Jornal Evangélico Luterano

Ano 2017 | número 805

Sábado, 19 de Outubro de 2019

Porto Alegre / RS - 16:45

Unidade

Lutero - Reforma: 500 anos

Responsabilidade pela dignidade da vida

Muito se fala em direitos e dignidade humana. Afinal, o que é dignidade? O conceito de dignidade vem do Latim dignĭtas. Na Língua Portuguesa, dignidade é um adjetivo que faz referência, corresponde ou proporciona mérito a alguém ou algo. O que é merecedor de algo e cuja qualidade é aceitável.

A dignidade está relacionada com a excelência, a gravidade e a honorabilidade das pessoas no seu comportamento. Uma pessoa que se comporta com dignidade é alguém de elevada moral, sentido ético e ações honrosas.

Assim, a dignidade é uma qualidade humana que depende da racionalidade. Apenas os seres humanos têm capacidade para melhorar a sua vida a partir do livre-arbítrio e do exercício da sua liberdade individual. Os animais, por sua vez, agem por instinto. Neste sentido, a dignidade está vinculada à autonomia e à autarquia do homem que se governa a si mesmo com retidão e honra. A dignidade implica reconhecimento da condição humana e no respeito. Ela é a grandeza, a excelência, uma qualidade ou bondade superior pela qual algo ou alguém desfruta de especial valor e estima.

A dignidade está relacionada com a excelência, a gravidade e a honorabilidade das pessoas no seu comportamento. Uma pessoa que se comporta com dignidade é alguém de elevada moral, sentido ético e ações honrosas.

A Teologia da vida como sinal do Reino de Deus

Deus é o Criador de todas as vidas e também do ser humano. Criou o ser humano à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). Este ato de Deus traz consigo uma grande dignidade aos seres humanos. Deus quer vida para as suas criaturas, por isso fez as pessoas dotadas de inteligência – para serem colaboradoras na administração do mundo e da sociedade. Portanto, ninguém pode colocar-se acima dos outros. Pelo contrário, existe uma responsabilidade mútua.

Ao longo da história, o ser humano perdeu a sua humanidade, distorcendo os relacionamentos e tornando uns superiores e outros inferiores. Então, Deus assume a condição humana, para recompor a convivência quebrada e distorcida. A Palavra de Deus, encarnada em Jesus Cristo, assume a condição humana com sua fragilidade e aponta para o valor e a importância da humanidade. Este é o sinal mais forte e eloquente da valorização do ser humano. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10.10): esta é a missão de Jesus Cristo!

Nós, pessoas evangélicas de confissão luterana, no amor de Deus, temos a base para estabelecer os referenciais de comportamento na sociedade. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4.19). Assim Deus valoriza e dignifica o ser humano. Na prática, as atitudes de solidariedade e de sensibilidade com as pessoas expressam uma profunda gratidão a Deus e também trazem consigo uma postura de respeito e valorização a todas as criaturas igualmente amadas e dignificadas por Ele, ou seja: pessoas idosas, homens, mulheres, jovens e crianças vivem a sua existência a partir do amor de Deus. Este amor orienta o seu comportamento e as suas atitudes. Então ocorre a promoção da dignidade humana nas relações respeitosas consigo mesmo, com as pessoas semelhantes, com a natureza e com Deus. A solidariedade, o cuidado e a responsabilidade mútua estão no jeito de sermos Igreja neste mundo.

Por mais que os seres humanos queiram ser independentes, sempre surgem necessidades que os fazem interdependentes uns com os outros. Reconhecer esta realidade fundamenta uma ética de corresponsabilidade entre todas as pessoas, a ética que rompe com valores da ganância, do lucro e busca o respeito ao ser humano e resgata o seu compromisso com a sustentabilidade do planeta.

A Teologia luterana e a defesa da vida

Toda pessoa cristã, por essência, tem responsabilidade pela dignidade da vida humana e de todas as vidas criadas por Deus. Nós, pessoas de confissão luterana, nos espelhamos nos Evangelhos de Jesus Cristo, na sua prática e na sua Pedagogia cuidadora e inclusiva. A fé ativa no amor de Deus e ao próximo (Gálatas 5.6) é visível no serviço em prol da dignidade do ser humano e, por consequência, na sua relação com toda a Criação de Deus. Esta fé ativa é visível no acolhimento das diferentes pessoas no seio das Comunidades, no apoio às pessoas fragilizadas, às minorias, como indígenas, afrodescendentes e demais categorias marginalizadas pela sociedade economicista (Mt 8 e 9.1-8).

