IECLB e Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB



ID: 2725

Consulta Internacional Anglicana-Luterana sobre Episcope(1987) reunida em Niagara

Relatório

03/10/1987

INTRODUÇÃO GRUPO DE TRABALHO

1. As conversações oficiais anglicana-luteranas em nível internacional remontam a duas décadas. As primeiras conversações internacionais realizaram-se entre 1970 a 1972. Elas foram autorizadas pela Conferência de Lambeth e pela Federação Mundial Luterana e produziram o Relatório de Pullach. Apoiando-se nele, foi intensificada a relação internacional por um grupo conjunto de trabalho, que se reuniu em 1975 e, mais especialmente, pelo Grupo de Trabalho de 1985. Este fez recomendação ao Conselho Consultivo Anglicano e à Federação Mundial Luterana para que se estabelecesse uma comissão continuadora, para capacitar as futuras conversações em nível internacional e promover os resultados de vários diálogos regionais entre os anglicanos e luteranos, de modo que contribuam para o progresso de diálogos em alhures.

2. Na sua primeira reunião em Wimbledon, na Inglaterra em 1986, a referida comissão continuadora internacional estabeleceu os planos para uma consulta conjunta sobre o Episcope, considerado como sendo o obstáculo principal para a plena comunhão. (Ver o apêndice III) Seus membros estão listados no apêndice II. Essa consulta realizou-se em Niagara Falls, Ontario, no Canadá, em setembro de 1987, e propiciou a base deste relatório. Os participantes dessa consulta constam no apêndice I.

3. Diálogo numerosos entre anglicanos e luteranos durante os últimos vinte anos descobriram quanto compartilhamos doutrina, adoração, missão e compreensão e funcionamento do ministério. A Comissão Regional Européia Anglicana-Luterana concluiu que não existem mais quaisquer obstáculos sérios a caminho da comunhão plena entre duas Igrejas,( Relatório de Helsinki, 1982) Uma outra expressão do acordo de alcance mais amplo está contida na secção II (parágrafos 60-80) deste relatório. Porém os documentos que surgiram desses encontros oficiais têm identificado reiteradamente na diferença na prática do Episcope (isto é, liderança pastoral, coordenação e supervisão), principalmente, a presença ou ausência de bispos no episcopado histórico como sendo o obstáculo principal (senão o único que restou) para a plena comunhão. Por episcopado histórico, queremos dizer um episcopado que remonta à sua origem através da história até, pelo menos, ao fim do II século. Fazemos o uso do termo sucessão apostólica no sentido substantivo adotado pela Comissão conjunta católica romana-luterana em seu documento Ministério na Igreja ( parag.59,60) para significar a apostolicidade da Igreja em fé (ver também BEM, Ministério, parag.34-35; parag. 19 e 20 deste relatório; Relatório de Helsinki, 40, e 43; Relatório de Pullach, 87-89 ; Relatório Luterano-Episcopal série II,1980, parag. 61-62). Assim, foi reconhecida necessária a atenção para este tópico, se devemos

(a) avançar a caminhada para a plena comunhão de nossas respectivas Igrejas;
(b) facilitar o contínuo desenvolvimento da vida e missão comuns em várias regiões onde nossas Igrejas funcionam nas mesmas áreas geográficas;
(c) e desenvolver possibilidades estruturais de futuras realizações mais completas da plena comunhão, especialmente, nos países onde nossas Igrejas existem lado a lado.

4. As diferenças entre nós na dimensão do Episcope incluem não só a presença ou ausência de bispos no episcopado histórico mas também diferenças no significado que nossas Igrejas atribuem aos bispos. Essas diferenças servem como o ponto focal de temores e suspeitas, preconceitos e percepções distorcidas mútuos. Esses fatores parecem, também, ameaçar os acordos atuais existentes com outras Igrejas bem como as expectativas ecumênicas expressas nos diálogos de nossas Igrejas com as Igrejas Católica Romana e Ortodoxa.

5. Identificamos, por meio dos trabalhos de nossos predecessores no diálogo e com a ajuda de nossos colegas na consulta mais recente, algumas perspectivas sobre este tópico, que acreditamos ajudar as nossas Igrejas a sobrepujar suas diferenças bem como estabelecer e estabelecer a plena comunhão e assessorar sua expressão estrutural.

6. No documento que se segue, dá-se atenção inicial e maior à missão da Igreja e sua primeira realização nas comunidades do período do Novo Testamento, (secção I). Damos tal importância à missão, porque, em Wimbledon, 1986, (ver apêndice III), o levantamento da situação de nossas Igrejas pelo mundo nos causou a impressão de que a agenda e o cronograma para a plena comunhão entre anglicanos e luteranos são elaborados diferentemente em diferentes partes do mundo. Contudo, é universal a urgência de dar atenção à natureza da missão da Igreja. Com efeito, a crise da Igreja em missão é bastante acentuada, pelo menos, naqueles países na Europa e na América do Norte onde a necessidade da plena comunhão pode ser menos urgentemente percebida. Em Wimbledom, determinamos, portanto, que o tema da consulta sobre Episcope seria Episcope em Relação com a Missão da Igreja. O que estamos apresentando na secção I:

(i) reflete uma porção significativa de nosso trabalho em Niagara,
(ii) oferece um perspectiva renovada sobre a missão da Igreja como o dom de Cristo, e
(iii) ,propicia o contexto necessário tanto para a nossa compreensão do Episcope como também de nossa proposta para a realização da plena comunhão entre nossas duas Igrejas.

Concluímos que é engano sustentar que existe apenas um critério que deve ser satisfeito, o critério do elo inquebrantável de ordenações dos tempos dos apóstolos, se uma Igreja deve reconhecer a outra como verdadeiramente apostólica.

7. Então, procuramos identificar as exigências principais para levar avante a missão da Igreja no que se referem ao Episcope ou o ministério de liderança pastoral, de cooperação e supervisão (secçåo III). Essas são doxológica, continuidade, vida comunitária disciplinada, educação, fidelidade para com o objetivo da história humana dado em Jesus Cristo. Mostramos como o ofício do bispo na Igreja primitiva procurou manter firmes as Igrejas em koinonia ou em comunhão dos fiéis em todos os tempos (catolicidade diacrônica) e em todos os lugares (catolicidade sincrônica). Consideramos desenvolvimentos subsequentes no ofício episcopal e avaliamos as formas anglicanas e luteranas de sucessão no ministério de presidência desde a Reforma.

8. O documento continua com um sumário das verdades que compartilhamos, identificando a tradição comum de fé, confissão, vida sacramental e perspectiva sobre a Ordem que os anglicanos e luteranos descobriram em um e no outro.

9. Tudo isto é preparação para as propostas que fazemos aos anglicanos e aos luteranos para o estabelecimento imediato da plena comunhão, (secçåo IV). Concluímos essa secçåo com uma série de propostas para a reforma que ambas as tradições precisam considerar, a fim de renovar o ministério da Episcope .

10. Finalmente, apontamos para as nossas Igrejas ações legislativas necessárias, as estruturas para compartilhar a missão e concreto reconhecimento litúrgico, que inaugurariam nossa plena comunhão, (secçåo V).


I. A Natureza da Igreja e sua Missão

11. (copiar Ef 1.3)

A Igreja cristã está, acima de tudo, irresistivelmente consciente do esplendor dos dons de Deus: em Cristo fomos escolhidos para sermos dedicados a Ele e plenos de amor, aceitos como herdeiros de Deus, perdoados, feitos partes de um plano para que todo o universo seja levado à unidade e recebermos o selo do Espírito Santo como penhor de que entraremos, com efeito, nessa herança. Mas para compreender a magnificência desses dons, a Igreja precisa continuamente de um outro dom, o da intuição espiritual. Só desse modo, temos a concepção dos recursos do poder abertos àqueles que confiam em Cristo, recursos cuja escala só pode ser mensurada pelo fato de que tudo já foi colocado aos pés de Cristo e que o mesmo Cristo é o cabeça supremo da Igreja, que é seu corpo, (Ef 1.4-23).

12. A vida da Igreja está firmada sobre a ação já vitoriosa com os poderes do pecado e da morte. É a graça livre e imerecida de Deus que, por meio da morte sacrificial de Cristo na Cruz, uma vez para sempre, nos leva à união com Ele. Este é o modo como chegamos a ser jamais estrangeiros, mas concidadãos com o povo escolhido de Deus. Ser parte da Igreja é ser parte da estória do povo de Deus que entra na herança no mundo de Deus.

13. Porém é precisamente essa estória que nos lembra das dificuldades que serão enfrentados. O povo de Israel, o povo escolhido de Deus foi repetidamente cego ou desobediente, comprometido com os governantes locais, perseguiu os profetas e sofreu desastres horríveis. A própria vida de Jesus, que consistia em cura e aceitação dos marginalizados e pecadores lhe trouxe rivalidade mortal com as autoridades predominantes. Os discípulos que Ele enviara foram instruídos para contar com a rejeição e também com a recepção. As comunidades do Novo Testamento, que preservaram as estórias de Jesus escreveram-nas de modo que ilustrassem o fato de que o ciúme, disputas e mal-entendidos fossem parte de suas experiências mesmo depois de haverem recebido o dom do Espírito Santo.

14. Deve haver, portanto, uma consciência dobrada na mente de todo cristão. De um lado, a consciência da magnificência dos dons de Deus, e, de outro, a necessidade de estar preparado para a dificuldade, batalha e tentação. A leitura honesta da história da Igreja cristã nos compele a reconhecer que aquela Igreja como o povo de Israel, esteve repetidas vezes cega ou desobediente, comprometeu-se com as autoridades locais, perseguiu seus profetas e sofreu desastres espantosos. Daquela história aprendemos a necessidade de contínua vigilância e contínuo arrependimento.

