O sonho de Emil Dietz feito realidade em 1972

ANUÁRIO EVANGÉLICO

01/08/1988

O sonho de Emil Dietz feito realidade em 1972

P. Heinz Ehlert

Dizem os entendidos que sonhamos a noite inteira. Verdade é que, só às vezes, temos condições de nos lembrar nitidamente e contar o que sonhamos. Acontece também que um sonho é diferente de outros e ficamos intrigados ou contentes, conforme o conteúdo. Poucas vezes pensamos que o sonho possa ter um significado especial ou até ser uma mensagem de Deus a nós pessoalmente. A Bíblia conta histórias de sonhos até de pagãos que tiveram significado dentro da história da salvação. Vejam o exemplo de José no Egito!

Mas eu queria referir-me a um outro tipo de sonho. Um sonho em dia claro, de olhos bem abertos e mesmo de mente bem desperta. Assim todos nós já sonhamos algum dia, sem dúvida. Muitas vezes, sonhos assim nascem de uma situação de descontentamento, da percepção de uma necessidade premente. Eu me alegro quando encontro gente capaz de sonhar. Claro, se tiverem os pés no chão ou continuarem, ao mesmo tempo, com os pés no chão.

O sonho de que eu falo foi de um homem de negócios. Um homem que ama a sua Igreja e com sensibilidade para certas necessidades. E isto no campo da literatura. Este homem se chama Emil Dietz. Lá por 1970/71, ele sonhou com um almanaque em língua portuguesa. Sentiu que havia uma lacuna no mercado livreiro. A Igreja editava um almanaque em língua alemã, o tradicional Jahrweiser. Mas faltava algo assim no vernáculo.

Emil Dietz não se satisfez em sonhar. Do sonho partiu para passos concretos. Conversou com outros. Procurou motivá-los. Vendeu a idéia. Procurou o Pastor Presidente da Igreja, Karl Gottschald, para conseguir uma autorização e levar adiante o seu plano.

A esta altura já tinha contornos mais precisos para o que aspirava. Até nomes para o redator e diretor já foram mencionados. A firma FACE, de Curitiba, se dispunha a lançar e a distribuir o almanaque. Um dos donos da FACE era o próprio Emil Dietz. Tendo recebido luz verde da direção da Igreja, podendo contar, portanto, com o seu apoio, o plano podia ser desenvolvido.

PLANEJAMENTO CONCRETO

O iniciador do projeto continuou a contactar pessoas. Assim fui procurado por ele, mais um sócio seu e por Henrique Wunderlich, funcionário da FACE e, também membro da Comunidade Evangélica Luterana de Curitiba, onde eu trabalhava como pastor naqueles idos de 1970 (final do ano). E por que eu? Era então Pastor Regional da Região 2 em exercício, e além disso ocupava a segunda vice-presidência da IECLB.

Havia-se concordado que todo o trabalho de planejamento e execução do almanaque a ser lançado devia acontecer na Região 2. O convite que me faziam era o de assumir a função de diretor responsável do almanaque. Já tinham consultado o pastor Friedrich Gierus, então pároco em Indaial (SC), sobre a possibilidade de ele ser o redator. Acabei aceitando o desafio.

Convocamos uma reunião de planejamento para Camboriú (SC). Os representantes da FACE, o pastor Gierus como futuro redator, um representante da Editora Sinodal, de São Leopoldo, e várias outras pessoas para escrever artigos para o novo almanaque foram convidadas.

Esta primeira reunião de planejamento realizou-se em Camboriu, em 11 de janeiro de 1971. A maioria dos convidados compareceu. O pastor Gierus foi confirmado como redator. Pela FACE estiveram presentes os senhores Zwiener e Wunderlich. A Editora Sinodal se fez representar pelo pastor Bertholdo Weber.

DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS

Antes de tudo foi definido o caráter e o nome do almanaque. Muito rápido se chegou a uma conclusão sobre o nome: Anuário Evangélico. Mais discussão trouxe a definição dos objetivos e do caráter do almanaque. Mas também aqui se chegou ao consenso de que deveria conter boa leitura para o lar cristão: informação, narração de fatos da vida real, acontecimentos pitorescos em nossas comunidades, contos, reflexão teológica, biografias leves. Aliás, todos os artigos deveriam ser curtos.

O Anuário Evangélico seria um tipo de Seleções Evangélicas. Os artigos deveriam ser, de preferência, originais para o Anuário, podendo entrar também adaptações ou traduções de artigos publicados no Brasil ou exterior.

