Documento de Campeche - O rosto da IECLB está mudando

16/07/2006


 DOCUMENTO DE CAMPECHE
O rosto da IECLB está mudando

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. ... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. João 1.1,14.
...será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um... Mateus 25.14s.

1. O Fórum Nacional de Missão da IECLB, realizado em Florianópolis, nos dias 13 a 16 de julho de 2006, reuniu cerca de 80 pessoas, oriundas dos 18 Sínodos, assessores/as e outros segmentos da igreja. Ele foi aberto com a lembrança das palavras bíblicas de Mateus 28.18-20 e de João 3.16, que apontam para o amor incondicional de Deus revelado em Jesus Cristo, centro e conteúdo da missão da igreja. Este Fórum foi de especial relevância para a avaliação dos objetivos que nortearam a elaboração do PAMI – Plano de Ação Missionária da IECLB (Chapada dos Guimarães/MT, 2000). Em sua palavra de abertura, o Pastor Presidente, Dr. Walter Altmann, ressaltou o significado deste Fórum para o momento atual da igreja, destacando cinco aspectos:

a)A igreja cristã é essencialmente missionária. Esta afirmação é hoje consenso na IECLB.

b)Há diferenças na concepção teológica de missão e na compreensão das práticas missionárias. O PAMI integrou diferentes dimensões na proposta de missão (evangelização, ecumenismo, diaconia, solidariedade, formação, administração). Elas querem ser vistas de forma complementar uma em relação à outra, constituindo uma visão integral ou holística de missão.

c)O rosto da IECLB está em transição. Isto não é perceptível de forma igual em todos os lugares e regiões. Em muitos lugares ela ainda é conhecida como igreja étnica e regional. Mas há mudanças neste perfil, como o mostram diversos exemplos Brasil afora. Isto implica em que mais e mais as pessoas necessitam de razões de convicção e de paixão para serem da e permanecerem na IECLB.

d)A IECLB vive a dupla realidade da perda de membros e do desafio de acolher os novos rostos, frutos da missão. Por isso, ela não pode mais restringir sua atuação ao acompanhamento de membros, mas deve incorporar a dimensão missionária em todos os seus níveis, buscando alcançar pessoas para além das fronteiras geográficas, culturais, étnicas etc. A pergunta crucial é, contudo, como ela o fará. Ela se lançará irrefletidamente no duro jogo da competição religiosa? Ela cairá na tentação escancarada de copiar modelos estranhos de outras igrejas? Ou saberá aprender das experiências religiosas mais diversas de fora da IECLB, integrando-as a sua tradição bíblica e confessional?

e)Hoje é necessário perguntar pelo rosto que a missão terá com a proposta confessional da IECLB. Ela não é uma igreja anti-pentecostal nem anti-católica. Sua identidade não se estabelece a partir de antagonismos. Ela quer, antes, ser propositiva no testemunho do evangelho de Jesus Cristo.

2. Missão a partir da IECLB – Um breve histórico

2.1. O P. Günter Wehrmann abordou o tema: Procurando responder ao desafio missionário. Alguns ‘flashes’ sobre a caminhada da IECLB desde 1990. Partindo do fato de que “nossas comunidades, já ao se formarem, tentavam dar testemunho do amor de Deus, em forma de palavra, gestos e sinais”, Wehrmann destacou, em sua retrospectiva, os principais documentos elaborados no âmbito da IECLB, a contribuição dos movimentos da igreja, os temas do ano, as contribuições do ministério compartilhado, da reestruturação da Igreja e do PAMI. Concluiu sua participação lembrando a importância da formação de lideranças na perspectiva do sacerdócio geral de todas as pessoas crentes e a necessidade de clarear quais projetos e parcerias são ou não sustentáveis diante da crescente escassez de recursos financeiros.

