Gênesis 3.1-19(20-24)

02/07/2000

Prédica: Gênesis 3.1-19(20-24)
Leituras: 2 Coríntios 4.13-18 e Marcos 3.20-35
Autor: Nelson Kilpp e Sônia Gomes Mota
Data Litúrgica: 3° Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 02/07/2000
Proclamar Libertação - Volume: XXV
Tema: Pentecostes


De repente sabíamos o que era pecado. (Robert Oppenheimer, físico nuclear, após primeiros testes com a bomba atómica.)

O que foi que eu fiz? (Victor Frankenstein, ao contemplar a sua obra.)

1. Primeiras reações ao texto de Gênesis 3

Inicio com algumas dificuldades teológicas que o texto da história da queda apresenta ao pregador. Em primeiro lugar, o texto parece mostrar-nos um Deus autoritário que coloca limites aos seres humanos, cerceando a sua liberdade de viver e criar. A proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não está negando aos seres humanos a possibilidade de adquirir conhecimentos úteis e de saber distinguir entre o bem e o mal? Será que esses conhecimentos ameaçam a posição de Deus? Será que Deus tem medo da liberdade e da capacidade criativa dos humanos ou do progresso da ciência? Se assim fosse, o paraíso seria uma prisão para pessoas alienadas, ao passo que o lugar além do Éden representaria — é verdade — a dura realidade da vida, mas também a possibilidade de vivê-la em liberdade?

Uma segunda dificuldade está vinculada com o castigo que a serpente, a mulher e o homem recebem. Deus aparentemente castiga os que não se enqudraram em seu esquema. Este Deus déspota seria, então, responsável pelo sofrimento e pelos males existentes no mundo, por exemplo, pela submissão da mulher ao homem e pelo fracasso do homem em seu trabalho? O mal no mundo existiria, no fundo, por causa do próprio Deus?

Será que estamos diante da versão bíblica do mito de Prometeu? Prometeu rouba dos deuses do Olimpo o fogo precioso para ajudar os seres humanos a progredirem culturalmente e é, por isso, castigado. Na versão bíblica, o primeiro casal humano rouba de Deus o conhecimento e a ciência para melhorar a sua vida e é, por isso, castigado!?

Essas dificuldades teológicas desrecomendam a pregação de Gn 3? Ou elas nos ajudam a enfocar melhor a mensagem do texto bíblico? Creio que as questões ventiladas são muito parecidas com os pensamentos que ocuparam as mentes de Adão e Eva enquanto avaliavam a argumentação e a oferta da serpente. A tentativa de transformar Deus em um tirano parece ter sido uma das estratégias da serpente para tornar plausível e justificável aos humanos a revolta contra esse Deus. A fala da serpente teria sido, então, o canto da sereia, que levou o primeiro casal à autodestruição? A narrativa lembraria, então, antes a caixa de Pandora. Conforme o mito, Pandora, a primeira mulher humana dotada pelos deuses do Olimpo de todas as qualidades e virtudes femininas, inclusive de uma caixa de surpresas —, foi dada ao homem como presente divino. A curiosidade e a sede de conhecimento fizeram com que o casal abrisse a tampa da caixa, deixando escapar todos os males da terra. Ao fecharem novamente a caixa, havia restado nela apenas a esperança. Adão e Eva teriam aberto a ' 'caixa'' do conhecimento do bem e do mal, trazendo, assim, ao mundo todos os males que nos afligem? Ou, então, será que os seres humanos queriam brincar de Deus, mas se deram mal, porque, tal qual o aprendiz de feiticeiro, não conseguiram controlar as forças que desencadearam?

2. O lugar litúrgico de Gênesis 3

Tradicionalmente o texto de Gn 3 está vinculado ao 1° Domingo da Quaresma (Domingo Invocavit). Aí ele representava a contrapartida veterotestamentária da tentação de Jesus (Mateus 4). O primeiro Adão não resistiu à tentação da serpente, enquanto que Cristo, o novo Adão, resistiu e permaneceu fiel à sua missão. Em Gn 3, a humanidade é vencida pela astúcia do tentador; em Mt 4, Cristo vence o tentador. Esta antiga tradição da Igreja de vincular o texto da tentação de Jesus com o texto de Gn 3 é mantida no lecionário ecumênico. O ano C prevê a leitura de Gn 2 e de Gn 3.1-7 (cf. N. Garin, in: Proclamar Libertação, vol. XVIII, p. 84-87).

