Do JOREV pra Alemanha. E a volta coma “quina”

EX-REDATORA DO JOREV

01/08/1988

Do JOREV pra Alemanha. E a volta coma “quina”

Eva Dürr

Meu envolvimento com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil começou cedo, a:iás nela já fui batizada. Mas falando em termos profissionais, como jornalista, a experiência teve inicio logo que cheguei a Porto Alegre, no final da década de 6), vinda de uma das inúmeras colônias alemãs que caracterizavam o Estado do R:o Grande do Sul.

Tudo começou quando o pastor Godofredo Boll, então orientador dos estudantes evangélicos, me perguntou da possibilidade de, juntos, fazermos a Hora Evangélica aos domingos pela manhã numa das rádios da capital. Sem querer e sem saber, eu praticamente estava não só selando meu vínculo com a IECLB como também a minha história com a imprensa falada. E foi a partir de uma entrevista para um dos programas que passei a trabalhar na Quinta Assembléia Geral da Federação Luterana Mundial, que deveria ter sido realizada em Porto Alegre em 1970. A situação política vigente, todavia, fez com que o acontecimento fosse realizado na Europa.

Frustrações à parte, pelos anos de trabalho praticamente perdidos, o contato valeu pelo prosseguimento que houve. Assumi a redação das revistas Igreja em Nossos Dias e, junto com o pastor Martim Hiltel, a revista Presença. Ambas estavam até então sob a supervisão da jornalista Sybila Baeske, sendo que Igreja em Nossos Dias foi extinta logo depois, e a idéia de um novo jornal começou a amadurecer.

Lembro-me perfeitamente do dia em que, numa reunião com todos os interessados, na Senhor dos Passos, 202, ficou estabelecido que a Redação Central não seria mais em Porto Alegre e sim em São Leopoldo. Confesso que a idéia não me agradou, mas a timidez característica de quem vem do campo não me permitiu ir contra todos os votos a favor da mudança. Afinal, ela não só beneficiaria a maior parte dos interessados, que já moravam em São Leopoldo, como também permitiria a ampliação do espaço e uma série de facilidades técnicas para que o novo jornal fosse bem feitinho.

O colega jornalista envolvido no caso era o pastor Jost Ohler, que já residia no Vale dos Sinos. Ele seria encarregado da parte alemã do periódico e eu, das matérias em português.

Pessoalmente, encarava as coisas com um certo temor. Além do fato de ser solteira, com residência em Porto Alegre e possuir todo o círculo de amizades decorrentes dos anos de faculdade, da Casa do Estudante Evangélico e outros, enfrentar diariamente uma ponte rodoviária com ônibus super congestionados, não era algo que me agradava de todo (na ocasião ainda não ouvira falar em trânsito paulistano!). Mas, afinal, gostava do trabalho e estava na profissão. O resultado foi ótimo, creio. Ohler e eu formávamos uma dupla afinada e, não fossem as chances surgidas na ocasião, talvez ainda hoje estaria em São Leopoldo.
Como todo começo, também aquele teve seus dias cinzentos, a começar pela própria instalação, passando pela organização interna, pauta, redação e em parte propaganda. 'Rido isso ficava quase que integralmente por conta de duas pessoas. Só mais tarde contamos com a assessoria de uma secretária.

O resultado, porém, deste corre-corre característico de qualquer redação foi bom, o que mais urna vez comprova que todo o esforço, seja ele qual for, tem sua compensação não só imediata, mas também a longo prazo. O jornal evoluiu, aumentou a tiragem e eu, em pane graças a tudo isso, tive outras possibilidades.
Em 1972, aproveitando uma chance e querendo abrir novos caminhos, fui a Munique para os Jogos Olímpicos. Da Alemanha, onde permaneci até o final daquela data, enviava matérias para o Jornal Evangélico, que continuava sob a batuta do pastor Ohler, sendo assim, talvez, a primeira correspondente no exterior.

De regresso ao pago, assumi a redação de um telejornal da TV Gaúcha, onde fiquei até 1976, quando, mais uma vez, quis o destino, como diriam muitos, que eu conseguisse algo no exterior. Com a máquina de escrever e a cuia na mão, troquei a costa do Guaíba pela beirada do Reno onde, em Colônia, integrei a equipe de jornalistas da rádio Voz da Alemanha, a Deutsche Welle, até 1981.

A permanência prolongada naquele país como repórter, redatora e locutora da rádio e correspondente do jornal gaúcho Zero Hora resultou em duas grandes heranças: voltei a São Paulo, onde vivo hoje, com vasta experiência profissional e com marido e filho. O que, diga-se de passagem, é o equivalente a uma quina acumulada, que, quando bem administrada, rende juros e correção monetária para o resto da vida.

Eva Dürr, ex-redatora do JOREV, das revistas Presença e Igreja em nossos dias, reside atualmente em São Pauto


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Autor(a): Eva Dürr
Âmbito: IECLB
ID: 32175
HISTÓRIA
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