Estudo 4 - Quem é justo? (CA IV)

Estudos da Confissão de Augsburgo

25/01/1980

ESTUDO 4
QUEM É JUSTO? (CA IV)

Guenter K. F. Wehrmann

1. Você não precisa ser grande, pode ser pequeno! 

2. A realidade, porém, é bem outra! 

A. Todo mundo luta para ser grande. 

a) Verifique-o na própria família e sociedade! 

— A criança deve ser educada para se tornar um adulto responsável, habilitado para ganhar a vida. O adulto é o padrão da criança (G. Brakemeier). 

— Já na escola vale a lei de nossa sociedade: Você vale quanto produz: Conseqüentemente, a criança, aos 6 anos de idade, é obrigada a lutar por boas notas e começa a concorrência. 

— Luta-se pela carreira profissional. 

— Luta-se por um salário de fome. 

— Luta-se pela liberdade e justiça social. 

— Luta-se para continue enumerado! 

b) Verifique-o na própria igreja! 

— Comunidades lutam pela autoprojeção na cidade, seja através de construções ou atividades caritativas. 

— Julga-se a vida espiritual duma comunidade conforme a quantidade de grupos de estudo bíblico ou reflexão que nela existem. 

— Julga-se a vida espiritual de cristãos conforme a quantidade de tempo dedicado à leitura bíblica e oração diárias. 

— Muitos sentem a necessidade de procurar a sua fé. 

— Também os pastores não estão livres da tentação de olhar pelos melhores lugares. Continue enumerando! 

c) Verifique-o na concorrência entre nações! 

— Luta-se pela hegemonia financeira, económica, tecnológica, política, cultural. Continue enumerando! 

B. A ambição de querer ser grande tem as suas conseqüências: 

a) positivas: estímulo para crescer e progredir. Cite outras! 

b) negativas: referente a 1 a) a criança não tem vez nem voz; a escola educa para o aumento da produção e do consumo; cria-se marginalização. 

Perde-se de vista o próprio da mulher e do homem. 

— Prejudica-se o coleguismo no lugar de trabalho e cria-se marginalização. 

— Por força da greve concede-se aumento salarial, porém, o operário e o funcionário saem perdendo pelo fato de o custo de vida aumentar descontroladamente. Cria-se milhares de pessoas subnutridas que são marginalizadas para o resto da sua vida (DCM = Deficiência Cerebral Mínima). 

Referente a A b) As nossas comunidades, muitas vezes, estão preocupadas consigo mesmas, e pouco praticam a fraternidade com comunidades coirmãs. Sente-se a necessidade de justificar a sua existência através de ações sociais ou campanhas evangélicas. 

- Chega-se ao ponto de medir o grau de santificação e assim enaltecer e julgar pessoas, tornando-se juiz. Pode-se perguntar: Quantas pessoas você levou a Cristo? Mas se sabe que eu não converto ninguém. Quem converte pessoas é o Espírito Santo. 

— Sim, na Igreja de Confissão Luterana se procura pregar a justificação por graça e fé, mas muitas vezes vivemos autojustificação, a justificação pelas obras. 

Referente a A c) Passou a era do velho colonialismo e imperialismo, mas veio a era das multinacionais, Alguns poucos países superindustrializados manipulam e oprimem o resto dos países. Cimentam a dependência dos países em desenvolvimento. Investem-se somas vultosas em programas especiais, enquanto milhões morrem de fome; mas ao mesmo tempo prega-se os direitos humanos. 

C. Conclusão:

Verdade é que vivemos num mundo em que todos querem ser grandes, querem subir, querem os melhores lugares. Seja confessado humildemente diante de Deus que até na Igreja, muitas vezes, é assim. Nós percebemos nisso a luta pela autojustificação, a justificação pelas obras da lei. 

Essa luta, no entanto, resulta em desamor, exploração, marginalização e frustração. A Bíblia chama a isso de inferno e estar sob o pecado. Exatamente nessa situação quer ser anunciado o evangelho libertador, expresso no artigo IV da Confissão de Augsburgo (CA IV). 

3 Da justificação (por causa de Cristo pela fé). 

(As Igrejas entre nós) também ensinam: Os homens não podem ser justificados, perante Deus, pelas próprias forças, méritos ou obras. Mas, gratuitamente, eles são justificados por causa de Cristo pela fé, isto na medida em que crêem que os pecados foram perdoados por causa de Cristo. Este, através de sua morte, fez o necessário pelos nossos pecados. Deus considera (imputa) esta fé como justiça perante si mesmo, cf. Rm 3 e 4 (principalmente 3.21-28 e 4.5). (CA IV) 

4. O processo singular 

A. O homem por si mesmo não tem justificação. Não há força humana, nem exército humano, nem obras suficientes para alcançar-se aceitação ou justificação diante de Deus. Este é o escândalo para a natureza humana, que não julga a situação tão séria assim. 

