História de vida de Regina Höpner Abentroth

17/08/2016

 

Nome: Regina Höpner Abentroth

Membro da IECLB: Desde o batismo.

Comunidade Evangélica da Paz/Santa Rosa/RS

Sínodo: Noroeste-Riograndense

 

Ela nasceu em 30 de setembro de 1932 em Porto Lucena, RS, como filha de Max Höpner (nascido em Berlim, Alemanha) e Ida Matilde G. Schultz (nascida em Blumenau, SC). Rememoramos sua história pelas lembranças de seus relatos em outros tempos, visto que agora isto não é mais possível por Regina ter desenvolvido um processo de demência que comprometeu significativamente sua memória.

A infância de Regina foi marcada por acontecimentos em torno da Comunidade cristã onde foi batizada e confirmada. Seu pai Max foi presbítero da Comunidade de Porto Lucena, e a casa de Max e Ida era também hospedaria de pastores itinerantes que vinham de tempos em tempos. Max inclusive foi preso junto com um pastor em Santa Rosa, RS, por ocasião da guerra, época em que não se podia falar a língua alemã. Sua mãe Ida enfeitou, por mais de 30 anos, o altar da igreja com as flores do seu jardim. Sim, a Igreja fazia parte da vida da família toda. Aos 17 anos, Regina casou com Helmuth Abentroth, filho mais novo e nascido no Brasil (em Santa Rosa, RS) de imigrantes alemães da Volínia, - Rússia. Foram morar em Santa Rosa, RS, e pouco tempo depois nasceram os filhos e as filhas: Erica, Rudi, Elói, Vilmar, Rejane e Liselena. Foram batizados, batizadas, confirmados e confirmadas. E, para seu orgulho, ela sempre dizia: todos e todas receberam a bênção matrimonial na IECLB.

Regina aprendeu a costurar aos 12 anos. Este aprendizado se tornou sustento e profissão ao longo de quase toda a sua história. Varava noites e noites para entregar as encomendas no prazo. Sua costura era muito prestigiada e solicitada. Vestiu rainhas, misses e muitas noivas também. E, além disto, sempre teve tempo para sua Igreja. Envolveu-se bem cedo no grupo da OASE da Comunidade Evangélica da Paz, em Santa Rosa. Depois por um período em São Luiz Gonzaga, RS, e mais tarde, depois de ficar viúva aos 40 anos, em Crissiumal, RS. Na casa de Regina sempre tinha gente chegando e saindo, por causa das costuras. Sua casa humilde era também ambiente de diálogo, de confidências, de riso e de choro. Pastores, pastoras, professores e professoras, profissionais das mais diferentes áreas vinham ao seu encontro. Sempre tinha uma palavra de consolo, de conforto, ouvia com empatia, e sua ética cristã lhe oportunizava um sigilo de cura.

Regina, pelo seu dom e pela sua experiência em cuidados com crianças, era muito requisitada por mamães parturientes. Foi ela que deu os primeiros banhos em muitos bebês, além de acompanhar as mães com orientações sobre alimentação, higiene e saúde. Não é por acaso que se tornou madrinha de batismo de 28 pessoas. O seu testemunho cristão foi sempre contagiante. Ela era uma mulher forte que conduziu sua prole para a comunhão na Comunidade. Ativa na OASE fazia muitas visitas nas casas e hospitais. Pelos seus dons culinários, junto com outras pessoas, preparava almoços, jantares e café colonial para angariar recursos necessários para a Comunidade e também para a Escola Evangélica.

Seus olhos brilhavam quando ouvia as palavras do seu lema de confirmação. O Salmo 37.5 serviu-lhe como horizonte e ancoradouro. Ter luz para seus passos e força para caminhar adiante era preciso. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e tudo o mais Ele vai fazer”.

Regina participou do Presbitério da Comunidade e Paróquia Trindade de Crissiumal. Também na OASE ocupou diversos cargos de Diretoria. Foi coordenadora paroquial e distrital do então Distrito Buricá. Foi representante leigo da antiga Região Eclesiástica III em dois Concílios Gerais da IECLB.

Apesar de sua situação econômica muito difícil para manter a casa, os filhos e as filhas – estava sempre contando os “trocos”, como dizia –, Regina sempre tinha algo para ofertar e contribuir. Se não podia de outra forma, oferecia seus dons, suas possibilidades. Um testemunho muito bonito da sua vida é a expressão de gratidão a Deus. Sempre dizia que, no tempo oportuno, Ele nos dá o que necessitamos. Regina se indignava com injustiças; isto ela não conseguia compreender: a maldade humana. Seu coração puro e doce sofria com muitas situações nas comunidades e grupos de trabalho na Igreja, mas também na sociedade em geral e no mundo.

Quando nos encontramos em família, em momentos festivos, reconhecemos que o presente mais precioso e a herança mais valiosa que nossa mãe Regina nos deixou foi o seu carinho e comprometimento com a vida de fé em Comunidade, na Igreja. Ela nos ensinou a dar valor e priorizar as coisas da Igreja, porque isto dava sentido à vida. Este seu legado ultrapassou as fronteiras familiares e contagiou muita gente que teve o privilégio de conviver com esta mulher guerreira e forte, mas mansa e meiga, de sorriso sincero. Sua contribuição, cremos, espalha-se e frutifica pela obra do Espírito Santo, na sua descendência e numa dimensão mais ampla, na comunhão cristã.

A Dona Regina, como é chamada e querida, pôde se alegrar e conviver com doze netos, netas e ainda três bisnetas e um bisneto. Agora, prestes a completar 84 anos, ela está numa casa de cuidados especiais, um lar de idosos, onde é visitada e frequentemente buscada por familiares para momentos especiais. Regina tem sequelas da enfermidade e também de um AVC leve; por isto, está em cadeira de rodas. Afirmamos que nós somos a memória de nossa mãe. E não queremos e nem podemos esquecer todo o seu legado de vida para a família e para a Igreja, a IECLB que ela tanto amou e serviu.


Responsável pelo relato: P. Vilmar Abentroth


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