15. É a Igreja cristã como um todo que foi enviada em missão e recebeu os dons necessários. O plano de Deus é a unificação de todas as coisas em Cristo. Esse e nada mais é o alvo. Antes que esse objetivo seja realizado, a Igreja tem a tarefa de encarnar em tudo que é, e no que ela diz e faz a promessa de que o objetivo é realizável. A Igreja como um todo é testemunha dessa promessa e cada um de seus membros é inevitavelmente parte do como esse objetivo deve ser entendido.

16. Neste sentido, pode-se comparar a Igreja como um todo com um sistema de comunicação, do qual nenhuma parte é estritamente irrelevante para comunicar a coerência do sentido. Quando os seres humanos se comunicam uns com os outros, é importante que palavras, gestos, expressões faciais e dons simbólicos não contradigam um ao outro, se quer evitar confusão. Semelhantemente, quando a Igreja deseja ser ouvida numa dada cultura, é importante que o todo de sua linguagem esteja coerentemente inter-relacionado, de modo que sua mensagem tenham sentido.

17. Cada um dos membros da Igreja é parte integral de sua testemunho e missão. Cada um recebeu um dom do Espírito Santo, de modo que o todo floresça. Todos os membros são chamados para descobrir, com o auxílio da comunidade, os dons que receberam e usá-los para a edificação da Igreja e para o serviço do mundo. Para esse fim, a Igreja foi enviada. (BEM M 5. Ver toda a secçåo, M 1-6, que expressa a idéia de que todo cristão está envolvido no testemunho da Igreja para com o plano de Deus para toda a humanidade.)

18. Deflagração dos mal-entendidos, rivalidades e disputas pessoais é uma ameaça contra a coerência da missão cristã. Já o Novo Testamento evidencia que as comunidades cristãs primitivas estavam tendo a necessidade de resolver problemas urgentes e complexos especificamente relativos à sua missão e testemunho. O quadro que surge do estudo do Novo Testamento é o de comunidades que lutam com o problema da disciplina interna e, ao mesmo tempo, o de levar avante sua missão de testemunho do amor de Deus em Jesus Cristo.

19. É nesse contexto que se deve entender o desenvolvimento do ministério dotado de autoridade e não autoritário. É claro que houve, desde o início, aqueles que mantinham autoridade específica nas Igrejas, os quais cumpriram com sua vocação na Igreja, em favor de toda a comunidade (BEM M 9). A autoridade não era uma questão de aquisição de status, mas investidura de responsabilidades. Essas responsabilidades devem ser exercidas de tal maneira a servir a missão de toda a Igreja em seus atos e atribuições numerosos, diversos, mas essencialmente inter-relacionados. Incluem a manutenção do testemunho da fé, proclamação apostólicas, interpretação atualizada do Evangelho, transmissão das responsabilidades ministeriais, comunhão em oração, amor, alegria, sofrimento, serviço aos enfermos e necessitados, unidade entre as Igrejas locais e a participação nos dons, que o Senhor deu a cada um (BEM M34).

20. O estudo da vida das comunidades cristãs primitivas refletidas nas páginas do Novo Testamento deve tornar impensável que isolemos a ordenação nas mãos de alguém em sucessão linear até os apóstolos como o único critério da fidelidade à comissão apostólica. Assim muitas pesquisas confirmaram essa conclusão de que o ônus da prova passou para aquele que argumentariam de outra maneira. Os ministérios de liderança Pastoral, coordenação e supervisão têm sido continuamente parte do testemunho da Igreja para com o Evangelho. Com efeito, podemos dizer que a missão da Igreja exigiu a coerência de seu testemunho em cada aspecto de sua vida e que essa coerência exigiu supervisão. Mas o Novo Testamento não nos dá o direito de afirmar que tal supervisão foi feita por uma estrutura uniforme de governo herdado diretamente dos apóstolos ou por eles transmitido (sobre o desenvolvimento das estruturas ver os parágrafos 41-59). Por conseguinte, falar na sucessão apostólica é falar primariamente das características de toda a Igreja. E reconhecer uma Igreja como estando na sucessão apostólica é usar não apenas um s critério de discernimento, mas muitos. (BEM M 35).

21. É, portanto, essencial que aquelas Igrejas cristãs, que não usufruem a plena comunhão umas com as outras, reapropriem a base substancial da compreensão da missão apostólica da Igreja com que o Novo Testamento nos proporciona. Com efeito, a missão alcança uma expressão especial na apostolicidade da Igreja. Pois a apostolicidade significa que a Igreja é enviada por Jesus Cristo para ser Igreja para o mundo, para participar em sua missão, portanto, para participar na missão do Pai, do Filho pela dinâmica do Espírito Santo.

22. A Igreja recebe a sua apostolicidade, sua missão como o dom daquele que está acima de todo o domínio, autoridade e poder e acima de todo nome, não só neste século, mas também naquele tempo que há de vir. Pois o Pai colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o fez cabeça todas as coisas em favor da Igreja, que é seu corpo, a plenitude daquele enche tudo em todas coisas. (Ef 1.21-23). O Cristo pode conferir sua Missão à Igreja, porque, ressuscitando-o dentre os mortos o Pai lhe conferiu o sim final o caminho do amor doador de Cristo. Todos os poderes e domínios neste século acreditam, em última análise, que a morte tem a última palavra. A expressão apropriada de tal crença é o impulso inflexível da humanidade para a auto-preservação. Mas se o Cristo tiver a última palavra, então, a expressão apropriada é, antes, a oblação de si mesmo, confiante no conhecimento de que muito tem a ver com a vida do que sua preservação. Aqueles que procuram salvar suas vidas perdê-la-ão de qualquer modo. Mas aqueles que oferecem suas vidas por amor a Cristo encontrarão a sua verdadeira vida. (Mt 16.24-26).

23) A apostolicidade da Igreja é a missão de auto-oferenda (não auto-preservação) para a vida do mundo. Por conseguinte, a Igreja serve o reinado de Deus e não ao reinado do pecado e da morte. A Igreja serve a missão do amor sofredor e vulnerável de Deus, e não o seu próprio projeto. A Igreja serve a missão fundamentada na maneira do Cristo estar no mundo e por ela moldada.

24) O reinado de Deus é, portanto, o tema que abarca toda a história. A missão da Igreja consiste em testemunhar a esse reinado pelas suas palavras e ritos (proclamação e sacramentos), pelas estruturas e direção (Mc 10.35-45, especialmente vs 43), e pelo seu ser e fazer. A Igreja recebeu a percepção do fundamento e do caráter do reinado de Deus (Cristo como o alfa e o “caminho) bem como a vitória final escatológica do reinado de Deus (Cristo como Omega e plenitude ou consumação). Em virtude do dom da missão apostólica, a Igreja é chamada para essa missão. Do mesmo modo, o dom da unidade é a base para a chamada para a unificação, o dom da santidade, para a consagração, e o dom da catolicidade, para ser o todo, ortodoxo e universal.

II Exigências para a Missão da Igreja

25) O dom de Cristo consiste no envio de seus discípulos assim como Ele foi enviado (Jo 20.21) de modo que sejam testemunhas do juízo de Deus que perdoa e do veredicto que liberta todos os que se encontram sob o jugo do pecado e da frustração e derrota que Deus causa ao Mal, desmascarando os poderes demônicos e unindo-se à batalha contra eles. Em Cristo, a Igreja é chamada ter as chaves do Reino de Deus e servi-las. (Mt 16.18) Em Cristo a Igreja é chamada a ser u m sinal, instrumento e antecipação do reinado de Deus.

26) A Igreja acorda para a descoberta surpreendente de que sua missão é um dom, e que recebeu, com efeito, a pérola de grande preço, o tesouro escondido no campo (Mt 13.44-46) e que essa descoberta é a razão para reunir outros para participar na alegria (Lc 15.8-10). Para ser essa Igreja, ela se torna consciente de certas coisas são dela exigidas. Essas exigências seguem como conseqüências da descoberta de que sua missão é, de fato, um dom.

DOXOLOGIA

27) A Igreja louva a Deus pela criação, preservação e por todas as bênção desta vida; mas, acima de tudo, pelo inestimável amor (de Deus) na redenção do mundo por Nosso Senhor Jesus Cristo; pelo meios de graça, e pela esperança da glória (LOC, Geral Ação de Graças). Ela recebeu a palavra de Cristo para o ensino, admoestação e sabedoria como seu sinal e proclama, em prisão e fora dela (At 16.25) com gratidão...a Deus, (Cl 3.16). É chamada para fazer tudo em palavras e atos, em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por ele (Cl 3.17). Foi batizada para o sacerdócio régio como um povo reclamado por Deus para ser seu povo, a fim de proclamar a vitória daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1Pe 2.9). Ela recebeu a refeição pela qual recebe com gratidão o sacrifício final, pleno e preciosos de Cristo na Cruz. Nessa refeição a Igreja recebeu sua identidade como a comunidade que antecipa o banquete celestial da salvação consumada, (Is 25.6-8; Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.16,18; Mt 14.19 e paralelos; Lc 13.29; 14.15-24; Jo 6.30-59; Ap 19.9). Nela foi dada à Igreja a promessa de que em Cristo Deus receberá a oferenda do todo o povo, a quem Deus chama e usa na missão apostólica do reinado de Deus, (Ro 12.1-21). Na oração doxológica do reinado o Filho concede à Igreja o nome do Pai como Aquele que O enviou no poder do Espírito, (Lc 11.1-3). A Igreja louva o Nome Trino e ora em seu Nome para ser apoderada e moldada por esse Nome, a fim de participar da missão divina.

