Sínodo Mato Grosso



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Relatório Sinodal 2006

16/06/2006

RELATÓRIO PASTOR SINODAL PARA IX ASSEMBLÉIA
16-18/06/2006

“Tu és da justiça a clava forte.”

 A todos os irmãos e irmãs que têm a responsabilidade e a tarefa de conduzir as Comunidades que o Senhor Jesus colocou sob o nosso cuidado. A frase acima me fez pensar muito nos últimos dias. Eu a li num banner colocado no centro de Cuiabá. Ela foi usada para homenagear uma categoria de profissionais. A frase é antes de tudo uma confissão e que enaltece o papel desta categoria. Também imagino que estes profissionais assim se sintam. Zelam pela retidão e pela correta aplicação da mesma. Claro que se não tiver retidão e correta aplicação não é justiça. É antes interesse ou algo similar.
 Ao viajarmos pelo Antigo Testamento veremos que a justiça sempre é ação de Deus (Provérbios 29.26). Ela pertence a Ele. Ele à derrama sobre o homem e a mulher. Nós vivemos por causa desta justiça. Ele a faz (Salmo 103.6; 37.28a). Esta justiça será o critério para julgar a todos (Isaias 11.4-5). É o indicativo e imperativo para caminhar nas suas veredas (Miquéias 6.8). Resumindo, podemos dizer que a justiça é dada por Deus e vem sempre dele ao nosso encontro. Ela é o rumo para a nossa existência e nosso agir. É a partir dela que organizamos os nossos relacionamentos.
 O Novo Testamento nos diz que a justiça de Deus se revela no Evangelho (Romanos 1.17). Nesta justiça somos tornados justos (Efésios 4.24). Ou seja, diferença é que não somos meros cumpridores da justiça, mas tornados justos através do sangue do Seu filho Jesus Cristo (1 João 2.29). Como vivem os filhos que foram tornados justos? Praticando a justiça (1 João 3.10). Se assim não o fizerem ou viverem são do diabo. Fácil, claro e límpido. Ao entendermos isto pela fé colocamos a nossa vida em completa dependência de Deus. A nossa vida nada mais é do que sopro da misericórdia de Deus, fruto da sua justiça.
 Como tem sido difícil, em muitos momentos, viver nesta justiça. Viver na plena e completa dependência desta esperança. São tantas coisas que nos rodeiam e sufocam. Em alguns momentos temos a sensação de que somos pequenos e incapazes. A justiça parece algo tão abstrato e distante, quando ela prevalece vira manchete de jornal. Esta distância e apatia está em todos os níveis e esferas, até mesmo das Igrejas.
 A Igreja tem acompanhado com muita preocupação o atual momento político do nosso país. Estamos vivendo uma profunda crise moral, ética e política. Os nossos representantes políticos têm se perdido em seus próprios prazeres e deleites. Crises existiram em outros tempos, mas isso não deve servir para nos conformar e acomodar. Sempre tenho orado para que Deus oriente e ilumine aos nossos governantes. Creio que Deus tem feito, mas a dureza do coração humano torna-os insensíveis e arrogantes. Também creio que todo aquele que tem cargo de responsabilidade irá responder diante de Deus. É extremamente danoso ao Evangelho quando enxergamos a bancada evangélica da Câmara dos Deputados envolvida em escândalos e corrupções. Acintosamente colaboram para que a injustiça prevaleça. Deveriam fazer a diferença. Como cristãos não podemos ficar indiferentes. Conhecemos o Evangelho. Ele precisa ser proclamado por nós – caso contrário Deus fará as pedras se levantarem e anunciarem a sua Justiça.
 No mês de maio uma das CPIs do Congresso e Senado estava interrogando alguém acusado de ter comprado informações sigilosas para o crime organizado. Durante todo o interrogatório, ao ser inquirida, a pessoa mentiu de forma deslavada. Não lhe aconteceu nada. Foi apenas chamado de mentiroso e lhe afirmaram que havia aprendido muito bem a mentir. O que o acusado retrucou afirmando que ali, no Congresso se aprendia rápido. Neste instante foi lhe dada voz de prisão. Seria cômico se não fosse trágico. Ou seja, ao mentir não lhe aconteceu nada. Ao dizer a verdade foi preso. São estes valores e referências que marcam o país e a uma geração que está ai. E a justiça?
O filósofo Nietske certa vez corria pela cidade e aos gritos proclamava que Deus estava morto. Em alguns momentos, se olharmos de forma displicente, poderia gritar: a justiça dos seres humanos está morta.