Nunca houve, até a presente data, a preocupação de ter uma edição temática. Antes seria uma variedade de temas, autores, opiniões, mas visando a informar, a estimular à reflexão, entreter e edificar os leitores. Os planejadores ainda acertaram que a edição de lançamento deveria ter uma tiragem de 20 mil exemplares. A FACE se encarregaria da publicidade e da distribuição em todo o Brasil.

Leitura “obrigatória” em todas as comunidades

Cedo no segundo semestre de 1971, a impressão está pronta: Anuário Evangélico 1972! A Empresa Gráfica Metrópole de Porto Alegre fora confiado o trabalho de impressão. Saiu a contento. Um trabalho limpo e bonito. Na capa, a efígie de um caboclo nordestino em contraste com a imagem da metrópole São Paulo: Edifícios modernos ao lado da Igreja em estilo gótico.

O Pastor Presidente Gottschald escreveu o prefácio. Ele define: O presente calendário procura ser um bom amigo de nosso lar e oferecer a pais e filhos literatura interessante, variada, instrutiva e, sobretudo, baseada na libertadora mensagem evangélica do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
E variado mesmo é o conteúdo. Já existe a preocupação em informar sobre Igrejas irmãs e sobre o que se passa no mundo, seja sob o aspecto político, social e religioso.

A exemplo do irmão em língua alemã, o Jahrweiser, o Anuário Evangélico contém propaganda para baratear os custos. Deve ser acessível a todos os lares! No final, é incluído o Prontuário da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, trazendo os endereços da IECLB, das Regiões, dos Distritos Eclesiásticos e dos obreiros.

O ANUÁRIO OCUPA O SEU ESPAÇO

A distribuição foi feita pela FACE com todo carinho e empenho. Numa Kombi foram percorridos milhares de quilômetros a paróquias mais longínquas da IECLB, para fazer, em tempo hábil, a entrega. O eco foi animador, embora não se conseguisse colocar a tiragem toda. Mas valeu a experiência.

Hoje, na 17ª. edição, o sonhado almanaque para as nossas comunidades já tem história e tradição. Permaneceu fiel aos seus objetivos e ao seu caráter. É literatura de distribuição obrigatória das paróquias a cada final de ano para o ano seguinte. Digo obrigatória porque não pode faltar. Houve mudanças e adaptações nesse meio tem-po. Uma vez implantado o Anuário, a FACE passou a responsabilidade de edição e distribuição à Editora Sinodal.

O pastor Gierus, depois de vários anos, deixa a redação e é substituído pelo pastor João Pedro Brueckheimer. Desde 1988, Gierus novamente é o redator do almanaque, uma vez que o pastor Brueckheimer renunciou ao cargo. Também os colaboradores variaram. Desde o início, anualmente temos entre eles o pastor emérito Dr. Lindolfo Weingärtner, consagrado escritor e poeta.

PATRIMÔNIO LITERÁRIO

O pastor Dr. Joachim Fischer, professor da Escola Superior de Teologia da IECLB, forneceu-nos muitos artigos sobre a História da Igreja. O pastor regional Meinrad Piske, da Região 2, e a irmã Liselote Kieckbusch também estão entre os colaboradores mais antigos. Uma longa lista deveríamos estabelecer se quiséssemos mencionar todos. Criou-se um respeitável patrimônio literário ao longo da existência do Anuário Evangélico. Conquistamos leitores além dos muros de nossa Igreja.

Quando deixei a função de pastor regional da Região 2, coloquei o cargo de diretor do Anuário à disposição. Mas fui solicitado a continuar. Devo confessar que gosto do trabalho. Sou grato a todos quantos fielmente colaboraram para que o Anuário tivesse o seu espaço. Autores, redatores, Editora e, especialmente, os leitores e os pastores que fizeram, durante todos estes anos, o papel de agentes.


Desde março de 1988, o pastor Heinz Ehlert é coordenador de tempo integral da Comissão Nacional de preparação da 8° Assembléia da Federação Luterana Mundial, a ter lugar em 1990, em Curitiba.


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Autor(a): Heinz Ehlert
Âmbito: IECLB
ID: 32194
HISTÓRIA
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A vida cristã não consiste em sermos piedosos, mas em nos tornarmos piedosos. Não em sermos saudáveis, mas em sermos curados. Não importa o ser, mas o tornar-se. A vida cristã não é descanso, mas um constante exercitar-se.
Martim Lutero
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