CONTINUIDADE

28. É fiel o Deus que chama a Igreja para sua missão divina. Deus é fiel para com seu próprio ser e identidade. A chamada do universo para existir é um ato vulnerável e amor arriscado (Jo 1.9-18; Cl 1.15-20; He 13.8) Deus é fiel no Pacto e na promessa, em não abandonar o Israel, mas em entregar o Filho em favor de nós todos (Ro 8.31-39) de modo que os gentios pudessem ser enxertados na “oliveira” do povo de Deus (Ro 11.1-32) Essa fidelidade de Deus é impenetrável e insondável, que evoca o nosso louvor (Ro 11.33-36). A Igreja recebeu o dom da fidelidade de Deus para ser fiel. Ela tem a continuidade de Deus para continuar na palavra de Cristo e permanecer na koinonia ou comunhão com Cristo e uns com os outros, e, por conseqüência, para experimentar e expressar tanto a verdade como a liberdade (Jo 8.31-33). O contexto em que se apresenta a continuidade do ofício ministerial nas Epístolas Pastorais é o ensino e confissão fiéis, ( 1Tm 4.6-16; 6.3-16; 2Tm 2.1-6; Tt 2.1).

29 Em virtude de estar baseado o chamado da Igreja à fidelidade e continuidade na fidelidade e constância de Deus a Igreja pode cuidar com estima tanto aqueles símbolos da continuidade que a Igreja tem recebido quanto as experiências, no seu passado, nas quais se demonstrou constante a fidelidade de Deus, a despeito de sua debilidade, ambigüidade, perversidade e infidelidade. A Igreja reconhece com ação de graças as Escrituras canônicas, pelas quais Torah (Lei), profetas, proclamação apostólica, e narrativa evangélica foram identificadas, reunidas e transmitidas. A Igreja existe por causa da continuidade inquebrantável do dom do Batismo e da Ceia do Senhor. A Igreja recebeu o dom da confissão ortodoxa na forma de responso dogmático diante das heresias que colocaram o Evangelho sob ameaça. A Igreja recebe com gratidão tudo quanto de continuidade histórica seus bispos e presbíteros receberam.

30. Tais símbolos de continuidade são, todavia, apenas uma parte da vida da Igreja e requer constantemente uma nova interpretação, para que seus significado e impacto sejam sempre experimentados como o Evangelho libertador da graça de Deus. Como qualquer criatura viva, a Igreja permanece o que ela é por meio de mudança e ajustamento. A mera preservação de símbolos de continuidade pode diminuir sua efetividade. A história da Igreja cristã contem o registo da fidelidade de Deus, a despeito da infidelidade humana. Deus se tem demonstrado sua perseverança com a Igreja mesmo quando as Escrituras foram mutiladas, ignoradas, difamadas e idolatradas, e mesmo quando o Batismo foi ministrado irregularmente e recebido frivolamente, mesmo quando a Ceia do Senhor tornou-se rotineiro ou negligenciado, mesmo quando a perda da conexão entre o Evangelho e dogmas levou à inquisição e autoritarismo, de um lado, e, de outro, rejeição e apostasia. No contexto de nosso estudo sobre episcope fomos levados a confiar na fidelidade de Deus, quando, também, quando os bispos na sucessão histórica foram infiéis em seu eflúvio do mal, ou quando as Igrejas foram forçadas a suportar rompimentos na tradição ficaram acostumados com sua suposta autonomia. O Evangelho da fidelidade de Deus é, ao mesmo tempo, a sua chamada para a Igreja se arrepender e tornar-se reconciliada.

DISCIPLINADOS JUNTOS COMO COMUNIDADE DOS DISCÍPULOS

31 A missão da Igreja é dada por Deus a uma comunidade. Isto tem seu embasamento na missão e obediência de Jesus. A missão de Jesus foi dirigida a Israel como um povo, para sua renovação, e para a recordação de sua missão, (Lc 2.29-32; Mt 10.5-15; e seus paralelos; Mt 15.24). Por meio da renovação de Israel e da chamada dos Doze, a visão escatológica da reunião dos gentios, isto é, a superação da alienação dos gentios foi feita. (Ef 2.11-3.13) A existência separada da sinagoga ( a qual não reconhece Jesus como Messias) e da Igreja (a qual confessa Jesus ser Messias) é um lembre penoso de que a nossa pecaminosidade continua a frustrar a missão de Deus, que vivemos em tensão entre a inauguração e consumação do reinado de Deus, que a própria Igreja é sinal ambíguo e incompleto do reinado de Deus. A tentação do individualismo autônomo e anarquia, de um lado, e, de outro, do coletivismo opressor, significa que a Igreja requer disciplina em sua vida corporativa, e que, ao mesmo tempo, tal disciplina precisa ser fundamentada na obediência de Cristo. A Igreja é uma comunidade de discípulos (Mt 28.19-20) O Torah do reinado de Deus ( Mt 5-7) descreve o discipulado da Igreja, do mesmo modo, a descrição apostólica da vida da Igreja (Ro 12-15; Gl 5-6; Cl 2.20- 4.6; Ef 4-6). A disciplina é fundamentada em Cristo e por Ele moldada. A liderança não dever ser como a dos gentios (Mc 10.43) É “no Senhor” (1Ts 5.12-13; Ef 5.21). Ela começa com a mente de Cristo, o qual tomou a forma de servo e foi obediente até a more de um escravo (Fp 2.1-11) Contudo é uma disciplina repleta de admoestação (Marcos e Mateus foram escritas para as comunidades se corrigirem e corrigirem sua liderança como também as cartas aos Gálatas, Coríntios (1ª e 2ª) e 1 Tessalonicences, para que fizessem decisões penosas necessárias (e.g., 1Co 5.1-2). A liberdade do Evangelho é a liberdade de todos da comunidade para se empenhar na santidade de uns e dos outros e da saúde da comunidade (Gl 6.1-5)> Pois o amor é nunca indiferente.

EDUCAÇÃO, CRIAÇÃO

32. Aqui, também a Igreja descobre que o recurso para a sua missão já lhe foi dada. Pois o próprio Cristo é o pão vivo, dado para a vida do mundo (Jo 6.51). Ele é a água viva, da qual, se alguém beber, essa pessoa jamais terá sede (Jo 4.14). Além disso, o Cristo é a porta para o rebanho, pela qual a ovelha passa e encontra a salvação e alimento. Estas figuras de criação das ovelhas torna-se a tarefa da Igreja pela virtude da comissão de Pedro para alimentar as ovelhas de Cristo (Jo 21.15). A nutrição está na raiz da exortação para doçura para com os “pequeninos” que querem dizer não só crianças, mas também os jovens na fé. Se tais pessoas podem ser alimentados com o leite ou já dispostas para se alimentar da carne a fim de exercer o discernimento. (1Co 3.2; He 3.12)

33. A figura evidentemente tranquilizadora de pastoreio esconde julgamento e exigências urgentes. A razão pela qual as ovelhas tornam-se presas de animais selvagens está nos maus pastores que consomem o leite, usam seus pelos e matam os mais gordos para o seu consumo e os conduzem com severidade. (Ez 34.1-10). Esta é a razão porque o próprio Senhor é o pastor do seu povo que, diferente do mercenário, está disposto a dar sua vida em favor das ovelhas. É preciso que os pastores humanos do rebanho de Deus sejam lembrados de seu exemplo e se guardem contra as tentações do poder, se devem receber aprovação do Supremo Pastor na sua manifestação (1Pe 5.1-4).

34. A vida da Igreja não só recorre a Cristo como recurso, mas também vê no Cristo o alvo de seu crescimento. A maturidade da Igreja será mensurada por nada menos que a estatura plena de Cristo ( Ef 4.13). Nem isto é concebido como crescimento individual. É, antes, a construção do corpo de Cristo, no qual há variedade de dons, sendo cada qual designado para equipar o povo de Deus para a tarefa no serviço de Deus. (Ef 4.12) Há, naturalmente, possibilidade da qual S.Paulo tem exemplos em mente, que tais dons podem ser empregados competitivamente: o olho e a mão precisam, de fato, um do outro e é preciso que o digam (1Co 12.14-26). Mesmo o simples ato de plantar e regar a semente da Palavra carece ser visto como ação cooperativa, ( 1Co 3.8) A missão da Igreja exige um esforço contínuo para conceber todos os dons do Espírito Santo como parte de um único empreendimento e superar a tendência dos seres humanos para a inveja e conduta dominadora. A tarefa de nutrição ou criação é inseparável, por conseguinte, da disposição da mente em considerar melhor dos outros do que a si mesmo. (Fp 2.3)

DIREÇÃO E ALVO

35 A jornada em que a Igreja está engajada tem um alvo e direção que moldam todo o caráter da missão do povo de Deus desde o começo. No ministério, morte e ressurreição de Jesus Cristo a Igreja recebeu uma visão do efeito da história. Tudo deve ser levado à unidade em Cristo. (Ef 1.10) Portanto, é a Jesus Cristo que devemos olhar enquanto corremos, resolutamente, a corrida em que entramos (He 12.1-2). Nele temos a confiança para ver o futuro como a vitória do reinado de Deus (Ap 5; 7.13-17; Is 25.6-8). Somos o povo que conhece o resultado final da estória, sem ainda conhecer os pormenores do enredo. Com efeito, pelo fato de a Igreja ter a permissão de entrar no resultado da estória do mundo, a vida e testemunho da Igreja mudam a trama da história.

36. Devido ao fato de que o enredo da história foi revelado em Jesus, a Igreja tem a vocação de antecipar o futuro da era messiânica por meio da participação no Banquete Messiânico (ver parag. 27) a Ceia do Senhor. Porém, quando a Igreja não inclui “os que possuem nada” e quando não cuida dos pobres do mundo, então, não participa mais da Ceia do Senhor. A Igreja não só profana o “corpo e sangue do Senhor”, mas também nega a sua própria identidade como o povo da nova era, da era messiânica (1Co 11.17-34).