Sem dúvida este é o sentimento da maioria da população brasileira. Argumenta-se de que não vale a pena reagir, pois são todos iguais. Todos se consolam dizendo que é melhor levar a vida e deixar de lado. A apatia se revela na falta de motivação para votar em outubro.
A Palavra Bíblica de 1 João 3.10 diz: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.” . Aqui não há alternativa: ou vivemos a partir da justiça de Deus, em Cristo, e a proclamamos ao mundo inteiro ou somos do diabo. Nós cristãos somos chamados a sermos a clava forte de Deus para que a justiça se torne realidade. Não é uma questão de opção. É ordem de Cristo. Somos e faremos a diferença neste mundo que é de Deus. Corruptores e corruptos não trazem vida, nem o bem e a dignidade humana. Nós cristãos fazemos.
Preocupante está sendo a situação da agricultura. Muitos agricultores correm o risco não conseguirem dar continuidade aos seus empreendimentos e a sua sobrevivência econômica. Os reflexos da crise já se fazem sentir na economia das cidades. Muitas famílias estão vivendo momentos de grande preocupação e de angústia. Novamente faz suscitar a pergunta pelo amanhã. Existem movimentos reivindicatórios que estão dialogando e protestando para que haja mudanças na conjuntura econômica do país. Todos nós aguardamos ansiosos pelo desenrolar desta situação, e que cheguem a bom termo as negociações. A Igreja também está solidária e orando para que se encontre saída deste impasse. Esperamos que tudo seja resolvido com justiça. Somos chamados a levantar os nossos olhos para aquele que nos regenerou para uma viva esperança. Que possamos aproveitar este momento para revermos valores e prioridades.
A crise econômica também tem afetado as Comunidades e Paróquias. Não há como separar. O próprio Sínodo tem sentido o reflexo. Muitos obreiros estão há vários meses sem receber a SBO (Subsistência Base de Obreiros). Os obreiros/as têm entendido o atual momento e buscam colaborar e caminhar junto. Obreiros e Obreiras! Continuem a servir ao Ministério Pregação e da Reconciliação o qual foram chamados por Cristo. Façam com intrepidez, alegria, dedicação, bom ânimo e fidelidade.
Antes e acima de tudo somos Comunidade cristã. A crise, qualquer que seja, não pode nos paralisar. Precisamos ter audácia no anuncio da Palavra e criativos na busca pelos recursos para a manutenção da Igreja. Por causa da misericórdia do Senhor, e motivados por ela, não podemos ficar apáticos e conformados. Os Presbíteros, Diretoria da Paróquia e Representantes no Conselho Sinodal têm a responsabilidade e a tarefa zelar pela manutenção estrutural. Continuem a cuidar e zelar dos Obreiros e Obreiras como sempre o fizeram. Eles foram colocados por Deus entre vocês para um propósito. São os mensageiros de Deus. Portanto, lembrem sempre as Comunidades a terem os Obreiros/as em alta estima. Exortem, quando necessário, mas acima de tudo os protejam.
Está se encerrando o mandato o qual foi me confiado por esta Assembléia. Foi um período que passou rápido. O mesmo oscilou entre o aprendizado e o exercício da função. No final vejo que, ainda estou apenas aprendendo. Neste meu tempo de aprendizado muitas pessoas tiveram lugar e papel determinante. Lembro-me do Conselho Sinodal, das pessoas que ali passaram, das Diretorias do Conselho, dos Obreiros e Obreiros, das Paróquias e das Comunidades. Todos vocês foram minhas “cobaias” nesta caminhada de aprendizado. As famílias e casas que sempre me acolheram com ânimo, alegria e sorrisos foram a minha grande família sinodal. Embora muitos dias longe da esposa e filha, sentia-me protegido, cuidado e amado. Quanta troca de experiências que houve, e que me ensinaram a ser e viver Igreja.
Na reflexão destes quatro anos constato aquilo que imaginava: a função de Pastor Sinodal é sensível e delicada. Na maioria das vezes se está num papel de mediador. Tensões sempre existirão. O desgastante é quando alguém se entende como vencedor. Ou quando se quer que o perdedor seja executado. Algumas vezes esquecemos que a Palavra de Deus nos diz: “não seja assim entre vós.”. Quando há contendas não há ganhador, mas apenas perdedores. O pecado nos tira a noção e a clareza disso.
