Paróquia Evangélica Luterana no Rio de Janeiro - Martin Luther

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COMO UMA ROSA ENTRE OS ESPINHOS

25 de junho - 193 anos de existência da ECCLESIA EVANGELICA FLUMINE

25/06/2020

COMO UMA ROSA ENTRE OS ESPINHOS

No ano de 1808, como aprendemos nas aulas de história, a coroa portuguesa promoveu a abertura dos portos da colônia chamada Brasil. Com isso foi possível que mercadores não portugueses, ou não oriundos de portos portugueses, pudessem fazer negócios em nossas terras. Entre eles estavam os alemães. A travessia da Europa até as terras novas acontecia entre seis e oito semanas, repleta de riscos, especialmente pelos assaltos dos piratas nas proximidades da Ilha de Madeira.

Depois da travessia e da lenta entrada dos veleiros pela baía da Guanabara, ladeando o Pão de Açúcar, alemães e outros europeus se deixavam levar pelas exóticas experiências que aqui podiam viver. Sem demora se integravam à vida social da colônia. No entanto, seu objetivo era negociar, fazer fortuna e colher novas experiências de vida. A palavra apreensão ainda não era conhecida entre viajantes alemães e os dias terminavam em bucólicos passeios pelas ruas irregulares do Rio de Janeiro, iluminadas pelas lâmpadas de óleo de rícino.

Em 1825 acontece a Guerra Cisplatina, onde o Império, sob o governo de D. Pedro I, perde território reinvindicado pelo Brasil no sul de suas fronteiras, terras estas em litígio com a Argentina e que deram origem ao Uruguai. Isso enfraquece o comércio e, de certa forma, cria a primeira instabilidade entre a colônia alemã do Rio de Janeiro. Seria essa a razão de se passar a viver como que em meio a espinhos?

Entrementes a colônia alemã já estava se organizando em uma sociedade, a Germania. Isto, desde agosto de 1821. Viajantes que observavam a vida das etnias diversas no Rio de Janeiro, constataram que os alemães sempre procuraram se colocar de forma integrada na sociedade carioca. Isso não era visto com tal intensidade entre portugueses e ingleses. Uma vez que os negociantes alemães normalmente estavam desacompanhados, a Sociedade Germania cumpria importante papel de socialização e integração.

Em 1826 o cônsul da Prússia, Wilhelm von Theremin (a Alemanha ainda não existia como um Estado unificado), começa um movimento entre as pessoas membros a Sociedade Germania, entrementes não composta apenas por alemães, para a constituição da uma Comunidade Protestante. Sua carta endereçada aos membro da Germania não é escrita em estilo diplomático, como seria requerido de um cônsul, mas em tom íntimo expressando uma fé genuína naquilo que estava propondo:

No desejo de ofertar nosso agradecimento ao Senhor por todo o bem que ele nos dá e por encontrar consolo e força contra o infortúnio nas orações comunitárias, bem como de ser fortalecido pela Santa Palavra em nossa mudança [para longe da pátria de origem], conforme os ensinamentos conhecidos entre os membros da doutrina Evangélico-Portestante, amadureceu a resolução de sugerir serem concedidos por uma doação de dinheiro valores para o estabelicimento da Comunidade Evangélica Protrestante” (tradução livre). A carta-circular recebeu a assinatura de 26 membros da Germania, desta forma protagonizando o surgimento de nossa Igreja Evangélica em solo carioca. Esta Comunidade nascia unindo alemães e franceses e tinha por objetivo, em seu planejamento, primeiramente dar sustento a um Pastor que dominasse os dois idiomas, depois construir um Templo (que se concretizou em 1837) e, por fim, instituir uma escola comunitária. Assim que o primeiro objetivo foi alcançado, alugou-se uma casa na Rua Mata Cavalos, atual Riachuelo, onde os cultos passaram a acontecer.

Hoje celebramos com gratidão os 193 anos de cuidados que Deus teve e continua tendo com a nossa missão de anunciar o Evangelho de Cristo. Ser como uma rosa entre os espinhos continua sendo nossa sina e, a exemplo da mandato de Jesus de que o povo cristão seja sal e luz onde estiver, não temer as contrariedades, os sufocamentos, as perseguições. As dificuldades dos dias atuais — que alcançam todos os povos ao redor do mundo, mas especialmente as pessoas desprovidas e debilitadas, pessoas que adoeçaram e estão enfraquecidas, famílias que perderam seus familiares para esta doença perversa, parcelas do povo que sofrem com mais intensidade o descaso de governantes e seus asseclas corruptos — somente querem nos fortalecer a ser aquilo que recebemos como sinal desde nosso batismo, de dar fruto que identifique o Reino dos Céus.

Parabéns a todos os membros desta Paróquia Evangélica de Confissào Luterana no Rio de Janeiro. Às pessoas do passado, do presente e às que se preparam hoje para conduzir a existência desta Igreja no futuro, gratidão e votos de coragem. Continuemos sendo sinais de vida entre os espinhos desta terra dura, porém, generosa.  


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