Jornal Evangélico Luterano

Ano 2017 | número 803

Sábado, 20 de Julho de 2019

Porto Alegre / RS - 09:24

Gratidão

Fé, Gratidão e Compromisso

Cada um contribua segundo tiver proposto no coração

Aos poucos, surgiu a ideia de que a pessoa que fizesse uma determinada doação a Deus por intermédio da Igreja seria recompensada por Deus. A Igreja era depositária de boas obras, praticadas por santos e mártires e, acima de tudo, de Cristo, que ela administrava. Assim, uma Bula Papal de 1343, do Papa Clemente VI, diz: ‘Toda a humanidade pode ter sido salva com uma só gota de sangue de Cristo, mas tendo ele derramado tanto, e certamente não em vão, este excesso formou um interminável tesouro da Igreja, que foi aumentado pelos méritos dos santos e mártires. O Papa é o guardião deste tesouro e pode dispensar dele quanto quiser sem medo de acabar com ele’. Esta é a base das indulgências vendidas no século XVI e que foram a causa concreta da publicação das 95 Teses de Lutero, em 31 de outubro de 1517.

Na ótica da contribuição financeira, podemos constatar que as 95 Teses provocaram uma verdadeira revolução. Duas teses são destaque: Tese 27 - Pregam doutrina humana os que afirmam que a alma salta do purgatório logo que o dinheiro retinir no fundo da caixa e Tese 62 – O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e graça de Deus. Também é verdade que a Reforma não nos orientou sobre diretrizes e balizas para a contribuição eclesiástica na Comunidade e na Igreja. Basicamente, prevaleceu a regra de que cabia ao governante pagar salários e recolher as taxas para a manutenção da Igreja. Com isto na bagagem, os imigrantes europeus evangélicos formaram as primeiras Comunidades no Brasil.

Até a Proclamação da República, éramos uma ‘religião tolerada’, mas, mesmo assim, temos exemplos de subsídios do Império para a manutenção de Comunidades. Desde cedo, decidiu-se, via de regra, pelos seguintes métodos de arrecadação: a) espórtulas, o pagamento pela realização de ofícios e celebrações de Sacramentos, b) contribuição compulsória para cada família, cujo valor era decidido em Assembleia, c) festas e promoções especiais para a arrecadação de dinheiro, d) ofertas livres e espontâneas, como coletas.

O que mais marcou a nossa história é a contribuição compulsória. A própria IECLB colaborou com este sistema. Até 1997, havia o sistema de pagamento de cotas, cujo valor era fixado pelo Concílio ou pelo Conselho Diretor. Algumas pessoas chamavam este sistema de contribuição de ‘Imposto Eclesiástico’.

Depois de 1945, foi trazida ao Brasil a experiência americana da contribuição livre ou voluntária. Todo um programa de Mordomia Cristã foi difundido, mas interrompido em 1968. Por influências da própria história das Escrituras e de publicações recentes de diversas Igrejas, o dízimo foi e ainda é discutido nas Comunidades. Em 1978, o Conselho Diretor, atendendo resolução do Concílio daquele ano, estabeleceu a prioridade Contribuição proporcional pelo espaço de oito anos. Apesar da crise na arrecadação e na contribuição, detectada com alarde a partir do Concílio de 1984, somente em 1995 foi realizado um Seminário Nacional sobre Contribuição. Resultado concreto deste Seminário foi a decisão do Concílio de Toledo, em 1996, de introduzir o modelo do dízimo em substituição ao sistema de cotas, a partir de 1998.

Tanto no Seminário de 1995 como nos estudos da Comissão que elaborou a proposta e ainda no Concílio de Toledo, havia plena consciência de estar dando apenas o primeiro passo na busca de uma solução para a questão da contribuição na IECLB. O passo seguinte, mais importante que o primeiro, deveria ser a atenção para a contribui- ção da pessoa para a sua Comunidade.

O ideal é a contribuição absolutamente livre, tanto para a Comunidade como para o Sínodo e a IECLB. Este ideal é a admoesta- ção do Apóstolo: Cada um contribua segundo tiver proposto no coração.

Parte 2/2 da palestra proferida durante o Fórum Nacional Fé, Gratidão e Compromisso (junho/2005, em Rodeio12/SC)

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