Sínodo Mato Grosso



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Relatório Sinodal 2015

04/06/2015

Relatório (reflexivo) para XIX Assembleia Sinodal – 04-06.06.2015
1. Introdução
Então, Jesus perguntou: sobre o que
vocês estão conversando pelo caminho?
Lc 24.17
Falar de pessoas que estão a caminho cria, de imediato, uma identificação com aqueles que fazem parte da IECLB no Sínodo MT. Aqui poucos residem no lugar onde nasceram. A própria logomarca do Sínodo inclui um caminho, remetendo à história da maioria de nós. Estar a caminho também remete à mobilização das pessoas para participar da vida comunitária. Estar a caminho tem tudo a ver com a logística de deslocamentos que envolvem a realização de uma Assembleia Sinodal.
Aqueles/as que deram formas ao Tema da IECLB para este ano foram muito felizes na escolha do Lema bíblico. Do conhecido texto dos discípulos a caminho de Emaús os autores destacaram uma pergunta que expressa o interesse de Deus pelo ser humano. Ao mesmo tempo, a pergunta nos faz refletir sobre os assuntos que estão em nossa boca no cotidiano. Como a boca fala daquilo que o coração está cheio, cedo, descobrimos que a pergunta feita por Jesus aos discípulos e, hoje, dirigida a nós não é tão ingênua quanto possa parecer num primeiro momento. Ao contrário, é pergunta que provoca, inquieta e desafia.
A Assembleia Sinodal é por si só um belo espaço para a conversa. Conversa que inicia com os companheiros/as de viagem. Conversa que é abundante nos reencontros. Conversas predominantemente animadas, alegres e cheias de gratidão. Outras vezes, conversas mais serenas porque, assim como em Emaús, também entre nós há preocupação, tristeza e dor. Também há lugar para conversas mais acaloradas na discussão de algum assunto onde há opinião diversa.
O presente relatório (reflexivo) também é fruto de conversas ao longo do caminho. Conversas com membros e lideranças, conversas com a diretoria do sínodo, conversas com ministros/as, conversas comigo mesmo... E a minha conversa com Deus (oração) é de que ele nos ajude a caminhar na direção certa.

2. Passou a Copa do Mundo
Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes.
E quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes.
Lc 16.10
A nossa última Assembleia Sinodal aconteceu em meio à Copa do Mundo. Já andávamos um tanto indignados com as notícias sobre a condução das obras. Ainda assim, naquele momento, a festa estava bonita. A organização estava melhor do que supunham os pessimistas. Em dado momento veio aquele jogo... Vocês sabem de qual estou falando. Depois viriam as eleições estaduais e nacionais. Discussão política em ebulição, a corrupção ocupando o maior espaço nos meios de comunicação, a economia acendendo a luz amarela, povo saindo às ruas em protesto...
É nesse meio que caminhamos como IECLB no Sínodo MT. As nossas conversas pelo caminho incluem os assuntos acima mencionados. E como incluem! Fazemos análises e emitimos os nossos juízos. À luz do Evangelho é muito positivo que os grandes temas da sociedade estejam em nossa pauta. Estamos no mundo e é nele que Deus nos chama para sermos sal e luz. Seria lamentável se chegasse o dia em que perdêssemos a indignação com a injustiça, com a corrupção, com a violência. Seria lamentável se chegasse o dia em que não mais nos sentíssemos responsáveis pela dignidade do ser humano e pela preservação da criação de Deus.
Ao mesmo tempo, a nossa conversa sobre estes assuntos precisa ter a coragem de perguntar pela coerência. A ética cristã, fundamentada o Evangelho de Jesus Cristo, traz indignação com o que se passa em Brasília ou em Cuiabá. Mas diz também diz que o nosso testemunho começa nas pequenas coisas. Desde Adão e Eva, carregamos conosco a maior facilidade de ver a culpa do outro do que em assumir a parte que nos cabe. Neste sentido, o nosso desafio ético, como cristãos de confissão luterana, é zelar para que o “jeitinho brasileiro” – sinônimo de corrupção aceitável – não se impregne em nossos valores. A tentação é grande e permanente. Eis um assunto sobre o qual precisamos conversar mais pelo caminho.

