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ID: 363

Por que existem conflitos na igreja?

João 6.35,41-51

10/08/2018

João 6 35, 41-51
(1Reis 19.4-8 e Efésios 4.25-5.1)

Prezada Comunidade:
Por que existem tantos conflitos na igreja? Por que existe tanta luta pelo poder na igreja? É isso que Jesus deseja de seus seguidores(as)?

O texto do profeta Elias em 1Reis 19.4-9 também fala de uma luta de poder entre o profeta Elias e os 450 profetas do deus Baal. Esse deus Baal era adorado pelos agricultores, que o consideravam uma espécie de são Pedro – aquele que dizem que controla as chuvas. Começa uma luta de poder entre o profeta Elias e os 450 profetas de Baal. Não havia chovido a alguns anos. Tudo estava seco. Elias então propõem um desafio: Já que Baal é o deus da agricultura – aquele que manda a chuva – Elias propõem armar duas fogueiras. Uma para Baal e outra para o Deus de Israel. Depois sacrificaram dois novilhos para colocar a carne em cima da armação de lenha de cada fogueira. O deus que acendesse a fogueira, esse será o deus verdadeiro.

Os profetas de Baal passaram a manhã inteira rezando e nada. Depois do meio dia, Elias armou o seu altar, fez uma valeta em volta, armou a lenha para a fogueira, colocou o sacrifício sobre a lenha e mandou derramar muita água sobre a lenha, até que tudo ficasse bem molhado. Elias então orou dizendo: Responde-me, Senhor, para que este povo saiba que tu és Deus e fizeste retroceder o coração deles (1Rs 18.37). No mesmo instante caiu fogo do céu e consumiu a lenha, o sacrifício e até a terra encharcada de água ficou seca. Foi o 7x1 do Elias contra os profetas de Baal. Elias aproveitou a popularidade e mandou que as pessoas matassem os 450 profetas de Baal. Foi um massacre. Não sobrou nenhum. Depois da matança, Elias ora para que chova e volta a chover.

No entanto, a história não termina aqui. A rainha Jezabel – que era adoradora do deus Baal e que havia ficado com raiva pelo assassinato dos 450 profetas – essa rainha manda assassinar o profeta Elias, que teve que fugir e se esconder dos soldados da rainha nas cavernas do deserto. Agora como fugitivo, Elias entra em depressão. Ele, que antes foi o bam-bam-bam, - que o povo obedecia cegamente – agora é um fugitivo solitário que não tem o que comer. Elias não quer que os soldados da rainha o matem. Isso seria vergonhoso. Ele quer que Deus mesmo o mate. Mas, ao invés disso, Deus o alimenta, restaura as suas forças, porque apesar da situação difícil desse momento, Deus diz para Elias que ele ainda tem uma longa jornada de vida à sua frente.

No Evangelho de João lemos que Jesus fez uma coisa boa que virou em conflito. Jesus tinha acabado de multiplicar 5 pães e dois peixes para 5 mil homens (fora as mulheres e as crianças). E depois que todos comeram Jesus mandou recolher os restos que encheram 12 cestos. De onde veio tanto pão e tanto peixe? O texto não diz que Jesus fez mágica – do tipo de pegar os 5 pães e os dois peixes – colocar um lenço sobre eles, pronunciar as palavras mágicas – abracadabra - e ao retirar o lenço surgiam milhares de pães e peixes. Não, o texto não diz isso que Jesus fez esse tipo de mágica. O milagre que Jesus fez naquele dia, foi fazer com que – diante da necessidade, diante da pobreza - as pessoas compartilhassem o pouco que tinham uns com os outros. Desta maneira, Jesus não estava apenas resolvendo um problema imediato que era a fome, mas ensinando as pessoas como resolver seus problemas futuros. Os problemas se resolvem com a solidariedade, com a participação de cada pessoa. Quando as pessoas somente pensam em tirar vantagem para si – então ninguém estará satisfeito. Quem tem pouco sofre e quem tem muito também sobre porque sempre quer ter mais. Mas quando aprendemos que a vida só é boa se for boa para todas as pessoas, que a justiça, a liberdade, a paz só é boa se for para todas as pessoas, então as atitudes de cada pessoa pelo bem comum devem tornar melhor a vida de todos. E Jesus termina dizendo que Ele é o pão da vida – ou seja – se nós nos alimentarmos desses ensinamentos de Jesus, Deus vai poder transformar o mundo inteiro. Os alimentos que comemos todos os dias nos mantem vivos por muitos anos, mas chegará um dia em que eles não poderão nos livrar da morte. Mas crer, escutar e alimentar-se da Palavra de Cristo é alimentar em nós algo que não acabará com a nossa morte. 

