Jornal Evangélico Luterano

Ano 2013 | número 763

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021

Porto Alegre / RS - 15:32

Unidade

Lutero - Reforma: 500 anos

   No ano de 1974, a Igreja assumiu, decidida e oficialmente, a missão, ao preparar e convocar o Concílio Geral com o tema Igreja Missionária. Este tema do Concílio foi devidamente preparado nas Comunidades, nas Paróquias e nos Distritos Eclesiásticos. O Concílio Geral realizado em Cachoeira do Sul/RS foi um marco na história. Desde então, estamos envolvidos com o tema missão.
   Deve-se levar em conta que, naquela época, nós éramos um campo missionário. Faltavam Pastores e dinheiro. Basta verificar que a grande ou até a absoluta maioria dos Pastores e demais servidores da Igreja veio do exterior, principalmente da Alemanha e, em número menor, dos Estados Unidos. Estudaram e foram preparados em Seminários de missão, como, por exemplo, os de Neuendettelsau e Barmen. Vieram para apascentar o rebanho que vivia no Sul e Sudeste do Brasil. Estes Obreiros – ou ‘Ministros’, como se diz nos dias de hoje! – eram Pastores, Catequistas, Diáconos e Missionários. Quase todos receberam a incumbência de serem Pastores nas Comunidades.
   Celebramos o dia 26 de outubro como o dia da Constituição da IECLB. Neste dia 26 de outubro de 1949, foi formada a Federação Sinodal, que uniu os quatro Sínodos – Riograndense, Brasil Central, Luterano de Santa Catarina e Paraná e Evangélico de Santa Catarina e Paraná – sob um mesmo teto em nível nacional. Nos primeiros 20 anos, a Federação Sinodal estava ocupada e preocupada consigo mesma, buscando definir-se e afirmar-se como Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, procurando estruturas adequadas para fortalecer a sua unidade e realizar as tarefas em conjunto.

A 1ª epístola de Pedro 2.9 diz: Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Há algo errado se alguém se omite e deixa de participar ativamente no exercício missionário da Igreja.
Cada membro é um sacerdote, é uma sacerdotisa. É Comunidade de sacerdotes, são pessoas que exercem o sacerdócio.



   
   Em 1968, foi possível criar um corpo eclesiástico, deixando de ser uma Federação de Associações Sinodais e transformar-se em Igreja em nível nacional. Muito devemos ao então Pastor Presidente da Igreja, P. Dr. h. c. Ernesto Schlieper, que se dedicou com todas as suas forças para alcançar esta unidade. Esta decisão foi tomada no Concílio Extraordinário realizado em Santo Amaro/SP.
   Dois anos depois, quando estava ensaiando a consolidação da sua unidade, a Igreja foi envolvida nas tensões que a realidade política trazia consigo. A decisão da Federação Luterana Mundial de cancelar a Assembleia planejada para Porto Alegre/RS e realizá-la em Evian, na França, foi um choque violento para a Igreja, que estava dando os seus primeiros e vacilantes passos. Hoje, mais parece ter sido o alarme que, em alto e bom som, nos despertou para a realidade. Este acordar, embora parecesse e fosse sentido como traumático, nos fez ver a realidade com novos olhos.
   Ainda no mesmo ano de 1970, o Concílio de Curitiba/PR aprovou e emitiu o ‘Manifesto de Curitiba’, assumindo em público a sua tarefa profética e missionária, afirmando a sua convicção sobre o culto e a educação cristã e denunciando a violação dos direitos humanos. Logo depois, em 1972, no Concílio de Panambi/RS, foram aprovados planos concretos para a atividade missionária da Igreja: a decisão de acompanhar os membros da Igreja para onde estes estavam migrando, tanto nas novas áreas de colonização como nas áreas suburbanas das grandes cidades. Também resolveu envidar todos os esforços para tornar-se financeiramente autônoma. Dois anos depois, a Igreja resolveu unir todos os movimentos e preocupações no tema ‘Igreja Missionária’ no Concílio de Cachoeira do Sul/RS, no ano de 1974. Desde então, a bandeira que mais alto foi erguida em toda a igreja, de diversas formas e com diferentes visões, foi que queremos ser, de fato e de verdade, uma Igreja missionária.
   A Constituição da IECLB afirma, no Artigo 3º:
   Em obediência ao mandamento do Senhor, a IECLB, através de suas Comunidades, tem por fim e missão:
   I - propagar o Evangelho de Jesus Cristo;
   II - estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária;
   III - promover a paz, a justiça e o amor na sociedade;
   IV - participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo.