3. Destaques do último período
Compartilho a seguir alguns pontos/destaques neste último ano:
3.1 – Planejamento 2015-2018
Desde a última Assembleia estamos empenhados na construção de um Planejamento básico para o período 2015-2018. Na verdade, trata-se de um esboço que coloca temas e metas centrais que vão nos orientar nos próximos anos. O mais importante é perceber que o resultado é fruto de construção conjunta. A sistematização e diagramação final contaram com especial dedicação da Ema M. D. Cintra, nossa representante no Conselho da Igreja. Percebo este planejamento de forma semelhante a uma construção com pré-moldado. A estrutura está aí. Agora é hora de levantar as paredes, fazer o piso, pensar no acabamento... Este processo depende da nossa criatividade e empenho nos âmbitos sinodal, setorial e local.
O objetivo maior é estarmos em sintonia com o Plano de Ação Missionária da IECLB – PAMI – fazendo com que as nossas principais ações comunitárias venham de reflexão e construção conjunta. O 2º Seminário de Formação de Assessores/as do PAMI realizado aqui na Chapada dos Guimarães nos dias 11 e 12 de abril teve o propósito de preparar mais pessoas para que o Planejamento Missionário chegue às comunidades que ainda não deram este passo, e, ao mesmo tempo, fortaleça aquelas que já caminham na proposta.
No segundo semestre teremos duas tarefas direta e indiretamente relacionadas a planejamento. Em outubro teremos o Encontro para a formação das equipes sinodais de avaliação de Campos de Atividade e ministros/as. As avaliações a serem conduzidas a partir de 2016 em nova modalidade por estas equipes terão como subsídio os relatórios das comunidades, paróquias e ministros/as a serem enviados ao Sínodo já no final deste ano. Os relatórios terão como referência o planejamento de cada comunidade e paróquia. Vale sublinhar: avaliações não têm caráter de ingerência. Avaliações fazem parte de um processo que para os cristãos se estende por toda a vida. A função da avaliação é pedagógica e quer ser instrumento de ajuda na caminhada. Este assunto ainda será tratado como assunto de pauta nesta assembleia.
3.2 – Trabalho com jovens
Dizem as conversas pelo caminho que é pequena a participação dos jovens na vida comunitária. Em algumas comunidades de fato é assim. No entanto, em várias comunidades, com apoio de ministros/as, os jovens estão mobilizados. Em julho de 2014 a participação de jovens do Sínodo no CONGRENAJE em Rondônia foi muito expressiva. Os retiros de carnaval deste ano nos setores Norte e Leste (Centro-Sul) reuniram mais de 300 jovens. Quem esteve presente nestes encontros percebeu o ânimo dos jovens e o seu protagonismo.
Um dos frutos da mobilização dos jovens foi a realização de um encontro de lideranças jovens e ministros/as, juntamente com o p. sinodal, em fevereiro deste ano em Cuiabá. Iniciamos assim a organização de uma Coordenação Sinodal da JE, cujo Regimento Interno será colocado para apreciação do Conselho Sinodal em dezembro. No horizonte já há várias programações previstas: encontros setoriais em 2016, CONGRENAJE 2016 e encontro sinodal em 2017. Para dar mais visibilidade, os jovens terão um espaço nesta assembleia para compartilhar sobre as suas atividades.
Outro dado interessante e diretamente relacionado ao trabalho com jovens é o número de estudantes de teologia nos três centros de formação da IECLB oriundos do Sínodo MT. Atualmente são 14! Proporcionalmente ao número de membros, possivelmente sejamos o sínodo que mais tem despertado vocações nos últimos anos, motivo para muita gratidão. Além disso, seis jovens do sínodo estão na Associação Diacônica Luterana – ADL - no Espírito Santo.