2.2. A Diácona Ingrit Vogt apresentou, a partir de um levantamento realizado junto aos 18 Sínodos da IECLB, diversos dados estatísticos como forma de avaliação da caminhada do PAMI:

a)O quadro apresentado em relação ao número de obreiros por membro mostra que não há obreiros sobrando na IECLB, mas infelizmente há falta de criação de novos campos de atuação ministerial.

b)O conceito de missão não foi entendido de forma uniforme em todos os lugares. Dá-se, em alguns casos, muita ênfase na missão voltada para dentro da comunidade; em outros, já se consegue avançar para além das fronteiras eclesiais.

c)Em relação às cidades com mais de 200.000 habitantes, destacou-se que algumas já foram alcançadas – a exemplo de Teresina, Santarém, São José dos Campos, São Luís e outras –, mas que esta meta ainda permanece como desafio.

d)A grande maioria dos Sínodos menciona que a questão financeira continua sendo um fator limitador para alcançar as metas.

e)As parcerias internas e externas foram insuficientes para alavancar mais sinais concretos de missão.

f)Falta-nos uma cultura de planejamento na IECLB. Não se registram, por exemplo, os dados referentes ao número de participantes de cursos. Há diversas iniciativas missionárias não suficientemente documentadas. Por isso, temos dificuldades para levantar e avaliar dados.

g)Em alguns Sínodos percebeu-se que um dos problemas reside no medo de ousar novos caminhos.

2.3. Nos diálogos posteriores à apresentação destes dados surgiu, de forma especial, a preocupação com a formação teológica em relação ao tema missão: Que tipo de visão missionária estudantes dos centros de formação desenvolvem no ensino? Da mesma forma, despontou a preocupação da visão de obreiros/as da IECLB em relação à missão: como trabalham questões como o dízimo, a sustentabilidade financeira, o planejamento comunitário e a visão missionária em suas comunidades? Observou-se ainda a necessidade de distinguir entre o número potencial e número real de membros das comunidades.

2.4. A Diácona Ingrit Vogt apresentou uma exposição sobre os mais de 100 projetos missionários da IECLB no Brasil, mencionando também as principais entidades parceiras no sustento dos mesmos. Uma série de fatores precisam ser levados em conta no desenvolvimento da missão:

a)O desenvolvimento e a execução de projetos missionário-diaconais merece acompanhamento especial. A estatística mostra que há 108 projetos que foram apoiados em 2005 com R$ 2.098.000,00. Em 2006 estes projetos serão apoiados com R$ 1.700.000,00. Estes projetos possuem planejamento apenas até 2009, sendo que hoje temos, praticamente, cerca de 100 campos de atividade ministerial dependendo de recursos do exterior. Há um prazo muito curto para que estes campos se tornem viáveis, o que requer uma avaliação rigorosa.

b)Constata-se que, em muitos lugares, os projetos não conseguem sair do patamar de membros existentes já há tempo, o que pode torná-los inviáveis. Há uma concentração de projetos no Sul do país, em especial em paróquias com muitos membros. São projetos que, em sua maioria, possuem parcerias do exterior.

c)É importante analisar as experiências missionárias que já estão sendo feitas. A partir dessas, faz-se necessário criar roteiros para o desenvolvimento, a análise e a avaliação de projetos.

d)O exercício da criatividade por parte de obreiros/as é visto como fator relevante no desenvolvimento de novos projetos e iniciativas missionárias.

e)Observou-se que, em alguns casos, existem projetos que merecem acompanhamento diferenciado, a partir de convicções evangélicas, mesmo sem perspectiva de se tornarem auto-sustentáveis.

f)Faz-se necessário realizar um levantamento do que as comunidades já investem em termos de iniciativas missionárias, para se ter um quadro mais preciso do que já realizamos. É importante valorizar o que já temos.

g)Na administração de projetos, precisamos de planejamento, prioridades e objetivos claros, transparência, prestação de contas e acompanhamento.

h)Para o futuro, é necessário distinguir com sabedoria entre projetos que realmente precisarão de apoio financeiro e projetos que deverão ter cortes de verbas.

i)Urge a criação de novas formas de atuação missionária, reconhecidas pela igreja.

j)Diante de comunidades/paróquias com dificuldades financeiras, sugere-se a criação de uma espécie de Fundo de Solidariedade Interparoquial.

k)A gestão financeira de projetos missionários e diaconais carece de uma abordagem mais aprofundada. É preciso criar uma cultura de transparência no lidar com os recursos financeiros.

l)Dos 125 grandes centros com mais de 200 mil habitantes, a IECLB está presente em 67.

m)Mesmo que muitas metas do PAMI não tenham sido alcançadas até o momento, houve avanços evidentes em diversos níveis e áreas geográficas, surgindo uma consciência maior do desafio missionário da igreja.

