Por que veiculamos propaganda em nosso jornal

PROPAGANDA NO JOREV

01/08/1988

Por que veiculamos propaganda em nosso jornal

De vez em quando, leitores do Jornal Evangélico comentam a veiculação de propaganda num jornal de Igreja. Nem todos já compreendem que a propaganda é uma necessidade do jornal. Porque ela subsidia o preço da assinatura. Para esclarecer os leitores do Jornal Evangélico sobre a importância da propaganda, fizemos uma entrevista com o jornalista Egon Hilário Musskopf, que é dentro da equipe do Jornal Evangélico o responsável pela área de promoção e publicidade.


— Os leitores têm percebido que, de algum tempo para cá, o Jornal Evangélico está incentivando a colocação de mais propaganda nas páginas. A que se deve isso?

Egon — Os custos gráficos e de produção se elevaram de uma forma tal, que seria injusto repassar todos esses custos para os assinantes. Uma das saídas é a veiculação de propaganda. Optamos por este caminho por ser o caminho natural que todos os jornais, no mundo inteiro, seguem.

— Como você imagina que o leitor do Jornal recebe a propaganda no Jornal?

Egon — Acredito que com naturalidade. Até mesmo imagino que ele a compreenda como necessidade do jornal. Além disso, é preciso levar em conta uma importância fundamental que a propaganda tem no Jornal Evangélico: ela subsidia o preço da assinatura. Se não fosse a propaganda, teríamos que repassar todos os custos para o assinante, uma vez que não recebemos absolutamente nada em termos de receita que não venha das assinaturas ou das propagandas das empresas. Excepcionalmente, podemos encaminhar algum projeto de ajuda para alguma entidade do exterior.

— Existem limites para a propaganda no jornal?

Egon — Determinados por um regulamento, não. Determinados por critérios técnicos e morais, sim. O Jornal não aceita anúncios de empresas que queiram vender o fumo, a bebida alcoólica ou algum veneno agrotóxico. É um princípio moral. O Jornal não excede normalmente 40% do seu espaço em propaganda, quando basta abrir qualquer publicação para perceber que ali existem mais propagandas do que temas. É um critério técnico.

— O Jornal não precisa disso?

Egon — Pelo contrário, o jornal precisa e muito. Acontece que o Jornal Evangélico não c uma empresa que visa lucros. A sua proposta é ser um veículo com mensagens cristãs, com reportagens sob uma ótica evangélica. Então busca recursos para subsistir e não para enriquecer.

— Os empresários que anunciam percebem isso?

Egon — Podem perceber. Para eles, poder contribuir para que um jornal de proposta evangélica possa subsistir é importante. Por outro lado, todos os leitores do jornal são consumidores e isso eles também sabem. Como também sabem que o jornal seleciona seus anunciantes, o espaço neste jornal passa a ser igualmente importante. Além de tudo isso, é preciso considerar que em muitos lares o Jornal Evangélico é o único jornal lido pela família.

— A propaganda resolveu os problemas do jornal?

Egon — Está ajudando a resolver. De momento, a situação do jornal é muito ruim e todos que nele trabalham estão empenhados para que ele não venha a morrer.

Problemas de ordem financeira e de fama adquirida

— Dá para explicar melhor? 

Egon — Certamente. Nos últimos meses, os custos de um modo geral aumentaram assustadoramente. A cada nova edição temos novos custos gráficos. E geralmente acima dos índices da inflação. Aliás, em todo o Brasil muitos jornais estão parando. A crise que se abate sobre a sociedade brasileira se reflete com mais força no jornal, pois se uma família está lutando com enormes dificuldades para se alimentar, na hora da renovação da assinatura ela terá que cancelá-la por já não poder pagá-la. Muitas vezes são assinantes que há 20 ou 30 anos leem o jornal. E, nos últimos meses, temos tido muitas desistências pela situação de empobrecimento a que está submetido o povo brasileiro. 

- O problema do jornal, então, é financeiro? 