3.3 – Música
Cantem a Deus, o Senhor, uma nova canção.
Louvem a Deus na reunião dos seus servos fiéis.
Louvem a Deus, o Senhor, com danças e,
em louvor, toquem pandeiros e liras.
Sl 149.1,3
A música apareceu com destaque quando trabalhamos no planejamento sinodal. A música acompanha a igreja luterana desde os primórdios. Melhor seria dizer, a música acompanha o povo de Deus desde os tempos bíblicos. Quase não se consegue dissociar a fé da música. As conversas pelo caminho sempre de novo sublinham a música como meio fundamental para envolver as pessoas, especialmente os jovens, na vida comunitária. Um pouco mais difícil é responder à pergunta de como trabalhar música em âmbito sinodal.
Percebe-se, no entanto, belas iniciativas em âmbito local. Algumas comunidades estão investindo na área, preparando pessoas para conduzir os hinos, conduzir o louvor. A Comunidade de Tangará da Serra fez um projeto específico para que a música seja adequada e envolvente, especialmente nos cultos comunitários. Outras comunidades, mesmo sem um projeto específico, trilham caminho semelhante.
Também há iniciativas bonitas nos setores. O Setor Leste realizou há poucas semanas um seminário de liturgia e música, com mais de 40 participantes, contando com a presença da coordenadora da área da música na IECLB. Há indicativos que os outros dois setores farão o mesmo no próximo ano. Aliás, seminários sobre liturgia e música tornaram-se quase uma necessidade, pois o lugar da música no culto requer atenção e reflexão. Não raro, faz-se da música apenas um meio de preencher as outras partes do culto, perdendo-se a sintonia com o todo.
Em 2017, no ano do Jubileu da Reforma, será lançado o novo hinário, fruto do trabalho minucioso de uma equipe qualificada e representativa do conjunto da IECLB, também representativa da sua diversidade teológica. Podemos, pois, ter a melhor das expectativas. Como poderemos nos apropriar da melhor maneira do novo hinário? Lembro, neste sentido, que entre os ministros e ministras que estão no sínodo neste momento o dom da música está em evidência. Eis uma razão a mais para não perdermos a oportunidade de sermos ousados e criativos no preenchimento do “pré-moldado” acima mencionado.

3.4 - Generosidade e Gratidão
No entanto, o meu povo e eu não podemos,
de fato, te dar nada, pois tudo vem de ti,
e nós somente devolvemos o que já era teu.
1 Cr 29.14
A história da IECLB no Mato Grosso e estados vizinhos é relativamente recente. Há 40 anos havia apenas pequenos começos. Tivemos muito apoio externo. Ainda hoje recebemos auxílio: Oferta Nacional, Fundo de Solidariedade dos Sínodos, projetos apoiados pela Campanha Vai e Vem e da OMEL e da Igreja da Baviera. Temos muito a agradecer pela solidariedade que experimentamos no passado e no presente.
Por outro lado, hoje 70% dos Campos de Atividade Ministerial do Sínodo são autossustentáveis. Já temos muito para compartilhar. As nossas campanhas Vai e Vem, ano após anos, tem expressado de forma concreta a nossa gratidão. No geral, percebe-se muita alegria em torno da Campanha. Há vontade em participar. Foi assim em 2014 e temos a convicção de que assim também será em 2015.
Além disso, por proposta que surgiu e foi aprovada pelo Conselho e pela Assembleia Sinodal, ousamos fazer uma Campanha para aquisição do veículo para a Capelania e, ainda, o desafio para destinarmos algumas ofertas locais para complementar o valor investido na troca do veículo do Projeto Sul do Pará. Os números que temos até aqui sinalizam que vamos chegar ao objetivo proposto.
As iniciativas mencionadas tem significado especial, pois estamos superando a tendência de, diante da necessidade, logo pensar em auxílios externos. A generosidade é fruto da gratidão. É a fé que se traduz no gesto concreto em favor da causa do Evangelho. Como dito no versículo acima, estamos aprendendo a devolver para Deus um pouco daquilo que, de fato, já pertence a ele.

