IECLB e Dia Mundial de Oração - DMO



ID: 2706

Quantos pães vocês têm?

Estudo Bíblico 2 - DMO 2011 - Marcos 6.30-44

04/03/2011

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO 2011 - CHILE

TEMA: QUANTOS PÃES VOCÊS TÊM?

ESTUDO BÍBLICO 2

Texto: Marcos 6.30-44

Sobre o Evangelho de Marcos:


Segundo os estudiosos da Bíblia, o Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito. Muitos fatos e citações que haviam sido transmitidos oralmente foram redigidos e organizados pela primeira vez para compor este texto: “As Boas Novas de Jesus, o Messias, o Filho de Deus.”(Mc 1.1). O conteúdo está organizado de tal maneira que se podem distinguir duas partes principais:

I – (Marcos 1.1 – 8.30) – Enquanto Jesus revela sua autoridade e missão por meio de seus atos e de sua pregação, ele seleciona um grupo de colaboradores, os discípulos, aos quais lhes ministra ensinamentos especiais e um “treinamento”. Além disso, Jesus lhes dá a autoridade de representá-lo. Esta parte culmina com a confissão de Pedro: “Tu és o Messias”. (8.29)

II – (Marcos 8.31 – 16.29) – Jesus mostra que cumpre sua missão, servindo e oferecendo sua vida para muitos. Sem dúvida, sua morte não é o final: depois de sua ressurreição, unirá seus discípulos em uma missão nova.

A ALIMENTAÇÃO DOS CINCO MIL – Marcos 6.30-44

Nosso texto pertence claramente ao período que poderíamos chamar de “a aprendizagem dos discípulos”. Em Marcos 6. 7-13, estão enumeradas as coisas que fizeram e ensinaram. Eles querem dedicar um tempo para avaliar o que estão fazendo e ensinando. Isso nos dá alguns antecedentes para os aspectos chaves desse relato.

Jesus e os discípulos
Por quê há uma multidão? O que eles querem? A maioria deles reconheceu Jesus e seus amigos. Mães iam com crianças, famílias, vizinhos e vizinhas, amigos, etc. Valia qualquer sacrifício para chegarem; o importante era se encontrarem com Jesus.

As pessoas caminhavam pela praia, seguindo-os. Ao chegar ao mesmo lugar, Jesus e os discípulos se encontram frente a uma multidão ansiosa para escutar o Mestre.

Destaquemos alguns pontos para a introdução:

a. O autor do Evangelho descreve esta situação intencionalmente para destacar a força das pessoas em busca de Jesus, mesmo quando ele queria se afastar por alguns momentos com seus amigos. O povo, caminhando, chega antes do barco, evidenciando a energia com que buscam a presença de Jesus. Assombra-nos o contraste com outros momentos da vida de Jesus, onde permanecerá sozinho e abandonado por todos aqueles que o haviam seguido e escutado em lugares semelhantes a estes.
b. Por que o seguiam? A chave parece estar nas palavras de Jesus: “porque eram como ovelhas sem pastor”. Alguém pode pensar que havia uma crise na condução, que havia líderes religiosos e políticos corruptos. Todavia, mais ainda, a falta de condução neste caso indica a carência de respostas às perguntas centrais da vida. Jesus responde ao que o coração e o espírito do povo está necessitando e o faz envolvendo também suas necessidades físicas. Ao utilizar a imagem do pastor, evoca os textos de Zacarias 11.4 – 7, que denunciam a existência de pastores que abandonam e maltratam suas ovelhas. Jesus é o pastor verdadeiro que as entende e atende suas necessidades mais profundas.
c. Ter compaixão. Essa é uma expressão especial em toda a Bíblia. Yavé teve compaixão de seu povo escravizado; os profetas clamam por compaixão para o povo sofredor; Noemi e Rute receberam compaixão de Deus, assim como muitos outros. Agora, Jesus tem compaixão do povo que o segue. Eles sabem que o Mestre sofre com eles: curou os enfermos, limpou os leprosos, restituiu a vida à mulher com o fluxo de sangue e à filha de Jairo, por quem choravam. Sim, eles sabem captar que ele os ama e entende e que suas palavras também são um reflexo de sua vida e que, diferentes de outros líderes, não há contradição entre a palavra que fala e a vida que vive.

Jesus optou por atender às necessidades da multidão e mostra aos apóstolos como é a liderança do discipulado.

