Diaconia - A fé ativa pelo amor



ID: 2660

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - Atos dos Apóstolos 3.1-11

Prédica proferida na Capela de Cristo 26/08/2012

26/08/2012

Atos dos Apstolos 3,1-11
1 Certo dia de tarde, Pedro e João estavam indo ao Templo para a oração das três horas.
2 Estava ali um homem que tinha nascido coxo. Todos os dias ele era levado para um dos portões do Templo, chamado “Portão Formoso”, a fim de pedir esmolas às pessoas que entravam no pátio do Templo.
3 Quando o coxo viu Pedro e João entrando, pediu uma esmola.
4 Eles olharam firmemente para ele, e Pedro disse: — Olhe para nós!
5 O homem olhou para eles, esperando receber alguma coisa.
6 Então Pedro disse: — Não tenho nenhum dinheiro, mas o que tenho eu lhe dou: pelo poder do nome de Jesus Cristo, de Nazaré, levante-se e ande.
7 Em seguida Pedro pegou a mão direita do homem e o ajudou a se levantar. No mesmo instante os pés e os tornozelos dele ficaram firmes.
8 Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. Depois entrou no pátio do Templo com eles, andando, pulando e agradecendo a Deus.
9 Toda a multidão viu o homem pulando e louvando a Deus.
10 Quando perceberam que aquele era o mendigo que ficava sentado perto do Portão Formoso do Templo, ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido.
11 O homem que havia sido curado acompanhou Pedro e João.

Estimadas irmãs, estimados irmãos!

Fico encantado e revoltado ao mesmo tempo com esta história de Lucas.

I. Encantado porque é bonita a história. Imagino este homem sentado ali no portão do templo cumprindo seu dever. Além de ter a deficiência era obrigado a tentar lucrar com ela. Provavelmente era levado pelos familiares para este lugar privilegiado. Quem sabe, a família teve que pagar alguém para ele poder sentar ali neste “point” de primeira. Enfim não cabe todo mundo que em Jerusalém estava precisando. Todos os dias então ele se submete a este ritual humilhante. Neste lugar passa toda população da cidade. Deve ter sido bem lucrativo. Quem sabe, a família toda dependia deste trabalho do homem. Levantar e sair daí? Impensável! Além da doença que ele tinha havia muitos interesses para ele permanecer nesta situação. Consultar um médico? Isto ele não podia. O dinheiro que ganhava era mais importante que a saúde dele. Assim ele permanece sentado e também isolado. Enfim, há coisas que o dinheiro não compra.
Fico encantado com esta história porque Pedro percebe que aqui não é o dinheiro o problema. O problema é este homem levantar daí. Pedro aposta todas as suas fichas na possibilidade disto. E tem sucesso. Que libertação! O homem pula, canta, anda, cheio de gratidão. Deve ter soltado o que estava entalado por muito tempo. E acabou o isolamento dele. A história termina mostrando a nova comunhão do homem que agora acompanha Pedro e João. Não mais sozinho isolado. Ele caminha junto com os apóstolos numa vida nova. Foi beneficiado com que o dinheiro não compra. Até aqui tudo bem. Mas já é tudo?

II. Revoltado com esta história fico, disse no início. Digo isto porque parece bonito demais para servir para mim e minha realidade. Enfim, não costuma acontecer comigo, e nem nas comunidades que frequento que alguém é curado deste jeito. Ou vocês têm outras experiências? Estamos aqui nos Atos dos Apóstolos escrito por Lucas. É tudo bem bonito nesta sua história. Será que Lucas não idealizou um bocado? Quem sabe, fico revoltado também porque não é Jesus a quem esta cura é atribuída. É quando é Jesus quem cura, fico confortável porque enfim não sou Jesus e ninguém deve cobrar de mim coisas que só ele pode fazer. Ele que é filho de Deus. Mas aqui é Pedro aquele sangue quente e cabeça dura. Ele que negou Jesus. Ele que realmente tem lá seus defeitos. Isto me incomoda porque chega muito perto de mim. Se Pedro podia, está subentendido que eu também poderia. Mas será que posso mesmo? Tem aspectos que nos deixam céticos. P. ex. sabemos de muitas igrejas que insistem a ferro e fogo neste tipo de cura e no fim das contas são forçado a praticar mentiras e armações. Não queremos isto. Achamos repulsivo e abusivo com pessoas sofridas.

III. Podemos: Mas entre encanto e revolta podemos constatar que há uma mensagem desta história para nos. ”Levanta-te e anda”, diz Pedro, e podemos, sim, perguntar quantas vezes já arriscamos esta palavra na nossa caminhada de cristão e comunidade. Somos tão céticos e sérios que é algo típico da nossa igreja que as pessoas tendem a se afastar quando entram numa crise como doença, desemprego ou crises familiares. Aí esta história nos encoraja a arriscar a fazer uso da palavra do evangelho e levantar as pessoas, ir ao encontro. Ficamos tão preso a um sociedade que monetiza tudo que sempre olhamos os recursos muito limitados em vez de acreditar na força do espírito e da comunhão. Estamos na semana Nacional da Pessoa com Deficiência. Muitas vezes está aos nosso alcance o que estas pessoas precisam: aceitação como gente “normal” sem grande alarde.
Neste ponto a história nos dá coragem: Podemos sim, e muito mais que imaginamos!

Amém.

P. Guilherme Nordmann - w.nordmann@gmail.com


Autor(a): P. Guilherme Nordmann
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Vila Campo Grande - Luteranos - São Paulo
Área: Missão / Nível: Missão - Diaconia / Subnível: Missão - Diaconia - Pessoa com Deficiência
Testamento: Novo / Livro: Atos / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 11
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 16507

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