Uma publicação inspirada em revistas de além-mar

SELEÇÕES EVANGÉLICAS

01/08/1988

Uma publicação inspirada em revistas de além-mar

P. Christoph Jahn

Discutia-se, no início dos anos 60, com muito entusiasmo sobre esta pergunta: Será que a Igreja Evangélica, surgida da imigração alemã no Sul do Brasil, poderá, passo a passo, aprender e manejar a língua do próprio país c substituir, assim, conscientemente, a língua de Lutero — o alemão — pelo idioma que os filhos das nossas famílias aprenderam na escola desde o primeiro ano? Hoje não compreendemos como se pôde discutir de tal maneira. Naqueles anos, a Editora Sinodal publicou, a cada ano, um almanaque Jahrweiser e um calendário com meditações para cada dia na língua dos antepassados.

Foi o Distrito Eclesiástico de Cachoeira, do então Sínodo Riograndense, hoje Região 4, que não se conformou com o debate. O concílio distrital de Cachoeira que decidiu preparar um calendário com meditações diárias, e nós chamamos este filhote de nossa região nos primeiros anos de A Palavra Diária. Hoje, dezenas de milhares de famílias acompanham a leitura da Bíblia através do devocionário Castelo Forte, apoiado por diversas igrejas brasileiras e até exportado para países africanos de língua portuguesa. É difícil imaginar que, na primeira edição, tivéssemos mal e mal 3.000 exemplares.

SELEÇÕES EVANGÉLICAS

Foi um comerciante da vila Arroio do Tigre que perguntou-me, em determinada ocasião, por que a nossa Igreja não estava oferecendo um pequeno calendário com brinde, com xilogravuras cristãs, por exemplo. Graças ao Sr. Eugênio, um ano depois saiu o Calendário Wartburg, com 12 peças da arte cristã. Hoje, a Editora Sinodal oferece um número elevado de tais brindes. Pergunto: Será que o Sr. Eugênio ganhou tantos colegas que distribuem tais calendários aos fregueses?

Finalmente, após o diário e o mensal faltou o anuário na língua portuguesa. Descobrimos no mercado alemão uma revista do tipo Seleções, mas de cunho protestante —brochuras com artigos e fotos para a família evangélica. Por que não imitar um bom exemplo? Com a licença de algumas editoras e revistas de além-mar começamos a compor o primeiro anuário da IECLB em português, chamando a nossa obrinha de 'Seleções Evangélicas.

Foi selecionado e traduzido o que podia ser útil e edificante No primeiro ano foi um tipo florilégio composto de diferentes flores de diversas cores. Já no segundo ano (1964), nosso anuário tinha um tema: Ecumene — O povo de Deus no mundo de Deus. Para cada mês havia uma figura da história da cristandade mundial, como, por exemplo, o bispo Soederbium, da Suécia; Henri Dunant, da Suíça; Matilda Wrede, da Finlândia; o holandês Visser't Hooft bem como dona Kaete, esposa do reformador Lucro, e o bispo Azaria, da Índia. Os dados estatísticos daquele ano indicavam a existência de 854 milhões de cristãos no mundo inteiro. Horst Helmut Bergmann, Eberhard Sydow, Ernesto Fischer, Karl Seibel e Kurt-Benno Eckert foram alguns dos autores do Seleções Evangélicas em sua segunda edição.

CIDADANIA RESPONSÁVEL

A terceira edição dedicamos ao Livro dos Livros: Para os 12 meses de 1965 apresentamos 12 personagens ligados à Bíblia, de Jeremias até Johann Sebastian Bach. Os artigos, na sua maioria, não eram mais traduções. Os catedráticos da Faculdade de Teologia da IECLB compartilharam com os leitores o que sabiam sobre o documento principal de nossa fé. Pequenas dramatizações ajudaram para o uso da Bíblia nos grupos e congregações.

Ano 4: Impulsos de fé praticados de Francisco de Assis até Teófilo Otoni (MG). Contamos para esta edição com a cooperação gráfica de Sibyla Diehl. Folheando naquela edição, venho a reler o posicionamento do 3° Congresso Regional, em Agudo (RS), sobre o testemunho cristão na vida político-comunitária. O Congresso sugere que as comunidades incluam na sua programação também a informação política e a preparação da futura geração para uma cidadania responsável, debate fraternal dos problemas que afligem a coletividade, sem distinção de credo, cor ou partido — assim os termos de 1965!

ANO ECLESIÁTICO

O último número do anuário Seleções Evangélicas que eu tive o prazer de redigir foi o de 1967. Já em cooperação com muitos autores de nosso próprio meio-ambiente, esta edição destacou o Ano Eclesiástico. Há poucos dias, um visitante brasileiro, diretor de uma escola evangélica, afirmou-me que usou durante muitos anos esta edição como livro escolar do ensino religioso.

Até hoje não sinto vergonha ao reler aquelas tentativas de fornecer às comunidades material edificante para a vida cristã, para a vida comunitária e para a participação efetiva na vida social do povo brasileiro. O tamanho da brochura de fato foi pequeno. Mas não é sempre assim com sementes? Da semente Seleções Evangélicas cresceram diferentes livros, publicações e, afinal, o Anuário Evangélico. Aprendemos e manejamos a língua vernácula. Parabéns, Editora Sinodal, pela sua extensão atual.


Christoph Jahn trabalhou na TECLE com pastor em Arroio do Tigre (RS), de 1957 a 1967, retornando à Alemanha naquele mesmo ano. A partir de então atua no Verlag der Evangeltsch-Lutherischen Mission Erlangen (Editora da Missão Evangélica-Luterana de Erlangen), do qual é diretor.


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Autor(a): Christoph Jahn
Âmbito: IECLB
ID: 32193
HISTÓRIA
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Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros.
Colossenses 3.13
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