Jornal Evangélico Luterano

Ano 2015 | número 788

Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

Porto Alegre / RS - 10:54

Unidade

Lutero - Reforma: 500 anos

    Eu te amo!

   O que acontece quando digo para uma pessoa as palavras ‘Eu te amo’? Várias coisas acontecem! Muitas coisas podem acontecer em mim e na outra pessoa. A minha cabeça participa das minhas palavras. O que digo é muito bem pensado. É verdade. O meu coração participa. Os sentimentos são autênticos. Os meus olhos participam, olhos fundos nos olhos da outra pessoa. Os meus pés participam quando vou ao encontro da outra pessoa. Às vezes, os meus braços participam, quando, ao dizer as palavras, eu dou um forte abraço. Dependendo da situação, muitas outras iniciativas e atitudes podem ser desencadeadas.

   Palavra é muito mais do que apenas o produto da vibração das cordas vocais e do movimento da boca. Na outra pessoa, também acontecem coisas. Os ouvidos funcionam, os olhos e, fortemente, o coração. O cérebro processa o que escutou e experimentou e o insere na vida. Três pequenas palavras podem causar grandes impactos e transformar pessoas, as que dizem e as que ouvem, pela vida toda. Palavras são poderosas para construir a vida das pessoas, das famílias, das Comunidades, da Igreja e do mundo. Palavras também podem destruir. Eu te odeio é uma frase que pode desencadear uma história de destruição, destruir vidas, destruir mundos. As minhas palavras podem ser vazias, indiferentes, ocas, odiosas, mentirosas, mas isso não é assunto para este momento e espaço.

   O foco aqui é a Palavra que constrói, que constrói sempre, que, no fundo, nunca destrói, porque, quando, excepcionalmente, destrói, é para construir algo novo e melhor. É a Palavra com ‘P’ maiúsculo, que constrói sempre, não mente, nunca é oca ou vazia, a Palavra de Deus. O espírito, o Espírito, com ‘E’ maiúsculo, Espírito Santo, da Palavra de Deus, é sempre o de construir, nunca o de destruir. Lá no início do mundo e da Bíblia, Deus diz: Haja luz (Gn 1.2) e há luz, surge luz, acontece luz. A Palavra de Deus cria luz. Deus diz: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus (Gn 1.20).

   A partir da sua Palavra, Deus cria enxames de seres viventes nas águas e aves que voam. E viu Deus que isso era bom (Gn 1.21). Tudo o que Deus cria é bom. Deus diz: Façamos o homem à nossa imagem (Gn 1.26). Criou Deus... homem e mulher os criou (Gn 1.27). A Palavra de Deus cria Adão e Eva. Mais adiante na Bíblia, Abraão e Sara não têm filhos e, pela idade, não enxergam a possibilidade de uma gravidez, mas Deus promete um herdeiro e nasce Isaque. O povo israelita sofre uma escravidão cruel. Deus convoca Moisés para libertar o seu povo. Moisés, mesmo apavorado, mas obedecendo à Palavra de Deus, conduz o povo para fora do Egito, atravessa um longo deserto e o encaminha para sua nova pátria.

   O Salmista diz: Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para o meu caminho (Sl 119.105). A Palavra deixa o terreno claro. A pessoa pode escolher os lugares firmes para pisar neles e evitar os buracos e os precipícios. A Palavra faz o papel de luz na escuridão. Podem-se atravessar escuridões com a Palavra iluminando os caminhos. A Palavra vence a escuridão.  

 


Pessoas se colocam alegres e obedientes a serviço da Palavra, se dispõem a serem instrumentos da construção do Reino de Deus e coisas acontecem, muitas coisas acontecem, coisas bonitas e valiosas, milagrosas até. O apóstolo Paulo diz que a fé vem pela pregação e a pregação pela Palavra de Cristo (Rm 10.17). A Palavra de Cristo, que é Palavra de Deus, desperta fé, cria fé, promove fé. A Palavra de Deus é pregada e pessoas creem e vivem a sua fé na Igreja, na família, na profi ssão, no dia a dia.

 


A Palavra de Deus é uma Palavra/Ação, uma Palavra/Acontecimento. É dita e acontece, é dinâmica, tem poder, mas não é uma palavra mágica. Às vezes, Deus diz a Palavra e incumbe pessoas com a ação. Deus diz a Palavra e encarrega pessoas com as tarefas. 

 


 

   É possível enxergar os bons caminhos e os maus caminhos e optar por um dos dois. O Profeta Isaías cita Deus dizendo: assim será a Palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei (Is 55.11).

   A Palavra de Deus é uma Palavra/Ação, uma Palavra/ Acontecimento. É dita e acontece, é dinâmica, tem poder, mas não é uma palavra mágica. Às vezes, Deus diz a Palavra e incumbe pessoas com a ação. Deus diz a Palavra e encarrega pessoas com as tarefas. Deus diz para o Profeta Jonas: Dispõete, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim (Jn 1.2). Jonas diz que sim, mas faz que não. Foge. Frustra Deus. Só quando Deus o traz de volta na marra cumpre a missão. Tantas vezes pessoas anulam a ação inerente à Palavra de Deus. Não acontece nada, porque pessoas são desobedientes e se omitem. Outras vezes, pessoas se colocam alegres e obedientes a serviço da Palavra, se dispõem a serem instrumentos da construção do Reino de Deus e coisas acontecem, muitas coisas acontecem, coisas bonitas e valiosas, milagrosas até. O apóstolo Paulo diz que a fé vem pela pregação e a pregação pela Palavra de Cristo (Rm 10.17). A Palavra de Cristo, que é Palavra de Deus, desperta fé, cria fé, promove fé. A Palavra de Deus é pregada e pessoas creem e vivem a sua fé na Igreja, na família, na profi ssão, no dia a dia.