3. Carne é cultura – Contexto sócio-cultural e religioso no Brasil

3.1. O P. Ms. Arzemiro Hoffmann destacou a problemática da urbanização e os desafios dela decorrentes para a missão:

a)Constata-se hoje a ruptura da homogeneidade cultural católico-romana, o florescimento e o crescimento do pluralismo religioso.

b)Conforme o censo do IBGE de 2000, 15% da população brasileira se declarou evangélica, sendo que 10% afirmaram ser de tradição pentecostal. Registra-se ainda um considerável índice de pessoas que se declaram sem-religião (7,4%).

c)Igrejas tradicionais, entre elas a IECLB, experimentam uma certa estagnação. Há uma crise do modelo europeu do cristianismo.

d)Igrejas que registram crescimento, como a Assembléia de Deus, crescem por uma estratégia missionária de nucleação, baseada no missionário leigo. Há também um crescimento de ministérios evangélicos autônomos.

e)Em tempos pós-modernos, o sujeito define a sua crença e pertença religiosa. Há uma crescente individualização da fé e uma valorização do elemento místico.

f)Os grupos pentecostais fazem uma síntese entre suas origens pré-cristãs e o evangelho.

g)Afirma-se hoje a concepção da evangelização integral que alia fé, diaconia e cidadania.

h)A cidade é o locus da evangelização para o séc. XXI, uma vez que a maior parte da população do mundo se concentra em zonas urbanas e grandes centros. As demandas oriundas de comunidades urbanas exigem flexibilidade, para fazer frente a necessidades específicas.

i)Diante disso, percebe-se uma tensão entre a liberdade do Espírito e a institucionalização da fé.

j)Uma das implicações deste cenário é o desafio da formação de obreiros/as para o contexto urbano.

3.2. O P. Dr. Oneide Bobsin, falando sobre o mesmo tema, dividiu sua exposição em dois tópicos: 1. Igreja de Jesus Cristo; 2. No Brasil.
Sobre o primeiro, afirmou:

a)O ponto de partida para a missão é a encarnação de Deus em Jesus Cristo (João 1): Deus assume a encarnação humana, mas não assume a cultura e a religião integralmente – carne é cultura.

b)Em Mc 4.26ss Jesus fala da parábola da semente do Reino: nossa tarefa é semear, mas é Deus quem dá o crescimento.

c)Jesus Cristo é Rei e Senhor. Esta afirmação traz dificuldades para a experiência política, pois vivemos numa república. Mas, no campo da fé, ela é fundamental.

d)Jesus Cristo é o mediador. É ele quem faz a ligação entre a humanidade e Deus.

e)Os meios da graça são Palavra e Sacramento. Estes meios, entretanto, necessitam de mediações humanas.

Sobre o segundo tópico, Bobsin apresentou elementos do contexto e da religiosidade brasileira:

a)Há uma discrepância entre o país ideal e o país real (cf. M. Chauí).

b)O Brasil é um país mestiço, onde o fenômeno religioso tem várias componentes: catolicismo popular, espiritismo, umbanda etc.

c)O fenômeno religioso no Brasil pode ser designado a partir da metáfora do “sopão”, i. é, como uma mistura de elementos de diferentes procedências.

d)Componentes dessa religiosidade são: 1. Magia como manipulação do sagrado; 2. Religião como fundamento para a ética; 3. O sacrifício como instrumento para obtenção dos favores e bênçãos de Deus através de uma relação de troca (do ut des).

e)Esta prática religiosa é marcada por festa e emoção. Entretanto, parece que não há escatologia; prevalece a conquista do presente. É um esquema sem graça! (no duplo sentido).

f)O desafio que esta realidade nos coloca é o de sermos “sal”, sem a ilusão de resultados imediatos.

g)Que mediações iremos usar e como lidar com elas? (cf. linguagem religiosa; Fp 2.5-11).

h)Importante: Jesus se encarnou na cultura, mas questionou os seus absolutos, e por isso foi morto. Se questionamos a cultura, podemos não ser bem-sucedidos. Missão vive da dinâmica cruz e ressurreição.

