Jornal Evangélico Luterano

Ano 2017 | número 808

Domingo, 29 de Novembro de 2020

Porto Alegre / RS - 16:07

Memória

Carta do século XXI

Meu caro Martim Lutero

Faz tempo que venho lendo seus escritos. Em alguns, você fala como um Pastor. Olha, achei sensacional sua explicação do ‘Cântico de Maria’, também adorei ‘Da Liberdade Cristã’. Agora, tem outros escritos em que você pega pesado! No ‘Do Cativeiro Babilônico’, você desancou os papistas de uma maneira que não é nada fraterna! Que língua afiada. Também seus segundo e terceiro escritos na Guerra dos Camponeses, pela madrugada, não são flor que se cheire. Seu forte está na explicação da Bíblia e suas aulas devem ser muito movimentadas para a alegria do estudantado. Andei lendo as anotações de seus estudantes, publicadas por um livreiro de Basiléia. 

Não me apresentei. Sou cristão que mora na América do Sul, continente do qual você falou em duas oportunidades, dizendo que aqui moram ‘selvagens’. Continuamos selvagens, mas tem muita gente por aqui que procura seguir Jesus e se alegra com a redescoberta do Evangelho do amor incondicional de Deus. Reaprendemos com você muitas coisas, das quais as principais são quatro, se bem o entendo. Fico grato se me puder responder algumas dúvidas. Sua vasta correspondência vai ter que apresentar pelo menos uma carta dirigida ao meu continente.

Na cruz, está estampada toda a nossa maldade e toda a raiva que temos de Deus. No fundo, não queremos saber de Deus e muito gostaríamos de ‘ser como Deus’, por isso, acontece, de novo, que nos consideramos senhores das outras pessoas.

Entendo a firmeza com que você acentua a centralidade de Jesus para a fé, quando afirma ‘somente Cristo ou Cristo somente’! Entendi também como lhe é importante que conheçamos esse Jesus a partir da cruz e ressurreição. Há algum tempo, mostraram-me aquele Cristo que está preso na parede externa da Igreja da cidade de Wittenberg e que lhe causava tanto terror. Fiquei com medo de Deus, pois aquele Jesus, sentado sobre o arco-íris, com espada de dois gumes na boca mãos postas sobre os joelhos e relampejando pelos olhos, só pode botar medo nas pessoas que são, constantemente, fulminadas por ele.

Obrigado por você, com a ajuda do Apóstolo Paulo e dos Evangelhos, haver verificado que Deus tem a cara do crucificado e que o ressurreto tem as marcas do crucificado. Foi por isso que Jesus terminou na cruz: nós, seres humanos, não conseguimos aceitar Deus como ele é. Deus é um Deus que aceita as pessoas – não o pecado – incondicionalmente, assim como nós não as conseguimos aceitar. Somos incapazes de amar os nossos inimigos, por isso a cruz e a ressurreição nos acusam e mostram, sem rodeios, como somos: pessoas pecadoras. Ao mesmo tempo, cruz e ressurreição nos dizem do amor incondicional de Deus por nós. Deus não deixou de nos amar e continua a nos amar. Cruz e ressurreição aconteceram por nossa causa e em favor de nós.

Quando você descobriu a centralidade de Jesus, mudou também a direção do seu olhar. Antes, você vivia olhando para cima, preocupado em como fazer a sua salvação, pensando que, com seu esforço, conseguiria fazer Deus se agradar de você. Quando você descobriu que Deus já havia descido até você, começou a ver também o mundo à sua volta como mundo amado por Deus. Só em Jesus a gente aprende a olhar para onde Deus olha: para baixo. A vocação das pessoas cristãs não está no céu, mas no mundo amado por Deus. É aqui que podemos colocar os sinais da esperança que vem de Jesus.

Aprendi que o Espírito Santo é quem abre os nossos olhos para podermos aceitar, confiadamente, este rosto de Deus voltado para nós. A fé que o Espírito Santo nos concede é confiança, certeza que Deus é assim como Ele se mostrou para nós, em Jesus. ‘Somente pela fé’ entendo o amor de Deus. Achei interessante você afirmar que o Espírito Santo não vem a nós de maneira diferente daquela que Deus usou para vir a nós em Jesus. 

P. em. Dr. Martin Dreher | Publicação original no Jorev Luterano nº 698 - agosto/2007

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Sou Elizabeth, filha de Arnaldo e Agnez Flemming, sendo o meu pai luterano a partir da Confirmação, aos 19 anos de idade, e a minha mãe luterana de berço. Os seis ‘frutos’ desse casamento foram batizados luteranos, mas, como os templos em Curitiba/PR, eram distantes, íamos à Sonntagsschule (+)

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