Domingo Cristo Rei - Efésios 1.15-23

Autoria P. Me. Alexander Busch

22/11/2020

 

Estimada comunidade, meus irmãos e irmãs em Jesus Cristo,
Dia destes tive de contatar o SAC – serviço de atendimento ao consumidor – da amazon. Logo após meu contato recebi um e-mail da amazon solicitando avaliar o atendimento da empresa e da funcionária que me atendeu. Sabemos que esta é uma prática comum – inúmeras empresas trabalham com a mesma estratégia da avaliação e feedback do cliente quanto ao serviço prestado. No meu caso, eu dei um retorno positivo sobre a disposição e gentileza da funcionária em resolver o meu problema.

 

Fico, entretanto, pensando, o quanto nós somos pressionados a avaliar outra pessoa, ou pressionados para ser avaliado por outras pessoas. Certamente a avaliação tem seu lado positivo. Avaliar é saudável e necessário. A avaliação preserva o bom atendimento da empresa ao cliente e valoriza o trabalho de seus funcionários – desde que os clientes não fiquem calados quando uma pessoa merece um elogio. E é justamente este o problema, o perigo: as pessoas normalmente se manifestam somente para criticar, cobrar, recriminar. E isto vale não somente para a relação entre empresas e clientes. Esta atitude de crítica e julgamento também transparece na relação entre as pessoas noutros momentos. É o esposo que reclama constantemente da esposa ou vice-versa. Os filhos que são regularmente cobrados pelos pais, pais que perdem oportunidades de elogiar sua criança quando apropriado. Ou ainda no ambiente de trabalho existem pessoas que somente conseguem ver e destacar o lado negativo. Também em relação à igreja estamos acostumados a ouvir e a fazer críticas, seja a uma determinada igreja local ou à igreja em geral. Certamente nestes dois mil anos de história de cristianismo, a igreja acumulou seus erros e pecados. A igreja é tão humana, demasiadamente humana. A igreja é tão frágil, demasiadamente frágil.
 

O apóstolo Paulo certamente tinha motivos para criticar a igreja, as comunidades cristãs que ele organizou ou com quem mantinha relações próximas. Em suas cartas claramente podemos perceber as tensões, os conflitos, as desavenças presentes nas comunidades de Cristo. Na carta aos Efésios, por exemplo, uma carta escrita para circular entre as igrejas na cidade de Éfeso e arredores, duas questões se destacam: pessoas cristãs retornando à sua antiga maneira de viver, se conformando com os valores do mundo pagão, e, em segundo lugar, o partidarismo – a tentativa de preservar os muros de separação entre cristãos judeus e cristãos não-judeus. Eram comportamentos que, com certeza, geravam decepção no apóstolo tão zeloso em anunciar e servir Cristo Jesus. Diante destas duas questões, Paulo escreve sobre a conduta apropriada entre pessoas cristãs, sobre a nova vida em Cristo, que trouxe a paz entre judeus e não judeus, derrubando o muro de inimizade e formando um só povo de Deus.
 

Mas antes de apontar os erros e corrigir o que precisa ser corrigido, o apóstolo Paulo expressa uma palavra de gratidão pelas ricas bênçãos que Deus tem concedido ao seu povo, conforme está escrito no início da carta, para então, compartilhar uma oração de gratidão pela igreja, sua fé, e seu amor. A oração de Paulo é justamente o texto que ouvimos nesta manhã, “desde que ouvi falar da fé em Cristo Jesus e do amor que vocês têm pelos irmãos, não paro de agradecer a Deus” (15). E, ao mesmo tempo em que Paulo expressa sua gratidão pela igreja, sua oração é generosa em exaltar Cristo e sua obra neste mundo. Esta oração, portanto, desvia o nosso olhar da igreja – olhar para nós mesmos – e dirige nosso olhar para outro horizonte. A oração aponta para aquele que é a base da igreja. A igreja, tão frágil, está construída, num fundamento que não é nosso, que não é humano, mas é o próprio Cristo Jesus.

É Cristo Jesus quem envia o Espírito Santo à igreja, concedendo sabedoria e revelando a luz e esperança que vem de Deus. É Cristo Jesus, digno de louvor, quem foi ressuscitado pelo poder divino e está assentado à direita de Deus Pai. É Cristo Jesus quem reina com poder sobre todas as autoridades, forças e poderes que existem. É Cristo Jesus quem tem toda a autoridade e poder neste mundo e no mundo que há de vir.

Indiretamente Paulo está dizendo nesta oração, que a autoridade e o poder de Cristo Jesus formam um contraste marcante com o poder do Império Romano, ou de qualquer outro império, que na cruz tentou silenciar a voz e a obra de Cristo Jesus. Sua autoridade e poder estão acima dos valores e das atitudes humanas que deturpam a boa criação de Deus. Sua autoridade e poder venceram a própria morte, que não é mais tão poderosa diante do poder de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos.
 

E como se isto não fosse suficiente – e de fato não o é – Paulo ainda expressa na oração que este poder de Jesus se manifesta na igreja, nesta comunidade tão humana, nesta comunidade tão frágil. O poder de Jesus, a plenitude desse poder, é derramada por Deus na igreja, “esse poder que age em nós é a mesma força poderosa que Deus usou quando ressuscitou Cristo” (19-20). Além do mais, o poder de Cristo Jesus e a igreja estão interligados assim como uma cabeça está anexa ao corpo. Cristo Jesus é o cabeça – a igreja é o seu corpo. E neste corpo, nesta comunidade de pessoas, tão humana e frágil, se manifesta o poder de Deus, gerando nova vida, promovendo paz e reconciliação, chamando as pessoas para uma vida de amor e serviço ao próximo.
 

Para viver a nova vida, no poder de Cristo, Deus nos concede o batismo como sinal visível de comunhão e acolhida no Corpo de Cristo, uma comunidade visível e concreta, onde Deus está restaurando as relações humanas. Unidos em Cristo pelo batismo, Deus mesmo reveste a sua comunidade com as qualidades do próprio Cristo: o cinturão da verdade, a couraça da justiça, os calçados do evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação, e a espada que é a Palavra de Deus (Ef 6.14-18). Em oração, guiados pelo Espírito de Deus, Jesus levanta sua igreja para compartilhar as tantas bênçãos que recebemos de Deus. Compartilhar Cristo entre nós e com o mundo, seguindo os seus passos, se deixando moldar por sua Palavra e anunciando a vida nova em Cristo.

Portanto, que a nossa oração seja como a oração de Paulo. Ainda que comunidade tão humana e frágil, que não está livre de cometer erros, vamos dar graças a Deus. Pois Deus continua agindo e derramando seu poder sobre nós, nos capacitando para viver juntos a nova vida, gerando gratidão e persistência para confessar que Cristo é Senhor e Salvador. Amém.

 


Autor(a): P. Me. Alexander R. Busch
Âmbito: IECLB / Sinodo: Rio Paraná / Paróquia: Maripá (PR)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Novo / Livro: Efésios / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 15 / Versículo Final: 23
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 60022
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Ó Deus, meu libertador, tu tens sido a minha ajuda. Não me deixes, não me abandones.
Salmo 27.9
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