A fé no Deus da vida se mostra quando incentivamos propostas de cultivos de alimentos sem agrotóxicos, quando cuidamos da terra, das águas e das demais vidas da natureza, a nossa casa comum, quando apoiamos projetos de reflorestamentos e preservação de mananciais de água, quando estimulamos a conscientização em torno da importância de preservar as riquezas naturais como dádivas vivas dadas e cuidadas por Deus (Gn 1.1-31 e Mt 6.26-30), quando auxiliamos no resgate dos conhecimentos da Medicina natural e na organização de espaços para a cura e quando acolhemos pessoas especiais, como o próprio Jesus Cristo fez (Mt 4. 23-25, 8.1-17 e 9.18-32).

A fé ativa recebe a graça e produz frutos de gratidão. A vivência da fé, na prática do amor, como gesto de gratidão a Deus, é o jeito evangélico luterano de ser. O ser livre se dá na fé em Deus e no serviço em amor a todas as vidas.

Na liberdade ética

O apóstolo Paulo diz: Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres, por isso continuem como pessoas livres e não se tornem escravos novamente (Gálatas 5.13). Cristo liberta por meio do Batismo e acolhe o batizando em sua história de vida com amor.

Nesta história de vida com amor, temos exemplos vividos por Jesus  Cristo que servem de orientação livre e dinâmica para a vivencia cristã. Já no mundo do ‘deus mercado’, pessoas se tornam escravas do consumo para aparecerem mais e melhores que outras, sendo massificadas e despersonalizadas, ficando sem liberdade e sem rumo pró- prio na vida, uma vez que o mercado economicista dita as regras do comportamento e dos relacionamentos humanos.

Cristo, em seu amor gratuito e espontâneo, liberta as pessoas da prisão de modas e da adesão acrítica a ideias e tendências comportamentais massificadas. A liberdade cristã está na raiz da liberdade de consciência e da liberdade das pessoas nos seus relacionamentos: quem não seguir as tendências da moda, não tem nenhum sentimento de culpa nem se constrange por não ser igual e da mesma massa. Pelo contrário, o livre arbítrio cristão fortalece a pessoa em sua autonomia de escolher o que lhe convém e não o que é dito ser conveniente pelas outras pessoas, as do mercado economicista. Isto é um comportamento ético, livre e cristão!

Martim Lutero, em seu livreto Da liberdade cristã, sintetizou a liberdade da seguinte maneira: ‘O cristão é um senhor livre de tudo, a ninguém sujeito. O cristão é um servo dedicado a tudo, a todos sujeito’.

O cristão é livre para a prática da solidariedade e a prática da justiça. A fé ativa recebe a graça e produz frutos de gratidão. Assim a pessoa se torna livre e atuante em obras de amor. Portanto, a vivência da fé ativa, na prática do amor, como gesto de gratidão a Deus, é o jeito evangélico luterano de ser. O ser livre se dá na fé em Deus e no serviço em amor a todas as vidas.

Em resumo, podemos expressar as palavras de Lutero quando fala sobre a liberdade cristã: ‘De tudo isso se conclui que um cristão não vive em si mesmo, mas em Cristo e em seu próximo. Em Cristo, por meio da fé e, no próximo, por meio do amor. Por meio da fé, ele ascende para Deus. De Deus, ele desce novamente por meio do amor, mas permanece sempre em Deus e no amor divino, conforme Cristo diz em João 1.51: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Ora, é essa a verdadeira liberdade espiritual cristã que liberta o coração de todos os pecados, leis e mandamentos e que supera qualquer outra liberdade, tal como o céu supera a terra. Que Deus nos permita compreendê-la e conservá-la. Amém’.

P. Wonibaldo Rutzen, Ministro na Paróquia em Criciúma, em Laranja da Terra/ES

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