Estudo 1 - Um só Deus - Pai, Filho e Espírito Santo (CA I)

Estudos da Confissão de Augsburgo

28/01/1980

ESTUDO 1
UM SÓ DEUS — PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO (CA I)

Walter Altmann

1. Quando se fala de Deus... 

Roberto é um evangélico de confissão luterana. Ficou curioso para saber como as pessoas falam de Deus. Por algum tempo ficou atento e começou a tomar nota das frases que ouvia. Aqui estão algumas: 

Deus é grande. 

Deus sabe o que faz. 

Deus é bom. 

Deus é um só. 

Mas Roberto esqueceu de tomar nota das situações em que ouviu essas frases. E as situações são muito importantes para entender o que as pessoas querem dizer. Então, a primeira tarefa para você ou seu grupo é a seguinte: imagine a situação em que Roberto poderia ter ouvido cada uma dessas frases; depois pense e debata o que elas podem ter significado. Só depois disso continue lendo este estudo. 

Eu penso que essas frases acima têm muito de sabedoria, fé e confiança do povo. Mas também podem ser um pouco duvidosas. Depende da situação. Vou dar o exemplo só de uma delas, Deus é um só pode ter sido dito por Maria e Carlos, que são noivos e querem casar. Maria é católica e Carlos é evangélico; ambos levam a sério sua fé cristã. Agora notam corno essa divisão lhes causa dificuldades e dizem: Deus é um só. Querem dizer que é Deus quem importa e que Deus se interessa por eles e que as igrejas devem servir a esse Deus, como também alegam. Aqui a frase é expressão de fé muito positiva. No entanto, Deus é um sé também pode ter sido dito por Alfredo e Joana, .que já foram católicos, luteranos, congregacionais e batistas, sempre onde lhes pareceu mais conveniente, cômodo ou mais barato. De momento, não estão em igreja nenhuma, porque Deus é o mesmo e está em toda parte, dizem. Aqui a frase não é expressão de fé, mas desculpa para a indiferença. Por que será essa atitude? 

2. Como confessa a fé luterana 

Vamos agora ler um texto um pouco difícil. A Confissão de Augsburgo achou que devia começar falando de Deus. Este é o artigo I: 

Em notável concordância, as nossas igrejas ensinam que se deve crer como verdadeiro e sem dúvida nenhuma o decreto do Concílio de Nicéia (da Igreja Antiga, no ano de 325, complementado pelo Concílio de Constantinopla, em 381), a respeito da unidade do ente divino e das três pessoas. Ainda mais preciso: há um só ente divino, que é chamado e é Deus, eterno, incorpóreo, não-dividido, de poder, sabedoria e bondade sem fim, criador e conservador de todas as coisas, as visíveis e as invisíveis. Mas três são as pessoas, da mesma essência, e poder, co-eternos: Pai, Filho e Espírito Santo. 

Agora, a segunda tarefa para você ou seu grupo é a seguinte: examine com cuidado esse texto; enumere o que você ou vocês descobrem nele; também verifique o que não conseguem entender. Compartilhem e debatam as descobertas e as dúvidas. Só depois disso continue lendo este estudo. 

Eu descobri (e aprendi) o seguinte. a) A Confissão de Augsburgo começa mostrando que confessa a Deus como a Igreja Antiga. Ela não mudou nada. O mesmo acontece com a Igreja Católica, a Ortodoxa e a maioria das igrejas protestantes. Sinal disso é que em cada culto confessamos nossa fé com palavras do Credo Apostólico, que vem da Igreja Antiga e é comum à maioria das igrejas. Essa é, realmente, uma notável concordância. De fato, Maria e Carlos tinham muita razão. 

b) Os cristãos evangélicos de confissão luterana crêem em um Deus. Ele é eterno, tem poder, sabedoria e bondade sem fim. Assim diz a Confissão de Augsburgo. Hoje talvez devamos dizer o mesmo diferente, expressando o que Deus faz: ele cuida, ajuda na dificuldade, vence o mal, perdoa o pecado, liberta da injustiça, solidariza-se no sofrimento, fortalece para a prática do bem. 