37. A Igreja recebe a esperança viva por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,(1Pe 1.3-9) porque o resultado da história foi revelada em Jesus. Na morte e na ressurreição de Jesus o poder da morte de determinar o futuro foi rompido. A morte não pode ter a palavra final para quem crê na ressurreição. Vivemos de modo diferente em relação ao futuro, vivemos como o povo que faz a oferenda de nós mesmos e não em função de sua proteção. O futuro é moldado por quem deixou a morte para trás. Cristo veio a ser os “primeiros frutos” dos que dormem ( 1Co 15.20-28). Por isso, a Igreja é livre oferecer a si mesma mesmo até a morte, isto é, testemunha (martyria) da esperança. A Igreja é, portanto livre par se relacionar com os inimigos dum modo radicalmente novo. (1Pe 2.20-25; 3.9-12; Mt 5.38-48; Lc 6.29-30; Ro 12.17). A Igreja dá o testemunho da era messiânica pelo seu compromisso com a paz (Mq 3.3-4; Is 2.2-4)

38. A Igreja tem o compromisso com a justiça em favor das vítimas e da libertação dos oprimidos ( Lc 1.51-53; 4.16-21; Mt 11.15) porque o resultado da história foi revela em Jesus. A Igreja procura expressar na sua própria vida a superação de qualquer alienação, seja racista, seja econômica ( Gl 3.27-28).

39. A Igreja é libertada para ver o passado de modo diferente, porque o resultado da história foi revelada em Jesus. Os primeiros discípulos puderam entender a Cruz de Jesus não como rejeição de sua missão messiânica, mas como o caminho do Messias. (Lc 24.26) é um exemplo. Isaias 53 veio a ser entendido como messiânico só após a ressurreição de Jesus.) Com efeito, a Cruz de Cristo é a glória verdadeira de Deus ( Jo 12.27-36; 17.1-15). Além disso, os discípulos são chamados a seguir o caminho da Cruz, par sofrer em favor do Evangelho (Mc 8.34-35 e paralelos, He 13.12-13).) Também, os discípulos foram libertados para o discernimento do seu próprio passado de modo diferente, para confessar o pecado ao invés de enganar a si mesmo negando o pecado, para confiar na justificação de Deus, ao invés de sua própria justificação auto-produzida.

40. Devido à visão que forma o seu futuro, a Igreja admite que sua missão é necessária e, ao mesmo tempo, limitada, e que o reinado de Deus é servido fora da Igreja e que, muitas vezes, trabalha a despeito da Igreja e contra ela. Pelo fato de a Igreja trair sua missão, ela carece de episcope para lembrá-la de sua missão, admoestá-la e reforma-la.

DESENVOLVIMENTO DA ESTRUTURA

41. Todas essas exigências da missão da Igreja no tempo são dadas em Cristo, no entanto, elas têm de ser realizadas na história. Cada qual - o louvor da comunidade, sua fidelidade e continuidade, sua vida comunitária disciplinada, sua atividade de nutrição e seu senso do alvo e direção, tudo isso deve ser focalizado nos atos e estruturas simbólicas. Estes foram marcas de identidade quando a Igreja foi lançada para as culturas do mundo antigo e encontrou novos problemas e perigos para os quais não havia soluções pre-fabricadas.

42. Como já observamos, não existe um só padrão de liderança comum às comunidades cristãs primitivas ( parag.19-20). Não obstante, houve necessidade séria e persistente de liderança sábia e fiel na missão da Igreja. “Ofício ministerial teve parte essencial na vida da Igreja no primeiro século... Princípios normativos, que governam o propósito e função do ministério já estavam presentes nos documentos do Novo Testamento ( por ex., Mc 10.43-45; At 20.28; 1Tm 4.12-16; 1Pe 5.1-4). É possível que as Igrejas primitivas tenham tido diversidade considerável na estrutura do ministério pastoral, embora seja claro que algumas Igrejas fossem encabeçadas pelos ministros que foram denominados episcpoi e presbiteroi. Embora não fossem as primeiras Igrejas uma agregação solta de comunidades autônomas, não temos evidência de que os “bispos” e os “presbíteros” fossem designado em toda a parte no período primitivo. Os termos “bispo” e “presbítero” poderia se aplicado à mesma pessoa ou às pessoas com funções muito semelhantes. (ARCIC, Relatório Final, Ministério e Ordenação 6).

43. A morte de S.Paulo, S.Pedro e S.Tiago ( o irmão do Senhor), que exerciam funções ministeriais de autoridade nas Igrejas, embora em diferentes lugares e de modo diferente, deixou um vácuo na vida da Igreja. O Livro dos Atos dos Apóstolos reflete os passos que foram tomados para suprir essa necessidade pela designação dos presbíteros (At 14.13). Porém o Novo Testamento nos mostra uma ausência impressionante de interesse em títulos ou designações oficiais quando comparamos os escritos cristãos com os materiais a respeito das associações voluntárias no mundo antigo. Os evangelhos de S.Mateus e de S. João demonstra a consciência do perigo inerente no desenvolvimento das estruturas e dos ofícios. 1 Pedro faz admoestação contra o autoritarismo e aquisição de riqueza na liderança da Ásia Menor setentrional. Embora houvesse nas Epístolas Pastorais o interesse nos meios de assegurar a sucessão da liderança pela imposição das mãos, não há evidência para se sugerir que o bispo ou presbítero tenham tido papel exclusivo em relação ao Batismo e Eucaristia.

44. Há quantidade limitada de testemunho sobre as estruturas da comunidade cristão no século II. Todas as evidências do século IV e posteriores a este período devem ser tratadas com muito cuidado, porque os antigos documentos a respeito da história da Igreja colocaram importância principal em provar que houve tradição cristã consistente e imutável. (Nisto autores antigos cristãos aceitaram a preferência cultural geral pelo antigo: o novo estava sob suspeita em princípio.) Por volta do século IV o “episcopado monárquico” constituía-se padrão e inquestionável que veio ser considerado como tendo a origem apostólica.

45. O Inácio de Antioquia (circa 117) nos propicia a referência mais antiga do tríplice ministério. Porém o episcopado que ele descreve é o que poderia ser denominado de episcopado congregacional em contraste com o episcopado regional posterior. Inácio via os bispos no lugar de Deus presidindo a comunidade. Os presbíteros eram ou o conselho de Deus ou conselho dos apóstolos. Com isto evocava-se a cena do Juízo Final. Nessa visão, os diáconos representavam ou o mandamento de Deus ou Jesus Cristo. De qualquer forma, “não temos certeza como o bispo na visão de Inácio foi designado ou que ele estava no elo de sucessão dos apóstolos por meio de ordenação ou que o padrão descrito por Inácio era universal na Igreja” (Luteranos e Católicos em Diálogo IV, Eucaristia e Ministério 39, reflexão dos participantes católicos.)

46. As Igrejas consideraram cada vez mais que a terminologia política ou quase política expressaram o que eles percebiam como sua identidade. Essa linguagem já se encontrava no Novo Testamento. Os cristão um novo povo ou uma nova raça, cuja politeuma ou cidade estava no céu (Fp 3.20), estrangeiros e forasteiros nas cidades de outros povos, num sentido, mas que aguardavam a cidade que lhes Deus havia preparado (He 11.16) e, por conseguinte num outro sentido, sentiam-se em casa no mundo de Deus. Nas suas comunidades locais, o povo cristão veio, portanto, a considerar-se menos e menos como uma organização especializada e mais e mais como uma espécie de cidade compacta dentro de uma cidade, cujos interesses e atividades abarcavam não apenas algumas, mas todas as preocupações normais de seus membros. A Igreja espalhada por todo o Império Romano era um só corpo, um ;único “povo”. Era tal corpo que o bispo veio a ser reconhecido como líder e oficial principal em cada localidade.

47. Na medida em que passaram os anos, a Igreja respondeu a diversidade de dons presentes no seu meio pela criação de numerosas outras funções - leitores, catequistas, exorcistas, acólitos, virgens e outras - todas eles foram denominados de clerici em distinção à cidadania ordinária ou laici. Estes desenvolvimentos indicam a abertura da Igreja às múltiplas formas de ministério, nem tudo foi necessário ser perpetuado. Mas todos , “clérigo” e “leigo”, indistintamente, em primeiro lugar, e, antes de mais nada, cidadãos da comunidade celestial, todos indistintamente membros da família de Deus (Ef 2.19). Quando essa casa se reunia o bispo presidia de modo a distinguí-lo como pessoa simbólica, em quem se focalizasse e representasse a identidade da comunidade.

48. O significado desses desenvolvimentos não está em que eles possam ser extraídos de teias sem costura da história da Igreja e recebam status normativo. Sua importância está, antes., na intenção básica, ao qual foi dada a sua expressão. Ao se tornarem culturas próprias dentro das culturas, as Igrejas constituíram um sistema de símbolos. O ofício de bispo foi valorizado porque expressou alguma coisa importante para a identidade da Igreja tanto dentro da Igreja quanto em relações exteriores. Foi um desenvolvimento relevante a um tempo e a um lugar particulares, mas com feições surpreendentes, por exemplo, que os bispos, diferentemente dos magistrados locais, foram eleitos vitaliciamente. Todas as nossas evidências confirmam que, seja qual for a compreensão teológica do ofício, estava aberto ao abuso crasso como já os documentos do Novo Testamento haviam tornado evidentes os padrões primitivos de liderança.

49. Mas houve duas vantagens claras: em primeiro lugar, que, em virtude de todo o povo estar envolvido na eleição ( talvez os votos lançados pelos gritos, um potencial para a desordem tumultuada já presente), a autoridade do bispo reside, em parte, no reconhecimento conferido a ele pela comunidade como um todo, e, em segundo lugar, a ordenação acarretava na participação dos bispos das congregações vizinhas, e, por conseguinte, no mínimo, o consentimento deles foi obtido. Com o correr dos tempos, cresceu em importância a função que os bispos vizinhos exerciam no processo da seleção, na medida em que se dava ênfase à unidade da Igreja em âmbito mundial. Assim, o bispo incorporou no seu ofício a tensão entre a localidade e universalidade. Em virtude de sua eleição, ele representou para o seu rebanho o povo universal de Deus, todo o corpo das Igrejas locais unidos na comunhão de Cristo.

