Mateus 11.28-30

Auxílio Homilético

25/11/1980

ÉPOCA DA PAIXÃO IV – Mateus 11.28-30 – Bruno Gottwald


I - Considerações exegéticas

Como o próprio v.25 do mesmo capítulo sugere, o convite deste texto é dirigido aos pequeninos, os mesmos endereçados pelas bem-aventuranças do Sermão do Monte. São os que estão famintos, aqueles que choram, lutam, estão à procura daquilo que somente Jesus Cristo tem para dar e trazer. Aqueles que, por exemplo, estão cansados (veja Nicodemos - Jo 3) de procurar inutilmente no cumprimento da tora judaica o sentido para sua existência e a justificação para a mesma, principalmente quando levados pelo desejo de viver a lei como vontade de Deus e não como um princípio de auto-afirmação pessoal (o que fora a preocupação de Paulo — Rm 2.17ss).

O jugo de Jesus não se torna suave e o fardo leve por causa da recompensa que promete, mas, sim, porque é o seu jugo, o seu fardo que ele carregou até o fim.

É o crucificado e ressurreto Senhor que no v.25 dá graças ao Pai por este lhe ter dado a vitória sobre a morte e o ter levado através da morte para a vida, rompendo assim os horizontes do fardo, do jugo, da morte. E é este crucificado e ressurreto, Senhor presente, que convida para uma comunhão pessoal e assim, para a liberdade.

Este texto — incluindo o v.25, onde a sabedoria dos grandes, dos entendidos é anulada (veja também I Co 1.18 e 23) - é de importância fundamental, pois posiciona o querigma cristão diante: a) dos ideais da sabedoria judaica; b) de todas as esperanças e anseios humanos; c) de todas as outras ofertas salvíficas sedutoras e tentadoras.

O texto não diz especificamente em que consiste este jugo suave e o fardo leve, mas traz apenas o convite de seguir ao que convida (cf. Mt 16.24s).

Todos os anseios por redenção, clareza e revelação, os anseios por vencer, não encontram aqui neste convite um novo conteúdo, mas chegam ao seu objetivo final.

II - Subsídios para a meditação

Smile, Jesus loves you! (Sorri, Jesus te ama.) Este decalco tão conhecido e animador é um dos muitos convites na linha do pensamento positivo e da filosofia oriental do SeichoNoYê, que nos convidam para a resignação na sublimação de problemas e sofrimentos. Seria o convite de Jesus, em Mt 11.28, mais um convite para a exposição de um belo sorriso apesar do ronco do estômago faminto ou da angústia de uma mente, de um coração revoltado ou arrasado pelo medo e dor?

Sem dúvida, entre os tantos convites e ofertas com as quais somos bombardeados diariamente, faz-se ouvir mais este, simples e não muito promissor, de Jesus. Jesus chama os cansados e sobrecarregados. Cansados e sobrecarregados — do ponto de vista de Jesus, isso inclui todos, exceto aqueles que, satisfeitos consigo mesmos e com a situação a seu redor, se excluem a si mesmos, ou aqueles que já há muito desistiram.

Quem poderia dar-se ao luxo de saber-se excluído? Os que gozam de uma tremenda saúde, uma posição social de causar inveja, os coroados de sucesso e êxito?

Certamente se excluem a si mesmos os que se satisfazem com sua religiosidade (Lc 18.11 s); também os que se sentem abençoados e recompensados com seu status social — e que, para manter, guardar e sobretudo aumentar aquilo sobre o qual estão sentados, são adeptos fervorosos da política muito sábia do avestruz ou do não me comprometa, sou apolítico. Sem dúvida, meus problemas pessoais - doença, família, luta pela sobrevivência — são cargos e fardos que ou me levam à resignação, ao desespero, ou a Deus; bem como minha angústia de saber muito bem que não correspondo às expectativas de Deus para comigo, que não correspondo à minha identidade de santo, reconciliado com Deus.

Quem poderia se excluir a si mesmo, ignorar o convite? Ainda mais e principalmente quando se leva a sério o imperativo de Paulo: Levai as cargas uns dos outros. (Cl 6.2) Quando se sabe das cargas dos oprimidos, marginalizados e explorados, dos sem voz.

Mas será que não serei decepcionado atendendo ao convite de Mt 11.28? Sim, certamente o serei, se atendê-lo com falsas expectativas, a la Smile, Jesus loves you, se descanso significar para mim sombra e água fresca, alienação. O descanso que Jesus oferece é libertador, é dinâmico, é força, clareza e ânimo para continuar no discipulado, na caminhada com a cruz nas costas mas com a esperança à nossa frente. Pois os fardos continuam, os jugos continuam, mas não são mais meus jugos e fardos que me escravizam, pois são agora o seu jugo e o seu fardo. Mt 11.28 não visa fazer de nós otimistas ingénuos, mas sim caminhantes movidos pela esperança dinâmica que a ressurreição de Jesus nos dá. Todos que atenderam a este convite de Jesus não se tornaram super-homens, mas pessoas que, libertadas, tiveram forças para encostar seu ombro no ombro dos fracos e desalentados. Talvez o depoimento de F. von Bodelschwing nos encorage a aceitar o convite de Jesus: Jede fremde Last die ich aufnehme, macht meine eigene Last leichter. (Toda carga alheia que eu carrego, torna minha própria carga mais leve.)


Autor(a): Bruno Gottwald
Âmbito: IECLB
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 11 / Versículo Inicial: 28 / Versículo Final: 30
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1980 / Volume: 6
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 18241
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Devemos orar com tanto vigor como se tudo dependesse de Deus e trabalhar com tanta dedicação como se tudo dependesse de nosso esforço.
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