Neste exercício de aprendizado busquei ter uma relação fraterna, franca e leal com os Obreiros e Obreiras. Busquei estender este mesmo princípio às Paróquias e Comunidades. Reconheço que faltaram dias nestes anos para que eu pudesse ter tido uma proximidade e um compartilhar mais intenso com os/as colegas de ministério. Certamente esperaram mais de mim na mediação dos conflitos com Paróquias/Comunidades. O mesmo pode ter ocorrido em relação às Diretorias das Paróquias. Talvez no desejo de conseguir agradar ou ajudar a ambos, eu tenha me esquecido de olhar para o Evangelho. Em muitos momentos houve a reconciliação e a vivência fraterna, desfazendo-se os mal entendidos.
Uma das características do Sínodo é o grande número de obreiros jovens ou com pouco tempo de Sínodo. Hoje somos 25 Obreiros/as, 4 quatro PPHMistas. Dos 25 apenas 7 tem mais do que 3 anos de Sínodo ou de ordenação. A expectativa é que mais 5 Obreiros recém formados venham até agosto. Teremos então 30 obreiros, 4 PPHMistas e 1 estagiário no segundo semestre/2006. Ou seja, mais de ¾ serão obreiros com três anos ou menos de Sínodo.
O que impressiona nestes 4 anos de exercício da função é a saída de 12 Obreiros/as do Sínodo que tinham 3 ou menos anos de Sínodo e 2 Obreiros/as com mais tempo. Temos que levar em conta que o Sínodo é formados por apenas 19 Paróquias. São mudanças que dificultam qualquer planejamento ou estratégia sinodal e paroquial. Não se consegue dar continuidade no trabalho comunitário. E como agravante em algumas destas saídas, houve alto nível de tensão. Em todas as reuniões do Conselho Sinodal o assunto foi tratado. Nesta relação de troca constante de Obreiros/as algumas Paróquias foram bastante prejudicadas.
Esta análise se dá muito mais pela dificuldade em conseguir dar uma continuidade no planejamento do Sínodo. O pouco tempo de Sínodo ou de Ordenação dos Obreiros/as não é o problema. A vinda de pessoas de outros sínodos ou de recém formados é desafiador e motivador. Algo essencial para os desafios comunitários da nossa época. O prejuízo está pela não continuidade de projetos missionários da Comunidade. Muitas vezes nós obreiros, temos projetos e sonhos. Mas são apenas nossos. As Comunidades não bem assimilaram um sonho e já há troca novamente, muitas vezes para um sonho bem diferente. A comunidade precisa ter um sonho de Comunidade, um projeto de missão. Os Obreiros/as que vierem se adequarão a realidade. E quando formos embora, a Comunidade continua com o sonho. Elas estarão protegidas contra as constantes mudanças, principalmente no Sínodo. Não digo que mudanças sejam ruins. Algumas vezes são sadias.
Outro ponto fundamental que enfrenta dificuldade pela não continuidade é o aspecto da formação setorial ou interparoquial. Ela tem acontecido nos setores, funcionando melhor em uns do que outros. Mas há o risco de assumirmos uma tendência de que cada um faça de forma individual. A formação na Comunidade é essencial. Sem esta formação ela perde a capacidade de responder “a razão da sua fé”. É extremamente saudável a troca de experiências entre Paróquias/Comunidades. Esta troca ajuda a manter saudável a reflexão. Evita que eu me sinta o senhor de tudo. A mão e o poder de Deus se revela também naquilo que o irmão/irmã esta me oferecendo. O que o outro me oferece pode não ser aquilo que desejaria, mas é oferta do amor de Deus. Ou será que Deus só oferta/ensina através da minha mão? A humildade em reconhecer que posso aprender com o outro, talvez bem diferente de mim, não me enfraquece ou coloca em cheque a minha teologia. Pelo contrário, as pessoas percebem quando somos humildes. Se há algo que a maioria das pessoas admira é o senso de humildade. A arrogância e prepotência afastam e tiram autoridade de nós.
Creio que foi justamente esta arrogância e prepotência que conduziu o movimento carismático para o caminho da ruptura. A carta do Pastor Luiz Geiger reflete em profundidade e sobriedade sobre onde se é possível chegar quando damos vazão a elas (arrogância e prepotência). O fim de tudo é a pura exaltação do ser humano. Apesar da ruptura ter sido muito traumática para algumas comunidades, bem como para toda IECLB, podemos aprender a evitar futuros erros. O tempo irá mostrar o que é do Senhor e o que é humano.
