Mateus 5.14-16

Alocução de Culto de Confirmação

25/11/1994

1. A situação

O grupo de confirmandos era bastante heterogéneo. Alguns só podiam se reunir à noite. Eram meninos e meninas que trabalhavam em fábricas de calçados. Vinham com seus dedos cheios de cola. Muitas vezes, o encontro tinha que ser encerrado antes da hora prevista, devido ao cansaço das crianças. Outros eram filhos de classe média, estudantes da escola particular da comunidade. Outros, ainda, frequentavam a escola pública. Quando possível, em retiro, todos eram reunidos. Formavam uma comunidade muito desigual. Hoje, passados muitos anos, a comunidade é liderada por representantes dos três grupos. Antes da confirmação, pais e confirmandos haviam sido reunidos. Muito da reflexão feita então voltou na alocução do dia da confirmação.

2. O texto

O texto usado foi Mateus 5.14-16.

3. A alocução

Querida comunidade, queridos confirmandos!

Há alguns dias estivemos reunidos aqui na igreja. Três confirmandos, representando cada um deles um dos grupos de ensino confirmatório, receberam velas e a incumbência de procurar um objeto. As luzes foram apagadas e eles saíram à procura do objeto. Encontraram muitas dificuldades. Tropeçaram, caíram, bateram nos bancos da igreja. As velas não estavam adiantando nada. Dei-lhes, então, uma caixa de fósforos. Acenderam as velas e, aí, a procura ficou mais fácil. Com a vela acesa, em pouco tempo encontraram os objetos, não tropeçaram mais, não se machucaram. Um que tinha mais dificuldades de encontrar seu objeto foi, no final, auxiliado pelos outros dois colegas.

Naquela noite descobrimos de novo, pais e confirmandos, como é difícil viver no escuro. Os confirmandos disseram que se sentiram desorientados, perdi dos, erraram o caminho; se não conhecessem um pouquinho o interior de nosso templo, não teriam conseguido sair do lugar. Quando, porém, o fósforo foi riscado c u vela acesa, a situação se alterou. A pequenina luz transformou o ambiente. A escuridão não dominava mais todos os espaços. Quando os três, então, se colocaram um ao lado do outro, a luz brilhou mais intensamente. Vimos que, na casa escura, a luz transforma o ambiente. O medo foge, tudo fica claro.

Assim é com nossa vida cristã. A luz de Jesus Cristo faz de nós pessoas que passam a ver e que, quando unidas em seu nome, fazem as coisas aparecer sob a sua luz. Os cristãos são luz do mundo porque trazem para o mundo a luz de Jesus.

Essa luz de Jesus nós estivemos estudando por dois anos. Nossos pais, padrinhos e, muitas vezes, nossos avós nos contaram a respeito dessa luz. Ela se tornou importante para nós. Por isso, não estamos mais desorientados, temos ajuda para saber o que é certo e o que é errado, não estamos mais no escuro. Importante é que quando a luz que recebemos é unida com a luz que outros receberam, aí a luz brilha mais forte, aí o mundo fica menos escuro. Aí, como comunidade, podemos iluminar o mundo com a luz de Jesus e modificá-lo. Somos luz porque Jesus é nossa grande luz.

Aprendemos durante os dois anos de ensino confirmatório a verdade daquela outra palavra de Jesus que diz: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida. Nós, pais, padrinhos, confirmandos, comunidade, somos luz porque conhecemos as palavras de Jesus. Ficamos conhecendo sua luz através do estudo da Bíblia, da vida de Jesus; vimos como ela quer brilhar através de nós. Agora, estamos sendo convidados a não esconder essa luz. Fomos fortalecidos nela; agora somos convidados a fortalecer outros, anunciando-a. Devemos deixá-la brilhar para iluminar outras pessoas e para modificar o ambiente em nosso redor, sempre que a escuridão quiser ser maior do que a luz de Jesus. Lembram-se do dia em que fomos limpar a rua das famílias da vila e elas nos perguntaram por que estávamos fazendo isso? Lembram-se da visita ao asilo e da pergunta que nos fizeram? Ali colocamos pequenos sinais da luz de Jesus; foram pequenos exercícios. Jesus está convidando a nós, comunidade de pessoas confirmadas ao longo dos tempos, a colocar sua luz no mundo.

A pergunta para nós é: onde poderemos ser ainda mais luz para o mundo? Certamente não precisamos ir para a praça. Podemos começar com pequenos exemplos, em nossa família ou na família que viermos a constituir. Seria bom, se outros perguntassem: O que há com a família deles? Resposta: ali tem a luz de Jesus. Ali tem exemplo de fé entre pais e irmãos. Por que ela é diferente na escola? Por que eles sempre estão dispostos a ajudar na vizinhança? Por que eles são justos e honestos nos negócios? Por que se colocam a favor de causas justas na vida do município?

Não é fácil colocar luz. É preciso ter a coragem de Jesus. O mundo gosta de ficar no escuro, porque aí sua maldade não aparece. Tem gente que gosta de viver na mentira e da mentira. Aí a verdade não aparece, a injustiça permanece, o ódio aumenta. Onde brilha a luz, porém, há paz, amor, justiça, verdade.

Como grupo, esses confirmandos vão se separar. Uns vão continuar a estudar, outros vão trabalhar com os pais na agricultura, outros continuarão na fábrica, outros, ainda, vão procurar lugar de trabalho. Muitos talvez não voltem a se encontrar. Há, porém, uma coisa que nos une em nossa diversidade: o amor de Jesus e o seu convite de que deixemos sua luz brilhar entre as pessoas. Cada um de nós conhece essa luz; cada um de nós que recebeu no seu Batismo o convite de Jesus — Vem e segue-me — está convidado a juntar sua luz à luz de outros cristãos, lá onde vier a morar, para dar testemunho da fé que foi fortalecida em vocês. Assim, a luz de Jesus há de brilhar.

Comunidade e confirmandos são lembrados de que a luz da fé, que em nós foi acesa, só pode brilhar enquanto ficar ligada à luz chamada Jesus Cristo. Não nos desliguemos da fonte de nossa vida. A oração, a certeza de que fomos batizados, a certeza de sua presença nos acompanhem em todos os nossos caminhos. Amém.


Autor(a): Martin Dreher
Âmbito: IECLB
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 5 / Versículo Inicial: 14 / Versículo Final: 16
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1994 / Volume: 20
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Alocução
ID: 17679
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