3.3. Do Trabalho em Grupos destacam-se as seguintes contribuições:

a)O que é cultura brasileira? Como se inserir nesta cultura em sua diversidade? O trabalho missionário precisa ser construído a partir desta perspectiva. Neste contexto, não há um só modelo missionário, mas uma pluralidade de ações e jeitos de trabalhar.

b)O acolhimento sinaliza um aspecto central da evangelização neste país.

c)Como estabeleceremos a relação entre aspectos doutrinários e experiências enquanto vivência da fé?

d)É indispensável prezarmos os referenciais oriundos da Reforma, exercitados, contudo, a partir da pedagogia de Jesus.

e)Imprescindível é a valorização da formação de lideranças como protagonistas da missão e do sacerdócio geral de todos os crentes.

f)Importa anunciar o evangelho sem constranger as pessoas.

g)Os meios de comunicação precisam ser melhor utilizados para a divulgação do evangelho.

4. Os muitos rostos da missão – Compartilhando a prática missionária

Representantes de 11 projetos e obras missionárias apresentaram seus trabalhos, destacando ênfases, públicos-alvo, formas de trabalho, avanços, desafios e motivações para a reflexão sobre a missão no horizonte da IECLB: 1. Centro Diaconal Evangélico Luterano – CEDEL (cedel@cepa.org.br) 2. Obra Gustavo Adolfo – OGA (ogaieclb@terra.com.br) 3. Centro de Recuperação Nova Esperança – CERENE (www.cerene.org.br) 4. COMIN – Conselho de Missão entre Índios (www.comin.org.br) 5. Curso Alpha (wehmuth@bol.com.br) 6. Pastoral da Consolação - Curitiba/PR (veraodair@terra.com.br) 7. Comunidade de São José dos Campos e Paróquia Cantareira/SP (ernaniropke@uol.com.br) 8. Comunidade Evangélica de São Luís – MA (cleberione@terra.com.br) 9. Pastoral Universitária – MUNIL (Comunidade da Trindade – Florianópolis/SC – www.munil.org.br) 10. Missão Zero – Experiências no Sertão (especialmente nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí – www.me.org.br) 11. Conselho de Amigos da Missão (mz.parceiros@me.org.br).

Chama a atenção que há, hoje, na IECLB, em termos de prática missionária, uma impressionante diversidade de experiências, propostas, ações e modelos comunitários. A IECLB se mostra presente nos mais diferentes contextos geográficos pelo país afora. Muitas iniciativas unem evangelização e diaconia, enquanto outras ganham maior enfoque no exercício da cidadania e na promoção dos direitos humanos e ambientais. Percebe-se ainda uma crescente organização de base, uma maior qualificação de obreiros/as e colaboradores/as, além de uma capacidade de divulgação mais eficaz.

5. A vitalidade do evangelho transformador – Fundamentação bíblico-teológica

5.1. O P. Martin Weingaertner desenvolveu o tema: A Base Bíblica da Missão – Um enfoque a partir das parábolas de Jesus. Ele desenvolveu seu argumento destacando:

a)O evangelho é uma boa notícia. Ela reside no perdão de uma dívida impagável (cf. Mt 18.23-27).

b)O efeito do evangelho é despertar o amor a Deus, uma alegria incomparável e a colocação de novas prioridades para a vida.

c)A missão, para a qual o evangelho nos incumbe, é o generoso repasse do perdão gracioso e a multiplicação das pessoas que Deus deseja salvar.

d)Esta boa notícia se difunde a partir das casas/igrejas e de uma intensa mobilidade, que não pode ser detida por fatores hostis.

e)Travas para esta caminhada podem ser: o medo de ousar; a infidelidade; a incoerência cínica e as tradições religiosas.

f)O evangelho não pode deixar de ser compartilhado. Ele rompe leis e se impõe à luz das necessidades humanas mais profundas.