   No fundo, toda a Bíblia é história da Palavra de Deus, que cria, constrói, orienta, desperta e sustenta amor e justiça, perdoa, salva, individual e comunitariamente, no grande projeto de Deus, de vida aqui e agora, e de Vida na eternidade.

   Mesmo por isso não se pode deixar de aqui mencionar especificamente o texto do Evangelho de João: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1.14) ou, em outra tradução: A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós. João fala sobre Jesus. Diz que Jesus Cristo é a Palavra de Deus. Em Jesus, a Palavra de Deus se fez carne, se tornou um ser humano e habitou e morou entre nós. Em Jesus, Deus chega junto de nós, não importa onde e como nós estivermos. Jesus Cristo, em espírito, em Espírito, com ‘E’ maiúsculo, Espírito Santo, está presente em toda a Palavra de Deus, em toda a Bíblia, também no Antigo Testamento, mas, com o nascimento dele, em Belém, Ele se torna carne e humano e está no mundo como carne, isto é, como ser humano, junto com a nossa carne e humanidade. 

   Aqui, Ele é a Palavra de Deus, prega a Palavra de Deus e vive a Palavra de Deus. Ele é a comunicação mais concreta e poderosa da Palavra de Deus na Bíblia e chama pessoas, seres humanos, a serem ouvintes e praticantes da Palavra de Deus. Diz: O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei (Jo 15.12). A sua missão é que a Palavra do amor, em palavra e ação, serviço, seja comunicada para todas as pessoas, em todos os lugares e em todos os tempos. Dentro dela Ele promete estar convosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28.20).

   O estar convosco todos os dias acontece de muitas maneiras. Experiências neste sentido são feitas todos os dias e em muitos lugares e momentos por pessoas e Comunidades cristãs. Para ajudar na concretização da Palavra, Jesus cria, institui duas celebrações, dois ritos, dois Sacramentos: o Batismo e a Santa Ceia. Acrescenta água à Palavra no Batismo e pão e vinho na Santa Ceia. Ordena que todas as pessoas cristãs sejam batizadas e que todas participem da Santa Ceia. Ninguém tem licença de não ser batizado e de não participar da Santa Ceia. Cabe à Igreja administrar oportunidades e formas para isso. Jesus sempre é pedagógico e talvez tenha pensado que, juntando à Palavra o sinal visível e simbólico da água, as pessoas e as Comunidades iriam entender e segurar melhor o sentido do Batismo e que, juntando à Palavra o sinal visível e simbólico do pão e do vinho, iriam entender e segurar melhor o sentido da Santa Ceia.

   Nos Evangelhos, Jesus conta parábolas, situações concretas da vida das pessoas, para ajudar a ouvir e a entender a Palavra. O essencial é a Palavra Ide... batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19) e Tomai, comei; isto é meu corpo (Mt 28.26) e Bebei dele todos; porque isto é meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados (Mt 28.27-28). Água e pão e vinho são ajudantes, são importantes, imprescindíveis, mas a substância no Batismo e na Santa Ceia está na Palavra de Jesus Cristo. Lutero diz que ‘a fé precisa de algo em que creia, isto é, algo a que se apegue e em que se firme e baseie’. Diz, ainda, que não se deve separar ‘a fé e a cousa a que a fé adere e com a qual está ligada, muito embora seja algo de externo’ (Catecismo Maior).

   Bem por isso a água usada no Batismo e o pão e o vinho usados na Santa Ceia devem ser tratados com especial respeito durante e depois das celebrações dos Sacramentos. Não são coisas mágicas, mas prestam um serviço sagrado junto com e por meio da Palavra. Também eventuais sobras da água, do pão e do vinho merecem atenção e um tratamento cuidadoso e respeitoso. Lutero diz da água que ‘com a Palavra de Deus, a água é Batismo, isto é, água da vida, cheia de graça, e um lavar regenerador e renovador do Espírito Santo’ e, em relação ao pão e ao vinho, Lutero diz que as palavras ‘dado em favor de vós’ e ‘derramado para remissão dos vossos pecados’ [...] ‘juntamente com o comer e beber físico, são a coisa mais importante no Sacramento’ (Catecismo Menor).

   O Tema (Igreja da Palavra - chamad@s para comunicar) e o Lema (Então, Jesus perguntou: sobre o que vocês estão conversando pelo caminho? - Lucas 24.17) da IECLB para 2015 querem ajudar nesta reflexão.

 

P. Wilfrid Buchweitz , Ministro aposentado, foi Pastor e Professor em Comunidades e escolas em Santa Cruz do Sul/RS, Venâncio Aires/RS, Novo Hamburgo/RS, na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, e também em Puerto Montt , no Chile

 

 

 

 

 

 

 

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