Jornal Evangélico Luterano

Ano 2019 | número 833

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Porto Alegre / RS - 06:28

Perspectiva - Profa. DRA. Ema Marta Cintra

Prata de casa e o seu valor...

É bastante comum ouvirmos que ‘É preciso trazer gente de fora para falar sobre tal assunto’. Essa prática de valorizar ‘o que é de fora’ encontra-se enraizada na nossa cultura, sendo reproduzida em vários espaços da sociedade.

No trabalho, o serviço de alguém externo é melhor, tem mais valor. Muitas vezes, se paga um valor relativamente elevado para outra pessoa e se desconsidera a ação daquela que está bem próxima de nós. As próprias pessoas envolvidas no processo não conseguem perceber que tal ação poderia ser desenvolvida com competência e habilidade por um ou uma colega que está ali, todos os dias, junto com todos e todas e que, por isso, deveria ser valorizado e valorizada também, inclusive economicamente. Enfim, não se reconhecem as ‘pratas da casa’.

Na família, não é diferente. É o marido ou a esposa que reclama um do outro. Eles não percebem e não valorizam os dons que cada um tem. Muitas vezes, só enxergam aquilo que a pessoa tem menor habilidade em detrimento de tudo o que é capaz de fazer bem. É mais fácil escutar um amigo ou uma amiga que o companheiro ou a companheira. É filho, filha que prefere ouvir o que o ou a colega tem a dizer. Com isso, esquece-se que a família é o espaço para se respeitar e estimar todo e todas que ali convivem, abrindo olhos e coração para a outra pessoa, valorizando-se mutuamente e reconhecendo as virtudes de cada um e cada uma.

Na Igreja, se repetem essas mesmas frases: ‘Aquele Ministro ou aquela Ministra de outra Comunidade faz tal ação’ ou ‘O Presidente da Comunidade vizinha é mais dedicado que o nosso’ ou ‘Os membros dessa Comunidade não participam dos Cultos, mas os membros do ou da colega são mais atuantes’.

Enfim, o olhar vai para o externo, não sendo capaz de ver e observar aquele ou aquela com quem se convive e o que teriam a mostrar. O olhar para fora é mais forte e, com isso, não se consegue reconhecer os vários talentos que há dentro da Comunidade na qual se convive.

Ao se repetir e ver só o que os outros (os de fora do nosso círculo) aparentam ter de diferente, esquece-se de olhar para dentro da própria casa, do trabalho e da Comunidade. Principalmente, quando não se escuta, não se vê e não se reconhece o trabalho desenvolvido ou as palavras ditas por quem está bem próximo. Parece que tudo soa como muito familiar, como se não fosse novidade e, por isso, não seria importante.

Será que não está na hora de abrirmos os nossos olhos e o nosso coração para ver e ouvir quem está ao nosso lado? Daquelas pessoas que menos esperamos é que vêm as maiores orientações de Deus. Está na hora de valorizar as ‘pratas da casa’ e aqueles e aquelas que estão conosco no dia a dia. Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família (Mt 13. 57). 

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