Análise versículo por versículo:

35-36: Embora os discípulos estivessem preocupados com o fato da multidão não deixar Jesus reservar algum tempo para estar a sós, eles eram sensíveis `as necessidades físicas do povo. Eles eram também realistas. Não iriam encontrar alimentos suficientes. Além disso, estavam em um lugar remoto.

“Despede-os para que se vão ... e comprem algo para comer”. - Podemos somatizar esse sentimento? Quantas vezes sentimos que não podemos satisfazer as necessidades dos que nos rodeiam. Uma das situações onde é mais provável que isso aconteça é quando somos cercados por um grande número de “meninos de rua”.O que podemos fazer para sermos úteis?

37 - A proposta dos discípulos atribui à multidão a responsabilidade de ir comprar sua própria comida. Jesus, o bom pastor, devolve-lhes a responsabilidade: “Dêem-lhe vocês de comer”. A reação deles à sugestão de Jesus é quase equivalente a: “O Senhor está brincando conosco?” Eles vêem o desafio em termos de dinheiro, uma necessidade de previsão financeira. Verificam seus bolsos e não encontram quase nada. Jesus conhecia os que estavam ao seu lado, que eram pescadores, que não eram ricos. Um denário era o salário de um dia – impossível compará-lo com o dinheiro de nossos dias – não era uma quantia que eles tinham para oferecer. Os discípulos recebem a ordem e calculam o que significaria em forma hipotética. Gastar a diária de 200 homens para comprar pão? E com isso querem dizer que nem mesmo esse valor seria suficiente.

38 Jesus não vai entrar em discussão sobre o quanto de dinheiro necessitavam. Seu enfoque os leva a fixar-se no que têm. Seguindo a orientação anterior, eles devem dar de comer aos famintos. Jesus lhes pergunta: “Quantos pães vocês tem? Verifiquem.”

Nestas linhas, o texto lembra o relato do Velho Testamento referente a Elias e à viúva de Sarepta – quando Elias pede algo para comer, a viúva sabe dizer exatamente quanta farinha e quanto azeite tem e a quantidade de comida que será obtida. Pela ação de Deus o profeta, a viúva e toda a sua casa sobrevivem até a chegada das chuvas que põem fim à estiagem. De maneira semelhante, neste lugar deserto, Jesus proverá com alimento a todos os que têm fome a partir do que já existe.
Jesus envia seus ajudantes a fazer algo específico: delega uma função importante a eles – ir e ver quantos pães tem cada um. Ao fazer a pergunta entre eles, fazem-na também às pessoas que estavam ali. Descobriram que havia cinco pães e dois peixes.

39, 40 - .Ali no vale Jesus ordenou a seus discípulos que fizessem sentar o povo em forma ordenada, em grupos de 100 e de 50. Não está explicado se seriam homens, mulheres ou crianças, jovens ou velhos; somente assinala “sentem-se em grupos”. Poderiam ver os rostos uns dos outros, a conhecerem-se e compartilharem o que haviam trazido.
Estes grupos são inclusivos; não existe nenhuma discriminação; ninguém pergunta que idioma fala cada um, nem de onde vêem, se são famílias ou não. Simplesmente os discípulos formam grupos sobre a pastagem verde.

41 - Jesus dá graças e põe nas mãos do Pai a sua ação. Jesus não trabalha só; seus companheiros o ajudam. Ele partiu o pão e o deu aos discípulos para que o distribuíssem entre as pessoas. Trabalha também repartindo o peixe entre todos. Dessa maneira se concretiza a proposta: “Dêem vocês de comer”.

42, 43 - “Recolheram os pedaços que sobraram ... e encheram doze cestas” – Pondo tudo em comum, o que cada um levava, comeram, fartaram-se e sobrou. Ninguém ficou com fome; as sobras encheram 12 cestas. Os que estiveram ali vivenciaram o ensino de Jesus e deixaram exemplo às primeiras comunidades cristãs que compartilhavam o que tinham entre os presentes, como Lucas descreve em Atos 2. 42-45.

Nos dois textos bíblicos para o DMO 2011, aquilo que temos na comunidade é o suficiente nas mãos de Deus. Como os discípulos, quando aceitamos a orientação de Deus, podemos dar de comer aos famintos, não importa quantos sejam.

MATERIAL SUPLEMENTAR

No Chile o pão continua sendo o elemento mais importante nas mesas, mesmo nos lares mais humildes. Essa porção de massa com levedura está presente para ajudar a nos levantar quando nossos corpos se sentirem débeis.