Para o 3° Domingo de Pentecostes — o nosso Domingo — a série B do lecionário ecumênico prevê a segunda parte de Gn 3, a saber, os vv. 9-15. Estes versículos têm, aí, a função de secundar o texto de Mc 3.20-35 (Jesus e Belzebul). A delimitação do texto veterotestamentário quer afunilar o escopo homilético no chamado proto-evangelho (Gn 3.15b). Assim, a serpente de Gn 3 é identificada com o Belzebul de Mc 3 e a semente (descendência) da mulher (Gn 3.15a) é identificada com Jesus Cristo. Ao amarrar o valente (Belzebul, conforme Mc 3.27), Jesus cumpre a palavra de Gn 3.15, ou seja, fere a cabeça da serpente.

Proclamar Libertação aparentemente não concorda com a redução do texto de Gn 3 ao chamado proto-evangelho, uma vez que prevê a pregação sobre todo o capítulo. (Deixa ao pregador a liberdade de excluir os vv. 20-24.) A sugestão de considerar o capítulo todo é menos carregada de (pré)conceitos dogmáticos e mais adequada ao próprio texto bíblico. O pregador deve, no entanto, estar consciente de que dificilmente poderá pregar sobre todos os aspectos do texto.

O Evangelho previsto para o nosso Domingo (Mc 3.20-35) fala de dois eventos distintos: no centro da perícope está a controvérsia de Jesus com os escribas que afirmam que ele expulsa demônios em nome do maioral dos demônios, Belzebul. Esta cena está emoldurada por outra que mostra os familiares de Jesus acusando-o de estar fora de si. Conforme o redator do texto bíblico, ambos — escribas e parentes — estão enganados, pois interpretam mal a atuação de Jesus.

O fato de Jesus ter sido, em sua atuação, vitorioso sobre Satanás constitui o elemento de ligação do Evangelho com o texto de Gn 3, em especial o proto-evangelho (Gn 3.15). O Evangelho nos anima a tematizar, na pregação, a sujeição dos demônios ao poder de Cristo. É de se perguntar seriamente se não seria, neste final de milénio, mais apropriado e relevante falar dos demônios que nos atormentam! Neste caso, deveríamos optar pelo texto do Evangelho. Pois o texto de Gn 3 não identifica, originalmente, a serpente com Satanás. Somente o judaísmo tardio fez esta identificação (cf. Sabedoria 2.24), que foi adotada posteriormente pela comunidade cristã.

A Epístola do Domingo (2 Co 4.13-18) aborda uma temática teologicamente muito rica (vida na fé e esperança no sofrimento). A leve e momentânea tribulação, mencionada em 2 Co 4.17, poderia ajudar-nos a entender o sofrimento presente (Gn 3.14-19) como condição humana temporária e passageira. As dores e os males do mundo não são, portanto, maldição eterna, mas uma realidade capaz de ser transformada pelo poder e amor de Cristo e pela atuação consciente e solidária da comunidade cristã.

3. Da exegese à homilia

a) O texto de Gn 3 forma, juntamente com Gn 2.4b-25, a narrativa javista das origens. Esta narrativa reúne diversas tradições pré-javistas e faz uso de diversos elementos míticos do Antigo Oriente (p. ex., o jardim do Éden — o paraíso da versão grega —, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do pomar, a serpente, os querubins; cf. Ez 28.11-19). Tudo indica que a narrativa terá diversos níveis de significado e certamente mais do que um único escopo homilético. Além disso, é sabido que a história tem cunho eminentemente etiológico, ou seja, ela quer responder a diversas perguntas que angustiam a época do autor, tais como: por que a serpente rasteja pelo chão? Por que a mulher tem dores de parto? Por que o homem sofre tanto para conseguir o seu sustento? A história tenta responder: as dores, os sofrimentos e os males que afligem os seres humanos e os animais no presente são consequência da desobediência humana. Assim, o texto não narra simplesmente um acontecimento do passado longínquo que afetou um único casal, mas tematiza as dores e os males de toda a humanidade em todos os tempos. O texto fala, portanto, de nós e de nosso mundo imperfeito.

