Jornal Evangélico Luterano

Ano 2017 | número 803

Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020

Porto Alegre / RS - 15:51

Meditação

Estudo do Tema do Ano - 2017

Seu Reino é nossa herança

A nossa reflexão se integra em uma caminhada de homens e mulheres que, há 500 anos, sentiram motivação para resistir, participar e se engajar em um movimento de transformação de uma realidade de opressão na Igreja e na sociedade. Este ano celebramos a herança dessa história de 500 anos. Porém, permanece a pergunta: como criar uma expressão de alegria e júbilo em meio a uma realidade de sofrimento de tanta gente? Queremos que a luz do Evangelho nos ilumine. Que possamos nos inspirar pela ação de uma mulher que Jesus toma como referência para falar sobre a proximidade do Reino de Deus, lembrando que Seu Reino é nossa herança

Lucas 15.8-10: esta parábola de Jesus é conhecida. Fala sobre uma mulher que perdeu uma das dez moedas que tinha. Era tudo o que tinha. Nada é mencionado sobre como ela conseguiu este dinheiro. Pelo contexto de outras parábolas e da realidade agrária do tempo de Jesus, pode-se imaginar que ela tenha ganhado esse dinheiro como diarista (Mt 20.1-16). Uma moeda de prata era o pagamento por um dia de serviço, o mínimo necessário para o pão de cada dia. As mulheres, porém, recebiam menos ainda. Não chegava à metade da diária dos homens.

Somos Igreja em movimento, que não fi ca no lamento pelo que não tem ou perdeu, mas que se organiza para buscar e se alegra comunitariamente ao encontrar.

A situação desta mulher reflete a realidade agrária de pobreza e dependência, chamando especialmente atenção para a situação de sofrimento das mulheres. Na maioria da população empobrecida e sem-terra, as mulheres casadas ajudavam a complementar a renda da família como diaristas. As mulheres sozinhas mal conseguiam sobreviver, pois o que recebiam era muito pouco.

Muito instrutiva é a atitude desta mulher. Para encontrar a sua moeda perdida, planejou e organizou a busca com cuidado, pequenos gestos e movimentos pela sua casa. Ela acendeu a lamparina e começou a varrer.

Finalmente, ela encontra a moeda. A alegria pelo achado é tanta que ela reúne as vizinhas, as amigas, uma pequena Comunidade. Esta alegria compartilhada é comparada com o júbilo diante dos anjos de Deus por uma pessoa que se arrepende.

Nesses 500 anos, há muitas moedas perdidas nos cantos esquecidos. Há de se remover camadas sobrepostas de poeira e desencostar móveis pesados que as escondem. Muitas luzes já foram acesas para iluminar os cantos escondidos onde ficaram. Temos como exemplo a descoberta de contribuições de tantas mulheres, Pensadoras, Poetas, Teólogas participantes deste movimento da Reforma. Hoje, muitas janelas já estão sendo abertas para entrar ar novo na casa e resgatá-las desse poder de ‘silenciamento’ que a própria história de 500 anos traz consigo. Precisamos trazer estas contribuições para a nossa realidade, fazendo esta releitura para estes outros 500!

Assim como a mulher desta parábola, também precisamos nos organizar com uma participação ativa na Comunidade e na sociedade, para encontrar o que está ficando para trás. A Reforma precisa continuar acontecendo também hoje, porque esta característica de ser Igreja em movimento faz parte do nosso perfi, por isso é fundamental saber o que precisa ser aprofundado e transformado. Temos como herança um legado que não pode fi car nas sombras: a justificação somente pela fé, a liberdade cristã comprometida com o cuidado, o Ministério compartilhado, incluindo o Sacerdócio Geral de todas as pessoas que creem, o Ministério assumido por mulheres, a participação no movimento ecumênico e o ser Igreja contextualizada e comprometida com o Reino de Deus e a sua justiça. 

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Mário Elói Goetz, 75 anos de idade, luterano desde o Batismo, membro da IECLB na Comunidade Trindade em Colombo/PR, ficou conhecido na região metropolitana de Curitiba como o homem do ‘abraço grátis’. Fervoroso defensor da diaconia, que, segundo ele, se manifesta em acolhimento (+)

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Há algo muito vivo, atuante, efetivo e poderoso na fé, a ponto de não ser possível que ela cesse de praticar o bem. Ela também não pergunta se há boas ações a fazer e, sim, antes que surja a pergunta, ela já as realizou e sempre está a realizar.
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