No Chile trabalham-se muitas horas – 11 ou 12 horas diárias, com um descanso de 1/2 hora para almoçar. Quando chega o fim do mês e recebem seus salários, vêem que só dá para pagar contas básicas como luz, água, gás ou lenha, as prestações nos centros comerciais, restando pouco para comer.

O Evangelho de Marcos é um escândalo para o sistema capitalista que trabalha, o princípio de maximizar os lucros, mesmo ao custo de comprometer a dignidade humana. Se houvesse uma partilha equitativa dos bens da terra, todos nós teríamos acesso a seus frutos, como Deus dispôs no começo da Criação. Em um mundo de uma economia globalizada, o TER põe debaixo o SER. Quando consideramos o mistério deste relato, fazemos reviver a aventura da Galiléia. Jesus vem inovar a atitude do discipulado, fazer a pausa em um lugar à parte e refletir. Jesus Cristo rompe o silêncio dos mais desprotegidos e provoca uma confusão. Jesus vem a uns poucos que crêem nos ensinos que deixou como legado.

Nosso movimento do Dia Mundial de Oração reúne as condições para poder fazer “o milagre dos pães e dos peixes”, através de tantas mulheres que, nos quatro pontos cardiais, se sentam sobre a erva e põem em comum o que têm, dando de comer aos que não têm e orando ao Senhor da vida, àquele que nos deixou uma grande missão: descobrir juntas que existe uma mesa inclusiva, onde ninguém deve sentir-se discriminada por raça, cultura, cor, enfermidade, idade, sexo, crenças ou conhecimento: é uma mesa aberta onde nunca faltará o pão; e encheremos os cestos com pães e peixes para levá-los onde estejam assentados grupos de 50 e 100 em todo o mundo.

A humanidade gozaria de uma boa alimentação, se a riqueza fosse distribuída com equidade e que cada uma nós compartilhasse o que tem, como o fez a viúva de Sarepta. Jesus nos faria ver que o que temos pode alimentar a todos os que têm fome. Assim teremos acesso a tudo o que a criação produz e não teremos países famintos, crianças desnutridas ou mortas por inanição.

Em nossas comunidades podemos convidar pessoas que não se sentem parte dessa mesa redonda para que se unam a ela, porque seu centro se apóia no poder de Deus.

Sugestões para realizar o estudo:

(Solicitar com antecipação a várias mulheres para que levem um pão pequeno, feito por elas, de tal maneira que seja suficiente para todas).
Após a introdução (leitura do texto e comentários) formar grupos. Convidar cada grupo a sentar-se em círculo; recomendar que cada um não escolha mais que 2 temas, para poder aprofundar as respostas.

1. Há ocasiões onde nós nos sentimos como “ovelhas sem pastor” ou observado cenas em que alguém dava essa impressão. Relacionemos as situações.

2. A busca de “um bom pastor”, em que implica? Como podemos discerni-lo /a? Enumerar as características.

3. Podemos descrever as distintas atitudes e as reações que surgem nos discípulos, enquanto se desenrola a cena de Mc 6.3-44. Essas atitudes e reações fazem parte da aprendizagem do “discipulado” – processo de aprender como seguir o caminho de Jesus? Fazem parte também de nossa aprendizagem o desenvolvimento de nosso discipulado?

4. Você tem separado um tempo para descansar e conversar com você mesma e descobrir quais são os seus “pães”, dons e carismas para oferecê-los ao serviço de sua comunidade? Quais são os “pães” que têm na comunidade para compartilhar?

5. Quais são os elementos que nos motivam para que superemos nosso afâ de possuir e de compartilhar?

Ao apresentar suas conclusões, cada grupo colocará uma folha escrita com as palavras chaves em uma mesa no centro, junto com os pães que tiverem trazido. Compartilhar os pães e as idéias de todas, junto com uma xícara de chá.

 

Este estudo foi elaborado, combinando os estudos apresentados por:

Ivonne Pereira, Metodista
M. Trinidad Urzúa. Católica

 


 


Âmbito: IECLB / Organismo: Dia Mundial de Oração - DMO
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 6 / Versículo Inicial: 30 / Versículo Final: 44
Natureza do Texto: Educação
Perfil do Texto: Estudo Bíblico
ID: 12741
À casa de Deus não pertence nada mais que a presença de Deus com a sua Palavra.
Martim Lutero
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