b) Os vv. 1-7 narram que o primeiro casal desobedeceu a proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17). A narração é uma obra-prima da literatura hebraica. Os diálogos são de uma sutileza incomum. A serpente não nos é apresentada como Satanás ou como um poder paralelo a Deus. Ela é criatura de Deus — a mais esperta, é verdade. Na epopéia babilônica de Guilgamesh, a serpente é a guardiã da árvore da vida (cf. os querubins em Gn 3.24). No culto cananeu da fertilidade, a serpente podia ser identificada com a deusa da fertilidade e do amor. Na Síria, ela podia tomar a forma de um monstro marinho (o leviatã), algo equivalente ao poder destruidor das águas caóticas. Já no Egito, a cobra podia estar vinculada à divindade da cura (cf. a serpente de bronze de Moisés, em Nm 21.8s.), mas também ser representação do mal (cf. Nm 21.6). Às vezes, também podia representar um espírito demoníaco. Em Israel, a serpente é temida por causa de seu veneno (SI 58.4; 91.13; 140.3).

No mito babilônico, Enkidu ganha a sabedoria através da relação sexual. Mas essa experiência também lhe dá a consciência de que a vida conduz à morte. A conotação sexual da narrativa de Gn 3, intuída por grande parte da nossa tradição popular, não é, portanto, totalmente infundada. No entanto, em Gn 3, a serpente tem a função de seduzir a mulher a que coma da árvore do conhecimento do bem e do mal. A pergunta capciosa da serpente: É assim que Deus disse: Não comereis de nenhuma árvore do jardim? exagera, sem dúvida, a proibição de Deus, plantando, dessa forma, a semente da rebelião no coração da mulher. Apesar de a mulher corrigir a colocação da serpente, ela cai na armadilha. Pois também a mulher exagera a proibição de Deus, ao afirmar que não se deve nem sequer tocar o fruto da árvore no meio do jardim. Nasce a ideia de que, com a proibição, Deus não quer proteger as pessoas, mas prejudicá-las. Deus é transformado em tirano. Além disso, a cobra acusa Deus de mentiroso e invejoso (vv. 4s.). Está armada a rebelião contra o tirano. E é a serpente que expressa o verdadeiro motor dessa rebelião: querer ser igual a Deus.

Os seres humanos não mais se contentam com a condição de criaturas; querem saber tanto quanto o Criador para poder realizar tudo que Ele realiza. O ser humano quer transpor as limitações dadas pela criação, destronar o Criador e ocupar o seu lugar. Esta é a hybris, a arrogância humana. A citação de Oppenheimer acima reconhece essa hybris humana na criação de uma arma tão mortífera como a bomba atômica.

Quando homens e mulheres querem ser igual a Deus? Creio não sei nenhum exagero afirmar que na atualidade cientistas têm praticamente todas as condições de criar seres humanos'' em laboratório. Conhecemos a possibilidade da fecundação do óvulo in vitro, ou seja, de criar embriões humanos em laboratório. Estamos, conseqüentemente, também em condições de produzir grande quantidade de embriões e de selecionar os melhores exemplares, condenando à destruição (ao lixo?) os indesejados ou os que apresentarem defeitos. Isto lembra experiências nazistas do passado ou, mais recentemente, a limpeza étnica promovida pelos sérvios na Jugoslávia. Outra consequência possível: podemos criar seres que tenham todos os órgãos vitais sem, no entanto, terem cérebro. Estes seres poderiam ser conservados e usados como reservatório de órgãos para transplantes. Há condições de termos, no futuro, peças de reposição para o nosso coração, rim, pulmão, fígado. A doação de órgãos seria algo obsoleto. Estamos indo longe demais? Onde estão os limites do humano? É absurdo imaginar que poderemos, em breve, através de manipulação genética, produzir novos seres híbridos, inexistentes até agora? Comparada a isso, a obra de Frankenstein seria brincadeira de criança! Estamos querendo ajudar a minimizar a dor e o sofrimento humanos ou queremos ser igual a Deus? Aonde isto nos levará?