5.2. O P. Ms. Roberto Zwetsch apresentou uma abordagem a partir de Atos 10, o relato do encontro entre Cornélio e Pedro. Propôs inicialmente uma leitura orante do texto, a partir da qual fez os seguintes destaques:

a)Quando chegamos à Bíblia, não o fazemos de forma inocente. Levamos conosco perguntas, dúvidas e questionamentos, que merecem ser explicitados.

b)Missão não é um programa de igreja nem um estudado planejamento estratégico, ainda que ambos sejam necessários. Missão não depende das nossas forças, mas engajados nela, jogamos tudo nessa aposta. Missão é trabalho do Espírito Santo de Deus em nós e no mundo.

c)Cornélio era um centurião romano. Ele recebe uma visão de um anjo, confronta-se com uma ação divina. O texto nos mostra que aqui é o pagão que envia seus mensageiros até Pedro. Há uma inversão dos enviados.

d)Havia três problemas principais nas comunidades de Lucas: 1. A comunhão de mesa entre judeus e gregos; 2. A rejeição que os judeu-cristãos já sentiam, ao serem expulsos das sinagogas; 3. A relação tensa entre ser cristão e a fidelidade ao império.

e)A visão de Pedro já adianta o problema que será retomado no cap. 15 de Atos, que é o conflito cultural e religioso entre os judeu-cristãos e os gentio-cristãos. Pedro descobre uma coisa importante: “Ao que Deus purificou não consideres comum” (cf. At. 10.15; veja também v. 28 e 34).

f)Relevantes para nossa compreensão de missão, o palestrante enfatizou: 1. A hospitalidade como marca cristã; 2. Deus escuta a oração de pessoas de outras religiões; 3. Deus quebra preconceitos e leis; 4. O Espírito é quem move as pessoas; 5. O diálogo como marca da evangelização; 6. Deus não discrimina quem o teme e faz o que é justo; 7. O anúncio do evangelho da paz; 8. A pregação é confirmada pelo Espírito Santo e pelo batismo.

6. Recomendações específicas

Os participantes se dividiram em nove Eixos Temáticos e apresentaram as seguintes recomendações para os próximos anos:

6.1 Missão e Sustentabilidade

a)Fomentar a capacidade de auto-sustentação do trabalho da igreja.

b)Sugerir uma grande campanha para o domingo de Pentecostes (Dia da Missão), com meta de arrecadação de R$ 2,00 por membro batizado. Houve, contudo, o questionamento se essa data não deveria ser alterada, pois coincide com o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, promovida pelo CONIC.

c)Sugerir ao Conselho da Igreja a inclusão de três ofertas voltadas para a missão (1 nacional, 1 sinodal e 1 local) no Plano de Ofertas.

d)Sugere-se realizar Fórum de Missão a cada dois anos, para monitoramento e avaliação da caminhada do PAMI.

e)Apoiar preferencialmente projetos missionários onde a IECLB deve marcar maior presença.

f)Valorizar o monitoramento virtual, especialmente em áreas de grandes distâncias geográficas.

g)Possibilitar a abertura de projetos alternativos, com a participação de PPHMs, flexibilizando modelos para a criação destes projetos.

h)Sugere-se que os candidatos ao PPHM façam obrigatoriamente uma disciplina de Fé e Compromisso.

i)Fomentar a substituição da contribuição fixa e obrigatória por um sistema de contribuição voluntária dos membros em suas comunidades.

j)Promover contribuição espontânea motivada.

k)Superar a dependência do exterior para manutenção de projetos missionários.

l)Fomentar parcerias internas para criar e desenvolver novos projetos em âmbito nacional (criar entidade que gerencie recursos).