50. O gerenciamento desta tensão não foi fácil. Os bispos instalados pela autoridade externa, enfrentavam, por vezes, dificuldades em governas suas Igrejas locais. E os bispos que eram populares no meio do seus rebanhos foram julgados, algumas vezes, pelos sínodos de seus pares. Com o correr dos tempos, a iniciativa para a escolha dos bispos veio mais e mais parar nas mão das autoridades regionais até que chegasse ao ponto em que nenhum bispo seria instalado sem o consentimento do metropolitano.

51. Por volta do século IV, também um novo alinhamento significativo de responsabilidades estava ocorrendo dentro do tríplice ministério. O bispo, que tem sido, em principio, o líder de uma só congregação, tornou-se um supervisor regional, enquanto os presbíteros, que não tinham função litúrgica independente, vieram a ser presidentes das assembléias eucarísticas locais. Por volta da Idade Média, essa mudança levou a considerar o ministério do presbítero como forma normativa do ministério. A diferença entre o bispo e o presbítero era, então, uma questão de jurisdição. A opinião de Jerônimo de que os bispos e os presbíteros eram originalmente uma coisa só e mesmos tornou amplamente aceita e teve seu desempenho nas Reformas luteranas e anglicanas.

52. Deve-se dizer mais uma vez que a história não é invocada para dar-lhe status normativo. Existe uma variedade imensa para que construamos um quadro único e sintético do ofício episcopal. Há sempre o perigo de ler de modo anacrônico nas comunidades antigas que eram pequenas a escala grandemente alterada das atividades dos bispos contemporâneos. Antes, a questão está em que havia na posição ocupada pelo bispo duas dimensões: espacial e temporal. As conexões entre o local e o universal, o presente e o passado são aspectos de uma só koinonia ou comunhão. De um lado, o bispo “é responsável pela preservação e promoção da integridade da koinonia a fim de promover a resposta da Igreja ao senhorio de Cristo e seu compromisso com a missão” (ARCIC, Relatório Final, Autoridade I, 5). Essa koinonia é “realizada não só nas comunidades cristãs locais, mas também na comunhão dessas comunidades umas com outras” (ibid.8) De outro lado, o bispo como confessor da fé vincula a Igreja com o seu fundamento nas Escrituras proféticas e apostólicas (Ef 2.20).

53. O essencial na vida e missão da Igreja é que seja feita essa conexão entre o universal e o local e que ela seja efetiva. A questão que deve ser dirigida às nossas Igrejas não é meramente se elas têm a intenção de ter esse elo, mas como é permitido ser eficaz. A mera presença de um bispo como o que é dito ser “um foco de unidade” não garante a preservação da koinonia entre o universal e o local. Nem a ausência desse bispo acarretará na destruição da koinonia. O mesmo acontece em relação com a continuidade. A “sucessão apostólica no ofício episcopal não consiste primariamente em cadeia inquebrantável dos ordinantes e ordenados, mas numa sucessão no ministério presidencial de uma Igreja que permanece em continuidade com a fé apostólica, a qual é supervisionada pelo bispo, a fim de preservá-la na comunhão da Igreja católica e apostólica( Comissão Conjunta Católica-Luterana, ministério da Igreja, 62)

54. A nossa breve referência aos episódios na história do ofício episcopal ressalta um fato revelador. É a supervisão ou ministério presidencial que constitui o coração do ofício episcopal e que tal supervisão não deve ser jamais vista à parte da continuidade da fé apostólica. O fato dos bispos em si não garante a continuidade da fé apostólica. O rompimento material em si na sucessão dos ministros que presidem não garante a perda da continuidade na fé apostólica. Que avaliação deve ser dada, então, à situação, em que um rompimento material na sucessão dos ministros presidenciais em nome da continuidade da fé apostólica?

55. Claramente, não se pode dar uma simples resposta. Onde ocorre o rompimento, deve haver peso na avaliação os passos subsequentes tomados para assegurar a continuidade da fé apostólica e a providência de uma nova sucessão no ministério presidencial. Na Reforma inglesa, pode-se argumentar que a sucessão episcopal foi assegurada numa feição não canônica, porque nenhum bispo diocesano em sua cátedra pode ser encontrado, o qual desejasse sagrar Mathew Parker. Seja o que for dito sobre isso e sobre a suficiência do Ordinal de 1550 para a transmissão do tríplice ministério histórico, a Prefação do Ordinal deu testemunho da intenção dos Reformadores ingleses continuar com aquele ministério de maneira reformada. Por conseguinte, a importância do Ordinal não reside na exatidão histórica na sua vindicação dos ofícios do bispo, presbítero e diácono esteve presente desde o começo. Sua importância está, antes, na sua expressão da intenção de preservar a continuidade com as estruturas tradicionais da Igreja.

56. Para a Reforma luterana, a situação foi complicada, também, pela recusa dos bispos em suas cátedras de ordenar os pastores para as congregações evangélicas. Diante dessa emergência, a “Reforma de Wittenberg procurou uma nova compreensão do ministério ordenado remontando ao ordenamento da Igreja Antiga. Ao proceder dessa maneira, o ministério da supervisão na Stadkriche (Wittenberg) foi descrito como ofício episcopal e os ofícios de ordenação eram amplamente estruturados para serem reapropriação da sagração episcopal na Igreja Antiga” (Kirchengemeinschaft in Wort und Sakrament, Hannover 1984, p. 75) Os Reformadores “ordenaram por meio dos pastores ordenados e assim estabeleceram a vindicação da estrutura episcopal do ofício de pastores (ministros)” ( H.Fries e K.Rahner, Unidade das Igrejas, Filadélfia, 1985, p. 94).

57. Deve ser claramente observado que os Reformadores acreditavam que eles estavam autorizados a agir dessa forma numa situação emergente apelando à posição de Jerônimo sobre a unidade original do ofício de bispo e presbítero. A autoridade do ofício de bispo está, por conseguinte, presente nos pastores. A sucessão do ministério presidencial está, portanto, preservada, embora de forma não acostumada. Não houve objeção do bispo como tal como testifica a Confissão Augustana:

S.Pedro proíbe os bispos exercerem o senhorio (lordship) como se tivesse o poder de coagir as Igrejas de acordo com sua vontade. Não é nossa intenção de encontrar os meios de reduzir o poder dos bispos, mas desejamos orar para que eles não coajam as nossas consciências a pecar. Se eles desejam coagir-nos e ignoram a nossa petição, que eles considerem como responderão diante de Deus, visto que, pela sua obstinação, propiciam ocasião para a divisão e cisma, o quais eles devem, em verdade, ajudar a impedir. (CA, XVIII, 76-78).

58. Os anglicanos e luteranos enfrentam problema semelhante, isto é, a sucessão no ministério presidencial de suas respectivas Igrejas jamais vincula incontestavelmente essas Igrejas com a koinonia da Igreja mais ampla.

59. A concordância doutrinária ampla entre os anglicanos e luteranos acima delineada na Seção II indica a fé apostólica mantida em comum. À luz dessa fé comum, nenhuma tradição pode, em boa consciência, rejeitar a natureza apostólica da outra. À luz do argumento contido nas seções precedentes, o ministério ordenado é jamais uma questão que separa as nossas duas Igrejas. À luz da posição simbólica do bispo refletindo tanto a koinonia universal quanto local, o contínuo insulamento, uma e de outra, daqueles que exercem este ofício de episcope em nossas duas Igrejas é jamais tolerável e deve ser superado.

III AS VERDADES QUE COMPARTILHAMOS

60. O Relatório da Comissão Regional Anglicana-Luterana reunida em Helsinki, em 1982, observou que a “história das relações anglicanas-luteranas é bem, complexa e não pode ser reduzida a um único padrão (parag. 13). Não é necessário que tracemos todas as razões dessa observação. Todavia, destaca-se um fato. Estas duas tradições não se engajaram oficialmente em controvérsias teológicas ou doutrinárias. Não se condenaram mutuamente como Igrejas. As conversações recentes na Europa, América do Norte e Austrália resultaram na identificação de áreas consideráveis de concordância em fé e vida. Trabalho e testemunho compartilhado na África e Ásia revelaram áreas semelhantes de concordância. Nos Estados Unidos a maioria das Igrejas luteranas e a Igreja Episcopal entraram em acordo formal de “participação eucarística interina” mútua. Desejamos especificar aqui as verdades que compartilhamos como são reveladas pelas nossas conversações oficiais.

61. Aceitamos a autoridade das Escrituras canônicas do Antigo e do Novo Testamentos. Lemos as Escrituras liturgicamente no decorrer do calendário eclesiástico. (Diálogo Episcopal/Luterano II (DEL II) 1980, pp.30-31; Pullach, 17-22))

62. Aceitamos os Credos Niceno-Constantinopolitano e dos Apóstolos e confessamos dogmas básicos trinitário e cristológico, dos quais estes Credos dão testemunho. Isto é, cremos que Jesus de Nazaré é verdadeiro Deus e verdadeiro homem e que Deus é autenticamente identificado como o Pai, Filho e Espírito Santo (Diálogo Episcopal-Luterano II, p. 38; Pullach, 23-25).

63. Os anglicanos e os luteranos usam semelhantes ordens de liturgia da Eucaristia, Serviços de Oração, Ministração de Batismo, Ritos de Matrimônio, Sepultamento e Confissão e Absolvição. Reconhecemos na liturgia tanto a celebração da salvação por meio de Cristo e fator significante na formação do consenso dos fiéis. Temos muitos hinos, cânticos, coletas em comum (Relatório de Helsinki, 29-31).

64. Cremos que o batismo com água em nome do Deus Triuno une o batizado com a morte e ressurreição de Jesus Cristo, e o inicia Na Igreja Una., Santa, Católica e Apostólica e lhe confere o dom gracioso da vida nova (Relatório Helsinki, 22-25).

