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Jornada Nem Tão Doce Lar contribui para o fortalecimento de redes no Vale do Mucuri (MG)

17/09/2022

Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
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Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri (MG)
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Águas Formosas

A primeira parada da Jornada foi no município de Águas Formosas (MG), no âmbito do Sínodo Sudeste. As atividades iniciaram no dia 12, com uma formação para acolhedoras e acolhedores, e encerraram no dia 13, com a exposição itinerante e interativa montada na Praça Minas Gerais. O espaço, que traz a réplica de uma casa com sinais e pistas que ajudam a identificar sinais de violência, recebeu estudantes, com idades entre 15 e 18 anos de escolas públicas e particulares, e pessoas usuárias da APAE e de ONGs regionais. Por se tratar se uma cidade polo da região, a localização do evento abrangeu e impactou diferentes municípios do Vale do Mucuri.

A oficina realizada na sede do CREAS Regional Mucuri contou com a participação de aproximadamente 40 profissionais da rede de proteção e defesa de direitos de municípios da região. Para Brenda Rocha Santos, coordenadora do CREAS, o momento possibilitou reflexão e trocas de experiências, contribuindo para a qualificação das redes locais.

A didática proposta pela iniciativa é totalmente diferente do que é visto nas oficinas normalmente efetuadas pela rede. É um lugar de superação de estigmas, o que proporciona liberdade às pessoas que participam”, comenta.

Outro aspecto que chamou a atenção da advogada foi a capacidade lúdica da metodologia na abordagem do tema. “Foi surpreendente! As pessoas captavam os detalhes rapidamente e entendiam o objetivo. Espero termos essa experiência mais vezes”, complementa Brenda.

Segundo Victor Sales, psicólogo que integra a equipe do CREAS Regional, a metodologia permitiu uma abordagem ampla, alcançando diferentes públicos. “Ela contribuiu para que o tema fosse trabalhado com crianças, mulheres, homens, pessoas idosas, lideranças religiosas e estudantes. Por ter um aspecto lúdico, favoreceu uma maior abertura e acessibilidade com foco nos aspectos sutis da violência”, afirma.

A socióloga Letícia Viana Salomão afirma que a iniciativa conseguiu mobilizar diferentes segmentos, equipes e instituições. “As discussões feitas nesse encontro não se limitaram a tipificar violências explícitas praticadas contra as mulheres, mas ampliou-se na direção das violências implícitas. Nesse sentido, a transfobia também foi colocada em pauta. Sobre o processo de acolhimento, foi um momento ímpar”, conta.  

Teófilo Otoni

O segundo município visitado foi Teófilo Otoni (MG), onde a Jornada esteve entre os dias 15 e 17 de setembro. As atividades foram concentradas nas dependências da Associação Educacional Evangélica Luterana – AEEL (Internato Rural), que integra a Rede de Diaconia da IECLB e é ligada à Comunidade Evangélica de Teófilo Otoni (CETO). Cerca de 60 profissionais que integram a rede socioassistencial do município estiveram presentes na oficina de formação de acolhedoras e acolhedores, realizada no dia 15. A intensa programação contou com visitação à exposição e apresentação de estudante de música da AEEL nos intervalos.

Grace Falconi Kriebel, coordenadora de projetos sociais da AEEL, comemorou o resultado do trabalho coletivo que possibilitou a realização de ações que não estavam previstas. “A FLD, juntamente com a AEEL e em parceria com o Instituto Sustentabilidade e CRDH Mucuri, trouxe mais de 20 instituições que atuam na proteção e defesa dos diretos de criança, adolescentes e mulheres. Tivemos visitas de escolas, entidades sociais, grupos de pessoas idosas e pessoas com deficiência. Houve atendimentos individualizados com apoio de profissionais e participação do Conselho Tutelar”, comenta.

A equipe do CRDH Mucuri, organização da sociedade civil ligada à Associação de Bairros de Teófilo Otoni (ABTO), esteve envolvida no processo de articulação e organização do evento. Para o grupo, a presença da Nem Tão Doce Lar na região vai ao encontro de uma demanda apresentada por um contexto social, econômico e político de violações de diretos das mulheres.

Destacamos a importância da metodologia “Nem Tão Doce Lar” no processo de sensibilização e fortalecimento na articulação das redes de enfrentamento, uma vez que essa propõe a formação dos profissionais atuantes em rede. Ademais, durante a visitação nos municípios (Águas Formosas e Teófilo Otoni) foi possível perceber o quanto os elementos simbólicos da exposição impactaram e emocionaram o público, até mesmo evidenciando casos para acompanhamentos da rede”, afirma a equipe em mensagem compartilhada com a FLD.

Andressa Suzane, teóloga luterana e colaboradora do Instituto Sustentabilidade América Latina e Caribe, afirma que a violência doméstica ainda é tratada como tabu. “Não se fala sobre o assunto, principalmente em casa. Por isso, as escolas são lugares essenciais para a sensibilização e a conscientização para a denúncia. É preciso falar sobre o tema, é preciso saber identificar os sinais, é preciso denunciar e romper o ciclo da violência”, enfatiza.

Durante as visitações à exposição, os grupos participaram de rodas de diálogo com acolhedoras e acolhedores que participaram da oficina de formação. O livreto Nem Tão Doce Lar – Uma vida sem violência é um direito humano foi entregue a educadoras e educadores para que seja utilizado como subsídio nas formações sobre o tema dentro das escolas, – conforme previsto na Lei 14.164/21. Tal decreto altera a Lei 9.394/96 (Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para incluir conteúdo sobre a prevenção da violência contra a mulher nos currículos da educação básica e instituir a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, a ser celebrada todos os anos no mês de março.

Para Cris Mattos, coordenadora da Casa da Mulher, a programação alcançou o seu objetivo de sensibilizar e incentivar denúncias. “O mais forte nesse projeto é perceber os olhares que cada pessoa tem na visitação da casa. Ela é gatilho para traumas, mas também é reflexão e sinal de alerta. Enquanto Casa da Mulher, nos sentimos muito gratas por participar desse projeto e, principalmente, por percebermos como é importante o papel de cada serviço no atendimento e no enfrentamento da violência doméstica”, conclui.

A Jornada Nem Tão Doce Lar no Vale do Mucuri começou a ser articulada em 2019 quando a exposição estava de passagem pela região durante a Campanha de 21 Dias de Ativismo pelo Fim do Racismo e da Violência contra as Mulheres. A parceria entre a AEEL e a FLD possibilitou o diálogo com outras organizações que atuam na rede socioassistencial na região, permitindo um retorno da exposição abrangendo mais municípios e instituições.

As atividades realizadas no ano de 2022 contam com o apoio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) através do Fundo de trabalho com vítimas de violência doméstica, constituído a partir do plano de ofertas nacional.

A Jornada também foi destaque na imprensa local. Confira matéria produzida pela TV Leste:

A Deus, aos pais e aos mestres, nunca se poderá agradecer e recompensar de modo suficiente.
Martim Lutero
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