6.2 Missão e Formação

a)Sugere-se a criação de equipes sinodais de educação cristã, com a participação de pedagogos e teólogos.

b)Sugere-se a criação de materiais específicos para encontros de grupos (OASE, casais, JE etc), bem como materiais para quem não participa de tais grupos e, por fim, materiais para aprofundamento de temas.

c)O Departamento de Educação Cristã é o elo de ligação e de consulta entre iniciativas, promovendo o intercâmbio de materiais referentes aos programas já em curso (Educação Teológica à Distância, Curso de Teologia Popular).

d)Disponibilizar eletronicamente material, literatura e resenhas que possam ser utilizados nas comunidades.
e)Sínodos deveriam apoiar os Seminários Nacionais de Formação Cristã Contínua.

f)Desenvolver estratégias de despertamento da comunidade para a educação cristã e o seu respectivo planejamento.

g)Definir políticas de educação cristã.

h)Desenvolver programas de educação teológica à distância (possível também via internet).

6.3 Missão, crianças e jovens

a)Criar ou dar maior visibilidade aos espaços para crianças e jovens em nossas comunidades; ter espaços físicos específicos para as crianças nas comunidades.

b)Estimular uma troca mais intensa de materiais, experiências e iniciativas entre todos os setores e trabalhos existentes na IECLB, através da promoção de um encontro anual, coordenado pelo Departamento de Educação Cristã.

c)Disponibilizar no site da IECLB os diversos trabalhos que contemplem estes públicos (jovens, crianças).

d)Incluir o trabalho de jovens e crianças como item no orçamento em todas as instâncias (comunidades, paróquias), como incentivo a novos trabalhos e bom andamento dos atuais.

e)O ensino é continuidade do batismo; priorizar e intensificar o trabalho com crianças nas comunidades.

6.4 Missão e Comunicação

a)Fomentar ações inter-sinodais, socializando materiais, criando parcerias, apoiando o intercâmbio de ações na comunicação e em outras áreas, visando a complementaridade.

b)Criar a coordenação de comunicação paroquial ou comunitária, vinculadas ao Sínodo, possibilitando a troca de informações e experiências com as bases.

c)Realizar uma avaliação criteriosa dos meios de comunicação existentes na igreja, a fim de que sejam otimizados no serviço da missão.

d)Buscar o apoio de profissionais da área da comunicação para o auxílio na tomada de decisões.

e)Definir e implementar uma política de comunicação em âmbito nacional.

f)Preocupar-se com uma política de comunicação e sua operacionalidade (suspendeu-se a Secretaria de Comunicação e ...).

6.5 Missão e Edificação de Comunidades

a)Trabalhar o conceito de lar espiritual, visando uma igreja acolhedora e afetiva em relação a todas as pessoas, de todos os lugares, raças, culturas e condição social.

b)Promover uma cultura de planejamento para edificação de comunidade, considerando sempre o perfil das pessoas.

c)Ajudar as pessoas a articular a sua fé, por exemplo, a partir da formação de núcleos familiares, círculos bíblicos.

d)Resgatar a compreensão de “recriar comunidade”.

e)Vislumbrar o espaço físico para o acolhimento de pessoas nas comunidades.

f)Apoiar programas de formação bíblica em comunidades (Curso Básico da Fé, Curso Alpha).

6.6 Missão e Diaconia

a)Informar, esclarecer e conscientizar as comunidades do que é diaconia e missão, e o que acontece na IECLB com relação à prática diaconal.

b)Dar continuidade à formação de lideranças para a atividade diaconal a partir da ação de Jesus (Marcos 10.45).

c)Procurar ocupar espaços nos Conselhos Municipais e Estaduais, como o do idoso, da criança, dos direitos humanos, do meio ambiente, como testemunho da igreja na sociedade civil.

6.7 Missão e Ecumenismo

a)Fomentar a caminhada conjunta entre missão e ecumenismo.

b)Promover o espírito ecumênico a partir de atitudes básicas: 1. Aprender a ouvir uns aos outros; 2. Assegurar a partilha de informações e maior responsabilidade missionária; 3. Realizar esforços para a renovação interna de suas tradições e contextos culturais; 4. Realizar esforços para a educação do povo de Deus, para respeitar e amar os membros de outras igrejas como irmãs e irmãos em Cristo.