3.5 - Parceria com Syke-Hoya
Esta Assembleia coincide com a visita da delegação do Kirchenkreis Syke-Hoya – uma parceria que estende por quase 25 anos. Temos a oportunidade de receber os visitantes em nosso meio, exercitando a hospitalidade e fortalecendo a comunhão. O convívio com irmãos e irmãs da Igreja Luterana da Alemanha permite partilhar o nosso jeito de ser igreja. Em alguns aspectos temos bons testemunhos a dar, em outros, temos muito a aprender. Um importante desafio é superar a barreira linguística. Alguns de nós vão remexer o dialeto guardado no do fundo do baú. Já percebi que os alemães fizeram e farão um esforço para saber o básico do português. É um belo exercício de fraternidade!
Manter uma Parceria por tanto tempo é uma arte. Como uma amizade, a Parceria precisa ser alimentada. Prevalecem até aqui os motivos para a alegria e a gratidão. Desejamos que as três semanas de estadia da delegação seja um tempo abençoado, tanto no convívio com as comunidades, como também nos momentos de descontração e de conhecer alguns pontos turísticos do Mato Grosso, como Chapada dos Guimarães, o Pantanal e Nobres. Os temas que norteiam a visita são: a formação/ participação de lideranças na vida comunitária e a diaconia. Se não houver nenhum contratempo, daqui a dois anos será a vez de uma delegação nossa colocar o pé na estrada.

4 – Cuidar e ser cuidado
Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim;
eu os segurei nos braços como quem pega uma criança no colo.
Eu me inclinei e lhes dei de comer.
Is 11.4
A palavra cuidado tem ocupado lugar de destaque na IECLB nos últimos anos. Ouviremos mais sobre ela na palestra/tema desta Assembleia através do assessor teológico da Presidência, P. Dr. Romeu Martini. O cuidado traduz uma importante dimensão do Evangelho. Já no Antigo Testamento, Deus mesmo se apresenta como aquele que, qual mãe, nos atrai e nos segura nos seus braços. Quem não gosta de ser tratado com atenção e cuidado? A necessidade é ainda maior quando estamos fragilizados.
Na Capelania Hospitalar a dimensão do cuidado está em primeiro plano. Aliás, a valorização do trabalho da Capelania chega a impressionar. Por um lado, isso está relacionado com os dons do ministro que ocupa a função. Por outro lado, tenho a impressão que a valorização do cuidado na hora mais difícil da vida apenas reforça o quanto precisamos dele em todos os momentos. O ritmo e os hábitos da sociedade moderna deixam aí uma lacuna em aberto. Possivelmente uma das tarefas mais importantes da comunidade e, em especial, dos ministros e ministras é perceber e agir pastoralmente ali onde as dores, nas suas mais diversas formas, se fazem presente. Em nosso tempo, a igreja apenas terá consistência missionária se for terapêutica.
Assim como os membros e as lideranças da comunidade precisam de cuidado, assim também os seus ministros e ministras. Nas conversas pelo caminho ouço bonitos testemunhos de como pessoas foram cuidadas pelos seus ministros. Ouço igualmente testemunhos onde ministros e ministras experimentam esse cuidado por parte da comunidade, em especial, pelas lideranças. Claro, nem sempre é assim. Por outro lado, esse cuidado também é tarefa do p. sinodal. Fico feliz quando consigo ir ao encontro. Fico frustrado quando, por alguma razão, fico aquém do que deveria.
Uma iniciativa diretamente relacionada ao cuidado foi o Curso para Capacitação Qualificada de Líderes, cuja terceira e última etapa foi realizada no mês de março, com assessoria da Pa. Mariane Beyer Ehrat. Foi um curso de cunho terapêutico que contou com a participação da grande maioria dos ministros e ministras do Sínodo. Além do benefício pessoal, o curso também preparou melhor para a tarefa que os ministros e as ministras têm em seu respectivo Campo de Atividade. O investimento de tempo e de recursos, compartilhado entre participantes, sínodo, paróquias e projeto, valeu a pena. A avaliação do curso foi muito positiva. Ficou um sentimento de “que pena que terminou!”.
Na Atualização Teológica e nas Conferências Ministeriais de setembro será a hora de sonharmos juntos e, quem sabe, construir uma nova possibilidade de curso, com vistas a nossa formação continuada. Daqui até setembro temos tempo para pensar e propor. A questão fundamental será pensar um tema que seja relevante para o conjunto dos/as ministros/as do sínodo, para os mais jovens e para os mais experientes. Um tema que seja igualmente relevante para melhor exercer o ministério que nos foi confiado.


