao ser humano. Ao dar a liberdade, Deus induziu as pessoas a pecar. Mas será que é assim mesmo?

Quando Deus colocou o ser humano na terra (no jardim do Éden) a orientação de Deus é que o ser humano poderia escolher entre comer ou não comer do fruto da árvore. Comer ou não comer – cada coisa teria a sua consequência. Portanto, Deus deu ao ser humano a liberdade de escolher. Tanto o bem como o mal – tem as suas consequências. Por isso, Deus recomenda: escolham o bem e não o mal.

No entanto, o ser humano não gosta de conselhos. Ele quer experimentar por si mesmo. Ele quer ir atrás de seus próprios sonhos. E isso não é algo ruim. O pecado não está em se decidir por coisas novas, por assumir novos desafios. O pecado está quando não queremos assumir as consequências das nossas escolhas. Quando queremos jogar sobre outros a responsabilidade que é nossa.

Assim é em outros aspectos da vida. Deus nos dá a liberdade que tomar nossas próprias decisões. Nós não somos robôs que estão programados somente de um jeito. Na verdade, somos programados para tomar decisões. Mas o que não devemos esquecer que tudo nessa vida sempre tem consequências. Até as omissões, isso é não tomar decisão nenhuma, tem suas consequências.

Certa vez um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o agricultor e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. 
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!

A galinha disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

- O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou a faca e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. 
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é um problema de todos.

Por isso, quando falamos que as enchentes se acentuaram por causa do desmatamento, ouvimos pessoas dizer que o progresso é necessário, que a energia elétrica é necessária e essa energia vem das usinas hidroelétricas. Portanto, o desmatamento é necessário e não há nada que se possa fazer.

No entanto, isso significa tomar uma decisão pelo progresso, sem querer assumir as consequências. É verdade que o progresso é necessário, que as usinas são necessárias, que todo mundo quer ter energia elétrica e que as empresas necessitam de energia elétrica para produzir empregos. Tudo isso está correto. Mas também deveria ser correto pensar nas consequências do desmatamento e investir na precaução de tragédias dessa decisão. Quando o governo constrói uma usina deveria ser parte do custo da construção os investimentos necessários na educação e prevenção de catástrofes.

Não se trata de ser contra o progresso e as decisões que favorecem o progresso ou a criatividade das pessoas. Deus não vai nos abandonar quando tomarmos as nossas decisões. Mas o que Deus quer é que não fujamos das consequências de nossas decisões. Faz parte de nossas escolhas assumir as consequências. Não fazer nada também tem consequências. O que Deus espera de nós é que tomemos nossas decisões com coragem e com a consciência que elas terão consequências boas e más e que devemos ser responsáveis por amenizar o sofrimento de quem sofre os efeitos de nossas decisões ou opções. O mal está em não assumir as consequências. É disso que precisamos nos arrepender: de não assumir nossa responsabilidade diante das consequências.

Porque a energia elétrica é necessária em minha vida, eu deveria me sentir responsável e solidário pela mudança climática que afeta outras pessoas por causa do excesso de chuvas ou de secas. Hoje sabemos que esses danos podem ser amenizados com planejamento e com investimentos.

Portanto, Advento é tempo de esperança do verbo esperançar. É anúncio que Deus quer começar conosco um novo tempo. A voz do que clama no deserto, como diz em Isaías e também no Evangelho de Marcos não é um apalavra de juízo sobre a liberdade de tomar decisões, mas trata-se de um forte convite para a transformação pessoal e coletiva. Nesse mundo onde as coisas parecem não ter mais jeito, Deus vem para nos alertar dizendo a natureza e os seres humanos somos interdependentes e que todos e todas devemos avaliar e assumir os efeitos de nossas decisões. Deus não vem para condenar as nossas decisões. Ele é um Deus que defende a nossa liberdade de escolha. Deus não é contra os nossos sonhos, os nossos projetos por uma humanidade melhor. Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que confia em Deus e que acredite que ele possa ser realizado. Por isso, imagine uma nova história para sua vida ... e acredite nela. Peça que Deus te abençoe e trabalhe duro pelo seu sonho. Mas, quando vires que alguém está sofrendo as consequências de tuas escolhas, é dever de todos ser solidários.
Amém.

Ouça essa prédica em
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Pecados dos quais precisamos nos arrepender
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Celebração / Nível: Celebração - Ano Eclesiástico / Subnível: Celebração - Ano Eclesiástico - Ciclo do Natal
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 40 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 11
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 45257
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Não há pecado maior do que não crermos no perdão dos pecados. Este é o pecado contra o Espírito Santo.
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