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ID: 18

O Silêncio Ativo de Deus

Motivações e Subsídios para Jovens e Comunidades

17/11/2012

Silêncio ativo de Deus 1
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O Silêncio Ativo de Deus
(Tempo de Paixão)

O mundo e a vida, em sua situação
presente, estão profundamente enfermos.
Se eu fosse médico e tivesse de
receitar, depois de consultado, diria:
'Criai o silêncio!'
(Kierkegaard)

Na vida há diferentes silêncios. Silenciamos quando somos pegos de improviso. Ficamos sem palavras porque o inusitado aconteceu. Leva um tempo até a gente organizar as ideias e reagir. Está, também, o silêncio que vem do medo. Quando somos atingidos pelo medo ficamos paralisados. Tememos as consequências e ficamos quietos. Mas, há silêncios que se produzem perante a beleza. Quem de nós já não teve a experiência de chegar a um lugar cujo encanto envolve de maneira tal que silenciar é a melhor maneira de estar ali. Ou o silencio que há numa melodia. Isso mesmo, uma música está composta de notas e silencio. Sem os intervalos de silêncios não há melodia. Pois é, quem pegar a melodia num intervalo de silencio pensaria que ali não tem nada. Com a vida de fé acontece algo similar. Há momentos nos quais o silencio se torna insuportáveis, silêncios nos quais nos sentimos abandonados por Deus e tudo parece desabar. Mas, a nossa fé entende que Deus está agindo mesmo que nós não o percebamos. Esse é o silencio ativo de Deus. Vejamos algum desses silêncios. 

O silêncio e a procura de Deus

Nenhum de nós é um super homem ou mulher. Temos limites e nos esgotamos, e quando isso acontece se faz necessário se recolher para descansar e encontrar um fundamento que nos sustente. Toda vez que nos recolhemos, seja desconectando-se do mundo desligando o celular, o computador, a TV, etc. ou fazendo um passeio, ou participando de um retiro, temos a oportunidade de olhar para nós mesmos e avaliar o andamento da nossa vida. Esse recolhimento, que pode parecer um abandono da vida, mas no fundo ele é o que permite abraçar a vida com todas as nossas forças.

Sobre o valor do silencio e recolhimento o monge beneditino Grün anota o seguinte relato:

Uma história de monges conta que três estudantes se tornaram monges. Cada um propôs a si mesmo realizar uma boa obra. O primeiro escolheu o seguinte: desejava reconduzir à paz aqueles que estavam brigando, orientando-se pelas palavras da Escritura: A bem-aventurança será dos que zelam pela paz. O segundo desejava visitar enfermos. O terceiro foi ao deserto para lá viver em paz. O primeiro, que se empenhava por aqueles que estavam brigando, não pôde curar a todos. Tomado pelo desalento, dirigiu-se ao segundo que servia aos enfermos e percebeu que este também estava desanimado, pois também não conseguiu realizar plenamente o que planejara. Sendo assim, os dois concordaram em procurar pelo terceiro que havia ido ao deserto; falaram de suas dificuldades para ele e pediram que este lhes dissesse sinceramente se foi bem-sucedido. Ele ficou em silêncio por um tempo, despejou um pouco de água em um recipiente e pediu que olhassem para dentro do mesmo. A água, no entanto, ainda se encontrava muito agitada. Após algum tempo, pediu que olhassem mais uma vez, e disse: Observem o quanto a água se tornou mais calma agora. Olharam para ela e viram os seus rostos como em um espelho. Em seguida, continuou: Assim se sente aquele que permanece entre os homens; a agitação e a confusão não permitem que perceba os seus pecados. Quem, no entanto, procura pela tranquilidade e, principalmente, pela solidão, logo reconhecerá os seus erros. (Anselm GRÜN. Fontes da força interior: evitar o esgotamento, aproveitar as energias positivas. Petrópolis, RJ :Vozes, 2008. P. 130-131).

CONFISSÃO

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
 

Mario Quintana

 

Os evangelhos (Mt 4. 1-11; Mc 1.12-13; Lc 4. 1-13) nos narram que Jesus antes de iniciar o seu ministério passou um período de tempo no deserto. Perante as necessidades do povo e a urgência da palavra do evangelho esse retiro de silencio de Jesus parece um contrassenso. Mas, ele foi um tempo fértil, de aprimoramento do fundamento do seu ministério. Após essa experiência está claro, para Jesus, a fonte do seu sustento de vida. Por isso ele se entrega plenamente ao seu ministério.