5 – Desafios
5.1 – Preenchimento das vagas
Percebe-se no Sínodo um ou outro momento de maior estabilidade no que diz respeito à permanência de ministros/as nos Campos de Atividade. Por sinal, vários deles fizeram “migração interna” nos últimos anos. No geral, porém, continua sendo um desafio diminuirmos as mudanças frequentes, que acorrem pelas mais diversas razões. Somente no primeiro semestre deste ano foram seis instalações. E ainda teremos outras.
Quero ressaltar, no entanto, a disposição daqueles colegas que chegaram ao sínodo, seja por envio ou por candidatura. No caso de quem veio por candidatura, o período de duração dos Termos de Atividade Ministerial formalizados sinalizam o propósito do/da ministro/a e do Campo de Atividade por uma permanência mais prolongada. Esta estabilidade fortalece as paróquias e ajuda a dar efetividade nos planejamentos, tanto em âmbito local como sinodal.
5.2 – O cuidado com a unidade
Uma das características do nosso tempo á a tendência à fragmentação. Vivemos um tempo em que o individual predomina sobre o coletivo. Estamos menos preparados para permanecermos juntos quando as ondas assolam o barco da vida. Esse fato pode facilmente ser observando no âmbito familiar. E sequer precisamos pensar na vida dos outros, pois é muito provável que podemos vê-lo bem próximo de nós. Cabe a tarefa de substituir os nossos juízos – sempre tão rápidos – por iniciativas que reforcem a comunhão e a capacidade de abrir mão de algo para somar e compor. Na palavra de Deus não faltam subsídios para tanto.
A tendência à fragmentação não atinge apenas o contexto familiar, mas também o comunitário. O número de novas igrejas cresce a cada dia. Parece que todas encontram adeptos. Não poucas pessoas vão de denominação em denominação, muito mais na busca de um “deus” que atenda às suas vontades, do que na busca pelo Deus da Bíblia, que vem, sim, ao encontro do ser humano, mas cujo seguimento implica compromisso. Caminhar junto quanto o vento assola o barco é desafio para as nossas comunidades.
Ser comunidade cristã de confissão luterana, entre outras implicações, requer a humildade de reconhecer que não somos donos da verdade. Continuamos sendo míseros pecadores e pecadoras que, diariamente, colocam-se diante do seu Senhor e Salvador, em busca de orientação. Lemos a Bíblia perguntando-nos por aquilo que promove a Cristo. Não somos episcopais, em cujo modelo de igreja as decisões estão concentradas no clero. Não somos congregacionais, em cujo modelo tudo se decide conforme entendimento da comunidade local.
O modelo sinodal de ser igreja, construído ao longo do caminho e assumido pela IECLB não é um jeito fácil de ser igreja. É um modelo colegiado. O poder não está concentrado em uma ou outra pessoa. Nesse modelo tomar decisões é mais trabalhoso. O caminho escolhido envolve lideranças e ministros/as ordenados/as. É o sacerdócio geral de todos os crentes. As lideranças - não os/as ministros/as - são sempre maioria nos órgãos decisórios, seja em nível local, sinodal ou nacional. O Concílio é o órgão máximo da IECLB. Quem lá representa o sínodo foi indicado pelas comunidades e eleito em Assembleia Sinodal. O mesmo ocorre com as pessoas que compõem o Conselho e a Assembleia Sinodal.
A necessária humildade, acima mencionada, não deveria nos impedir de reconhecer as tantas coisas bonitas que fazem parte deste nosso jeito de ser igreja. Os estatutos e documentos normativos são fruto de propostas, discussões e decisões ocorridas ao longo do caminho. Temos ali o nosso norte. Pela função que exerço neste momento, sei que o meu testemunho pode ser suspeito. Ainda assim, quero afirmar: nenhum dos outros modelos me atrai ou anima. As conversas pelo caminho dizem e confirmam que temos neste jeito de ser igreja um bem muito precioso. Que Deus nos ajude a vencer o espírito da fragmentação e nos faça perseverar (teimosos!) no diálogo para que a unidade prevaleça.
5.3 - Mudança na Secretaria do Sínodo
Um desafio que esteve em nossa pauta no último ano foi mudança na Secretaria do Sínodo. Com a saída da Creusa em meados de 2014 a Fabiane M. F. Feltz assumiu a função de Secretária Executiva de forma provisória. Em poucos meses, além de “segurar as pontas”, ela nos ajudou a dar os primeiros passos para mudarmos a forma de lançamento de dados em nossas planilhas. Começávamos a construir uma nova metodologia.
A partir de janeiro deste ano, o Carlos Armange assumiu a Secretaria Executiva. Rapidamente ele se apropriou de boa parte das atribuições da função. Com a ajuda de um membro da Comunidade de Cuiabá, construímos um programa para lançamento de dados financeiros e contábeis. O mesmo está em fase de conclusão e permitirá maior precisão nos lançamentos, além de fornecer, a qualquer momento, planilhas com informações variadas sobre execução orçamentária.
Uma mudança na secretaria do Sínodo não acontece sem turbulência. Em algumas situações, as comunidades não puderam ser atendidas com a devida agilidade. No entanto, a crise da mudança permitiu que fizéssemos a inovação acima mencionada. Temos, pois, também aí razões para a gratidão e a alegria.

