Liturgia para o Dia Nacional da Consciência Negra 2020

12/11/2020

  

Contextualizando

O dia 20 de novembro começou a ser celebrado como dia da Consciência Negra, resgatando a memória de Zumbi dos Palmares, a partir da década de 1990. Por força da lei 12.519, de 2011, a data se tornou o feriado nacional da Consciência Negra, mas estabeleceu que cada estado e município decretassem o feriado. Segundo Laurentino Gomes, no seu livro Escravidão (2019), em 2018, apenas 1.047 municípios colocaram a data no calendário como feriado. Em alguns estados, como Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Pará e Rondônia, nenhuma cidade se animou a decretar o 20 de novembro como feriado. Provavelmente, em vários municípios nos quais a IECLB anuncia o Evangelho o dia da Consciência Negra não seja feriado. Sendo assim, a sugestão é que este ano as comunidades celebrem no último Domingo do ano eclesiástico, Domingo Cristo Rei, o Dia da Consciência Negra.

Isto porque a IECLB realiza a missão de Deus numa sociedade que possui uma imensa dívida com as pessoas que foram arrancadas da África e forçadas a trabalhar como escravas no Brasil. Infelizmente o racismo, a discriminação e o preconceito continuam ferindo a dignidade dos descendentes destas pessoas escravizadas. Celebrar o Dia da Consciência Negra é um gesto profético de denúncia contra a escravidão e a discriminação. Também, é anunciar que Jesus, O Cristo Rei, é Senhor da liberdade, que rompe com as correntes que pressionam e acaba com toda a injustiça.

O dia 20 de novembro é dedicado para conscientizar a população, de que as pessoas negras foram submetidas à brutalidade da escravidão, elas não aceitaram a escravidão como algo natural, resistiram. Esta resistência é personificada em Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que lutou para tornar livres as pessoas escravizadas. O objetivo do Dia da Consciência Negra é dar visibilidade às pessoas negras, à história delas e colaborar para que a sociedade vença as desigualdades promovidas por ações e omissões de um racismo estrutural.

Preparo do Ambiente

Para a celebração seria importante envolver na liturgia as pessoas afrodescendentes que fazem parte da comunidade. Em municípios que haja movimento negro, convidar seus e suas integrantes para fazerem parte deste momento. A preparação do ambiente é fundamental para que a comunidade volte seu olhar para a realidade das pessoas negras. Para tanto, seria interessante preparar o espaço litúrgico com panos nas cores amarela, verde, vermelha e preta, tambores e outros elementos culturais relacionados aos povos africanos. Além disso, preparar um painel com imagens de pessoas negras.

 

 

Liturgia para o Dia Nacional da Consciência Negra

22 de novembro de 2020 – Domingo Cristo Rei



Liturgia de abertura

Prelúdio

 

Acolhida

“Agora eu sei que, de fato, Deus trata a todos de modo igual, pois ele aceita todos os que o temem e fazem o que é direito, seja qual for a sua raça” (Atos 10.34-35).

Deus de amor criou todas as pessoas a sua imagem e semelhança. Mas nós, seres humanos, nem sempre reconhecemos nas outras pessoas a imagem de Deus. Por esta razão, a história é marcada pela desumanização de certos povos que foram escravizados.

Para o Brasil foram trazidas milhares de pessoas negras as quais foram forçadas ao trabalho escravo. Negros e negras produziram por quase 300 anos as riquezas de nossa nação.  Atualmente, negros e negras sofrem a violência do racismo, preconceito e discriminação.

Para resgatar a memória da luta pela liberdade das pessoas negras, liderada por Zumbi dos Palmares, foi estabelecido o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra. Portanto, hoje, Domingo Cristo Rei, último Domingo do ano eclesiástico, celebramos o dia Nacional da Consciência Negra. Isto porque somos Igreja no Brasil que anuncia o Deus libertador, que trata todas as pessoas iguais e aceita todas as raças.

 

Saudação 

L: Reunimo-nos na presença de Deus que criou a humanidade e ouviu o clamor do seu povo escravizado no Egito; que através do Filho, Jesus Cristo, nosso Salvador e Libertador sentiu a dor das chicotadas; e pela força do Espírito Santo proclama o amor em todas as línguas impulsionando pessoas para a missão de consolar, restaurar e reconciliar. Amém.

