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Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2021 - Entrevista com o presidente do CONIC, Pastor Inácio Lemke

06/11/2020

 

No próximo ano, 2021, haverá mais uma edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). Realizada, em média, a cada 5 anos, a ação é uma oportunidade de reunir igrejas cristãs sob a premissa do diálogo, dando um testemunho de unidade na diversidade, tal como orientado por Jesus (João 17:21).

Nessas ocasiões, o CONIC tem sido o responsável por articular igrejas e parceiros em todo o processo de construção da CFE e, desta vez, não foi diferente. Desde a escolha do tema e do lema, até a finalização do Texto-Base, competiu ao CONIC reunir irmãos e irmãs de diferentes denominações (incluindo igrejas que não integram formalmente o Conselho) para apresentar ao público um material que fosse um testemunho de que “juntos vamos mais longe”.

No início da semana, tivemos a alegria de divulgar que o Texto-Base da Campanha, bem como outros subsídios, já estavam disponíveis para compra.

Hoje, dando continuidade às divulgações da CFE, compartilhamos a entrevista exclusiva que fizemos com o pastor luterano e atual presidente do CONIC, Inácio Lemke.

Confira.


1. Pastor Inácio, como você avalia o trabalho da Comissão da CFE (2021), que resultou não apenas no Texto-Base, mas também nos demais subsídios da Campanha?

Pr. Inácio: Primeiramente, quero agradecer às igrejas pela indicação das pessoas que compuseram a Comissão da CFE 2021. Elas são pessoas altamente capacitadas para o diálogo, comprometidas com a teoria e a prática ecumênicas. A equipe conseguiu construir um clima de respeito entre si e acolher representantes novos nos quadros na Comissão da CFE, integrando, assim, representante da Igreja Betesda de São Paulo e do Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e à Educação Popular (CESEEP).

Cabe lembrar que quase todas as reuniões aconteceram de forma online. Foi, para todas e todos, uma experiência totalmente nova.

2. Sobre o Texto-Base em si, o que mais te chamou atenção nele e o que você destacaria?

Pr. Inácio: Destaco a mensagem profética e pastoral que irá levar para dentro dos grupos, comunidades, igrejas e sociedade. Igrejas que se orientam na palavra e prática de Jesus Cristo, não podem se calar diante das injustiças, violências que acontecem contra a criação de Deus. Toda violência deve ser denunciada e rejeitada.
Ao mesmo tempo, é um texto pastoral que acolhe, orienta, mostrando um mundo de respeito, onde paira a justiça e o amor. É possível abrir portas de esperanças para um mundo novo, onde as diferenças serão desconstruídas.

Destaco ainda que, no ecumenismo, somos comunidades e igrejas do Caminho. Firmados na memória e desafiados pelo novo, na experiência dos discípulos que desceram até Emaús e voltaram para Jerusalém para encorajar os demais discípulos e discípulas que se trancaram atrás das portas. Mas, em Pentecostes, vão às ruas e caminhos animados com novo espírito, e confiantes na nova comunidade, Cristo ressuscitou!

3. Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor é o tema da CFE. De que modo ele dialoga com a sociedade como um todo, para além das igrejas? Em outras palavras, o que essa mensagem quer passar para as pessoas?

Pr. Inácio:
Quando representantes da CNBB e da diretoria do CONIC se reuniram pela primeira vez para combinarmos a CFE 2021, sentimos a necessidade de abordarmos um tema que viesse ao encontro da necessidade sentida na sociedade. Queremos motivar, através do diálogo, que somos irmãs e irmãos, e reforçar o sentimento do amor. Queremos oferecer a oportunidade do diálogo com o diferente, sair dos nossos grupos ou igrejas e ir ao encontro dos excluídos. Vamos olhar para aqueles e aquelas que não fazem parte normalmente dos nossos. Dialogar e ouvir é um desafio, vamos encarar este desafio. Queremos ser Igreja acolhedora, mas, para isso, precisamos sair da nossa “zona de conforto”.