Com o advento da saída do movimento carismático houve nas paróquias em conflito êxodo de membros. O Sínodo Mato Grosso teve um crescimento médio de 2,88%. É maior do que o crescimento vegetativo. Praticamente em todas as Paróquias houve crescimento. Creio que seja necessário fazer um novo recenseamento para ver nossa real situação. É necessário saber quem nós somos para executar o planejamento missionário sinodal e comunitário com eficiência e competência. Nossa grande queixa é que não conseguimos acrescentar sangue novo, ou melhor, trazer pessoas que não fazem parte da tradição luterana para partilhar conosco a vivência comunitária. Olhando os dados estatísticos verificamos que tivemos um considerável crescimento no item Admissões por profissão de fé. Tivemos um crescimento em torno de 45,68%. Somando as profissões de fé e as admissões por casamento, menos os desligamentos de membros vamos ficar com um déficit de 17,27%. Ou seja, recebemos um grande número de membros luteranos de outros lugares. Conseguimos fazer missão com os não luteranos, mas perdemos muitos para o ateísmo ou outras denominações religiosas. Estamos tendo dificuldade para fechar o “ralo”. Será que sabemos onde que é e o porque que ele está aberto? Cada comunidade terá sua interpretação ou explicação. Mas no planejamento das metas para 2006-2008 estes dados precisam ser levados em conta. Precisamos aprender a cativar e a segurar os membros luteranos. Provavelmente os que “perdemos” não são os que assumiram por profissão de fé, mas sim, os luteranos de berço. Será que não é necessário investir no ensino e na doutrinação dos nossos luteranos tradicionais que tem medo de tudo, mas que vão com grande facilidade atrás das “ofertas de mercado”. Tirando uma conclusão óbvia, somos uma Igreja que continua crescendo graças ao processo migratório, por sinal em alto percentual. Na avaliação das estatísticas pode ficar a pergunta, porque crescemos em determinados setores e em outros diminuímos em números de grupos. Os números estão aí. Mas apesar da preocupação que eles nos geram, somos um sínodo que continua crescendo. O mérito disso também está em nossas lideranças e nos obreiros e obreiros que buscam serem fiéis ao seu chamado e a sua vocação.
Temos que admitir que não somos de uma cultura que leva em conta as estatísticas. Temos enorme dificuldade em interpretá-las. Tendo dificuldade na leitura teremos deficiência no acerto ao ponto central e nevrálgico das nossas dores. Isto impede clareza no nosso planejamento. Gostaria de motivar o Conselho Sinodal e também a Assembléia para a realização de um recenseamento no final de 2006. Ele também ajuda a fazer contato com o membro e mexe com a nossa auto-estima.
Destaco o crescimento que houve na abertura de segundo pastorados e trabalhos missionários. Nos últimos quatros anos consolidou-se a Paróquia de Sorriso, Comunidade Missionária de Santarém, Projeto Sul do Pará, Sinop II, Chapadão II e agora Gaúcha do Norte. Embora a paróquia de Vera tenha sido criada pela Assembléia a mesma continua aguardando auxílio missionário. Na Paróquia de Porto dos Gaúchos a Obreira decidiu partilhar o ministério com colega. Desta forma há duas obreiras trabalhando em conjunto num mesmo campo de trabalho. Também a partir de agosto a Obreira de Chapadões I partilhará o campo ministerial com seu esposo. Entre agosto de 2002 e agosto de 2006 houve um aumento na ordem de 57,89% no número de obreiros no Sínodo. O número de Paróquias aumentou em 11,76%. Já o número de vagas ministeriais aumentou 41,18%.
As Igrejas Evangélicas, de perfil pentecostal, inovaram em relação as Igrejas Históricas pela sua intensa convivência. Elas se instalaram nos bairros e o obreiro passou a residir lá, estando constantemente presente, cuidando, sarando e catequizando as pessoas. As Igrejas Históricas, entre elas a IECLB, tinha um monte de Comunidades e o Obreiro/a vinha visitar cada semana, 15 dias ou até a cada 30 dias. Este espaço vazio não era preenchido com a formação e a pregação. Tenho a impressão de que as Comunidades Luteranas estão indo à direção de querer a presença constante do Obreiro/a. Os dados mostram esta nova tendência. O Obreiro presente na Comunidade consegue planejar e cuidar da Comunidade com muito mais esmero. É o cura da alma presente em cada instante da vida do crente. Esta nova dinâmica que está se concretizando no Sínodo tem seu preço e custo. Só funciona onde há compreensão e comprometimento dos membros e lideranças. Entra-se num conceito de missão. Ela acontece onde as pessoas são envolvidas num intenso convívio comunitário. A dinâmica do atendimento apenas dá continuidade e é muito mais uma realidade rural ou de pequena cidade. Em centros maiores é necessário rever os conceitos, pois as “ofertas” que a cidade oferece cegam as pessoas.
