João 14.1-6

Alocução para Sepultamento

01/11/1993

 JOÃO 14.1-6

Esta alocução leva em consideração pessoa falecida entre os 50 e 60 anos de idade. Sua vida de fé e igreja (comunidade), junto com a família, é naturalmente exercida ao longo da vida. O desenvolvimento da alocução busca refletir sobre três questões:

a) o falecimento como perda;

b) a vida e a morte e nós, e

c) o testemunho da fé.

Prezados familiares enlutados, parentes, amigos, prezada comunidade! Há poucos dias, nós ainda conversávamos com a ... Falávamos sobre planos para o futuro com ela. A falecida perseguia um desejo há muito tempo: ter sua própria casinha para viver junto com seu marido, não longe dos filhos e netos evidentemente. Todos vocês da família sabiam disso e até já discutiram esse assunto várias vezes. Mas a morte foi mais rápida! Aparentemente saudável, a ... nos deixou para sempre. Por isso hoje há muita tristeza aqui nesta casa. Vocês familiares estão chorando a partida de alguém que não pode mais voltar ao vosso convívio. Nós todos da comunidade vamos ver um lugar vago no banco da igreja, por muito tempo. Caro Sr. (o marido), esta mulher com quem o senhor dividiu sua vida por... anos já não lhe pode mais fazer companhia. Certo dia, o senhor mesmo disse: Nada é eterno por aqui. Pois então veja que a morte é suficientemente poderosa para destruir larga convivência, amor e amizade.

Com certeza que dentro de nós confundem-se os mais diferentes tipos de pensamentos. Diante da morte somos de certa forma paralisados, anestesiados. Quanto poder e fascínio ela exerce sobre nós! E vejam que constantemente estamos ameaçados por ela. É como se a morte estivesse à espreita em cada esquina, em cada passo, em cada suspiro. Preferíamos que ela realmente não existisse, não atuasse, não desfalcasse as fileiras da vida. A humanidade despreza a morte a tal ponto, que acaba vivendo como se ela realmente não existisse. O que é um grande erro, pois com essa atitude apenas fortalecemos a ideologia do mais forte. É dessa maneira que a dominação de irmão sobre irmão tomou conta. Aparentemente todos ficarão impu¬nes, então podemos fazer o que queremos: os que adoecem podem ser explorados até sua última gota de sangue; os que constroem nossas casas e edifícios devem morar debaixo da ponte; toda mão-de-obra de baixa renda deve passar fome; as pessoas podem se devorar pela ganância. Todo esse quadro de sofrimentos que nos ameaça não é nada mais do que a própria morte e seu poder atuando entre nós.

Como vamos reagir diante de tudo isso? A pessoa falecida a quem estamos a prestar nossas últimas homenagens dedicou sua vida de fé a Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. Toda a família enlutada ocupa-se com as cousas de Deus, o que é antes de mais nada, valorizar a vida verdadeira! Nós cristãos não vivemos de forma inconsequente. Nossa fé é a baliza e o rumo para os atos, palavras e pensamentos. üe nossa boca saem palavras que edificam a vida.

Numa das reuniões de estudo da Palavra de Deus a nossa falecida pediu a leitura do versículo de Jo 14.6 (ler). Esse pedido nos fez ler um texto maior de João (ler Jo 14.1-6). O que naquela ocasião concluímos com gratidão queremos passar a todos que aqui estão. Concluímos que a vida tem uma consequência muito clara, pois existe uma caminhada até a casa de Deus. Esta já começa aqui desde o dia em que nascemos. Jesus Cristo mesmo fez questão de nos ensinar o caminho através dos Evangelhos. Para não desanimarmos, consolou-nos com as palavras de Mt 11.30: Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. O nosso fardo torna-se ainda mais leve quando vivemos na comunhão dos irmãos e irmãs na comunidade. Hoje estamos todos aqui para nos despedir de ...., mas também estamos aqui para tra/er conforto e consolo a vocês enlutados. Queremos ajudar a aliviar este sofrimento causado pela perda irreparável.

Nossa fé nos dá certezas. Assim queremos dedicar esta pessoa falecida às mãos bondosas de Deus, para que a receba em seus braços, na certeza de que Jesus Cristo também por ela morreu e ressuscitou. E que Deus nos encontre preparados, para que assim também possa fazer um dia conosco. Amém.


Autor(a): Valdim Utech
Âmbito: IECLB
Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 14 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 6
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1993 / Volume: 19
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Alocução
ID: 15405
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Salmo 105.4
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