1917: nova roupagem, título e edição na capital

RIO GRANDENSER SONNTAGSBLATT

01/08/1988

1917: nova roupagem, título e edição na capital

Engano na contagem

O grande engano no cálculo da idade do Sonntagsblatt se deu na passagem de 1893 para 1894. As edições semanais foram contadas como sempre, de 1 (com data de 2 de julho de 1893) a 52 (com data de 24 de junho de 1894). Mas até fins de 1893 colocou-se no cabeçalho Ano 6 e a partir de inicio de 1894, Ano 7. Desta maneira acrescentou-se, inadvertidamente, um ano à idade do periódico.

Não sabemos mais se foi um lapso no manuscrito, na confecção ou na impressão do primeiro número (ou de um dos primeiros números) do jornal em 1894. Em todo caso, na época o engano aparentemente não foi percebido ou se esqueceu de corrigi-ler Na edição de 5 de julho de 1896, quando o Sonntagsblatt iniciou seu 9° ano, a redação comunicou: O 'Sonntagsblatt' começa agora o seu 10° ano. Na edição de 1° de janeiro de 1911 saudou o 25° ano e afirmou do jornal: Já percorreu duas dúzias de anos. Está explicado, portanto, um ano de diferença de um ano e meio constatado acima.

O restante da diferença

O meio ano restante de diferença originou-se de uma decisão consciente da redação. O ano 21 na contagem do jornal (na verdade, foi o ano 20) começou normalmente, com a edição de 7 de julho de 1907. No entanto, já encerrou com a edição n° 26, de 29 de dezembro do mesmo ano. A partir de 1908, o ano do Sonntagsblatt coincide com o ano civil. Mas, no cômputo geral há um ano que, na verdade, só durou meio ano. O aviso da redação, no último número de 1907, dizia:

A pedido de muitos leitores fizemos uma pequena mudança. De agora cm diante, o novo ano da Folha Dominical não se deve iniciar, como tem sido até agora, em 1° de julho, e sim, em 1° de janeiro

Interessante, no mesmo aviso, é ainda a informação de que nos seis meses anteriores o número de leitores havia crescido um pouco; mas ainda houve comunidade em que poucos leram o jornal. A redação apelou aos amigos do Sonntagsblatt, para que a ajudassem a aumentar a circulação do periódico. Pediu mandar-lhe relatórios das comunidades, pois seriam matérias preferenciais para a divulgação. Então a redação terá condições de fazer da nossa Folha, mais ainda do que até agora, um órgão das nossas comunidades!'

Durante anos, a redação do Sonntagsblatt atava a cargo do pastor Friedrich Pechmann (1851 — 1925), de Hamburgo Velho. No inicio de 1917, ele pediu liberação desta tarefa. A diretoria do Sínodo Rio-grandense, presidida pelo pastor Dr. Rotermund, atendeu o pedido. Ao mesmo tempo achou por bem que o jornal fosse editado na capital do Estado, como comunicou na edição de Páscoa (8 de abril) de 1917 (n° 14).

Os dois pastores da nossa comunidade de Porto Alegre aceitaram o desafio. O pastor Adolf Kolfhaus (nasc. 1883 e já falecido) assumiu a redação, o pastor Karl Eduard Gottschald (1882 — 1964), a tesouraria. A partir da mesma edição, o Sonntagsblatt mudou de título e recebeu roupagem nova. Passou a chamar-se Rio Grandenser Sonntagsblatt. Nebs amtlichen Mitteilungen der Rio Grandenser Synode” (Folha Dominical Riograndense. Juntamente com o Boletim Informativo do Sínodo Rio-grandense). Diminuiu seu formato para mais ou menos a metade do anterior. Poucos meses depois, porém, estava diante de uma situação incomparavelmente mais difícil.

Transtornos por causa das guerras mundiais

Uma parada e a mudança de língua A última edição de 1917 foi a de 28 de outubro (n° 42). Depois o jornal parou. Era a época da primeira guerra mundial. Navios de guerra alemães haviam afundado navios da Marinha Mercante do Brasil. Em 27 de outubro de 1917, o governo brasileiro reconheceu c proclamou o estado de guerra, iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil.

Os membros das nossas comunidades, praticamente todos eles descendentes de imigrantes alemães, foram pressionados e hostilizados. Houve inclusive restrições ao uso da língua alemã, o meio de comunicação cm seu dia-a-dia. Em novembro de 1917 foi decretado o estado de sírio. Não houve mais condições de continuar a publicação do Sonntagsblatt.

Os responsáveis não pouparam esforços, porém, para salvar o jornal até naquelas circunstâncias adversas. Em 1918 editaram três números (13 de outubro, 3 de novembro, 15 de dezembro) em língua portuguesa, sob o titulo Jornal Dominical do Sinodo Riograndense.

A administração avisou: “Graça a vós, e paz, da parte de Deus Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo! Eis como de todo o coração saudamos os nossos leitores, depois duma interrupção de quase um ano. Tomando em conta as circunstâncias, a nossa folhinha dominical d'ora em diante aparecerá em língua vernácula!”
Em 1919 houve nova parada. Só em 2 de novembro saiu o primeiro número daquele ano com a seguinte comunicação da redação: Após a interrupção de exatamente 2 anos de duração, causada pelo estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha, o Sonntagsblatt saúda seus queridos leitores e amigos, quer que estejam por perto ou longe, e espera poder sair novamente com regularidade, de agora em diante, para restabelecer o contato entre os membros do nosso Sínodo. Grandes trabalhos estão à nossa frente que tem que ser discutidos, examinados e realizados. Como antigamente, o Sonntagsblatt colaborará na edificação interior e exterior do Sínodo e deseja, para tal, um número bastante grande de leitores e colaboradores alegres!”

O titulo passou a ser novamente o que foi introduzido antes da interrupção. As edições eram semanais e a língua usada, a alemã.

Mais uma parada — e a Folha Dominical

A época da segunda guerra mundial (1939 — 1945) era mais difícil ainda do que a da primeira. Já em 1940, desde o n° 13 (de 31 de março), o Sonntagsblatt colocou seu nome em língua portuguesa na primeira página de cada edição, na parte superior, ir direita: Folha Dominical. Órgão do Sínodo Riograndense”. Em 1941, o jornal parou de novo, desta vez por vários anos. Na coleção do jornal que se encontra na Biblioteca da Escola Superior de Teologia da IECLB, em São Leopoldo, o último número existente antes da parada é o de n° 7, de 16 de fevereiro. Depois, a diretoria do Sínodo presidida pelo pastor Dohms, comunicou-se com as comunidades por cartas circulares.

A publicação do jornal recomeçou em 6 de julho de 1947 (n° 1).

O título passou a ser definitivamente Folha Dominical, com o subtítulo Sonntagsblatt der Riograndenser Synode (Folha Dominical do Sínodo Riograndense). A primeira página de cada edição, às vezes também outras páginas trouxeram as matérias em língua portuguesa, mas nos espaços restantes usou-se o alemão. Nesta forma da Folha Dominical, o jornal prestou seus serviços importantes e valiosos às comunidades até sua transformação no atual Jornal Evangélico.

Joachim Fischer, pastor, é professor de História Eclesiástica na Escola Superior de Teologia da IECLB, em São Leopoldo (RS)


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Autor(a): Joachim Fischer
Âmbito: IECLB
ID: 32154
HISTÓRIA
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Martim Lutero
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