6.8 Missão e Evangelismo

a)Renovar o desafio da evangelização direcionada a diferentes grupos-alvo, como aparece em documentos ecumênicos e da IECLB.

b)Evangelizar a partir das necessidades concretas das pessoas: sentido da vida; culpa e graça; solidão.

c)Sugere-se a constituição de um grupo-tarefa que reflita o conteúdo da evangelização e divulgue trabalhos, programas e materiais.

6.9 Missão e Cultura

a)Promover oportunidades de encontro, convívio, partilha entre pessoas de diferentes culturas, a fim de aproximar, conhecer-se, desmistificar preconceitos.

b)Que a IECLB, por meio do Grupo Identidade da EST, busque estabelecer vínculos com comunidades, nas quais se esteja trabalhando a relação entre negritude e fé cristã.

c)Demonstrar concretamente maior abertura para a realidade afro-brasileira, apoiando o respeito à cultura, às tradições e ao modo de vida das comunidades negras.

d)Em vista de conflitos entre indígenas e ocupantes não-indígenas de áreas tradicionalmente indígenas, desafiar os Sínodos e comunidades locais a buscar a assessoria do COMIN para uma análise mais qualificada e específica e encaminhamentos práticos para superação não-violenta dos conflitos.

e)Que a IECLB defina a missão entre diferentes culturas, nos termos propostos pelo diálogo intercultural. Isto inclui uma atitude de especial respeito a grupos em extrema minoria e fragilidade étnica.

f)Promover o amor ao próximo.

g)Estudar e viabilizar a proposta de missão transcultural, com apoio de sociedades missionárias (norueguesa e finlandesa).

7. Recomendações gerais

Por fim, a plenária referendou as seguintes recomendações gerais para os próximos anos:

a)As recomendações devem ser apreciadas na reunião da Presidência com os Pastores e Presidentes Sinodais (setembro de 2006). Há que se analisar como dar encaminhamento concreto às recomendações e ao planejamento da missão para os próximos anos, a partir do Fórum. A missão é assunto da igreja em âmbito nacional – ela deve ser tratada em todos os níveis. Há a constatação de que a missão é uma ênfase ainda recente na história da IECLB, que merece ser aprofundada. Importa reconhecer, de forma crítica, que a missão não foi uma prioridade na constituição e no desenvolvimento histórico da IECLB.

b)O planejamento para os próximos anos deverá acontecer de forma integrada com o PAMI. Recomenda-se a intensificação da execução do PAMI nas paróquias, nos próximos anos, com vistas à sua ampliação no futuro.

c)Traçar metas para a IECLB tendo em vista os próximos cinco anos, a partir das diversas experiências missionárias existentes. Trabalhar a questão da visibilidade, do registro e da transparência das ações que já estão em andamento (mapeamento das ações). Valorizar também as iniciativas de acompanhamento e trabalhos com casais e famílias.

d)A comunidade precisa ser entendida como alvo e agente da missão; fomentar o sacerdócio geral de todos os crentes. Motivar a organização de grupos nas comunidades/paróquias para que se ocupem com a reflexão e o planejamento da missão.

e)Valorizar a ação missionária das mulheres, que ao longo dos anos deu sustentabilidade ao trabalho da igreja. Constata-se, com pesar, que os Sínodos não levaram em conta as recomendações do CMI e da FLM, referendadas pela IECLB, de garantir a participação das mulheres em instâncias decisórias na proporção de, pelo menos, 40%, quando da composição do Conselho da Igreja.

f)Trabalhar para que a educação cristã seja assumida com paixão e prioridade na IECLB – Onde se batiza, se educa.

g)Criar um banco de dados dos materiais de formação existentes e em uso na Igreja. Essa atividade poderá ser coordenada pelo Departamento de Educação Cristã.

h)Missão e evangelização devem ser entendidas como um processo que perpassa todas as ações, instâncias e programas da IECLB.

i)Apoiar especialmente os projetos missionários com pouca visibilidade, zelando pela transparência.

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