John Wycliffe (1324-1384)

A Estrela Dalva da Reforma

01/03/2010

Sabemos pouco da infância de John Wycliffe. Até na escrita do seu nome encontramos várias versões: Wycliffe, Wiclif ou Wyclif. Depois de formado em filosofia e teologia, Wycliffe era considerado um professor renomado em Oxford. Ele ficou famoso, também, pela pregação da palavra e pela coragem com que falava sobre problemas da época. Quando o Papa, novamente, exigiu tributo da Igreja na Inglaterra, Wycliffe, nas suas prédicas, criticou o Papa e o Clero (os padres) pelo seu interesse no poder, nos bens e pela sua arrogância. Wycliffe pregou que a cabeça da Igreja é Cristo, e que deveria ser modificado o seguinte:

1º A Igreja e o Estado deveriam atuar separadamente.
2º Só a Bíblia deveria ser o fundamento dos ensinos.
3º Não poderia haver corrupção na Igreja.
4º Entre o cristão e Deus não precisa ter intermediários. O sacerdote deveria pregar a Palavra e cuidar dos membros das paróquias.
5º A Bíblia deveria ser traduzida para a língua do povo, para que pudesse ser lida pelos cristãos.

O Arcebispo de Londres proibiu Wycliffe, por causa dessas idéias, de pregar. Wycliffe pediu a ajuda do rei para poder continuar pregando, mas este não interferiu. E Wycliffe obedeceu e retirou-se. Viveu na pequena cidade de Lutterworth. Durante os anos que seguiram, começou a traduzir a Bíblia para o inglês. Em 1383, o Novo Testamento em Inglês começou a circular. Aos poucos, com a ajuda de outros, toda a Bíblia foi traduzida do latim para o inglês. Os colaboradores eram chamados, pelos adversários, de Lollards. Lollard significa “semeador de inço”. Após receberem instruções de Wycliffe, os Lollards saíram para pregar e ensinar. Ficaram conhecidos pelos seus mantos vermelhos e suas pregações, quando conclamaram o povo para colocar a sua confiança em Jesus como mediador, e não nos santos. Também pregavam o sacerdócio geral: Todo o homem que quer herdar a vida eterna e que segue aos ensinamentos de Jesus, deve atuar como sacerdote.

Os Lollards, no fim do século, foram perseguidos e só puderam continuar as suas atividades às escondidas.

John Wycliffe faleceu em 1384. Pelos historiadores, Wycliffe, hoje, é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”.

Uma geração mais tarde, encontramos um homem na República Tcheca que, a partir dos escritos de Wycliffe, começou a criticar a Igreja Católica. Era Jan Hus. Ele também foi proibido de pregar. Quando, em 1405, no Concílio em Constança, quis justificar suas críticas, foi preso e condenado à morte na fogueira. Ele sofreu essa morte, apesar de a Igreja lhe ter prometido proteção nas viagens e durante a estadia em Constança.

No mesmo Concílio, foram queimados os ossos de John Wycliffe. Ele estava enterrado na sua igreja em Lutterword. A Igreja Católica mandou abrir o seu túmulo e levar os restos de Wycliffe para Constança, onde foram queimados, sendo as cinzas jogadas no rio, e ele, declarado um herege


Autor(a): Isolde Mohr Frank
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Da nuvem de testemunhas / Ano: 2007
Natureza do Texto: Artigo
ID: 11524
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Arrisco e coloco a minha confiança somente no único Deus, invisível e incompreensível, o que criou o céu e a terra.
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