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ID: 31

Neoqeav

22/03/2007

 

Meus avós já estavam casados há mais de cinqüenta anos e continuavam jogando um jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar.

A regra do jogo era que um tinha que escrever a palavra neoqeav num lugar inesperado para o outro encontrar e assim que a encontrasse deveria escrevê-la em outro lugar e assim sucessivamente.

Eles se revezavam deixando neoqeav escrita por toda a casa, e assim que um a encontrava era sua vez de escondê-la em outro local para o outro achar.

Eles escreviam neoqeav com os dedos no açúcar dentro do açucareiro ou no pote de farinha para que o próximo que fosse cozinhar a achasse.

Escreviam na janela embaçada pelo sereno que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim que ela fazia com tanto carinho. Neoqeav era escrita no vapor deixado no espelho depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.

Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar neoqeav na última folha e enrolou tudo de novo. Não havia limites para onde neoqeav pudesse surgir.

Pedacinhos de papel com neoqeav rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam. Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros. Neoqeav era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras e nas cinzas da lareira.

Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós quanto da mobília. Levou bastante tempo para eu passar a entender completamente e gostar deste jogo que eles jogavam. Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro.

Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós. Este amor era profundo. Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida.

Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar. O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam. Roubavam beijos um do outro sempre que se batiam um contra outro naquela cozinha tão pequena. Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro e todo dia resolviam juntos as palavras cruzadas do jornal.

Minha avó cochichava para mim dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso. Ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos.

Antes de cada refeição eles davam graças a Deus pelas bênçãos e por sermos uma família maravilhosa, e pediam a Deus para continuarmos sempre unidos e com boa sorte.

Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama. A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes. Como sempre, vovô estava com ela a cada momento. Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.

O câncer agora estava de novo atacando seu corpo. Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja toda manhã. E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa.

Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, orando a Deus para zelar por sua esposa. E então, o que todos nós temíamos aconteceu. Vovó partiu.

Neoqeav foi gravada em amarelo nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores do funeral da vovó. Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.

Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela. Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser.

Sentindo-me muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento. Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo representava.

 

 

Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando: Mas o que neoqeav significa? Não está?


Neoqeav = NUNCA ESQUEÇA O QUANTO EU AMO VOCÊ.

 

Autor(a) desconhecido(a)

 

Querida e querido internauta;

queridos Vati e Mutti; Sr. Carlos e Dª Edméa; Sr. Nelson e Dª Albânia, Sr. Helmuth e Dª Neusa...

O testemunho que lemos acima é simplesmente maravilhoso. É um testemunho que muitos podem vir a questionar se realmente foi assim. Outros talvez digam que isso é para poucos, muito poucos casais.

Encontramos e criamos dificuldades para acolher um testemunho tão bonito. Mas quero fazer apenas uma pergunta àquelas pessoas que acham que uma vida conjugal ou familiar não possa ser assim... tão bonita, tão amorosa, tão carinhosa... O que eles faziam que seja difícil ou impossível para nós fazermos hoje, com nosso cônjuge, com nossos filhos e filhas, com nossos melhores amigos e amigas?

Nada! Absolutamente nada! É simplesmente uma questão de atitude, de desejo de demonstrar carinho.

Atitude! Eis a palavra chave do texto. Também você e eu podemos optar por esta atitude na nossa vida do dia-a-dia. Basta querer!

Peça a Deus a disposição para este tipo de atitude, e você experimentará uma vida completamente nova, cheia de graça e de alegria.

 

Um forte abraço

Klaus Dieter Wirth, pastor

 

 


Autor(a): Paróquia de Uberlândia
Âmbito: IECLB / Sinodo: Brasil Central / Paróquia: Uberlândia (MG)
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Meditação
ID: 7347

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