65. Cremos que o corpo e sangue de Cristo estão verdadeiramente presentes, distribuídos e recebidos sob as formas do pão e do vinho, na Ceia do Senhor. Também cremos que a graça do perdão divino oferecida no sacramento é recebida com a oferenda de nós mesmos em ação de graças para o serviço de Deus ( DEL II, 25-29; Helsinki, 26-28)

66. Cremos no Evangelho e o proclamamos, e cremos que, em Jesus Cristo, Deus ama e redime o mundo. Compartilhamos “compreensão comum da graça justificadora, isto é, que somos considerados e feitos justos diante de Deus só pela graça por meio da fé, por causa dos méritos de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e não por causa de nossas obras e méritos. Ambas as nossas tradições afirmam que a justificação leva e deve levar às “boas obras”, a “ fé autêntica resulta em amor” (Helsinki, 20; DEL II, pp.22-23).

67. Os anglicanos e os luteranos crêem que a Igreja não é a criação dos crentes, mas que é constituída e sustentada pelo Deus Triuno por meio da ação salvadora de Deus em Palavra e Sacramentos. Cremos que a Igreja é enviada ao mundo como sinal, instrumento, e antegozo do reinado de Deus. Porém admitimos, também, que a Igreja se encontra em constante necessidade de reforma e renovação, (Helsinki, 44-51).

68. Cremos que todos os membros da Igreja são chamados a participar na missão apostólica. Portanto, receberam vários ministérios pelo Espírito Santo. Dentro da comunidade da Igreja o ministério ordenado existe para servir o ministério de todo o povo de Deus. Afirmamos que o ministério ordenado da Palavra e Sacramento é o dom de Deus para a sua Igreja e, portanto, um ofício de instituição divina (Helsinki, 32-42).

69. Cremos que o ministério de supervisão pastoral (episcope) exercido de forma pessoal, de colegiado e comunitária é necessário para testemunhar, salvaguardar a unidade e apostolicidade da Igreja (Pullach, 79).

70. Compartilhamos a esperança comum da consumação final do reinado de Deus e cremos que somos compelidos a trabalhar pelo estabelecimento da justiça e paz. As obrigações do reinado consistem em governar nossas vidas na Igreja e a nossa preocupação com o mundo. “A fé cristã confessa que Deus fez a paz por Jesus e pelo sangue de sua Cruz” (Cl 1.20) de modo a estabelecer um centro válido para a unidade de toda a família humana” ( Relatório da Comissão Internacional Anglicana-Reformada : Reinado de Deus e a nossa Unidade (1984), 18, e 43; Cf. Pullach, 59).

71. Por tudo que compartilhamos concordamos com a conclusão da Comissão Regional Anglicana-Luterana : não existem mais quaisquer obstáculos sérios no caminho para estabelecer a plena comunhão entre as nossas duas Igrejas. Admitimos com gratidão uma e a outra como Igrejas verdadeiras de Cristo que pregam o mesmo Evangelho, que possuem um ministério comum apostólico e que celebram sacramentos autênticos” (Helsinki, 62-63).

72. Além disso, acrescido à partilha comum das crenças e práticas fundamentais que alistamos, desejamos fazer as afirmações seguintes:

73. Reconhecemos que na Igreja uma e de outra há compromisso sério e sustentado com a missão apostólica da Igreja.

74. Vemos a nós mesmos unidos pelo batismo em ação de graças para com Deus pelo dom de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e pelo envio do Espírito Santo.

75. Reconhecemos nos ministério de episcope de uma e de outra os frutos da presença de Jesus Cristo e a atividade do Espírito Santo, na oferenda dos sacrifícios de louvor e de ação de graças, na reflexão do amor fiel de Deus para com o mundo, no cuidado de nutrição e crescimento de todos os fiéis, e no compromisso com o estabelecimento do reinado de Deus em justiça e paz para toda a terra.

76. Confessamos a Deus e uns aos outros e a todo o povo cristão quanto as nossas Igrejas, no desempenho do ministério de episcope, estão a quem da unidade e continuidade da comissão apostólica. Pedimos uns aos outros o perdão de nossa desconsideração dos dons uns dos outros, de nossa falta de humildade, e de nossa tolerância passada diante de nossa divisão.

77. Desejamos, ardentemente, remover aquelas barreiras que impedem a vida de nossas Igrejas a espelhar aquela unidade de coração e mente, que constitui o dom de Deus para o povo de Deus.

78. Empenhamo-nos com a obrigação de assumir o conselho mútuo para alcançar a mente comum quanto à forma mais frutífera de servir a missão do povo de Deus em cada localidade, de modo a alcançar o testemunho unido do Evangelho, em palavra e ato, e a alegria comum de usufruir os meios de graça.

79. Temos, por meio disso, a intenção, também, de promover a unidade de todas as Igrejas com as quais procuramos ou já descobrimos a fé da Igreja Católica.

80. Regozijamo-nos em redescobrir na Igreja de uma e de outra a herança comum da fé, vida e, em nossa unidade na Igreja Una, Santa Católica e Apostólica.

Louvado seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos céus em Cristo .

IV -  APLICAÇÃO PRÁTICA PARA OS ANGLICANOS E LUTERANOS

81. Em nossa consulta levantamos a questão: “à luz de nossa missão comum que é preciso ser reformado nossas expectativas expressões de episcope? Também, tentamos visualizar quais padrões de liderança e supervisão seriam necessários para ir ao encontro dos desafios do próximo século. Estivemos conscientes de que todas as instituições humanas estão constantemente sujeitos a tornar-se obsoletas e a passar por mudanças. Portanto, não podemos recomendar acriticamente ou a reapropriação do episcopado histórico ou a perpetuação das formas existentes de exercício da supervisão.

82. Nenhuma de nossas Igrejas é capaz de reivindicar a tal grau de fidelidade, isto é, de continuidade ou na doutrina ou na ordem de modo a capacitá-la a sentar-se na cadeira de juiz de outra.

83. Não obstante, ambas as Igrejas têm recebido de Deus fidelidade suficiente para o Evangelho apostólico que hoje podemos reconhecer umas às outras como Igrejas irmãs.

84. As Igrejas de tradição luterana receberam como ponto que focalize a fidelidade de Deus para com elas os Credos da Igreja antiga, as Confissões do século XVI e a continuidade do ministério ordenado pelo qual a Palavra de Deus tem sido proclamado, os Sacramentos, e os Ritos da Igreja ministrados.

85. As Igrejas da Comunhão Anglicana receberam como ponto que focalize a fidelidade de Deus para com elas os Credos da Igreja antiga, o Livro de Oração Comum do século XVI (periodicamente revisada e adaptada regionalmente) e a continuidade do ofício episcopal pelo qual o clero tem sido ordenado para a proclamação da Palavra de Deus e ministração dos Sacramentos e Ritos da Igreja.

86. O reconhecimento mútuo dos ministérios para que as nossas Igrejas admitam com gratidão um relacionamento de plena comunhão entre elas não pode meramente significar que nenhuma Igreja se torne outra. Nem pode significar que uma das Igrejas mude para ir ao encontro das expectativas e exigências de outra.

87. Antes, as Igrejas de ambas as Comunhões estão sendo chamadas para admitir que a experiência e prática da plena comunhão as envolverá simultaneamente em mudanças e reformas.

88. As Igrejas Luteranas estão sendo solicitadas a fazer quatro mudanças na prática corrente como se segue:

89. Todas as pessoas que exerçam um ministério ordenado de episcope devem receber o título de bispo ou sufragâneo. (Ver o parágrafo 57 e Apêndice IV para informação histórica e outra sobre os títulos correntes em uso em algumas Igrejas Luteranas.)

90. Devido à compreensão luterana do ofício de bispo como pastoral (CA XXVIII, 5 et passim, Cf. Lutheran Understanding of Episcopal Office, 1983 que declara que “o ministério episcopal e o ofício episcopal denotam a tarefa de liderança pastoral e supervisão espiritual”. Pp.3ss.), as Constituições devem ser revisadas para que os bispos sejam eleitos para a mesma vigência dos pastores das congregações, capelães e outros ministros pastorais na Igreja. Isto é, sejam eleitos e chamados até que tal vigência termine com a morte, aposentadoria, e resignação. Isto significa que as Igrejas desejem, também, revisar os procedimentos para identificar e designar os candidatos para a eleição ao ministério de bispo, para que os dons de Deus da liderança e governo (1Co 12.28) sejam apropriadamente reconhecidos e chamados para o ofício. Onde for apropriado, os bispos e as Igrejas devem , também, estabelecer e acolher as estruturas para revisão periódica e do colegiado com o propósito de avaliar e aperfeiçoar o ministério do bispo.

91. De acordo com os Cânones do Concílio de Nicéia os ritos de instalação dos bispos devem ser revisados de modo que haja a imposição das mãos, no mínimo, de três bispos. O envolvimento dos três bispos na instalação de um bispo é a forma litúrgica pela qual a Igreja reconhece que o bispo serve a Igreja local ou regional por meio dos laços de colegialidade que as conexões com a Igreja Universal. Tal participação de três bispos deve expressar liturgicamente o fato de que a Igreja, em sua estrutura e prática, conta com a consulta genuína entre os bispos sobre fé e vida da Igreja. Se estivermos em plena comunhão uma com a outra, um bispo ou mais da Igreja na Comunhão Anglicana deve estar na instalação de um bispo luterano. Os luteranos podem convidar tal participação dos bispos anglicanos por duas razões. (1) Ao admitir e reconhecer com gratidão “a plena autenticidade dos ministérios existentes das Igrejas Luteranas” ver parag. 94), os anglicanos unem-se aos luteranos afirmando que os bispos têm autoridade só por meio do Evangelho ( CA XXVIII, 5-8) e, por conseguinte, servem a identidade e unidade da Igreja dadas pela pregação pura do Evangelho e pela ministração dos Sacramentos ( CA VII, 2). (2) Os luteranos têm reconhecido confessional e historicamente que o episcopado histórico é um símbolo valioso da unidade e continuidade da Igreja (cf. Comissão Conjunta Católica-Luterana, Encarando a Unidade e suas Fases, 65,66 e 80, juntamente com a documentação no rodapé.) Tal participação dos bispos anglicanos deve ser um símbolo da consulta mútua obrigatória e da interação real do episcope.

