Jornal nacional se impôs em 1968

DEPOIMENTO DOS EX-PRESIDENTES

01/08/1988

Os jornais regionais existentes por ocasião do desaparecimento jurídico dos Sínodos, em 1968, que eram a Folha Dominical, do então Sínodo Riograndense, e Voz do Evangelho, do Sínodo Santa Catarina e Paraná, foram fusionados em novembro de 1971 para dar lugar a um só jornal, o Jornal Evangélico, de circulação nacional. O Jornal Evangélico saiu com o seu primeiro número em 15 de novembro de 1971, e teve como seu primeiro diretor o Pastor Presidente da IECLB de então, Karl Gottschald, enquanto que o pastor Jost Ohler assumia o cargo de redator-chefe. Na sequência, nesta edição especial, é registrada a posição dos Pastores Presidentes da IECLB desde 1968 até hoje sobre o desempenho do Jornal Evangélico e o papel que exerceu e que vem exercendo como jornal nacional da IECLB. Dão, pois, o seu parecer os pastores Karl Gottschald, Augusto Ernesto Kunert e Dr. Gottfried Brakemeier. 


Jornal nacional se impôs em 1968 

Se o pastor Jost Ohler — o primeiro redator-chefe e o segundo diretor do Jornal Evangélico — tivesse sido alguém que seguisse com obediência o que a direção da Igreja queria, certamente o Jornal Evangélico não teria evoluído tão rapidamente como evoluiu, reconhece o pastor Karl Gottschald, pastor presidente da IECLB por ocasião do surgimento, em 1971, do Jornal Evangélico e o primeiro diretor do veículo nacional da Igreja.

Ohler já tinha mais uma visão para o futuro e por isso defendia a ideia de que as bases tinham que ter espaço para se manifestar, enquanto que nós, da direção, éramos de opinião de que este jornal era instrumento da própria Igreja. O JOREV, contudo, foi se libertando desta função para ser realmente um órgão que reflete também as aspirações da base, de discussão e de diálogo, avalia o pastor Gottschald, pastor presidente de novembro de 1969 a março de 1979, quando se aposentou.

Segundo ele, a necessidade de um jornal nacional na IECLB surgiu em 1968, mas não foi possível coloca-la em prática sem antes vencer certos obstáculos: tanto o jornal Folha Dominical, do então Sínodo Riograndense, como o jornal Voz do Evangelho, do Sínodo Santa Catarina e Paraná, tinham suas tradições.

ORIENTAÇÃO UNIFORME

Contudo, prossegue Karl Gottschald, com o desaparecimento jurídico dos Sínodos, em 196S, era necessário ter um órgão próprio que orientasse a Igreja toda de maneira uniforme e que, ao mesmo tempo, servisse como elo de ligação entre as diversas regiões para promover a troca de experiências entre elas No início, coloca Gottschald, tudo foi bastante aberto, deixando-se inclusive a possibilidade para as regiões terem o seu suplemento dentro do Jornal Evangélico, mas importante era a orientação uniforme para que se criasse uma Igreja una, nacional”.

Perguntado se ainda hoje defenderia a extinção de jornais regionais para a criação de um jornal nacional em termos de IECLB, o ex-presidente responde que, hoje, depois que a unificação deu certo, não vê mais como necessária a eliminação de uni para o chamamento à vida de outra Os jornais regionais poderiam muito bem continuar existindo porque eram o porta-voz dos Sínodos, coloca Karl Gottschald. Ele confessa, porém, que havia um receio muito grande da unificação da IECLB não dar certo e que residiu ai uma das razões para que houvesse somente um jornal, cuja tarefa era de auxiliar na criação da Igreja una
A tradição dos Sínodos também iria se fazer sentir no Jornal Evangélico, no que dizia respeito à direção. Os jornais regionais tinham como seu diretor o respectivo Präses (pastor regional), e o mesmo aconteceu com o jornal nacional: Karl Gottschald, como pastor presidente, também assumiu a direção do jornal. No entanto, somente por um período de pouco mais de um ano — do primeiro número (15 de novembro de 1971) até dezembro de 1972.

A partir daquela data, por decisão do Conselho Diretor, a direção do Jornal Evangélico foi entregue ao pastor Jost Ohler, porque queríamos valorizá-lo e encaminhá-lo, pois ele tinha os dons para esta tarefa, sublinha Gottschald. Segundo ele, Ohler se dedicou a esta tarefa não apenas com muito entusiasmo, mas também com muito conhecimento de causa, com muita competência, como um verdadeiro profissional.

Mas não eram raros os choques e as divergências entre Ohler e a direção da Igreja. admite o pastor Gottschald. As diferenças, conforme ele, surgiam porque a direção da IECLB tinha interesse num jornal orientador, que desse mais as diretrizes, que levasse a todas as Paróquias e Comunidades o que a IECLB pretendia ser, enquanto que Ohler defendia maior espaço às bases.

Contudo Gottschald destaca que, apesar de todos os choques havidos, isto nunca afetou o relacionamento pessoal entre ele e Jost Ohler. Gottschald inclusive é de opinião de que é muito salutar quando um jornal de Igreja dá lugar a várias correntes e não se fixa numa linha só, sendo porta-voz de todo povo. Ohler estiva na linha certa, destaca.


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HISTÓRIA
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