Concílio da Igreja



ID: 2273

Reforma contínua, fora do contexto europeu

20/10/2004

A trajetória da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) é uma história de sucesso. Ela tornou-se auto-suficiente na formação de obreiros e encontrou seu habitat no meio teológico latino-americano da modernidade e pós-modernidade, tanto assim que a Reforma tem continuidade num continente alheio ao contexto europeu.

A avaliação é do conselheiro-mor, pastor Peter Weigand, 55 anos, da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), que participou, de 13 a 17 de outubro, em São Leopoldo, do XXIV Concílio Geral da IECLB. Em 2001, IECLB e EKD assinaram parceria, que prevê intercâmbio de obreiros, de estudantes, e apoio a projetos. A parceria coloca as duas igrejas em pé de igualdade.

Quando da constituição jurídica da IECLB, em 1968, 80% do seu quadro de mais de 250 pastores eram estrangeiros, a grande maioria da Alemanha. Hoje, só sete pastores alemães atuam na igreja brasileira. A retirada dos pastores alemães não foi feita com mágoa, mas com muito orgulho, porque esse era o objetivo, garante Weigand.

Ele próprio já foi pastor na IECLB de 1977 a 1981, em Hamburgo Velho, bairro da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, e depois assumiu, em nome da igreja brasileira, o pastorado em Valparaiso, no Chile, onde ficou de 1981 a 1986.

Embora a IECLB não mais necessite de pastores do exterior para pastorearem congregações e campos missionários no Brasil mantemos esse intercâmbio por convicção teológica e ecumênica, assinala.

O direcionamento de pastores se inverteu. Atualmente, 12 pastores da IECLB trabalham na Alemanha, nas mais diferentes áreas, desde congregações a academias e agências de diaconia. Eles são muito bem aceitos e fazem um trabalho fabuloso, avalia Weigand. Essa também é uma maneira de nos globalizarmos, e os brasileiros são uma espécie de espertise no campo ecumênico.

Há olhares esperançosos de evangélicos-luteranos voltados para a seara dos irmãos no Brasil. Embora observem com solidariedade crítica o ministério compartilhado, que considera o status de pastores, diáconos, diaconisas,

catequistas e missionários, a IECLB tem facilidade e agilidade de mobilizar as bases, tem uma participação significativa de leigos em assuntos administrativos e na distribuição da palavra de Deus, aponta. Nós não temos isso, admite o conselheiro-mor.

A ajuda financeira da igreja alemã para a igreja brasileira, que ascende a um montante de 163 mil euros anuais, dá-se, hoje, em projetos cujos efeitos ocorrem fora dos muros eclesiais e contribuem para a sociedade em geral, explica o secretário para as Américas e o Caribe do Departamento de Ecumene e Relações Exteriores da EKD. Ele menciona, a título de exemplo, projetos que impulsionam a reforma agrária, preservam a mata amazônica, protegem culturas, línguas e costumes indígenas.

Se esse apoio já foi tranqüilo no passado, hoje as lideranças da EKD

precisam fazer lobby para manter em seu orçamento o item auxílio a igrejas parceiras. Projeções indicam que até 2009 a EKD, também a Igreja Católica da Alemanha, vão sofrer uma redução de 25% a 35% nas receitas provenientes do imposto eclesiástico. Todo cidadão alemão que se declara evangélico ou católico recolhe 8% do imposto de renda para a sua respectiva igreja.

Vamos ter que, concretamente, abandonar campos de trabalho. Temos pela frente um sério problema demográfico e de conjuntura, destaca Weigand. Cada cristão que morre, seja católico ou evangélico, é um contribuinte que a igreja perde. Agora, toda criança que nasce não significa, necessariamente, um membro novo na igreja.

A secularização deixa suas marcas, na ex-Alemanha Oriental de forma mais acentuada, resultado dos anos de comunismo. O pessoal não vê necessidade de se integrar à igreja, conta Weigand, que vê no lado ocidental a vigência de um acentuado secularismo comercial. Não temos uma membresia firme. Ela vacila, acrescenta, apontando para o grande desafio missionário que essa situação representa.

No campo conjuntural, os gastos sociais crescem, o desemprego aumenta. São mais de 4 milhões de desempregados, em torno de 11% da população econômicamente ativa. Já se vê alemães pobres pelas ruas da cidade revirandoo lixo. A sociedade alemã, afirma Weigand, está impregnada pela ética do ora et labora, e não ter empregos suficientes disponíveis é algo inimaginável para os alemães.

O conselheiro-mor permanecerá em São Leopoldo até a sexta-feira, 22. Ele coordena, nesta semana, a Conferência de Pastores enviados pela Alemanha para servir a IECLB, integrada por cerca de 40 pessoas, considerando pastores ativos, pastores eméritos alemães que decidiram fixar residência no Brasil e viúvas de pastores. O encontro começou na segunda-feira, 18.


Fonte: ALC Notícias - Edelberto Behs
 


Autor(a): Edelberto Behs
Âmbito: IECLB / Instância Nacional: Concílio
ID: 16274

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