A serpente não mentiu, mas também não disse toda a verdade. Os olhos humanos, de fato, se abriram, mas não para ver e conhecer tudo. Os humanos apenas se dão conta, agora, de sua nudez. Porém lamentavelmente este fato não parece ser um enriquecimento, mas antes uma deterioração da qualidade de vida de ambos. Desaparece a espontaneidade do relacionamento, desaparecem a transparência e a confiança mútua. Surge a necessidade de esconder a nudez, de proteger-se do outro, de criar barreiras entre as pessoas. A desobediência a Deus leva ao distanciamento e à quebra de comunhão entre os seres humanos. O início da confecção de vestimentas não é, neste contexto, um avanço cultural, mas sinal de distanciamento entre homem e mulher. Não é mero acaso que, logo após a narrativa da queda, siga, em Gn 4, a história de Caim e Abel, que relata a trágica consequência dessa quebra de comunhão entre os humanos: o assassinato.

c) Vv. 8-13. Também houve quebra de comunhão com Deus. Adão e E vá não mais conseguem confiar na misericórdia e no amor de Deus. Quem decide tomar as rédeas da vida e do mundo em suas próprias mãos não mais consegue confiar senão em si mesmo. Em vez de confiança há medo de Deus. Adão e Eva se escondem. Melhor se pudessem fugir da presença de Deus. Mas não há possibilidade de fuga: o ser humano deve, como imagem de Deus, responder a Deus pelos seus atos. O homem tenta empurrar a responsabilidade para a com¬panheira e, no fundo, para o próprio Criador que lhe deu esta mulher; a mulher tenta empurrar a culpa para a serpente que Deus criou.

A atitude de Adão e de Eva é a atitude humana normal. Gostamos quando o texto bíblico afirma que homens e mulheres são imagem de Deus, isto é, representantes de Deus nesta sua terra, co-responsáveis pela sua criação. Mas temos dificuldades de assumir essa responsabilidade. O problema não é o erro, o deslize, a desobediência, mas o não-reconhecimento de nossa própria falia. Empurrar a responsabilidade adiante é uma tentativa de autojustificar-se as custas de outras pessoas. No fundo empurramos a culpa adiante porque nos incomoda o fato de sermos falhos, de não sermos perfeitos como Deus. Preferiríamos ser auto-suficientes e não necessitar de nada e de ninguém para realizai o nosso projeto de vida. Gostaríamos de ser fortes, espertos e poderosos o suficiente para alcançar o que consideramos a nossa salvação. Tudo por próprios meios e forças. Isso não demonstraria que somos como Deus? Mas não funciona! Viver como criatura significa também assumir as nossas limitações e reconhecer a impossibilidade de auto-salvação. Por incrível que pareça, este conhecimento não destrói, mas constrói comunhão entre as criaturas.

d) Vv. 14-19. As consequências do querer ser igual a Deus são trágicas para as criaturas de Deus: elas perdem a vida em harmonia com o Criador e com as criaturas e são jogadas para dentro de uma vida de dor e sofrimento, em total desarmonia com a natureza e a vontade do Criador. Em termos bíblicos: a serpente, a mulher e o homem são castigados. A serpente terá que rastejar, comer pó (assim pensavam os antigos) e principalmente sentir os efeitos da inimizade dos humanos. Entre ofídios (descendentes da serpente) e humanos (descendentes da mulher) sempre haverá conflito. O mesmo verbo hebraico (agredir, ferir) descreve tanto a tentativa da cobra de matar o ser humano quanto a tentativa do calcanhar humano de malar a víbora. O texto bíblico não diz quem sairá vitorioso desse conflito.