Hino: Quando o povo se reúne (LCI 25)

 

Confissão de pecados

L: Paulo escreve em 2 Timóteo 2.19: “Toda pessoa que diz que pertence ao Senhor precisa abandonar o pecado.”  Coloquemo-nos diante de Deus para lhe confessar o nosso pecado e lhe pedir perdão. Oremos:

Deus de misericórdia, tu és Deus que liberta. Através de teu Filho, revelaste que todas as pessoas são iguais em valor e dignidade. Confessamos, que às vezes somos indiferentes diante das práticas de racismo ou fingimos não perceber as atitudes preconceituosas e discriminatórias que acontecem diariamente em nossa volta. Como indivíduos, perpetuamos a crença de que uma “raça” é superior a outra. Como sociedade, não pressionamos as autoridades competentes para que implementem políticas públicas que promovam a equidade.  Como igreja, temos dificuldades para denunciar as injustiças praticadas contra as pessoas afrodescendentes ao longo da história e em nossos dias. Ó Deus, perdoa-nos por não reconhecermos que, perante o teu olhar bondoso cada vida importa. Por isso, clamamos:

C: Perdão, Senhor, perdão. (2x)

Anúncio da graça

L: Deus nos ouve, recebe a nossa confissão e nos perdoa, pois, “Onde aumentou o pecado, a graça de Deus aumentou muito mais ainda” Amém.

Kyrie

L: O perdão de Deus nos liberta de nós mesmos, de nós mesmas e possibilita que enxerguemos o sofrimento das outras pessoas.

Clamemos em favor de crianças, jovens, homens e mulheres que sofrem com o preconceito, a discriminação e o racismo;

Clamemos pelas famílias que, em todas as partes do mundo, perderam filhos e filhas por causa da violência praticada contra imigrantes. Clamemos pela dor de afrodescendentes que não têm sua história valorizada e que diariamente têm a dignidade ameaçada. Ó Deus, a ti trazemos as dores do mundo, clamando e cantando:

Hino: Pelas dores deste mundo, ó Senhor (LCI 56)

Oração

L: Deus de bondade e misericórdia, graças te damos pela diversidade da criação e por nos criares a tua imagem e semelhança.  Derrama sobre nós o Espírito Santo de luz e entendimento para que compreendamos que amas as pessoas, independente de raça, cor, nacionalidade ou sexo.  Orienta-nos com Tua Palavra para que possamos proclamar o Senhorio do Teu filho através de palavras e ações que defendem a dignidade de todas as pessoas. Dá-nos forças para lutarmos contra o preconceito, discriminação e racismo. Pedimos-te: Abre nossa mente e coração para que vivamos a igualdade e fortalece-nos na mesa da Ceia do Senhor, onde o teu Filho nos espera. Por Jesus, que contigo e o Espírito Santo, vive e reina hoje e sempre. Amém.

 

Liturgia da palavra


Leituras bíblicas

L: A violência da escravidão é uma ferida aberta na história e suas consequências ainda são visíveis em nossa sociedade. Hoje vamos ouvir um texto do Antigo Testamento que conta parte desta triste realidade. 

Primeira leitura: Êxodo 1.1-14

Hino: Axé (74 O Povo Canta)

Segunda Leitura: Gálatas 3.23-27

Evangelho
L: Aclamemos o Evangelho, cantando Aleluia
C: (canta) Aleluia

L: O santo Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, conforme Marcos 9.38-41

L: Palavra do Senhor
C: Demos graças a Deus


Pregação

(Basear-se nos textos lidos)


- O enfoque da pregação deve ser de ânimo e esperança.  Lembrar a história do povo hebreu que foi escravizado no Egito e liberto por Deus. Recordar que a história brasileira é marcada pela escravidão das pessoas que foram arrancadas da África e produziram sob o chicote as riquezas desta nação. É preciso apontar para as consequências da escravidão, pobreza, racismo, preconceito e discriminação. Lembrar que Zumbi dos Palmares e tantas outras pessoas escravizadas lutaram contra o sistema escravocrata. E que a liberdade é vontade de Deus para todas as pessoas.

- É bom lembrar também que Jesus é Senhor da liberdade, que ele não discriminou as pessoas, mas as incluiu no projeto de Reino. Jesus Cristo, é o rei que Liberta, serve e acompanha o povo. Ele é a revelação do Deus libertador, que não tolera a escravidão e a desigualdade entre o seu povo.