92. Deve-se tornar uma prática firme de que só os bispos ou sufragâneos devem presidir em todas as ordenações do clero em suas respectivas regiões ( sínodos, dioceses, Igrejas, distritos). Isto é consistente com a prática muito em uso nas Igrejas Luteranas. Ela é sustentada, em princípio, pelo fato de que os bispos luteranos devem ou aqueles que exercem supervisão nas Igrejas luteranas devem agora autorizar todas as ordenações, nas quais não presidem.

93. As Igrejas anglicanas estão sendo solicitadas a fazer três alterações na prática vigente como se segue:

94. As Igrejas anglicanas devem proceder as revisões canônicas necessárias de modo que reconheçam com gratidão e admitam a plena autenticidade dos ministérios existente das Igrejas luteranas. Cremos que a base de tal ação reside no reconhecimento de que a “sucessão apostólica no ofício episcopal não consiste principalmente numa cadeia inquebrantável dos ordinantes e dos ordenados, mas na sucessão do ministério presidencial de uma Igreja, que está em continuidade da fé apostólica” (Ministério na Igreja, 62) As Igrejas da Comunhão Anglicana estão sendo solicitadas aqui a proceder uma revisão canônica maior em ordenar sua relação com aquelas Igrejas luteranas, que têm os bispos, mas os quais não estão no episcopado histórico e com aqueles cujos ministros principais exercem o episcope e que não são denominados de bispos. Cremos que os anglicanos estão livres a proceder dessa forma pela graça e poder do Espírito Santo e porque tal ação não significa a rendição do dom do episcopado histórico. “A comunhão plena”, a conseqüência de tal reconhecimento e admissão não significa a fusão organizacional de Igrejas anglicanas e luteranas. Portanto, as Igrejas anglicanas continuariam a sagrar seus bispos e ordenar seu clero de acordo com os ordinais ora em uso.

95. As Igrejas e os bispos anglicanos devem estabelecer e acolher as estruturas para o colegiado e revisão periódica com o propósito de avaliar e aperfeiçoar o ministério do bispo. (Ver parag. 90)

96. As Igrejas anglicanas devem convidar, regularmente, os bispos luteranos a participar na imposição das mãos na sagração e instalação dos bispos anglicanos. Tal participação deve ser símbolo da consulta mutua obrigatória e da interação real na episcope (ver parag. 91)

97. Alegramo-nos com as formas pelas quais a fidelidade de Deus tem sido manifesta em nossas respectivas Igrejas. Recebemos e cultivamos a fidelidade de Deus evidente no episcopado histórico. Reconhecemos com gratidão e louvamos Deus pela sua fidelidade em preservar a missão apostólica e continuidade da Igreja onde a sucessão histórica no episcopado foi rompida. Com estamos mudanças temos a intenção de entrar na plena comunhão, para criar uma única comunidade eucarística, engajar-nos plenamente na missão compartilhada e, por conseguinte, e preparar-nos para as implicações estruturais que surjam. Confiamos que o que fazemos terá significado para o progresso em outras relações ecumênicas.

98. Em tudo isso desejamos assegurar a nós mesmos e aos nossos parceiros em diálogo ecumênico que essas alterações para entrar em plena comunhão não têm a intenção de implicar na indiferença para com o dom e símbolo do episcopado histórico e não implicam nisso. Também, asseguramos aos parceiros em diálogo bilateral e multi-lateral que desejamos estar atentos com as nossas conversações com eles e com o nosso compromisso com eles. Nenhum consenso ou ação bilateral, que ignore a Igreja em suas muitas tradições e manifestações será abençoado. O que fazemos é feito sempre à vista de todos (in conspectu omnium) e, em nome de todos, na medida em que temos a percepção.

99. Além das alterações propostas acima para cada uma de nossas Igrejas, desejamos colocar questões que implicam na reforma e renovação na área de episcope para ambas as Igrejas.

100. Aos que exercem a liderança e supervisão pastoral em nossas Igrejas são concedidos tempo e espaço para refletir sobre as prioridades missionárias nas suas regiões ou eles ficaram absorvidos na administração e sobrecarregados por ela? A unidade administrativa sobre a qual eles presidem ficou francamente tão grande de modo a dedicar todo o seu tempo e energia para a manutenção de um sistema ao invés de se dedicar ao discernimento de oportunidade? A escala de suas responsabilidades os tornam desatentos para com a experiência daqueles cujo testemunho diário implica em ficar nas margens da vida eclesial? A super-familiaridade com o trabalho de comissão, que tem seu papel próprio, gera a falta de visão e coragem?

101. Os que se encontram no ofício episcopal são suficientemente acessíveis ao clero e suas famílias, não só nos momentos de crise, mas na relação pastoral contínua? Tomas eles cuidado para não promover uma dependência imatura, mas encorajam, antes, o clero a tomar responsabilidade e fazer, periodicamente, a avaliação do seu próprio ministério, revisão de suas prioridades ministeriais, e busca de sua educação contínua e renovação espiritual? Também, eles garantem que os recursos sejam providenciados para oferecer ajuda pessoal ao clero e suas famílias em tempos de enfermidade, de luto, “estresse” doméstico e dificuldade financeira?

102. Podem os que exercem a liderança pastoral e supervisão fugir ao perigo de estar demasiadamente ocupados com os afazeres do clero e oferecer, também, liderança efetiva em liberar e juntar os talentos de muitos indivíduos dentro de todo o povo de Deus? Podem estabelecer exemplos de liderança que não seja autocrática, mas verdadeiramente compartilhada, facilitando estilos cooperativos de ministério e capacitando as habilidades e percepções de leigos na vida diária que venham contribuir para a vida comum da Igreja?

103. Tornou-se a visão anglicana ou luterana do que significa a sucessão apostólica seja de linhagem (pedigree) ou de confissão pura tal matéria de orgulho que a missão da Igreja deixou de ser critério pelo qual se julga a Igreja? Os que exercem o episcope, sejam anglicanos, sejam luteranos consideram ter a “posse” de titulação apostólica, ou se consideram desafiados ou sobrepujados pelas exigências e responsabilidades?

104. Deve-se, realmente, fazer a consulta mútua entre os que exercem o episcope? Eles a visão ampla da unidade de todos os cristãos pelo alvo da coerência denominacional? Ficaram tão absorvidos em problemas consultivos e legislativos e com os procedimentos dentro de sua própria nação ou província que deixaram de se preocupar que suas ações podem influenciar outros cristãos em outras partes do mundo?

105. Será que a mutualidade cessou entre os que exercem episcope na Igreja e suas comunidades locais? Será que os líderes deixaram de entender as necessidades das congregações em mudança? Tornaram-se remotos dos pobres e marginalizados da sociedade que não podem mais representar o ministério daquele que foi amigo, hospedeiro dos pecadores? Ou inversamente, as congregações locais conservam os que exercem a supervisão à distância como se o ministério deles fosse intromissão ou competição com organização auto-suficiente de uma paróquia?

106. Os que exercem o episcope na Igreja expõe e recomenda a fé cristã duma forma sustentável e não apenas pregação em ocasiões especiais ou durante visitaçõess isoladas às congregações? Toma real cuidado de alistar o conselho e ajuda os que são hábeis na comunicação no mundo moderno e tratam das oriundas das preocupações urgentes do povo? Maximizam o papel docente como a conferência dos bispos e propiciam o apoio do colegiado mutuamente no exercício de suas responsabilidades docentes?

107. Compreendem os que exercem o episcope sua função litúrgica como sendo central nas suas responsabilidades e a desempenham com criatividade? Lideram eles a oferenda de oração e louvor com senso de reverência inspirando o clero e congregações a oferecer a adoração bem preparada e sincero a Deus? Mantêm o equilíbrio apropriado entre a Palavra e Sacramento nas programações dos cultos públicos? Encorajam a renovação de liturgia e mantêm juntos diversos estilos de adoração dentro da vida da Igreja? Tomam cuidado para preserva aquelas habilidades que ora exercem menos freqüente do que nas fases anteriores de seu ministério? Desempenham suas tarefas litúrgicas de maneira a simbolizar que todo o ministério é compartilhado com outros?

108. Os que exercem a supervisão demonstram em suas vidas pessoais as qualidades semelhantes a Cristo? Dão o exemplo de santidade, amor, humildade e simplicidade de vida? São generosos e hospitaleiros? O seu estilo de vida é demasiadamente influenciado pelo padrão de liderança dominante na culta em que vivem? É evidente que são dedicados ao serviço altruísta e abertos para serem tocados pelo sofrimento alheio? Dão tempo e espaço necessários para oração, estudo, descanso, recriação e vida familiar e evitam a ser devorados pelas expectativas públicas imoderadas com respeito ao seu ofício?

109. Recebem os que escolhidos para a liderança decoração cerimonial de proeminência, mas lhes negam a habilidade de exercer suas responsabilidades? É a efetiva liderança investida em pessoas, as quais por razão de sua obscuridade numa burocracia não é responsável perante toda a Igreja? As realidades do exercício do poder são efetivamente ocultas da visão e, no silêncio, se presume que o poder só pode ser exercido competitivamente e nunca cooperativamente? As Igrejas se encontram tão amedrontadas com o perigo do autoritarismo que seus sistemas de checagem e equilíbrio destroem qualquer capacidade de responder em momentos de desafio especial e perigo?