Mas, a história de Jesus também não acaba aqui. Um grupo de líderes dos judeus murmuravam de Jesus. Murmurar é ridicularizar, é desacreditar, é transformar uma coisa boa num conflito, é falar mal. Que Jesus é esse? Não é esse o filho de José? Acaso não conhecemos o seu pai e sua mãe? Que história é esse que ele veio do céu? Jesus percebe esse murmúrio – esse descontentamento, os comentários maldosos desses líderes e diz: Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou, não o trouxer e eu o ressuscitarei (João 6. 44). Ou seja, Jesus diz: Ninguém pode falar ou fazer as coisas que Ele faz, se essa pessoa não tiver sido enviada por Deus. E assim como Deus alimentou e deu um futuro a Elias e ao povo de Israel lá no Antigo Testamento, assim Deus também vai instruir, alimentar e dar um futuro para as pessoas de hoje. Mas para isso, Jesus pede confiança. Os murmúrios, os comentários maldosos, os descontentamentos, as lutas de poder – isso tudo atrapalha a vontade de Deus e precisa ser trabalhado pelas comunidades cristãs. As pessoas são diferentes e tem opiniões diferentes, mas a comunidade não pode ser um campo de batalha de uns contra os outros. Diferença podem existir, mas é preciso também existir respeito e tolerância. O projeto de Deus para esse mundo é que todos tenham vida digna e isso somente será possível se nos unirmos todos como irmãos e irmãs na fé em Cristo e não nos dividirmos em grupos que lutam pelo poder.

Na televisão perguntam que Brasil você quer para o futuro? Em resposta aparecem muitas denúncias e também muitos desejos. Mas nada disso será realidade se ficar somente naquele programa de televisão. Esses desejos não vão se tornar realidade por mágica. Jesus nos ensinou diferente: os desejos se tornam realidade quando nós mesmos participamos da solução do problema, quando nós compartilhamos o pouco que temos, quando nós entendermos o que Deus nos quer ensinar através de Jesus: a vida de cada um somente será boa, quando a vida de todas as pessoas for boa. Jesus veio para demonstrar propostas concretas de como resolver os problemas da a humanidade. 

As primeiras comunidades também tiveram seus conflitos e como solução dos conflitos elas trataram de aplicar esses ensinamentos de Jesus com propostas concretas. As primeiras comunidades cristãs se entendiam como o corpo de Cristo aqui na terra. Portanto, elas entendiam que sua tarefa principal como corpo de Cristo era viver como Jesus viveu: Por exemplo, o apóstolo Paulo diz quem Efésios 4.25 e seguintes:

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que vocês pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não deem ao Diabo oportunidades para tentar vocês. Quem roubava, não roube mais, porém comece a trabalhar a fim de viver honestamente e poder ajudar os pobres. Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que as ouvem. E não façam com que o Espírito de Deus fique triste. Pois o Espírito é a marca da propriedade de Deus colocada em vocês, a qual é a garantia de que chegará o dia em que Deus os libertará. Abandonem toda amargura, todo ódio e toda raiva. Nada de gritarias, insultos e maldades. Pelo contrário, sejam bons e atenciosos uns com os outros. E perdoem uns aos outros, assim como Deus perdoou vocês por meio de Cristo. Vocês são filhos(as) de Deus, por isso devem ser como ele.

O que vocês acham? Como está a nossa Comunidade diante desses conselhos práticos do apóstolo Paulo? 
Nossa missão como membros da Igreja Luterana, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte é sermos o corpo de Cristo. E os ensinamentos de Jesus devem ser o nosso pão do céu que Deus mandou para dar vida a nossa comunidade, a nossa igreja e ao mundo inteiro.
Amem.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 6 / Versículo Inicial: 41 / Versículo Final: 51
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 48315
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É isto que significa reconhecer Deus de forma apropriada: apreendê-lo não pelo seu poder ou por sua sabedoria, mas pela bondade e pelo amor. Então, a fé e a confiança podem subsistir e, então, a pessoa é verdadeiramente renascida em Deus.
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