B. À luz da palavra de Deus reconhecemos quem somos. (Confira Rm 3.23). O pecado principal do homem é de não crer em Cristo, de não viver com Cristo, de não se humilhar sob Cristo, de não querer ser aquele que é, isto é, não querer ser pequeno. Sim, sou pecador diante de Deus e mereço o castigo justo. 

C. Em Jesus Cristo Deus fez o necessário para a nossa salvação. (Confira Isaías 53.5). O único justo sofreu em lugar de nós injustos, a fim de que pudéssemos ser justificados, isto é, ter nova vida. (justificar = ficar justo!) Tentemos compreender o que é ser justificado: 

somos feitos justos através do perdão dos pecados;
somos desculpados; o passado é apagado;
temos chance de novo início; é nos dada razão de ser;
somos aceitos incondicionalmente (cf. parábola dos dois Lc 15); a nossa comunhão é restabelecida; justificadas são pessoas pecadoras, embora não seu pecado.

D. Justificação, nova vida, é oferecida de graça. (Confira Rm 3.24). O que significa sermos justificados pela graça?
Graça é o presente da salvação — graça olha as pessoas não com vistas ao que têm ou fazem, mas de que necessitam; graça se revela pelos frutos do Espírito Santo (cf. G1 5. 22+23). 

E. Justificação por causa de Cristo pela fé. (Confira João 3.16: todos que nele crêem...) O que é fé? Fé não é algo que eu faço ou tenho, mas é o dom da graça que o Espírito Santo opera, mantém e faz crescer em nós. Fé se concretiza em confiança incondicional em Deus; fé é dar crédito a Deus; fé se evidencia em nova maneira de viver; fé é certeza; fé é obediência ativa no amor; fé é ação; vida de fé conhece altos e baixos, certeza e dúvidas. 

F. Como se traduz justificação em vivência? O desejo e a prontidão para servirmos e sermos pequenos; ajudar na comunidade, envolvendo-nos na divulgação da palavra de Deus; fazer visitas aos marginalizados (cf. Mt 25. 34+36); viver em gratidão por se saber justificado; viver humildemente aceitando o próximo sem distinção; ser facilitador de comunhão que proporciona novos valores de vida; não condenar mas julgar com amor à vida disciplinada e orientada por Deus, em obediência; desmascarar a instalação do desamor, da injustiça, do pecado e lutar contra eles com a armadura de Deus. Procure aplicar positivamente a vivência em justificação por graça e fé em tudo aquilo que mencionamos na análise da realidade (item II)! 

G. A nossa missão

Deus justifica o homem e pecador por Sua graça e pela fé em Jesus Cristo somente! Nesta verdade se resume para o apóstolo Paulo todo o Evangelho (cf. Rm 16.17). Martim Lutero redescobriu na justificação pela graça e fé o centro do Evangelho. Justificação por graça e fé é conversão, renascimento, é salvação. Portanto, a Igreja da Reforma (inclusive a IECLB) está comprometida com o testemunho da justificação por graça e fé (cf. G. Brakemeier). 

5. Para o trabalho em grupos: 

Pode-se seguir os passos desta reflexão. Porém, importa que os próprios participantes do grupo descubram a realidade em que vivem, a fim de que o Evangelho possa tornar-se concreto para eles. 

1º. passo: Lance o desafio (ítem I. Espere por reações. 

2.° passo: Como se evidencia a luta em querer ser grande por ser grande e a sua conseqüência lá onde vocês vivem? (cf. item II) 

3.° passo: Confronto com CA IV (Item IV) 

a) leitura (ítem III) 

b) com que você se escandaliza? (IV, 1) 

c) o que significa ser justificado? 

d) o que significa pela graça? 

e) o que significa pela fé? 

f) como se traduz justificação em vivência? 

6. Hinos sugeridos 

Se Deus está comigo, eu tudo hei de enfrentar
Ó minha alegria, Salvador e guia.

Veja:

Confessando Nossa Fé – Estudos da Confissão de Augsburgo

A Confissão de Augsburgo (sem notas e comentários)

 


Autor(a): Günter Wehrmann
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Confessando Nossa Fé - Estudos da Confissão de Augsburgo / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1980
Natureza do Texto: Educação
ID: 19759
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Se reconhecemos as grandes e preciosas coisas que nos são dadas, logo se difunde, por meio do Espírito, em nossos corações, o amor, pelo qual agimos livres, alegres, onipotentes e vitoriosos sobre todas as tribulações, servos dos próximos e, assim mesmo, senhores de tudo.
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