   Nestes quatro passos, a Igreja realiza a sua tarefa. A realização da sua tarefa – ‘fim e missão’ – acontece por meio das suas Comunidades. Com todas as suas forças e com todas as suas fraquezas, com todo o seu entusiasmo e ânimo, também com a sua sonolência, a Igreja como um todo está presente em cada uma das suas Comunidades. Cabe à Comunidade, que é a IECLB local, realizar as tarefas da Igreja, propagando o Evangelho, estimulando a vivência evangélica, promovendo a paz, a justiça, o amor e participando do testemunho do Evangelho no país e no mundo.
   A 1ª epístola de Pedro 2.9 diz: Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Há algo errado se alguém se omite e deixa de participar ativamente no exercício missionário da Igreja. Cada membro é um sacerdote, é uma sacerdotisa. É Comunidade de sacerdotes, são pessoas que exercem o sacerdócio.
   Na medida em que os estudos e as reflexões sobre a missão da Comunidade avançavam, redescobria-se também a doutrina do sacerdócio geral de todos os crentes. Toda a valorização dos leigos e o seu papel na Direção da Igreja e na vida da Comunidade aconteceu ao mesmo tempo, com a redescoberta de que a Igreja é missionária. O Missiólogo Hartenstein definiu: ‘Quem fala Igreja diz missão e quem fala missão diz Igreja’. Igreja sem missão não existe e missão sem igreja igualmente não existe. São inseparáveis.
   Cada membro da Igreja é um sacerdote. Qual é a tarefa do sacerdote? O seu lugar está entre Deus e a Comunidade, entre Deus e a pessoa humana. Cabe-lhe interceder pelas pessoas e cabe-lhe também a tarefa de ensinar e educar na fé. Isto acontece e aconteceu em toda a história das Comunidades que hoje formam a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Foram os pais que ensinaram e educaram os seus filhos na fé. Eram os Professores que, além de lecionarem as matérias escolares, respondiam também pelo ensino religioso escolar, eram os líderes, eram os Professores e as Professoras do Culto Infantil, muitas vezes liderado pela ‘Frau Pastor’.
   O serviço da Igreja está claramente definido nas três palavras do Tema da IECLB neste ano: Ser, Participar, Testemunhar. Cada uma delas tem um grande e importante conteúdo, que define a Igreja.
   Ser: é fundamental saber quem somos. Somos membros do corpo de Cristo, somos membros da Igreja de Cristo, somos sacerdotes. A origem deste nosso ser é o nosso Batismo. No Batismo, nós fomos chamados e abençoados. Podemos repetir com Lutero a sua afirmação, que escrevia diante de si em momentos difíceis, em que vacilava: Sou batizado.
   Participar: quem foi batizado participa do povo de Deus ou, como diz o hino de Nelson Kirst, Não é sozinho que venho ao altar, mas abraçado com muitos irmãos (HPD 141 - estrofe 2). Não é apenas a participação no culto e nas programações da Comunidade e da Igreja, mas é o sentimento de unidade que o Credo Apostólico descreve dizendo ‘comunhão dos santos’. São os irmãos e as irmãs que consolam na hora em que alguém necessita de consolo, que amparam no sofrimento, que ajudam nas dificuldades, que intercedem junto a Deus e que também admoestam e apontam o caminho que deve ser andado.
   Testemunhar: quem foi batizado e participa da comunhão dos santos testemunha a sua fé, tanto em palavras como em gestos, atos e atitudes. É tarefa de todo sacerdote e de toda sacerdotisa testemunhar a sua fé. Mais do que tarefa e dever de cada cristão, o testemunho é o privilégio. Diferente do que nós ouvimos e aprendemos do sacerdócio geral dos crentes, nós somos mais, somos sacerdócio real. Isto significa que os sacerdotes que formam o povo de Deus, o povo de propriedade exclusiva de Deus, são livres, assim como são livres os reis.
   Somos sacerdotes e sacerdotisas que têm basicamente duas funções:
   - dar culto a Deus agradecendo, louvando, bendizendo, invocando e intercedendo por toda a Comunidade e a Igreja, pela cidade e pelo Estado, pelo país e pelo mundo inteiro;
   - ensinar, admoestar, animar, corrigir e anunciar a Palavra de Deus, bem como servir e ajudar aquelas pessoas que estão em situações difíceis.

P. em. Meinrad Piske, Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral nas Paróquias catarinenses de Ibirama e Blumenau Centro, foi Pastor Regional da Segunda Região Eclesiástica, ocupou o cargo de Diretor do Lar Rodeio 12, em Rodeio/SC, fez parte do Conselho Diretor da IECLB, inclusive como Vice-Presidente, integrou o Comitê Executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e, atualmente, dirige o Anuário Evangélico
 

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