c) Como experimentamos esse Deus único? O experimentamos de três maneiras, ou melhor, em três pessoas, não como três indivíduos separados (isso seriam três deuses), mas cada uma se relacionando especialmente conosco: Pai, Filho e Espírito Santo. Fala-se também das três obras de Deus: 

Deus-Pai                     — Criador
Deus-Filho                  — Salvador
Deus-Espírito Santo — Santificador. 

Assim também aprendemos no Catecismo Menor de Lutero, na explicação do Credo Apostólico. Neste primeiro artigo, a Confissão de Augsburgo menciona mais a obra do Pai. Ele cria e conserva todas as coisas. A obra do Filho vem no artigo III e IV (confira estudos 3 e 4 desta série), a do Espírito Santo nos artigos V e XVII (confira os estudos 5 e 16). A esse ensinamento deu-se o nome de doutrina da Trindade. 

d) Numa parte do artigo I, não reproduzida aqui, a Confissão de Augsburgo rechaça falsas ideias de Deus. As principais são aquelas que só conhecem um deus poderoso (como Supremo Arquiteto do Universo), sem confessá-lo em Jesus Cristo e na obra atual do Espírito Santo ou para as quais Jesus foi um grande Mestre, mas só isso. Essas ideias rechaçadas continuam bastante vivas hoje. 

3. Uma ilustração para a Trindade 

Muitos cristãos têm dificuldade de entender a doutrina que fala de um Deus, mas como Pai, Filho e Espírito Santo. Terceira tarefa: Dialoguem se há entre vocês também essa dificuldade e procurem possíveis modos de superá-la. Depois sigam com a leitura. 

A confissão da Igreja não quis criar problemas para a nossa razão humana, mas simplesmente descreveu como os cristãos têm experimentado a Deus, ou seja: como Criador, Salvador e Santificador, sendo sempre o mesmo Deus. Como ilustração lembremos o sol. Quando uma mãe diz: Meu filho, não vá para o sol, não está com medo de que ele tome um foguete para ir ao sol, mas que se queime à luz do sol. Assim quando dizemos podemos estar pensando no sol como astro no céu, como luz que ilumina ou como calor, queima, mas é sempre o sol. 

Essa ilustração pode ajudar a entender a doutrina da Trindade. Mas não completamente. Pois, afinal de contas, Deus é mistério. Não podemos esgotá-lo com nosso pensamento. Mas sim experimentá-lo na palavra, nos sacramentos, na fé e na vivência. 

4. Textos Bíblicos 

Quarta tarefa: Verifique se a Confissão de Augsburgo confere com o testemunho bíblico. Procure passagens bíblicas. Como exemplo, apresento as seguintes: Mateus 28.19; 2 Coríntios 13.13; João 10.30; Colossenses 1.15; João 15.26. 

5. Perguntas para reflexão e aprofundamento 

O que a Confissão de Augsburgo confessa não seria importante, se não soubermos confessar nós mesmos hoje a nossa fé. Por isso, uma quinta tarefa; a de debater as seguintes perguntas:

a) Como podemos imaginar Deus hoje?

b) Onde podemos reconhecer a ação de Deus hoje? 

c) Que falsos deuses são seguidos hoje? 

6. Hinos sugeridos 

Nr. 87: Somente a Deus no céu louvor.
Nr. 111: Deus, o Teu Verbo guarda a nós.

Veja:

Confessando Nossa Fé – Estudos da Confissão de Augsburgo

A Confissão de Augsburgo (sem notas e comentários)
 


 


Autor(a): Walter Altmann
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Confessando Nossa Fé - Estudos da Confissão de Augsburgo / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1980
Natureza do Texto: Educação
ID: 19756
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