4. O lema da CFE, Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade, traz uma reflexão sobre a unidade cristã - que muitas vezes representa um grande desafio. Por outro lado, vemos iniciativas de diálogo e convivência se multiplicarem Brasil afora. Em que medida a CFE ajuda a ampliar essa noção de que o testemunho cristão precisa ser uníssono?

Pr. Inácio:
O lema da CFE é desafiador, sem sombra de dúvida, e é exatamente este o nosso objetivo. Para anunciar o Cristo da Paz, num país onde o Seu corpo está tão dividido, precisamos de muito diálogo. É preciso se despir de muitos conceitos e preconceitos. Cristo nos ensina a convivência e o respeito. Ele traz propostas de vida. Veja o exemplo que Ele dá na praça aos homens que queriam apedrejar uma mulher (Ev. Jo. 8); o diálogo com o fariseu Nicodemos (Ev. Jo. 3); o jovem rico (Ev. Mt. 19. 16.s.s); assim também encontramos formas de convivência que Jesus ensina nas parábolas e curas. Nas igrejas, talvez não consigamos ser uníssonos... pois ainda há muita disputa de poder e de dogmas. Mas, talvez, encontramos espaços de boas convivências e práticas diaconais nas ruas, becos e sertões deste país.

Mas também têm experiências valiosas acontecendo entre nós. Em agosto de 2019, participei em Belém, PA, do encontro de preparação do Sínodo da Amazônia, onde partilhamos experiências riquíssimas entre povos da Amazônia. Ouvimos que tudo está interligado, a criação toda, assim como Deus a criou, a grande Patjamama.

5. A Igreja Betesda de São Paulo - que não integra o CONIC oficialmente - participou ativamente da construção do Texto-Base e de outros materiais alusivos à CFE. Isso é um sinal positivo de que o ecumenismo tem campo para crescer? Se sim, de que modo a CFE pode ser um tempo oportuno para envolver mais igrejas na caminhada ecumênica?

Pr. Inácio:
A participação da Igreja Betesda foi algo precioso. E mostra que é tempo oportuno, sim, temos campo para crescer, e também para nos conhecermos entre cristãs e cristãos, ver e ouvir em conjunto.

Hoje, toda criação geme de dor, dor provocada por interesses de consumo e lucro para poucos. A CFE 2021 pode nos proporcionar uma nova oportunidade de rever nossos compromissos com a vida, e vida ampla, não apenas a vida humana no planeta. Neste sentido, estamos abertos para aliados, pessoas e igrejas que querem somar, cuidar da vida onde ela está sendo fragilizada.

6. Na sua experiência particular, como a CFE o ajudou a ampliar o testemunho cristão junto às comunidades que você atendeu?

Pr. Inácio:
Bem, até aqui participei de todas as CFEs que já foram realizadas. Todas elas me ajudaram a “derrubar muros” que nos dividiam ou afastavam. Aprendi a “construir pontes”. Assim a vida para mim e para as comunidades que venho acompanhando se tornou bem mais agradável. As CFEs são espaços de celebração e convivência agradáveis. É uma caminhada da qual não posso e não quero mais abrir mão. É essa forma de ser igreja/comunidade que Cristo nos ensina cada dia.

7. Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

Pr. Inácio:
Quero desejar a todas e todos, desde já, ricas experiências também nesta CFE. Vamos juntar vozes de esperança de forma virtual ou presencial. Unidos pelo mesmo Espírito do Cristo, o Crucificado e Ressurreto, que caminhou com os de Emaús, e se revelou na partilha do pão.

Partilhemos também nós, entre nós, sem distinção.
 

Quando eu sofro, eu não sofro sozinho. Comigo sofrem Cristo e todos os cristãos. Assim, outros carregam a minha carga e a sua força é também a minha força.
Martim Lutero
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