110. Estas representam senão algumas das indagações que se seguem ao argumento que apresentamos. Elas estão baseadas nas explicações das exigências para a missão da Igreja que recebemos e na compreensão de que o ministério episcopal dever o ministério engajado na missão de toda a Igreja e em facilitar a mesma. Episcope é um ministério de serviço exercido com a cooperação de toda a comunidade. Os líderes devem “manifestar e exercer a autoridade de Cristo de modo como o próprio Cristo revelou a autoridade de Deus ao mundo, dedicando suas vidas à comunidade (BEM, M 16). Quando indagamos se os líderes nas comunidades outras que não são nossas dedicam-se com fidelidade, estamos engajados num processo que inevitavelmente envolve o auto-exame. A nossa conclusão é que ambas as nossas Comunhões são chamadas à penitência, em primeiro lugar.

V  - PASSOS PRÁTICOS

111. Aqui consideramos os passos práticos pelos quais os anglicanos e os luteranos podem realizar a plena comunhão.

112. Passo 1: Cada governo eclesiástico nacional ou regional:
(a) afirma a concordância em fé como se expressa em documentos especificados (por ex., parágrafos 61-70 deste relatório.
(B) reconhece a Igreja...como verdadeira Igreja do Evangelho, etc. (Ver BEM, M 53, [a] ou [b].

113. Passo 2: Criar estruturas provisórias para expressar o grau de unidade até aqui alcançada e promover crescimento. Elas poderiam incluir os seguintes exemplos, embora varie a escala de tempo de região a região.

(A) Participação eucarística e celebração comum conjunta da Eucaristia,
(B) encontros de líderes de Igrejas para oração, reflexão, e consulta regulares, iniciando, assim, episcope conjunta,
(C) convite mútuo de líderes da Igreja, clero e laicato, aos sínodos com assento e voz,
(D) agências comuns onde possível,
(E) explorar a possibilidade de ajustar limites para assistir cooperação local e regional,
(F) pactos entre líderes da Igreja para colaborar no episcope,
(G|) designações pastorais conjuntas para projetos especiais,
(H) Educação teológica e cursos de capacitação conjuntos,
( I) partilha de informação e documentos,
(J) programas conjuntos de missão,
(K) Sílabas acordadas para a educação cristã nas escolas, materiais conjuntos para a catequese e estudo dos adultos,
(L) cooperação na área de formas litúrgicas, ciclos intercessão, lecionários e materiais homiléticos,
(M) acolher clérigo isolado ou comunidades de diáspora para a vida de grupo maior (ver o Relatório de Helsinki, 5)
(N) intercâmbio de ministros até onde os cânones permitem,
(O) parceria entre congregações e comunidades,
(P) programa conjunto de ministério diaconal e reflexão sobre questões de responsabilidade social,
(Q) retiro conjunto e materiais devocionais,

O Conselho Consultivo Anglicano e a Federação Mundial Luterana devem ser solicitados para o pleno apoio às Igrejas na organização de tais arranjos provisórios,

114. Passo 3: as ações tomadas nos passos 1 e 2 formam a base da implementação das recomendações nos parágrafos 88-96 e da motivação para tanto.

115. Passo 4: Os representantes (inclusive membros leigos, ministros ordenados e líderes de Igreja) de ambas Igrejas celebram publicamente o estabelecimento de plena comunhão. Esta ocasião litúrgica deve incluir os seguintes elementos:

(a) penitência pelas falhas passada
(b) declaração conjunta de fé
(c) reafirmação dos votos batismais
(d) saudação mútua com a paz estendendo a mão (a direita da comunhão) de modo a evitar qualquer sugestão de reordenação, re-comissão mútuas de ministérios, cripto-validação ou qualquer outra ambiguidade
(e) celebração de Eucaristia
(f) pacto para trabalhar juntos e envolve-se mais estreitamente na vida comunitária uma e de outra com o alvo a longo prazo para uma unidade mais plena,
(g) pacto pessoal dos líderes da Igreja para colaborar no episcope. ( Sugere-se que cada novo líder faça o mesmo quando assume o ofício.)

116. Observação: entendemos que estes passos são compatíveis com os propostos no documento Católico-Luterano, Encarando a unidade, pp.58ss.)

Este processo deve ser constantemente abertos para as futuras iniciativas ecumênicas com outras igrejas e não se pretende ser exclusivos (ver o parágrafo 97 acima.)

Após o passo 4, deve tornar-se possível realizar a sagração e instalação conjuntas de bispos e ordenações de novos ministros.

(NOTA DO TRADUTOR: ESTE RELATÓRIO FOI APROVADO PELA CONFERÊNCIA DE LAMBETH 88 E PELA ASSEMBLÉIA DA FEDERAÇÃO MUNDIAL LUTERANA REUNIDA EM CURITIBA, EM 1990)

PARTICIPANTES DA CONSULTA SOBRE EPISCOPE

Anglicanos Luteranos
Rev.Cônego Keith Chittleborough Rev.Sven Eric Brodd
Rev.Dr. L William Countryma Dr.Faith Burgess
Rev.Dr. Alyson Barnett Cowan Revmº Herbert H. Chilstrom
Rev. Dr. Kortright Davis Rev. Dr. Donald Juel
Dr. David Ford Rev. Nathan E.Kapofi
Ven. Nehemias Shihala Hamupenbe Rev. Dr. Robert Marshall
Revmº Russell Hatton Rev. Julius Paul
Ms. Nangula Hauwanga Ms. Annette Smith
Rev. Dr. Richard A. Norris Dr. Nelvin Vos
Profª Patricia Page

Consultor Ortodox Consultor Católico Romano
Rev. Prof. Basil Sion Rev. William Marravee

MEMBROS DA COMISSÃO CONTINUADORA

Anglicanos Luteranos
Rvmº David Tustin (Cvo-presidente) Revmº Serbastian Kolowa (Co-pr.)
Rev.Prof.J.M.Flynn Rev.Dr. Walter Bouman
Revmº Charles Mwaigoga Revmº Tore Furberg
Revmº John G.Savaimuthu Revda. Christa Grengel
Rev.Prof. Stephen W.Sykes Rev.Dr. B.C.Paul
Rev.Dr. Karheniz Schmale
Consultores

Rev.Dr. William A. Norgren Rev.Dr. Jan Womer

Staff
Rev. George Braund Rv.Dr. Eugene L. Brand
Ms. Vanessa Wilde Ms. Irmhild Reichen-Young

Notas:

-Existe tradução em português feita pelo Dr.B.Weber.
A coleção mais conveniente de documentos relevantes encontra-se em Que Compartilhamos? Fontes e Estudo anglicano-luterano.Willaim A. Norgren (ed), Forward Movement Press, 1985. Também, Growth in Agreements, Relatórios e Declarações das Copnversaçõers Ecumênicas em nível mundial. Lukas Vischer e Harding Meyer (eds) CMI 1984


APÊNDICE

Ministério ordenado nas Igrejas luteranas alemãs
As atuais estruturas datam da Primeira Guerra Mundial quando as mudanças nas estuturas govenamentais acabaram com as estruturas eclesiais bvaseadas nos governantes provinciais ( Landesherrliche Kirchenregiment). Surgiu uma nova solução: Das synodale Bischofsamt. Difundiu-se o conceito da liderança compartilhada entre obispo e o sínodo. Mesmo nos paises nóredicos onde o ofício de bispo manteve a estrutura mais tradicional os sínodos form introduzidos, os quais compartilham a responsabilidade de liderança para a Igreja.

1. BISCHOF (Landesbischof)

compartilha a autoridade com o sínodo que o elege e pode removê-lo do ofício. Deveres principais: visitações e ordenação. Deveres específicos: responsabilidade pela doutrina bíblica sadia, proclamação e aconselhamento, pastores, e outros obreiros e o cuidado com a formação dos obreiros, aconselhando as faculdades teológicas e centros de formação, emissão de cartas pastorais, representação da Igreja no setor público, promoção de relações ecumênicas.

2.LEITENDER BISCHOF

preside a Conferência de VELKDVELK e o Conselho de sua Igreja. Eleito por um termo pelo Sínodo Geral de VELKD/VELK.
Por causa da magnitude da maioria de Igrejas provinciais (Landeskirchen), episcope é exercido com subdivisões geográficas pelos “bispos assistentes ou sufragâneos” com vários títulos abaixo mencionados. Em algumas Igrejas provinciais há dois níveis de subdivisão, por ex., a Igreja provincial de Bavaria tem distritos (Kirchenkreise) que são subdividass em decanatos (Dekanatsbezirke). A Igreja provincial de Hanover tem dioceses (Sprengel), que são subdividas em distritos (Kirchenkreise). Na prática as tarefas principais dos bispos ? assistentes/ sufragâneos são visitação e ordenação.

3. SUPERITENDENT (Ladessuperitendent), por ex., Hanover

4.DEKA (Kreisdekan), por ex., Bavaria

5.PROPST, por ex, Bruswick

6.Praelat, por ex. Wuerttenburg

7.OBERKIRCHENRAT, por ex., Turingia (OKR designa mui freqüente o encarregado de administração em nível top, ordenado ou não. Todavia, em Turingia alguns OKR são bispos assistentes/sufragâneos com vários superitendentes abaixo deles.

É o escopo de serviço e deveres designados que distinguem bispos de pastores. A relação não é hierárquica. A unidade de um ministério da Palavra e Sacramento é ressaltada.

8. PASTOR/PFARRER
Ministroda Palavra e Sacramento numa congregação

9.VIKAR
Pessoa engajada no trabalho paroquial supervisionado antes de ordenação.
Cf. Troeger, G. “Das synodale Bischofsamt) TRE VI (1980), pp. 694-697.

 

Tradução de +Sumio Takatsu

A Festa de Todos os Santos de 1995


Autor(a): Sumio Takatsu - Tradutor
Âmbito: IECLB / Organismo: Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB
Natureza do Texto: Manifestação
Perfil do Texto: Ecumene
ID: 13912
O Senhor guardará você. Ele está sempre ao seu lado para protegê-lo. Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre.
Salmo 121.5 e 8
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