 - A igualdade que é defendida por Deus e Jesus é anunciada na carta do Apóstolo Paulo ao Gálatas. Sendo assim, prédica deveria anunciar caminhos para a conquista da equidade de oportunidades em nossa sociedade. Como um gesto simbólico confeccionar uma corrente de papel com as palavras racismo, preconceitos e outras que indicam as desigualdades sociais que prevalecem em nossa sociedade e pedir para que algumas pessoas rompam os elos da corrente.

Credo Apostólico ou outra confissão de fé mais indicado para o momento


Hino: Jesus Cristo, vida do mundo (158 O povo canta)


Recolhimento das ofertas


Oração geral


L: Deus de amor, Te agradecemos pela vida e por sinais de liberdade e equidade em meio a nossa sociedade que exclui e discrimina.

C: (canta) Graças, Senhor, graças Senhor, por sua bondade, seu poder, seu amor. Graças, Senhor!

L: Oramos por todas as pessoas que lutam com muita coragem para acabar com o racismo, a violência e as injustiças que tiram de homens e mulheres a dignidade. Oramos por todas as pessoas que estão engajadas na construção da Consciência Negra, no resgate da história do povo negro e ao lado dele estão nas ruas, praças e igrejas promovendo a igualdade.

C: (canta) Ouve nossa oração e atende nossa súplica

Oramos pelas pessoas que estão enfermas, principalmente as pessoas negras, que estão mais suscetíveis a anemia falciforme, diabetes e problemas cárdicos. Dá-lhes o teu cuidado e restabeleça, segundo a tua graça, a saúde delas.

C: (canta) Ouve nossa oração e atende nossa súplica

Oramos pela tua Igreja no mundo, pela IECLB, e por esta comunidade, para que seja proclamadora da igualdade entre todas as pessoas, para que seja ativa na denúncia de todas as formas de escravidão, que anuncie ao mundo Jesus Cristo, o Rei que liberta e dignifica todas as raças.

C: (canta) Ouve nossa oração e atende nossa súplica

Oramos por todas as pessoas enlutadas, especialmente por........... , oramos pelas famílias enlutadas que perderam seus filhos e filhas por causa da violência carregada de racismo. Oramos pelas pessoas negras que tem sua memória e história desvalorizadas.

C: (canta) Ouve nossa oração e atende nossa súplica

Oramos também por todas e todos nós, para que tenhamos coragem e ousadia para sermos pessoas que promovem a Consciência Negra. Deus de amor, Tu também conheces tudo que guardamos no silêncio do nosso coração e quais são nossas dores e alegrias, por isso, tudo a Ti entregamos, em nome de Jesus Cristo, Amém.

Liturgia da Ceia

Preparação da mesa

(Junto com os elementos da ceia são levadas, para o altar, as ofertas recolhidas)

L: Os elementos da Ceia, as ofertas recolhidas são, agora, trazidas à mesa, expressamos assim a nossa gratidão pelo amor de Deus e por sua ação libertadora na história. Cantemos:

Hino: Convite ao compromisso (248 O Povo Canta)

Oração do ofertório

L: Louvado sejas, ó Deus libertador!  Tu nos dás o pão, fruto da terra e do trabalho.  Nós Te pedimos: faze com que este pão se torne pão da vida para nós. Louvado sejas, Senhor, nosso Deus. Tu nos dás o fruto da videira e do trabalho. Nós Te pedimos: faze com que ao bebermos do cálice da salvação sejamos verdadeiramente livres.

C: Amém!

Oração eucarística

L: O Senhor esteja com vocês.

C: E com você também.

L: Vamos elevar o nosso coração a Deus.

C: Sim, a Ele o elevamos.

L: Agradeçamos a Deus pelo seu amor.

C: É justo e necessário agradecer-lhe.

L: Sim, é justo e necessário que, em todos os tempos e lugares, te demos graças, Senhor. Por tua Palavra, por tua ação libertadora no Egito. No devido tempo, vieste a nós em Jesus, Teu Filho, para nos libertar do poder do pecado e da morte. Por meio dele abriste nossos olhos para que pudéssemos enxergar a igualdade de todas as raças. Por tudo isso, é que te louvamos e adoramos cantando:

C: Santo, Santo, Santo, Santo Santo é nosso Deus (LCI 239)

Santo, Santo...  

