A Morte faz parte da Vida

03/10/2019

Jesus Cristo diz: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Jo 10.10.

O que fazer quando a vida abundante parece não mais ser perceptível? O que fazer quando as perdas e os muros da vida se apresentarem insuportáveis e intransponíveis? Onde encontrar socorro, ajuda, apoio e compreensão?

Numa sociedade em que as vitórias e triunfos são endeusados, temos dificuldades de reconhecer perdas e derrotas que são computados na conta de pessoas fracas e despreparadas para a vida. Consolar pessoas de seus fracassos espiritualizando a situação também não ajuda. Citar um texto bíblico para quem está fragilizado, não é a melhor saída ou mesmo socorro neste momento. Pode-se ter a falsa impressão que Deus de fato quis assim e eu não preciso mudar o meu comportamento ou atitude. A espiritualização pode não ser curativo nem promotor de mudanças necessárias para a vida. Da mesma forma como dizer a uma pessoa faminta, nós vamos orar por ti que Deus te dê comida, não diminui sua fome.

A vida humana está cheia de altos e baixos, ganhos e perdas, alegrias e tristezas. Não há pessoa que seja sempre feliz e realizada ou não duvide em sua vida de fé, por exemplo. Idealizar uma família, um estilo de vida, um comportamento, uma forma de crer, uma ideologia pode nos dar foco na vida, mas jamais perfaz o todo dela. A vida de pessoas ricas ou de pessoas tementes a Deus estão marcadas por uma diversidade de altos e baixos. A vida pode ser comparada com um eletrocardiograma. Quando o gráfico não tem oscilações é sinal de alerta e de que algo não está bem, necessitando de cuidados e atenção redobrados. O segredo está em saber lidar tanto com os fracassos quanto com as vitórias.

A morte faz parte da vida. Todas as pessoas que nascem um dia morrerão. Contudo, temos grandes dificuldades de abordar este assunto em prédicas, estudos bíblicos, diálogos no dia a dia. Este assunto parece tabu para a sociedade em geral. Tem-se a impressão que morte é um assunto proibido ou de gente que quer morrer. Suspeito que nesta fuga de uma abordagem sóbria possamos encontrar respostas para a nossa incapacidade de tratar das perdas, derrotas, fracassos e limitações humanas. A lei do mercado e a teologia da prosperidade que tem a vitória como sinal de bênção e presença de Deus, têm dificuldades de lidar com a morte e as perdas naturais e constitutivos da pessoa humana. Demonizar o fracasso e a derrota não trata adequadamente do assunto e só traz mais sofrimento.

Compreender que a vida humana tem limites que não podem ser ultrapassados nos torna mais humildes e empáticos com irmãos alegres e tristes, deprimidos e eufóricos ou, simplesmente, de bem com a vida. Saber que a morte faz parte da vida requer de nós equilíbrio e sobriedade em todas as questões que se nos apresentam ao longo de nossos dias. Outro ganho é que aprendemos a sonhar com os pés no chão, evitando frustrações e decepções, não colocando expectativas inatingíveis ou divinas.

Saber que todos os seres humanos são pecadores e carecem da graça de Deus, ajuda a entendermos que as pessoas podem e vão falhar. Assim a Igreja continua sendo um hospital de pecadores e pecadoras em busca de cura e cuidado. Por outro lado, sabemos que somos pessoas pecadoras amadas por Deus e em Cristo santificadas, pelo Espírito Santo inspiradas a fazer o bem a quem necessita. A morte faz parte da vida e foi por Cristo vencida com sua ressureição. Nada mais nos assusta e pode nos separar do amor de Deus, pois para ele todas as pessoas vivem. Rm 14.8. Amém.
 


Autor(a): Pastor Sinodal Jair Luiz Holzschuh
Âmbito: IECLB / Sinodo: Uruguai
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Meditação
ID: 53570
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Arrisco e coloco a minha confiança somente no único Deus, invisível e incompreensível, o que criou o céu e a terra.
Martim Lutero
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