O Deus revelado por Jesus Cristo

02/03/2019

Lucas 9.28-36

Oração: Senhor, ensina-nos agora a silenciar. Ensina-nos, Senhor, a nos distanciar das coisas que parecem importantes, mas que na verdade não são. Ensina-nos a ser serenos e deixa-nos participar de tua serenidade, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.

Nessa época de Carnaval, é muito comum que as igrejas proponham retiros ou acampamentos espirituais. São retiros de oração, convivência e de estudos bíblicos. Conforme o texto do Evangelho de Lucas, também Jesus parece que fez uma espécie de retiro de oração. O ambiente era de recato e de silêncio.

A tradição diz um desses momentos foi a TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR no alto do Monte Tabor e representa o ponto onde a natureza humana se encontra com Deus: o encontro do temporal com o eterno, com o próprio Jesus fazendo o papel de ponte entre o céu e a terra. Jesus costumava subir esse monte para momentos de silêncio e de oração (Lc 9.18). No texto que acabamos de ouvir, ele leva consigo os discípulos Pedro, João e Tiago. Lá no monte Tabor, os discípulos percebem que o rosto de Jesus brilhava. De repente, surgem Moisés e Elias, que falam com Jesus. O assunto da conversa é a partida (a morte) de Jesus. Os discípulos não entendem: Está tudo tão bonito e o assunto da conversa é a morte? A conversa é longa e dá sono e os discípulos adormecem. Eles despertam e a conversa ainda não acabou.

No entanto, o ambiente é de tranquilidade e de paz. Que bom é ter uma religião assim, que te afaste dos problemas do mundo e das lutas diárias. Muita gente gostaria de ter uma religião assim. Uma religião que te retire desse mundo e te afaste das pessoas sem alma e sem compaixão. Uma religião que fala da morte não como um castigo, mas como esperança, como um encontro definitivo com Deus.

Por isso, Pedro propõem construir três tendas. Recomeçar tudo desde o começo, desde o tempo em que Deus falava com o líder Moisés e lhe deu os 10 mandamentos, desde o tempo em que Deus falava com o profeta Elias, para que ele denunciasse a idolatria e a manipulação religiosa.

Nesse instante aparece uma nuvem – uma neblina muito forte - cobrindo o monte. Isso no Antigo Testamento é um sinal da presença de Deus. Quando Deus está presente num lugar, sempre aparece uma neblina muito forte. E do meio da neblina os discípulos ouvem uma voz: Este é o meu filho – a ele ouvi (v. 35). Com isso, Deus diz aos discípulos: A igreja deve ouvir e seguir a Jesus.

Dessa maneira a revelação ocorrida na transfiguração deu aos discípulos a clareza e certeza quanto a divindade de Jesus. Jesus é de fato o Filho de Deus. Mas o que os discípulos não entendiam era por que Jesus teria que sofrer, ser rejeitado e morto? Se Jesus é o Filho de Deus, ele não deveria derrotar todos os poderes contrários à vontade de Deus, ele não deveria trazer paz, harmonia, felicidade para esse mundo? Por que Jesus, sendo o Filho de Deus, precisa ser rejeitado e morto?
E a resposta é: Para que nós tivéssemos para onde olhar e a quem recorrer na hora de nosso sofrimento. Cada um de nós está sujeito a todo tipo de adversidade nesse mundo. E mais, como discípulos de Jesus estamos sujeitos à rejeição, à perseguição e até a morte. Jesus sabia que os discípulos passariam por momentos difíceis. Por isso ele diz: Se alguém quer ser meu seguidor(a), a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (9,23).

Nessa vida as pessoas podem passar coisas terríveis, como o próprio Jesus passou, mas não há sofrimento no qual Jesus não possa ser invocado e não há lugar onde Jesus não possa estar presente. Portanto, Jesus não sofreu por ele mesmo, mas por nós. Para que nós não desesperássemos na hora da dor, do ódio, do conflito, da perseguição e até da morte. Jesus é o Filho de Deus e ele conhece todo tipo de sofrimento humano e pela fé – um dia ele nos conduzirá à glória de Deus por toda a eternidade. Esta vida aqui nesse mundo está marcada pela cruz, mas a com a transfiguração do Senhor, vemos que a vida que virá será marcada pela glória de Deus.

Por isso, Jesus nos mostra também a nós o verdadeiro Pai. E que podemos encontrar esse verdadeiro Deus nos ensimanetos de Jesus que estão nos Evangelhos. É nos Evangelhos que Jesus nos mostra quem é Deus e o que ele espera de nós.

Martin Lutero ensinava que se queremos saber quem é o verdadeiro Deus, devemos sempre olhar para Jesus. Pois, o diabo é muito esperto, ele sempre quer nos afastar do verdadeiro Deus. O diabo sempre quis – ele mesmo - ser igual a Deus. Ele sempre quis ter muitos seguidores e que as pessoas o chamassem de deus. Somente Jesus pode nos livrar desse engano. Sem Jesus as pessoas são capazes de chamar o diabo de deus.

Por isso, ensinava Martin Lutero, para que não sejamos enganados pelo diabo que quer ser deus, devemos sempre olhar para Jesus. Quando vemos pessoas se alegrando com a morte, dizendo que isso é castigo de Deus, devemos nos perguntar: Jesus está de acordo com isso? O Pai de Jesus Cristo é um Deus que castiga com a morte? Jesus semeava o ódio e a crueldade no coração das pessoas?

A Reforma Protestante chamou a igreja e as pessoas cristãs de volta para o Deus de Jesus Cristo. Hoje em dia a Reforma ainda não acabou. Como pessoas cristãs é nosso papel zelar para que o diabo não nos engane outra vez e o chamemos de deus. O verdadeiro Deus, sempre foi o Deus de Jesus Cristo. Somente a ele devemos ouvir e seguir. Amém.

 

Oração comunitária: Obrigado pelo teu consolo, bondoso Deus. Obrigado pelas horas difíceis em que encontramos amparo em ti. Sabemos que tu tens inúmeros caminhos através dos quais tornas possível o que para nós parece ser impossível. Tu já nos deste muito mais do que merecemos, mas te rogamos, dá-nos também a consciência que vivemos pelo teu amor e por tua misericórdia. Dá-nos uma fé que não desespera na hora da dor. Que não nos esquecemos que em todas as situações tu és o Senhor. Aos que vivem angustiados diante de um futuro sem oportunidades, concede-lhes trabalho, emprego e salário justo, para que as pessoas possam ser úteis umas as outras. Protege a vida das crianças, dos jovens e os idosos. Mostra-nos que tu és o Deus da Vida e da compaixão e ensina-nos a ser assim também. Olha para todos com teu olhar de graça e de paz. Em nome de Jesus, nós oramos. Amém.
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Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 9 / Versículo Inicial: 28 / Versículo Final: 36
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 51088
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Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
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