L: (Anamnese) Graças te damos, ó Deus que vieste a nós em Jesus, teu Filho, nascido de mulher. Amado e odiado, ele viveu entre aldeias e cidades, acolheu as pessoas estrangeiras, libertou as oprimidas e, proclamou um novo tempo, até ser crucificado.

C: Ele veio nos libertar e salvar.

L: (Narrativa da instituição) Por causa do teu amor por nós, recordamos que Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças o partiu e o deu aos seus discípulos, dizendo: tomai e comei, isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim. A seguir, depois de cear, tomou também o cálice, rendeu graças e o deu aos seus discípulos, dizendo: bebei dele todos, porque este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós, para a remissão dos pecados. Fazei isto todas as vezes que o beberdes em memória de mim.

C: Anunciamos, Senhor, a tua morte, e proclamamos a tua ressurreição. Vem, Senhor Jesus!

L: Ó Deus, hoje celebramos o Dia da Consciência Negra, a luta pela liberdade de todas as pessoas. Por isso pedimos; envia sobre nós, teu Espírito de vida, liberdade e amor, o mesmo que teu Filho mandou a seus discípulos e seguidoras, para que, partilhando do pão da vida e do cálice da salvação, nos tornemos, em Cristo Rei, um só corpo que anuncia a igualdade e a liberdade a todos os povos e nações.

C: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra.

L: Guia-nos, Senhor, à festa da libertação preparada para teu povo, em tua presença, com teus profetas, profetisas, apóstolos e mártires, e todas as pessoas que viveram na tua amizade. Unidos e unidas a eles proclamamos teu louvor e anunciamos a felicidade do teu Reino, para o qual, em Cristo, nos convidaste:

C: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a ti, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e glória, agora e para sempre. Amém!

L:  Somos humanidade, comunidade que forma um só corpo cujos membros se importam e se reconhecem como iguais. Oremos a oração que Jesus nos ensinou:

C: Pai-nosso...

Fração

L: O cálice pelo qual demos graças é o sangue de Cristo;
O pão que partimos é o corpo de Cristo;
C: (canta) Nós embora muitos e muitas, somos um só corpo

Comunhão

L: Venham, pois tudo está preparado.  É Cristo quem nos convida, porque Ele é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

C: (canta) Ó Jesus Cordeiro, tiras o pecado e a dor, tem piedade...

Distribuição

Pós comunhão

L: Deus de amor, te agradecemos porque nos acolheste em Tua casa e nos convidaste para o banquete da vida e do amor. Concede, na tua infinita graça, que alimentados e alimentadas pelo corpo e sangue do Teu amado Filho possamos te servir em liberdade no trabalho de amor e promoção da vida digna em favor de toda a humanidade. Por Cristo, Amém!

 

Liturgia de despedida

Hino: Caminhamos pela luz de Deus (LCI 305)

 

Bênção 

L: A Bênção do Deus libertador venha sobre ti concedendo a força vital para que em palavras e ações teças a rede da paz na tua casa, nas ruas e no país. Deus te abençoe hoje e sempre. Amém.

Envio

L: Vão agora e sirvam a Deus com alegria e vivam a liberdade que Cristo nos concedeu.

C: Demos graças a Deus.


 

Liturgia moldada pelo P. Günter Bayerl Padilha

Atua na Paróquia de Colatina/ES e integra o Grupo Identidade da Faculdades EST


 

Veja também:

Dia da Consciência Negra 2020 (Vídeo)

Igualdade na Bíblia - Revista O Amigo das Crianças

Discriminação - Carta Pastoral da Presidência - 03/05/1988

Deus não é racista - Declaração da IECLB - 09/12/1992

Racismo. Consciência e Superação - Revista do CEM - Ano IX - Nº. 2 - 1987

Não vos conformeis com a discriminação racial - P. José Alencar Lhulhier Junior - 11/11/2005

Dia Nacional da Consciência Negra - Discriminação - Inclusão - P. Rolf Schünemann - 01/11/2008


 

 

 

 

 

 

 


Âmbito: IECLB
Área: Missão / Nível: Missão - Multiculturalidade
Área: Missão / Nível: Missão - Sociedade
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Celebração
ID: 59913
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