Acredito que esta mudança na mentalidade e conceito das lideranças será determinante para o crescimento da IECLB. Temos uma enorme dificuldade em saber lidar com as pessoas em centro urbanos maiores. Ela nos torna lentos para reagir, e ficamos sem uma proposta clara de evangelização. Ainda estamos com a concepção de que a Comunidade irá se “reproduzir” pelo simples fato de estarem juntos. Este é um conceito de um tempo em que a Igreja vivia num meio sem opções e ofertas. Ir a Igreja e fazer parte dela (membro) era um fator social e essencial para o bom convívio. Não ter uma igreja tornava a pessoa um elemento estranho e até motivo de exclusão de um determinado grupo social.
Hoje, mesmo em pequenas e médias cidades – sem falar das grandes, ficar sem vivência comunitária cristã não espanta mais as pessoas. São pessoas que perderam ou nunca descobriram o prazer do convívio cristão. A Palavra não faz a mínima falta ou então estão cegos pela loucura do mundo. A dimensão salvífica não tem papel determinante. Interessa apenas o hoje. E é para dentro deste contexto que precisamos levar o conteúdo evangélico luterano.
Embora ainda que lentamente, as Comunidades estão buscando esta adequação. O aumento do número de Obreiros/as caminha nesta direção. A esta mentalidade, que não é nova, será necessária a adequação dos Centros de Formação. Não se está mais apenas falando em Obreiros/as que mantêm Comunidades, mas que cuidam de pessoas na sua forma vivencial e existencial. A rapidez com que conseguimos responder as angústias, e ter tempo para ouvi-las, será o grande diferencial. Este formato de trabalho só é possível quando o Obreiro/a tem tempo para cuidar da Comunidade. Ali onde ele continuar a passar boa parte das horas do dia ou da semana em ônibus ou automóvel não acontecerão grandes mudanças.
Em relação a formação sinodal percebe-se uma participação regular das Paróquias. Talvez o que falte seja uma cobrança maior das Paróquias sobre os enviados para os Seminários. As Comunidades/Paróquias e Sínodo têm investido grandes valores na formação. Desde o princípio a formação tem sido prioridade. Portanto, a Paróquia/Comunidade tem o dever de cobrar o retorno, e quem vem tem a obrigação de repassar. Caso contrário todo o investimento que é feito passa a ser apenas para a formação individual. Claro que a formação individual é importante, mas precisa ser socializada com toda a Comunidade. Temos que lembrar que somos uma área de muita migração. Na dinâmica do processo migratório há grandes perdas do investimento pessoal. É necessário repassar.
Um dos pontos que precisam ser trabalhados é o acolhimento. Vejo com alegria que várias Comunidades têm investido para melhorar. Torna-se necessário que cada membro saiba acolher e envolver o outro. Precisamos nos lembrar que somos uma família. E em uma família todos se conhecem e ninguém é estranho ou que esteja ameaçando. Cada membro da Comunidade é instrumento de missão. Isto significa que todos precisam ir ao encontro do outro, não só o Obreiro/a ou Presbíteros e Lideranças. Aprender e saber acolher deve ser o grande investimento comunitário para a saúde e o crescimento da Igreja.
Preocupados com a dificuldade do acolhimento, pensou-se em ter um material que viria a este encontro. A partir da reflexão entre os obreiros começou a ser elaborado um material que apresentaria a Igreja Luterana aos nossos visitantes, pessoas que não conhecem o jeito e a teologia luterana. Esta idéia transformou-se num folder. Deverá ser usado com os visitantes. Isto não impede que seja aproveitado na formação e missão interna da Comunidade. Esta idéia também foi encampada por pessoas que patrocinaram o mesmo. As Paróquias estão recebendo gratuitamente este material.