A mulher é castigada, mas não c amaldiçoada. Os castigos são: o sofrimento na gravidez, as dores de parto, o desejo pelo marido e o ser dominada por ele. Aqui temos exemplos do que, há quase 3 mil anos, se considerava serem os tormentos da mulher oriental. Hoje já não escolheríamos os mesmos exemplos. Afinal, os sofrimentos de uma gravidez e as dores de parto podem ser ameniza¬dos, se não eliminados pela medicina. Além disso, grande parte das mulheres de hoje não diria que o seu desejo pelo marido é um sofrimento. Ele se transforma em sofrimento somente na medida em que estiver sob a dominação e a serviço da exploração do homem. Por isso, só a dominação do homem sobre a mulher ainda seria considerada atualmente um exemplo de tormento para a mulher.

Vale lembrar que Gn 3 tem caráter etiológico; a história quer explicar o porquê da existência da dor c do sofrimento da mulher. O sofrimento não é vontade do Criador. Quando Deus criou o mundo, o sofrimento não estava no projeto. Ele veio a existir como consequência do pecado humano. Os males do mundo existem porque os seres humanos não vivem de acordo com o seu mandato de criatura e de imagem de Deus. Nem Deus nem um poder satânico concorrente de Deus podem ser responsabilizados pelos males deste mundo. O sofrimento humano não é vontade de Deus e, por isso, não terá lugar no novo céu e na nova terra (Is 65.l7ss.). A nova criação se caracteriza exatamente por oferecer vida em abundância.

Disso devemos estar conscientes também quando analisamos o sofrimento que recai sobre o homem. Nem o homem nem o trabalho são amaldiçoados. A maldição está em que o lugar de trabalho do homem — que é, para o agricultor israelita, a terra — não dá o retorno que se espera pelo esforço investido. Somente no suor do rosto os humanos se alimentarão. O lugar de trabalho não só produzirá frutos e realização, mas também espinhos e fracasso. Esta é a nota desafinada que entrou na criação após a desobediência humana.

Certamente ainda hoje há frustrações do homem trabalhador porque a terra é árida ou pedregosa. Mas creio que é possível fazer essa nota desafinada entrar no ritmo. Pois o suor do rosto pode e deve ser motivo de satisfação e realização. Isto ocorre quando o trabalho é feito por prazer de criar e servir e quando os justos direitos do trabalhador são respeitados. Neste caso, o suor do rosto pode causar satisfação pessoal. Em caso contrário, ele se torna amargo, podendo ser até uma forma de morte. Hoje talvez devamos dizer que o castigo não é tanto o suor do rosto, mas não ter a oportunidade de suar, ou seja, o desemprego. O emprego tem se tornado o bem mais caro em nosso atual sistema. O desemprego vem se tornando um meio de matar a dignidade humana. Como cantou Gonzaguinha:

E sem o seu trabalho, o homem não tem honra e sem a sua honra, se morre, se mata; não dá para ser feliz...

O pregador deve insistir que a vontade do Criador não é o desemprego. Pelo contrário, a narrativa javista afirma que Deus colocou o homem no jardim para cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2.15). Para o ser humano estão previstos, portanto, um lugar de trabalho e uma tarefa. Através de seu trabalho o ser humano continua a obra da criação. E isto é, sem dúvida a realização maior do trabalho humano. A falta de um retorno correspondente ao investimento em tempo, energia e conhecimento na realização de um trabalho não está de acordo com a vontade divina. Por isso, nos ' 'novos céus e na nova terra'' não mais haverá a frus¬tração de ter trabalhado em vão, sem ter colhido os frutos do trabalho (Is 65.21 -23). Quem sabe a comunidade cristã já poderia ensaiar alguns passos nesta direção.

Bibliografia

RUPPRECHT, W. Meditação sobre Gn 3.1-19. In: BREIT, H., WESTERMANN, C. (Eds.). Calwer Predigthilfen. Stuttgart : Calwer, 1965. vol. 4, p. 106-21.

Proclamar Libertação 25
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia


Autor(a): Nelson Kilpp e Sônia Gomes Mota
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 3º Domingo após Pentecostes
Testamento: Antigo / Livro: Gênesis / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 19
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1999 / Volume: 25
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 12820
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