6. Considerações finais
Relatórios são incompletos. Este também é. Sempre procuro destacar os assuntos que considero mais candentes. Não me atenho muito a dados como: número de visitas, quilômetros rodados, etc. De todo o modo, a prioridade continua sendo estar, ao menos, uma vez por ano em cada Campo de Atividade Ministerial. Normalmente isto tem sido possível. Mas, também há casos em que vou três ou quatro vezes para o mesmo Campo de Atividade. Isto depende muito da necessidade e de programações específicas. Os encontros nacionais também demandam tempo e são necessários: reuniões da Presidência da IECLB com pastores/as sinodais, bancas de colóquio para o Período Prático, comissões...
Enfim, quero agradecer, antes de tudo àqueles com quem a gente mais conversa pelo caminho: o Carlos, a diretoria do Sínodo, o Vice-Pastor Sinodal, os familiares, os/as ministros/as, as lideranças e os membros das comunidades. Agradeço por carinho, por acolhida, por partilha e por paciência. Sinto-me abençoado pelas pessoas que Deus colocou à minha volta. É através delas que Deus faz arder o coração para seguir na jornada. Que, além das conversas que nos acompanharão nestes dias de assembleia, tenhamos ouvidos atentos para sermos orientados por aquele que caminhou com os dois discípulos no caminho de Emaús e hoje caminha conosco: Jesus Cristo!

Nilo O. Christmann - P. Sinodal
 


Autor(a): Sínodo Mato Grosso
Âmbito: IECLB / Sinodo: Mato Grosso
ID: 59037

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