Os mais diversos grupos têm funcionado dentro das suas características peculiares, setoriais ou locais. É diversidade de trabalhos que enriquecem a Igreja. Alguns enfrentam dificuldades ocasionais, outros euforia e motivação. Alguns dias atrás, a OASE Sinodal transferiu seu Congresso devido ao bloqueio das estradas. Foi necessário acomodá-lo na véspera da Assembléia ocasionando transtornos e dificuldade para arrumar palestrante. Mas a capacidade de superação das mulheres permitiu enfrentar esta dificuldade e contratempo. Também estará sendo eleita a nova Coordenação Sinodal da OASE do Setor Leste.
A JE estava se preparando para participar do Congresso Nacional em Joiville/SC. Um grupo de representantes do Sínodo se faria presente. Após reflexão decidiu-se em não ir para o Congresso Nacional com uma caravana. Optou-se em investir o dinheiro da viagem num congresso Sinodal na mesma data. Inclusive a JE recebeu um auxílio financeiro para a realização do mesmo. A participação em eventos onde se compartilha experiências é saudável. Mas creio que a decisão em investir na formação e estruturação interna do trabalho com jovens foi sensata. Sempre haverá tempo para participar de eventos nacionais, mas o tempo e a vida do jovem passa. Neste Congresso também deverá ser eleita a nova Coordenação.
O trabalho com os homens teve um bom crescimento em 2004/2005. Para 2006 estão programados encontros setoriais no norte e no leste. O único setor que não tem trabalho organizado é o sul. Todas as Paróquias deveriam ter no mínimo um grupo funcionando e se reunindo com regularidade. É uma proposta provocante aos homens. É uma meta e um desafio que deveríamos assumir para os próximos anos. Atualmente existem 6 grupos em seis Paróquias.
Existe no Sínodo o trabalho de dois grupos com ênfases teológicas diferenciadas. São os trabalhos com Encontro de Famílias e a PPL. Diferentemente de outros Sínodos o trabalho tem-se baseado no respeito mútuo e na perspectiva de somar ao todo da Igreja. Não são adversários, mas propostas que buscam o anúncio do Evangelho e a edificação de comunidades. A importância de um grupo organizado está na sua disposição em servir e não nos eventuais benefícios que poderá trazer para os seus simpatizantes. Cristo é o mais importante. Enquanto se anuncia à Cristo, todas as outras coisas (vaidades, poderes, egoísmo) deixam de ser o centro. Desta forma posso olhar para meu irmão (sem medo, receio e com humildade) e dizer ou ver que também posso aprender com ele. Este é um legado que o Sínodo Mato Grosso pode deixar e passar a toda a IECLB. Não percamos isto.
A Comunicação deverá ser melhorada. As pessoas que trabalham nesta área estão envolvidas em outras tantas tarefas, dentro e fora a Igreja. Somos e trabalhamos de forma amadora. No século XXI precisamos repensar a nossa comunicação. Ela tem que ser ágil e atual. A IECLB está lançando o novo portal e ele englobará todos os Sínodos, basta as Paróquias e Sínodos o alimentarem. Haverá profissionais que cuidarão do portal. Nossa tarefa será apenas enviar informações. Será que seremos capazes?
Há pessoas que dispõem do seu tempo para trabalhar com a OGA, com a Fundação Luterana de Diaconia, Direitos Humanos, Instituto Luterano do Parecis, Ensino Confirmatório, Culto Infantil, Música, Líderes de Culto, com Presbitérios, Diretorias de Paróquias, zeladores, Casa de Retiro e pessoas das Comunidades que cuidam com fidelidade da Igreja e do anúncio do Evangelho. Agradeço a estes 8.459 irmãos e irmãs, pais e mães que tive nestes quatro anos. Ou melhor, não apenas quatro anos, mas nos dezoito anos que vocês são a minha grande família.
Rendo graças a Deus por ter me dado de presente a oportunidade de aprender a ser obreiro da IECLB, de poder ter constituído a minha família e ter criado minha filha neste pedaço do mundo que é de Deus.
Agradeço ao Conselho Sinodal e as Diretorias com as quais trabalhei e convivi. Aos colegas de ministério pela caminhada conjunta e solidária. A Secretária do Sínodo pela dedicação e seriedade.
De forma especial agradeço a esposa Liane pela paciência, e por poder contar com ela em todas as circunstâncias e pelo seu cuidado para comigo. Grande parte do meu ministério devo a ela. Muitas vezes ela tem segurado as “pontas” em casa. Agradeço a filha Tatiane pela compreensão, pois tenho estado bastante ausente da sua vida.