É no silêncio que se educa o talento, e na torrente do mundo o caráter. (Goethe) 

O Silêncio como abandono de Deus

Quem já não se sentiu sozinho e abandonado em momentos de dificuldade? Mesmo sabendo que Deus prometeu no batismo estar sempre conosco, tem vezes nas quais não conseguimos perceber a sua presença. Mesmo que sabemos que Deus com o seu amor nos envolve e carrega há ocasiões nas quais nos parece que ninguém se interessa por nós. Em outros momentos nos dá a impressão de que todo mundo nos odeia. Algo similar nos é narrado num salmo de Davi: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Por que ficas tão longe? Por que não escutas quando grito pedindo socorro? Meu Deus, durante o dia eu te chamo, mas tu não respondes. Eu te chamo de noite, mas não consigo descansar.” (Sl 22. 1-2). Em momentos como esses surge a pergunta: “onde está Deus?”. Pode parece estranho, mas esses momentos são podem ser chamados de “silencio ativo de Deus”. Quer dizer, sem que nós o percebamos Deus está agindo.

A esse respeito escreveu o pastor Bonhoeffer escreveu o seguinte:

Deus o desamparou, para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração” (2ª Crônicas 32.31). Na tentação se revela o coração do homem. É então que o homem reconhece o seu pecado, o qual sem a tentação jamais reconheceria, pois na tentação ele se apercebe do que lhe prende o coração. É na obra do acusador que o pecado vem à luz, que então acha que obteve a vitória. Mas só o pecado manifesto pode ser conhecido, e por isso também pode ser perdoado. Neste sentido a revelação do pecado é parte do propósito salvador de Deus com o homem, e a este propósito Satanás tem de servir. (Dietrich BONHOEFFER. Tentação. São Leopoldo/RS :Sinodal. 1999. p. 50).

Os crentes sofrem a hora da tentação completamente indefesos. Seu amparo é Jesus Cristo. E só desde que foi bem compreendido que aos abandonados por Deus tem de acontecer a tentação, podemos falar sobre o fato enunciado pela Escritura como a luta do cristão. Do alto céu oferece o Senhor ao indefeso a armadura celestial, que, mesmo não sendo vista por olhos humanos, afugenta Satanás. Ele nos veste da armadura, põe em nossa mão o escudo da fé, cobre-nos a cabeça com o capacete da salvação, coloca em nossa destra a espada do espírito. É a veste de Cristo, o traje de sua vitória, que ele oferece a sua comunidade.” (Dietrich BONHOEFFER. Tentação. São Leopoldo/RS : Sinodal. 1999. p. 70).

Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades,
nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá
separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 8:38-39

Os evangelhos nos narram que Jesus também passou por situações nas qual se sentiu abandonado por Deus (Mt 27. 46). Isso significa que não há nada de errado que, em momentos de adversidade, tenhamos sentimentos de abandono. O importante é não dar crédito a ele, porque Deus está agindo.

A promessa contra a experiência do silêncio de Deus

Algo que devemos deixar em claro é que como pessoas cristãs vivemos pela fé. Como entender essas palavras? Viver pela fé significa que as experiências de vida não têm a última palavra sobre a própria vida. O apóstolo Paulo escreveu: “Porque vivemos pela fé e não pelo que vemos”. (2ª Co 5.7).

Além das nossas experiências da vida está a palavra de Deus. É ela a que, em última instancia, molda, configura e transforma o nosso viver. É a palavra de Deus que é viva e eficaz. Quer dizer. Ela, carregada de promessa, traz novidade que cria uma rachadura no muro da realidade que se levanta na nossa frente. Assim, quando tudo parece perdido. Quando nos parece que estamos sozinhos e abandonados, a palavra de Deus fala da presença constante do ressuscitado, do seu amor, da solidariedade com toda experiência humana. Por isso, como pessoas cristã afundamos toda vez que esquecemos da palavra de Deus e suas promessas.

Então, algumas palavras que podemos guardar são:

Contra as nossas experiências de nos sentir abandonados por Deus, a promessa sua presença.

Hebreus 13. 5: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”

Salmos 9. 9: “O SENHOR é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação.”

Salmos 9. 10: “Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam.”

Salmos 27. 10: “Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá.”

Salmos 37. 28: “Pois o SENHOR ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada.”

2 Coríntios 4:8-9: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos.”

A nossa oração constante

Salmos 119. 8: “Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.”

Salmos 141. 8: “Pois em ti, SENHOR Deus, estão fitos os meus olhos: em ti confio; não desampares a minha alma.”

Salmos 141. 9: “Guarda-me dos laços que me armaram e das armadilhas dos que praticam iniquidade.”

Em silêncio podemos ouvir Deus.
Em silêncio conseguimos receber paz de Deus.
O silêncio permite a nossa sintonia com nós mesmos. Então, em comunhão com Deus, e com a paz dialogamos com as nossas angustias, alegrias,
sonhos, dons, medos, 
perdas, esperanças. ...

