Páscoa: a pedra removida

01/01/1997

 

Quem poderá remover a pedra
Que sepulta a minha esperança;
A pedra que pesa sobre o meu coração?
Esta pesada pedra!
Foi removida do meu peito
A pedra que sepultava a minha esperança.
Ele ressuscitou! Ele vive e vai adiante de mim
.

Lothar Zenetti

Maria Madalena poderia ter falado so­bre estas palavras. Mulher do povo, sete vezes perturbada, como relata o Evangelho (Lucas 8.2). Confusa e desorientada, discriminada, excluída, desesperada, doente e rejeitada. Encontra-se com Jesus. Ele toca sua história, ouve os seus temores, faz-se amigo, e ela experimenta a libertação. Torna-se discípula, acompanha-o nas jornadas. Segue-o, corajosa, desde o norte, na Galiléia, pelos campos, pelos povoados e pelas cidades, atravessando a Samaria, até o sul, na Judéia e entra na capital, Jerusalém.

Esperançosa e dedicada perde tudo, mais uma vez, ao presenciar terrível cena, a tortura, o assassinato e o sepultamento de seu melhor amigo, com tantos bons projetos. O melhor amigo, morto. Mulher do interior, esmagada e derrotada na capital. Maria Madalena, novamente pequena, a grande pedra do luto, da dor, da solidão, do desânimo, sepultando as suas esperanças.

Findos os dias de Calvário, ao visitar a sepultura, a pedra removida, o tumulo vazio, a ressurreição. O florescer das esperanças, das forças, do reinício, do reencontro com a vida. Aprende a caminhar com os próprios pés, a ressurreição dando asas a sua coragem. Torna-se testemunha e vai contar a sua experiência aos discípulos amedrontados, reunidos em casa fechada. Eles recebem o relato supresos, admirados alguns, outros desconfiados, outros incrédulos, vagarosos na remoção da pedra, ainda pesada a oprimir aqueles seus dias.

Difícil livrar-se da pedra e experimentar a ressurreição, como foi difícil para Tomé (João 20.24-29). O próprio ressurreto precisa ajudar a abrir os olhos do incrédulo, que só crê depois que viu.

Bem-aventurados os que crêem, não somente depois que viram, mas que aprendem a ver porque crêem.

Pensando bem, podemos ser gratos a Tomé pelas suas dúvidas. Ele nos mostra que os homens e as mulheres da Bíblia não são heróis e heroínas da fé, imunes a dúvidas e perguntas.

São como nós, frágeis e sujeitos a equívocos e ao peso das pedras que sepultam esperanças. Assim sendo, quando nós mesmos nos tornamos pequenos em nossas dúvidas, quando nós mes­mos demoramos na remoção das pedras, quando se torna difícil a experiência da ressurreição para nós, podemos lembrar-nos de Tomé como um de nós.

Também somos gratos a Jesus pela for­ma amorosa como acolhe a quem é assaltado por perguntas e dúvidas; como ajuda a quem fica preso a sexta-feira da paixão; como ensina a crer, fazendo ver, quando somos incapazes de ver porque incapazes de crer.

Páscoa: Já não fico preso aos meus limitados conceitos sobre o céu e a terra, porque Cristo ressuscitou e vive.

Páscoa: Já não fico curvado sob o peso das pedras que querem sepultar as minhas esperanças, porque Cristo ressuscitou e vive.

Páscoa: Começo a compreender que Deus remove as pedras que as circunstâncias, eu mesmo ou outras pessoas edificam em torno de mim como prisões - porque Cristo ressuscitou vive.

Páscoa: Volto-me para Cristo ressurreto, e nasce em mim uma nova esperança.

Silvio Meincke - pastor da IECLB

(Publicado em Anuário Evangélico - 1998, p. 85-86)

Ver índice do Anuário Evangélico - 1998.


Autor(a): P. Silvio Meincke
Âmbito: IECLB
Área: Celebração / Nível: Celebração - Ano Eclesiástico / Subnível: Celebração - Ano Eclesiástico - Ciclo da Páscoa
Título da publicação: Anuário Evangélico - 1998 / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1997
Natureza do Texto: Artigo
ID: 7900
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