AGENDA
JUNHO 2005
01-04 – Fórum de Fé e Gratidão - São Leopoldo RS
04-05 – Avaliação PPHM Ricardo Assolari – Vera MT
12 – Instalação Pastora Dimuth Bauchspiess – Campo Verde MT
17 – Visita Paróquia dos Chapadões
17-19 – Avaliação PPHM Rosimere Ramlow - Chapadão do Céu GO
24-25 – Visita Paróquia do Araguaia
26 – Dia da Igreja Rio Verde GO

JULHO 2005
02-03 – Visitação e Avaliação Pasto Adélcio Kronbauer
09 – Reunião Diretoria do Conselho Sinodal – Cuiabá
18-21 – ECAM – Chapada do Guimarães
22 – Reunião com Presbitério Nova Mutum
24-25 – Visita Comunidade de Matupá MT
26-31 – Visita Sul do Pará – Cachoeira da Serra e instalação Diácono Geraldo Braun

AGOSTO 2005
03 – Reunião Diretoria do Conselho Sinodal da OASE Sinop
19-21 – Encontro Setorial da OASE – Campo Verde MT
22-25 – Visita Paróquia do Parecis e apresentação do P. Erico Baukat – Campo Novo Parecis
28-31 – Reunião de P. Sinodais com Bispos do CONIC em São Paulo