Egon — É mais do que isso. A situação financeira é um dos problemas. Outro problema é de conceituação. É comum ouvir-se dizer que o Jorna: Evangélico é muito político. Isso precisa ser mais refletido. A imagem de ser um jornal muito político vem de anos passados, como consequência de uma estratégia editorial. Então o jornal ganhou a fama de político, de esquerda. E perdeu assinantes porque assumiu as bandeiras da sua igreja. Quando a IECLB elegeu reforma agrária, questão indígena e outras de conotação sócio-política, o Jornal Evangélico foi fiel à sua Igreja. Como ônus perdeu assinantes que não concordavam com estes posicionamentos DA IGREJA. Nos anos em que a IECLB elegia prioridades menos controvertidas, menos polêmicas, como, por exemplo, Homem e Mulher Unidos na Missão, o jornal já não era considerado mais tão político. 

Hoje, o jornal perde assinantes por causa da situação socioeconômica do Brasil e são raros os cancelamentos que alegam ser ele muito político. Estamos empenhados em fazer um jornal voltado para a família, que seja útil a todos e que trate das questões com isenção, ouvindo todas as partes envolvidas quando a temática foi mais polêmica. Acreditamos que haveremos de conseguir convencer as pessoas de que somos um jornal honesto e profundamente democrático. E que somos comprometidos com o Evangelho, que nos impõe que façamos anúncio e denúncia sempre que isso se fizer necessário. Então, basicamente, os problemas atuais são de ordem financeira e reflexo de uma fama adquirida. 

— Houve evolução nesta mudança de conceito? 

Egon — Sem dúvida. Temos recebido muitas manifestações de apoio ao jornal, principalmente após algumas inovações introduzidas há cerca de dois anos, quando foram criadas as colunas que hoje dão uma nova dinâmica de leitura ao jornal. A dificuldade para mudar o conceito de quem já cancelou a assinatura é que é grande. Como alcançá-los e falar-lhes da nossa nova proposta? Estamos fazendo isso, incansavelmente, no corpo a corpo, mas precisamos avançar e para isso precisamos contar, mais uma vez, com a colaboração de pastores, agentes e dos assinantes em geral. 

- Os pastores ajudam muito na divulgação do jornal? 

Egon — Já ajudavam bem mais. Nos dias de hoje, os pastores têm bem mais preocupações do que em tempos passados. Então também lhes sobra menos tempo para a divulgação da Palavra escrita. Mesmo assim, temos em muitos pastores excelentes e decisivos colaboradores. E, sempre de novo, apelamos para eles. E na medida em que está nas suas possibilidades, eles atendem nossos apelos. 

— A IECLB não exige nada dos pastores neste sentido? 

Egon — A IECLB apoia as iniciativas do jornal, e os pastores sentem isso. Mas as coisas não acontecem em termos de cobrança. Cada qual é livre para apoiar, deixar de apoiar ou omitir-se. Para a IECLB, o Jornal Evangélico é um órgão oficioso da Igreja, não um órgão oficial. Se formos para as Comunidades, sentiremos algo bem diferente, pois as famílias entendem o Jornal Evangélico como sendo o jornal da Igreja e não se fala em oficial, oficioso ou outros termos. Muitos até pensam que a Igreja coloca dinheiro no jornal. É comum ouvir reclamações do preço em termos de a gente já paga a Igreja e ainda precisa pagar o jornal. Não tem nada a ver. O jornal está aí para contar a caminhada da sua Igreja, e todo este trabalho, todos os custos advindos desta missão, são cobertos pelo preço das assinaturas e pela propaganda do jornal. 

— Existe algo em vista para reabilitar a situação financeira do jornal? 

Egon — Temos diversos planos, que vão desde a redução de custos até uma agressividade maior nas vendas, tanto de assinaturas como de anúncios. Uma pessoa está sendo contratada para cuidar, exclusivamente, das assinaturas. Nas próximas semanas, deveremos dar a arrancada para a reabilitação. Aliás, ela começa com esta edição, no apelo dirigido aos assinantes através do encane que está neste jornal. Estamos diante de um grande desafio e vamos enfrenta-lo. Grandes problemas, grandes decisões. Afinal, não apenas fazemos um jornal de fé, mas também somos pessoas de fé.


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