Eleições 2010

Carta Pastoral da Presidência

19/08/2010

Estamos mais uma vez diante de eleições majoritárias em nosso país. Em breve iremos às urnas para ajudar a escolher presidente/a, governadores/as, senadores/as, deputados/as estaduais e federais. Trata-se de um exercício de cidadania dos mais importantes. No entanto, a oferta de partidos, propostas e candidatos é grande. Como escolher? Em que proposta votar? Como cristãos podemos ajudar neste processo?

O voto é um dos elementos centrais da democracia. Cada pessoa com idade préestabelecida na lei tem direito a um voto. Ninguém tem mais, ninguém tem menos. Maravilha, não é? Mas nem sempre foi assim. Houve tempo, nem tão distante em nosso país, em que algumas pessoas decidiam pelo povo. Já pensaram se ainda vivêssemos sem poder votar? Felizmente, esses tempos são idos. Mas não está tudo resolvido. O processo eleitoral ainda tem seus problemas. A falta de interesse, a indiferença e o desânimo de boa parte dos eleitores ainda são desafios a serem superados. Como também o é a ganância pelo poder de pessoas que colocam em primeiro lugar seus interesses pessoais ou corporativos.

Não se pode subestimar a diferença que um simples voto pode fazer. Quem vota se torna corresponsável pela proposta que apoiou. Se votou em quem não tem proposta, terá que conviver com isso pelo tempo do mandato da pessoa eleita. Ou, pior ainda, se votou em quem já demonstrou desonestidade, será em parte responsável por mais desonestidade. O voto pode ser comparado a um cheque assinado em branco. Precisamos saber muito bem a quem estamos confiando esse cheque.

Uma das definições mais simples e profundas diz que política é a arte de fazer o bem comum. Se todas as pessoas que ocupam cargos públicos eletivos seguissem essa máxima, com certeza não haveria políticos escondendo maços de dinheiro em meias, bolsas ou peças íntimas. O simples fato de tais denúncias serem levadas ao público revela em si um avanço que, se ainda pequeno, tende a crescer a partir da indignação popular e da busca por justiça.

Toda igreja que confessa Jesus Cristo como Senhor e Salvador possui grande responsabilidade pública. Isto porque a atuação do próprio Jesus teve reflexos importantes para dentro da sociedade em que se encontrava. Pregava a conversão espiritual, de cunho pessoal, mas também propunha mudanças radicais na maneira como nos relacionamos com nosso próximo e como nos organizamos em comunidade. Estruturas materiais de poder lesivas ao interesse comum foram radicalmente criticadas. A atuação de Jesus e a proclamação acerca de Jesus como Senhor tiveram claros reflexos para dentro da sociedade e da política.

Como membros da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB e da Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB, representando aproximadamente 90% dos luteranos no país, não queremos nem podemos fugir da importante tarefa de votar. Somos igreja de Jesus Cristo no Brasil e, portanto, corresponsáveis por aquilo que aqui acontece. Cremos que nossa fé atua no amor, e que este se traduz em ações em favor de tudo o que é preciso para uma vida digna. Muito daquilo que faz parte dessa vida digna depende de decisões políticas. Assim, fé e ação política não se excluem. A ação política dos cristãos é decorrente de sua fé. E o exercício do voto é de extraordinária importância na ação política. Quem acha que não faz política já está fazendo-a através de sua omissão, que sempre favorece quem ocupa o poder, muito possivelmente não em favor das necessidades do povo. Segundo Lutero, um “bom governo” faz parte do “pão nosso”, pelo que Jesus nos ensinou a interceder. Com nosso voto podemos ajudar a constituir um bom governo.

Uma igreja não tem nem pode ter partido político; no entanto, ela não é apolítica. Todo o seu trabalho e sua atuação têm implicações políticas. Um dos papéis da igreja é justamente trabalhar para que toda a sociedade, incluindo os partidos políticos, se empenhem para que a vontade de Deus em favor das pessoas seja feita também na esfera social e política.

Como cidadãos luteranos, integrantes de um país, somos pessoas politizadas. Podemos e devemos ser sal e luz no mundo (Mateus 5.13 e 14) e, diga-se de passagem, “mundo” é ali onde vivemos, em casa, na escola, no nosso trabalho, no bairro, na cidade etc. Portanto, antes de votar, ouça, pesquise, indague, questione, proponha, selecione. Escolha quem você realmente crê que irá desenvolver um bom mandato, em favor de uma vida digna para todas as pessoas, em favor de uma sociedade solidária e justa.

Porto Alegre, 19 de agosto de 2010


Walter Altmann                             Egon Kopereck
Pastor Presidente da IECLB         Pastor Presidente da IELB
 


Âmbito: IECLB
Área: Missão / Nível: Missão - Sociedade
Área: Ecumene / Organismo: Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB
Natureza do Texto: Manifestação
Perfil do Texto: Manifestação oficial
ID: 12582
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