SETEMBRO 2005
03-06 – Semana da Criatividade – Chapada
09 – Visita Paróquia de Porto dos Gaúchos
10-11 – Encontro de Homens Setor Norte em Porto dos Gaúchos MT
19-23 – Encontro da IECLB com a Baviera/Alemanha em Chapada
24 – Visita com o Secretário Geral IECLB a Sinop, Vera, Sorriso e Mutum
25 – Instalação P. Ricardo Assolari em Sorriso
27-29 – Atualização Teológica de Obreiros – Chapada
30 – Início Seminário Fé e Compromisso em Chapada

OUTUBRO 2005
01-02 – Continuação Seminário Fé e Compromisso em Chapada
07-09 – Reunião Presidentes e Pastores Sinodais com a Presidência da IECLB – São Leopoldo
21-23 – Seminário Formação Continuada em Curitiba
25-27 – Conferência de Obreiros/as Setor Norte – Sinop
27-28 – Avaliação PPHM Dulcenelda Schneider
29 – Visita Comunidade de Primavera do Leste
30 – Dedicação do Templo de Primavera do Leste

NOVEMBRO 2005
05-06 – Avaliação PPHM Rosimere Ramlow – Chapadão do Céu
08-11 – Fórum Nacional Avaliação da Reestruturação IECLB – São Leopoldo
12-13 – Visitação Comunidade de Santarém
14 - 16 Visitação Paróquia de Rurópolis PA
15 - Instalação Pa. Carla Zirbel em Rurópolis
16 – Conferência de Obreiros Setor Pará
17-20 – Acompanhamento Projeto de Santarém PA
21-24 – Conferência de Obreiros do Setor Leste em Vila Rica MT
25-27 – Visita Paróquia de Canarana e Conselho Paroquial
28-30 – Conferência de Obreiros Setor Centro Sul em Primavera do Leste
DEZEMBRO 2005
09-11 – Conselho Sinodal em Chapada
17 – Férias

JANEIRO 2006
08 – Retorno das férias
14 – Benção Matrimonial de Paulo Kirsch
29 – Instalação P. Erico Baukat em Campo Novo Parecis

FEVEREIRO 2006
17-19 – Encontro Interparoquial de Lideranças – Tangará da Serra
24 – Avaliação Inter. PPHM Marlon e Scharles
25-28 – Encontro Setorial de JE em Sinop

MARÇO 2006
04-05 Visita Comunidade de Mutum
06 – Visita Comunidade de Sorriso
07-09 – Conferência de Obreiros Setor Norte em Porto dos Gaúchos MT
08 – Instalação Missionária Rosimere Ramlow em Porto dos Gaúchos
14-16 – Conferência de Obreiros Setor Leste em Canarana MT
18-19 – Seminário Regional de PPHMs em Cuiabá
20-23 – Conferência de Obreiros Setor Centro Sul – Campo Novo Parecis
25 – Reunião Diretoria do Conselho Sinodal

ABRIL 2006
02 – Assembléia Comunidade de Cuiabá
04-07 – Reunião do Presidentes e Pastores Sinodais com a Presidência da IECLB
08 – Visita Comunidade Sinop
09 – Ordenação e Instalação Missionária Dulcenelda Schneider em Sinop
21-23 – Encontro de Famílias em Sinop
29 – Início Encontro de Famílias em Rondonópolis

MAIO 2006
01 – Término Encontro de Famílias em Rondonópolis
15-18 – Visita Karl Epting e esposa – OGA Alemanha
26-28 – Seminário Nacional Formação Contínua – Rodeio 12 SC

JUNHO 2006
03-04 – Avaliação PPHM Elisandro Rheinheimer – Gaúcha do Norte MT
10-11 – Avaliação PPHM Fernando Henn – Alto Garças
15 – Conselho Sinodal – Chapada
16-18 – Assembléia Sinodal – Chapada
22-23 – Avaliação PPHM Scharles Beilke – Cláudia MT
24-25 – Avaliação PPHM Marlon Deihlke – Vera MT
Lauri R. Becker – Pastor Sinodal
Chapada do Guimarães – IX Assembléia Sinodal – 16-18/06/2006

 


  


Autor(a): Sínodo Mato Grosso
Âmbito: IECLB / Sinodo: Mato Grosso
ID: 59029

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