Você está enxergando algo além do horizonte?

Uma perspectiva da ressurreição

17/02/2019

Você está enxergando algo além do horizonte?
1 Coríntios 15.12-20

 

Introdução

Deixem-me colocar duas situações diante dos olhos de vocês:

Todos já ouvimos falar de Isaac Newton. Lá pelos anos de 1700, ao observar que todas as coisas caem, desenvolveu a Lei da Gravidade. Ouvimos outros contar que, numa bela tarde, estava ele sentado debaixo da macieira e que, quando a maçã lhe caiu na cabeça, deu um estalo e, pronto, lá estava a Lei da Gravidade que diz que tudo o que sobe, desce. Mas não foi bem assim. Na verdade ele estaria tomando o chá da cinco em seu jardim com um amigo quando comentou que, a exemplo das maçãs na macieira, todas as coisas caem... e levou uns 20 anos para que finalmente elaborasse um tratado científico – um dos primeiros da história humana – para descrever o porquê não somos jogados para fora da terra, embora ela gire na velocidade estonteante de 1.600 Km/h na altura do equador.

Nestas férias, estava em um enorme lago com o Roberto, pescador esportivo. O Roberto foi conversar com outro, profissional, e lhe pergunta que garantias ele tem de sair para buscar as redes naquele lago traiçoeiro, uma vez que as tempestades eram frequentes e os fortes ventos viravam os pequenos barcos. “Você está vendo aquela pequena ilha lá no horizonte? Está vendo que no seu costão tem algumas casinhas brancas? Quando aquelas casinhas refletem a luz do sol, que ainda não é visível para nós aqui, então sei que o dia será bom e posso me lançar no lago com segurança. Aquilo que ainda não vejo, estas casinhas já refletem, vejo a luz do sol muito antes de ele nascer para mim.”

A ressurreição dos mortos não existe!

Muita gente, também dentro das igrejas, afirma isto categoricamente ressurreição é balela. É apenas uma “ilação sem substrato fático” - como se diz nos dias de hoje - uma muito bem engendrada história que se conta por aí, mas que não tem nenhuma possibilidade científica de acontecer. É pura invenção para manter algumas pessoas – cientificamente desprovidas – nas mãos de quem pensa saber mais.

Uma nova notícia.

O primeiro versículo do nosso texto base aponta que o apóstolo Paulo havia “evangelizado” sobre a ressurreição e, num primeiro momento, seus ouvintes na cidade de Corinto haviam aceito esta afirmação, não sem antes refletir e discutir o assunto. Agora, o negavam. Deve ter havido algum fato histórico para a não aceitação! Através do Evangelho aceitaram a salvação mas não mais aceitavam a ressurreição? Quando não mais se aceita a ressurreição, consequentemente não mais se aceita a salvação porque, desta forma, toda a história de Jeus Cristo se torna apenas um conto.

Da mesma forma como aconteceu na cidade portuária de Corinto, também em nossos portos culturais e étnicos da carioquice (jeito de ser próprio de quem é carioca) chegam várias opiniões, sejam elas filosóficas ou religiosas, a respeito de ressurreição, reencarnação, salvação e existencialismo. Como fruto da globalização da comunicação, com seus erros e acertos, suas verdades e mentiras, também os temas da fé cristã não ficam a salvo de distorções travestidas de verdades.

Se nos referirmos à tristeza que a morte propriamente dita nos impõe, justamente as correntes não cristãs tendem a fazer de pessoas despreparadas e não fundamentadas na fé cristã um alvo fácil de inverdades ou de confusão. É por isso que o apóstolo destaca o fato de que, evangelizadas, as pessoas podem ter uma certeza estabelecida para além dos horizontes, pela fé.

Jesus mesmo tratou do assunto da ressurreição quando interpelado pelos saduceus, conforme lemos em Mateus 22. As perguntas deles continuam sendo as perguntas dos habitantes de Corinto e são as nossas perguntas. Jesus, de acordo com o que Mateus anotou, não deu uma resposta cabal e definitiva. O Salvador que vence a morte não detalhou a questão mas remeteu seus interlcutores a tema “poder de Deus” (v.29).

