Comunicação


ID: 2771

O caminho para restaurar a vida de pessoas maltratadas e desiludidas

15/03/2020

 

João 4.5-42

Estimada Comunidade, prezados rádio ouvintes:

Por que essa mulher costumava ir ao poço buscar água ao meio-dia - na hora mais quente do dia? A maioria das outras pessoas iria logo de manhã ou no final da tarde, quando o sol não estivesse tão forte. Talvez essa mulher samaritana ia nesse horário, justamente porque ela não queria encontrar ninguém. O Evangelho nos diz que ela é uma mulher que já passou muitas frustrações na vida. Cinco maridos já tiveste e este que agora tens nem é teu marido. O que aconteceu? Será que ficou viúva 5 vezes? Ou será que se separou? Será que ela também foi vítima da violência doméstica e não aguentou mais? Por que essa mulher trocou de amor 5 vezes?

Talvez ela esteja indo buscar água no poço na hora mais quente do dia, justamente para não ter outras pessoas apontando para ela. Depois de tantas desilusões, é difícil e constrangedor ficar dando explicações.

Certo dia, essa mulher tem uma surpresa. Nessa hora mais quente do dia, essa mulher se encontra com Jesus. Para ela era somente mais um homem. E Jesus lhe pede um pouco de água. Ela, no entanto, vê que Jesus era um judeu e ela uma samaritana. Os judeus e os samaritanos não se dão. Não deveriam ser vistos juntos. Jesus então lhe diz: Se você soubesse o que Deus pode dar e quem é que lhe está pedindo água, você pediria e ele lhe daria a água da vida (v.10). A mulher percebe que Jesus tem uma maneira diferente de falar com as pessoas. Ele não manda, não ordena. Ele pede. E em seguida Jesus fala de um Deus generoso com seu povo. Um Deus que agracia seus filhos e filhas.

Assim como essa mulher, a maioria das pessoas ainda hoje tem problemas com confiar em outras pessoas e tem problemas também para confiar em Deus. A causa dessa falta de confiança em Deus nem sempre são problemas de cabeça (intelectuais), mas são problemas de coração. O coração representa o centro de nosso ser e ele determina a nossa capacidade de doação. As frustrações – as desilusões – bloqueiam o nosso coração. Gostaríamos de recomeçar, de confiar outra vez, mas nossa capacidade de confiar e de entregar-se estão bloqueados. E aí construímos um muro em nossa volta. Via de regra começamos fazendo juras mentais. Se alguém abusou de minha confiança eu reajo dizendo a mim mesmo: Nunca mais vou confiar em ninguém. Diante das frustrações amorosas, talvez essa mulher samaritana também já tenha dito várias vezes: Homem nenhum presta.

Quando falamos de nossas frustrações, costumamos também ouvir que o tempo cura tudo. Mas, na verdade, nem sempre o tempo cura tudo. O que é certo é que a ferida de ontem dói menos hoje. Mas ferimentos interiores não tratados são como lixo. Essas feridas não tratadas intoxicam a nossa vida. Quem fica lutando com o seu passado, não tem forças para viver o seu presente em direção ao futuro.

Muitas pessoas ficam revoltadas com certas passagens de sua vida, em especial com aqueles repletas de sofrimento e isso inclui também um matrimonio fracassado. A cura interior implica em aceitar os nossos momentos negativos, aceitando os tempos de dor e de frustração que passamos. Precisamos fazer as pazes com a história de nossa vida e isso significa revogar – anular - aquelas juras mentais em que acorrentamos a nossa vida. É preciso também fazer as pazes com Deus deixando de acusá-lo pelos sofrimentos de nossa vida, por ele não nos ter poupado deste ou daquele sofrimento.

O Evangelho de João nos diz hoje que Jesus reconhece a sede do coração humano e que ele sabe como restaurar a vida das pessoas.

Na sociedade machista de Israel no tempo de Jesus, uma mulher era considerada propriedade do marido. Ela deveria obedecer ao marido e servir a sua família. Deveria ser obediente, prendada e do lar. Mas parece que esse não era o caso dessa mulher samaritana. Ela não queria somente obedecer. Talvez ela quisesse conversar, dar a sua opinião, participar. Ainda hoje em dia – muitas mulheres são mal vistas, maltratadas, agredidas e assassinadas dentro de casa, porque não querem simplesmente obedecer.

A atitude de Jesus é pelo diálogo. Ele quer escutar essa mulher frustrada e mal tratada. Com isso Jesus nos mostra também qual deve ser o nosso papel como pessoas cristãs e como igreja. Nossa primeira atitude diante das pessoas solitárias e maltratadas - deve ser escutar. Como poderemos falar de Deus, sem antes olhar e escutar o sofrimento, as frustrações das pessoas?

Portanto, Jesus ao conversar com aquela mulher samaritana, ele quer conversar também conosco, como membros de sua igreja. Quem segue ao Jesus dos Evangelhos, ao Filho de Deus, não tem a tarefa de achar-se um representante da lei e da moral. Nossa tarefa é ser um representante da misericórdia de Deus. Nossa tarefa é fazer com que as pessoas se sintam acolhidas e queridas entre nós. Atitudes assim geram confiança.

Já dizia o bispo Agostinho (354-430 dC) que para conhecer uma pessoa ou uma igreja, não devemos perguntar o que essa pessoa ou igreja pensa, mas devemos observar o que essa pessoa ou essa igreja pratica. A confissão de fé em Jesus não se faz somente com palavras, mas principalmente com atitudes. As pessoas cristãs são convidadas por Jesus a melhorar os relacionamentos com nossas atitudes. Atitudes de escuta. Um seguidor ou seguidora de Jesus deve olhar para o sofrimento das pessoas.

A mulher samaritana que foi escutada por Jesus, torna-se uma pessoa missionária. Ela conta a outras pessoas o que lhe aconteceu e muitas outras pessoas vão ao encontro desse Jesus que sabe escutar. A escuta é o caminho da restauração da vida de pessoas maltratadas e desiludidas. Jesus ficou ali por dois dias. Essa a atitude de ter tempo para escutar as pessoas, é o que Jesus espera encontrar na sua igreja e também em cada um(a) de nós.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus nosso Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam entre nós. Amém.

 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Paranapanema / Paróquia: Curitiba - Igreja de Cristo
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Área: Missão / Nível: Missão - Mulheres
Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 4 / Versículo Inicial: 5 / Versículo Final: 42
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 55408
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