Prefácio - Proclamar Libertação - Vol. 26

01/12/2000

Conta-nos o Evangelho de Lucas um episódio belíssimo acontecido na tarde da primeira Páscoa cristã. Sob o impacto da Sexta-Feira da Paixão, dois discípulos decidem retornar para a aldeia de Emaús. Estão tristes, cabisbaixos e desiludidos. Conversam sobre a trágica e violenta morte de Jesus. A conversa tem um gosto amargo. Aparentemente não há mais nada a fazer. O sonho acabou e a esperança (a última que morre) morreu.

Enquanto caminham, um estranho se aproxima deles e participa da conversa. Estimula-os a falar e a apresentar a sua versão dos fatos. Ouve pacientemente a amargura e a desilusão que brotam de suas almas. E então apresenta uma nova perspectiva sobre o que aconteceu. Explica a eles as Escrituras de uma forma como nunca a tinham entendido. E, quando o dia já começava a declinar, aceita entrar com eles na aldeia para compartilhar uma ceia. Durante a refeição, o hóspede faz o papel de hospedeiro: abençoa o pão, o parte e o dá aos discípulos. Só então eles reconhecem que o estranho era o próprio Jesus ressuscitado.

Quando Jesus finalmente se ausenta, os discípulos passam em revista aquela tarde memorável. E dizem um ao outro: Porventura não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava, quando nos expunha as Escrituras? E os dois decidem retornar para Jerusalém, reatando os laços com a comunidade de discípulos que lá estava reunida, reanimada pela notícia da ressurreição de Jesus.

Esse relato descreve, de maneira plástica e comovente, a tarefa a que é exposta a pessoa que anuncia o evangelho: aquecer e reanimar o coração da comunidade com uma boa nova que nos vem de Deus. Em meio a um mundo conturbado e caótico, individualista e excludente, triste e sem perspectivas, o evangelho representa a boa notícia de que junto a Deus encontramos o manancial da vida plena, da alegria, da paz, da justiça e da esperança. Na explicação das Escrituras, na partilha do pão na ceia, Jesus se dá a conhecer e nos coloca novamente em contato com a fonte pura e fresca, de onde jorra a água viva capaz de saciar a nossa sede.

Proclamar Libertação pretende ser uma modesta contribuição para aqueles e aquelas que a cada domingo levam esta tarefa a sério.

Este volume de numero26, com uma cara nova e uma nova diagramação, reúne 45 auxílios homiléticos correspondentes ao ano C da Série Ecumênica Trienal ABC, além de dois auxílios para ocasiões especiais. Lamentavelmente não conseguimos providenciar auxílios homiléticos para todos os domingos. Proclamar Libertação depende do trabalho voluntário de obreiros e obreiras, e nem sempre a boa disposição de contribuir encontra igualmente um bom termo. Resta nos agradecer às pessoas que dedicaram tempo, talento e esforço em favor dessa causa e rogar a Deus que ele utilize os frutos deste trabalho para a edificação de seu reino.

Verner Hoefelmann
p/ Conselho Editorial


Autor(a): Verner Hoefelmann e João Artur Müller da Silva
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2000 / Volume: 26
Natureza do Texto: Artigo
ID: 17465
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1João 3.20
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