O abraço do poder

Procurando entender de forma correta a expressão no grego, “poder de Deus” deixa de ser apenas uma qualidade intrínseca de Deus e passa a designar tudo aquilo que Ele utiliza para nos fortalecer diante das nossas fraquezas, como, p.ex., a morte. Deus nos dá a qualidade de, uma vez envolvidos por Seu poder, sermos também fortes (genitivus objectivus).

Esta é a resposta de Jesus aos saduceus e este também é o argumento de Paulo. Como não crer na ressurreição dos mortos, se pergunta o apóstolo. Se não cremos na ressurreição dos mortos, de forma análoga, não cremos no poder de Deus. Se não cremos na ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, toda a pregação é mentirosa e vã é a nossa fé.

Ressurreição e fé

Paulo aponta que o fundamento da fé cristã é inegociável. Não tem como aceitar salvação negando a obra completa de Deus. Qual o problema disso? É que desta forma o ser humano reserva para si mesmo o poder sobre a salvação. E, via de regra, quem quer administrar sua própria salvação acaba negando a ressurreição e abraça a doutrina da reencarna, tão natural nos meios religiosos desta cidade sincrética. 

A verdade bíblica resgata o fato de Jesus ter sido morto por causa dos nossos pecados (vs.18-19). Igualmente resgata o fato de Jesus ter sido sepultado. O lugar desta sepultura era conhecido pelos discípulos, pelos soldados romanos, por quem quisesse se inteirar dos fatos. Várias testemunhas contaram e continuam contando que esta sepultura está vazia e que não há corpo em putrefação nas redondezas. Este testemunho histórico e tão poderoso quanto a lei natural que mantém nossos pés firmes no chão, apesar de estarmos viajando sobre um planeta que gira a mais de mil quilômetros por hora.

Ressurreição e ação

O evangelho da ressurreição não pretende ser, no entando, panos quentes nas discrepâncias e injustiças desta vida. Não podemos fechar os olhos para a realidade circundante e esperar o amanhã chegar só porque temos esperança.Tudo o que ofende o amor de Deus e o amor ao próximo deve gritar alto para dentro da nossa sociedade e para dentro das nossas igrejas. Ao apontar para a esperança que está além do horizonte queremos experimentar alento e forças para agir no amor de Deus. Amor de Deus é o poder supremo que indica para a compaixão e a misericórdia, para a compreensão e tolerância. Esse amor é poderoso tanto quanto e muito mais que a força da gravidade que nos mantém com os pés no chão. O amor sabe ser contundente e exigente, mas sem perder a compaixão e a misericórdia para com a outra pessoa.

Conclusão

Prezada comunidade, a certeza da ressurreição faz com que o povo cristão olhe para cima e para além. No entanto, sem altivez ou arrogância. Olha para a esperança e carrega consigo, em seu testemunho e em sua ação, tantas pessoas que hoje não conseguem olhar para a esperança.

Quando no horizonte da vida não encontramos segurança para viver, olhemos para aquele costão, para aquela pequena casa que reflete a luz da esperança. Se até agora fomos levados a acreditar histórias mal contadas a respeito da vida futura, vamos reler a história e rever nossos conceitos e descobrir o sentido das coisas. Deixar o evangelho da ressurreição debaixo do poder de Deus, do Deus que não é impessoal, e confiar a Ele aqueles que não mais estão entre nós, porque morreram, aos cuidados desse poder, nos ajuda a criar confiança e esperança. E nós, neste lugar, sempre estamos com as portas abertas para lhe acolher e juntos caminhar numa fé bem fundamentada.

Amém.
 


Autor(a): Pr. Rolf Rieck
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Rio de Janeiro - Martin Luther (Centro-RJ)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Novo / Livro: Coríntios I / Capitulo: 15 / Versículo Inicial: 12 / Versículo Final: 20
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 50994
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