Orações para os momentos de silêncio de Deus

Orações de Dietrich Bonhoeffer na Prisão no Natal de 1943, contidas no texto: Resistência e Submissão. Rio de Janeiro : Paz e Terra. 1968.

Oração Matinal

Deus, eu te chamo ao despontar do dia. Ajuda-me a orar e a concentrar os meus pensamentos em ti não sei fazê-lo sozinho. Dentro de mim há trevas, mas contigo está a luz; eu me sinto solitário, mas tu não me desamparas; estou desanimado, em ti, porém, está o meu auxílio; invade-me uma inquietude. Tu, entretanto, és a paz; sinto-me tão amargurado, mas Contigo está a paciência; Não entendo teus caminhos, mas tu conheces o caminho bom para mim. Pai no céu louvor e ação de graças sejam-te dados pela tranquilidade da noite. louvor e ação de graças a ti pelo novo dia. Louvar e ação de graças por toda a tua bondade e fidelidade em minha vida passada. Quanto bem tu me ofereceste. Aprenda a aceitar também os males da tua mão.

Certamente não me imporás mais do que eu posso suportar. Tu fazes com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que te servem.

Senhor Jesus Cristo, foste pobre e viveste em misérias, preso e abandonado como eu. Conheces toda a angústia dos homens, tu ficas comigo, quando ninguém me defende. Tu não te esqueces de mim e me procuras, tu queres que eu te reconheça e a ti me converta. Senhor, eu escuto teu chamado e sigo. Ajuda-me!

Espírito Santo, concede-me a fé que me salve de desespero, cobiças e vícios, dá-me o amor a Deus e aos homens que elimine todo o ódio e amargura, outorga-me a esperança, que me liberte de temor e de desalento.

Santo e misericordioso Deus, meu Criador e meu Salvador, meu Juiz e meu Redentor, tu me conheces e conheces todas as minhas ações.

Odeias e punes o mal neste e naquele mundo, sem acepção de pessoas. Tu perdoas os pecados daqueles que te pedirem sincera e contritamente. Amas o bem e recompensas, tanto nesta terra, como no mundo vindouro, com a coroa da justiça.

Diante de ti me lembro de todos os meus (...). Senhor, tem misericórdia de mim. Concede-me novamente a liberdade e permite que depois eu viva de tal maneira a me responsabilizar diante de ti e dos homens. Senhor, seja qual for a experiência deste dia, teu nome seja louvado. Amém. (p. 74-76).

Oração vespertina

Senhor, meu Deus, eu te dou graças, que te aprouve dar fim a este dia; eu te agradeço por permitir que corpo e alma cheguem ao descanso. Tua mão esteve comigo e me protegeu e preservou. Perdoa a pouca fé e toda a injustiça deste dia e ajuda que eu consiga perdoar a todos que me fizeram injustiça.

Permite que em paz durma debaixo de tua proteção Defende-me contra as tentações das trevas. Encomendo os meus queridos aos teus cuidados e encomendo meu corpo e alma em tuas mãos. Deus, teu santo Nome seja louvado. Amém. (p. 76-77).

Orações para necessidades especiais

Senhor Deus, Grande angústia me sobreveio. Minhas preocupações querem derrubar-me. Não sei mais saída nem solução, Deus, tem misericórdia de mim e ajuda. Concede-me força para suportar o que tu impões, Não permitas que o medo me domine, cuida paternalmente dos meus, da esposa, dos filhos.

Deus de misericórdias, perdoa-me tudo que porventura pecasse contra ti e contra os homens. Eu confio na tua Graça e entrego minha vida inteiramente em tuas mãos; faze comigo conforme te convier e como para mim for melhor. Tanto faz viver como morrer, estou contigo, e tu comigo, meu Deus. Senhor eu espero na tua salvação e no teu Reino. Amém. (p. 77).

Senhor, porque tu és meu salvador
– confio em ti.
Porque por mim passante tanta dor
- confio em ti.
Da morte me livraste pela cruz;
ó faze-me humilde, meu Jesus!

Se bem que meu caminho eu ignorar,
Confio em ti.
Porque teus planos vais concretizar.
Confio em ti.
Por me guiares, não preciso ver,
nem mesmo sempre
tudo entender!

(HPD 262)
 


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Autor(a): Pedro Alonso Puentes Reyes
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste
Área: Missão / Nível: Missão - Jovens
Natureza do Domingo: Quaresma

Título da publicação: Motivações e Subsídios para Jovens e Comunidades / Ano: 2012
Natureza do Texto: Educação
ID: 28711

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Cada qual deve se tornar para o outro como que um Cristo, para que sejamos Cristos um para o outro e o próprio Cristo esteja em todos, isto é, para que sejamos verdadeiros cristãos.
Martim Lutero
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